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Eliane Pessoa - Consultora RH



Cruzeirense de Arquibancada
Fernandão escreve preferencialmente após as apresentações do celeste cinco estrelas

26/06/2017 | Fernandão
O que queremos do Cruzeiro?

Torcida mantém as suas restrições ao treinador celeste nas vitórias e nas derrotas, mantendo o ambiente sempre pesado

Verdades (quase absolutas)

O veículo de comunicação dominante nas alterosas decretou: a torcida do Cruzeiro não gosta do Mano Menezes. Foi além, não gosta porque o time foge de suas tradições de futebol ofensivo. O que vale é rápido e rasteiro, como nos tempos do Príncipe e do Rei Branco.

Como se todos nossos títulos tivessem sido ganhos assim, Alex10, o craque que jogou aqui por quase duas temporadas inteiras, estabeleceu o DNA do time. DNA que o herege do Mano Menezes não segue. A primeira pergunta que faço é: Será?

Será que isso é assim mesmo?

O João Duarte, aqui do lado, já fez de forma brilhante o pós-jogo de ontem. Só começo a escrever as minhas colunas de manhã, então desobriguei-me a ater meu comentário a Cruzeiro x Coxa para fazer uma escrita a punho livre. De antemão, alerta para os eventuais leitores. Não busco a solução para as perguntas que vou por. Apenas busco as perguntas certas, para por em perspectiva algumas questões absolutas que vem me incomodando, no momento atual do time.

A mídia esportiva vive de generalizações

Quem nunca ouviu alguma frase feita sobre futebol e questionou a sua validade? No Brasil estuda-se pouco o jogo, confiamos demais em chavões. Vou dar um exemplo ``ataques ganham jogos e defesas ganham campeonatos´´. Ouvi isso outro dia da boca do Juca Kfouri, exaltando o ótimo momento defensivo do Corinthians. Não é tão difícil assim buscar a comprovação, se é que alguém se interessa por isso. Busquei, por ser cruzeirense e me lembrar dos anos em que fomos campeões, sempre com o melhor ataque. Eis o resultado: Foram até hoje jogadas 14 edições em pontos corridos. Como eu supunha, por 4 vezes o melhor ataque venceu. Porém em outras 4 vezes, deu a melhor defesa. Em outras seis edições, rigorosa divisão, por 3 vezes tivemos times dominantes, com melhor defesa e ataque. Outras três vezes o campeão não teve nem a melhor defesa, nem o melhor ataque.

A tal comprovação mostra que não é bem assim. Claro, em 14 edições os times campeões fizeram mais pontos. Isso sim, importa. A memória afetiva do Juca o traiu, o Corinthians teve as melhores defesas em 2011 e 2015, quando foi campeão.

O futebol mundial está mudando, e ficamos pra trás

O que os nossos comentaristas sabem comentar, volantes, pegada, passes errados e etc, ficou pra trás. Todo mundo do meio esportivo foi obrigado a se mexer depois do 7x1 da Alemanha, mas o pessoal não soube muito bem pra onde. Alguns conceitos de jogo apoiado, jogo reativo e jogo de transição começaram a aparecer nas mesas-redondas, mas verdade seja dita: o torcedor médio que cresceu ouvindo outros conceitos abomina os termos e o papo desses caras. Alguns especialistas em tática com o André Rocha escrevem assim. O que é feito para consumo de massa, não.

Por isso a reação desproporcional e unânime depois do jogo contra a Ponte. Ali os caras que estão todos inseguros, têm certeza que o técnico fez bobagem. Um técnico com alta rejeição. É uma crítica fácil de fazer.

O Jogo do Cruzeiro

Fiz uma provocação um dia desses, quando a turma toda estava endeusando o jogo do Romero. Como é que a turma quer jogo propositivo, se adora um volante porreteiro?

É só a provocação mesmo. Em um time que jogue um futebol realmente propositivo, o Romero não tem vaga. Ressalto, hoje ele tem vaga no meu time. Mascherano, que tem muito mais qualidade que o Romero, não tem lugar no meio campo do Barcelona. Para jogar, foi deslocado para a zaga, isso há anos, nem é questão de idade. Com Guardiola, nem Yayá Touré joga. Falo mais sobre isso adiante.

O time de futebol tem de fazer o melhor possível com as peças que tem à disposição. O Cruzeiro copeiro da década de 90 nunca jogou futebol propositivo. Jogava com força na marcação, intensidade, sabia controlar os jogos e impor sua defesa. Tinha um goleiro excepcional, por isso derrotou em diversas oportunidades adversários superiores tecnicamente.

Não é coincidência o fato de que nas Copas do Brasil de 93, 96 e 2000, bem como na Libertadores de 97, a partida de ida da série decisiva terminou empatada.

A Copa do Brasil de 96, um dos títulos de maior orgulho do cruzeirense, começou no Mineirão. Começou com o Roberto Gaúcho no banco para entrarem três volantes, Fabinho, Ricardinho e Uéslei, com Palhinha e Cleisson terminando de fechar o meio. Assim como Muller e Fábio Júnior saíram do banco em 2000, na mesma competição. Os três volantes do Marco Aurélio estavam lá: Marcos Paulo, Donizetão e Ricardinho.

Existem formas diferentes de ganhar. Times realmente bons sabem usar mais de uma. Dois treinadores, na Europa polarizaram o final da última década e o início dessa: Mourinho e Guardiola.

Por terem tido o seu tipo de jogo mapeado, geralmente um estilo único, sem muitas variações, passam por um momento de questionamento.

Mourinho, Guardiola...

Mourinho e Mano Menezes são parecidos. Não me refiro a resultados, mas à fórmula usada preferencialmente. O português teve sucesso se baseando no jogo reativo, estruturando suas equipes sobre defesas seguras. Sempre buscou o contragolpe.

Recebeu um cheque em branco do United e foi atrás de jogadores caros. Como foi muito mal em sua última passagem na Inglaterra, quando foi demitido do Chelsea, sentiu a necessidade de mudar. Disse no início da última temporada que:

Nós não seremos um time que defende e espera o adversário cometer erros. Eu sei como construir esses times, eu fiz isso antes, sendo muito pragmático. Essa não foi nossa escolha. Não é algo que os torcedores e diretores querem. Não é algo que eu quero para esse projeto.

De forma semelhante, Guardiola, que passou três anos estagnado na carreira, vencendo anualmente o facílimo campeonato alemão (para o Bayern) chegou a Inglaterra, e viu que o seu jogo apoiado, visando controlar a posse de bola não daria certo. De cara, foi aconselhado pelo seu ex-capitão Xabi Alonso a dar mais importância para a segunda bola. Na Inglaterra, o jogo é mais físico, então a bola fica mais tempo ``sem dono´´, e é aí que reside o controle dos jogos: ganhando a posse após uma ligação direta, chute a gol, dividida ou qualquer outra situação em que a bola fique solta.

Ambos fizeram uma temporada discreta, quando leva-se em conta o investimento dos times. Os rivais de Manchester ficaram em 3º e 6º. O United, que ficou em posição inferior, classificou-se para a próxima Liga dos Campeões por ter vencido a Liga Europa, a Sulamericana deles.

Mourinho e Guardiola, na Europa já são tratados mais como grife do que como o que há de mais moderno. Ambos têm uma coincidência relevante com o nosso técnico atual. Todos acreditam mais nas próprias convicções do que no papo dos comentaristas e torcedores. Guardiola, de cara, mandou o goleiro ídolo dos caras embora, por não se encaixar em seu jogo. Mourinho quando viu que a temporada estava indo pro brejo, não teve vergonha de suas retrancas para faturar um mata-mata. Mano poupou o time todo contra Ponte.

Dentre técnicos, bons e ruins, novos e velhos, vou destacar uma frase do Peter Bosz, técnico do Ajax na última temporada, que estará no Dortmund na próxima. Em sua busca insana por desempenho, o treinador diz que: ``Quem se deixa guiar pelo resultado é enganado pela aleatoriedade das coisas.´´. Bosz reformulou por completo o elenco do Ajax, por ter uma fórmula de jogo baseada na concentração absoluta. Lembra o jeito de jogar do Paulo Bento, com pressão constante no campo de ataque. Por isso mandou embora jogadores, que segundo ele, eram bons, mas distraídos. Ele, por exemplo, não tolera reclamações com o juiz por parte dos seus, ou carrinhos, que podem atrapalhar o seu jeito de jogar, levando ao desequilíbrio de suas linhas. Tenta recuperar a bola, quando à perde em no máximo 5 segundos. A tal regra dos 5 segundos. Nesse tempo, todos os jogadores ao redor do adversário com a bola correm em direção a ele, para recuperar a posse, forçando o erro do adversário.

Para os coleguinhas com dificuldade de interpretação

Não estou comparando o Mano aos bam-bam-bans europeus. Comparo o ofício. O treinador tem que: confiar em suas convicções e adaptar-se ao campeonato que jogam. Paulo Bento, por exemplo, enfiou 4x0 na Ponte em Campinas. Mas foi, em sequência, derrotado pelo calendário brasileiro. Seu jogo de pressão não dá certo num lugar onde se jogam 8 jogos em um mês. As contusões foram minando seu trabalho, assim como os jogadores, que em determinado momento começaram a acreditar mais nos comentaristas do que nele. Desses maus, Mano não padecerá.

Fechando...

Os times brasileiros não tem a grana dos europeus para que o técnico molde o elenco de acordo com o seu jeito de jogar. Por isso, temos o Ábila no elenco. Um jogador caro, muito bom no que se propõe a fazer, que é botar a bola pra dentro, mas aparentemente incompatível com o jogo preferido de Mano Menezes. É um desafio a mais para um sujeito que já tem muitos. Vencer, gerenciar o elenco, arrumar para ele um lugar no time e vencer a desconfiança da crítica ``especializada´´ e da torcida, que geralmente vem a reboque.

Mano, nos últimos jogos em que jogou com o time titular, tentou construir as jogadas, à partir de seu campo. No decorrer do ano, já valeu-se do contra-ataque, como no jogo contra o Atlético na fase de classificação do Mineiro. Com superioridade física contra o Coritiba, no início do segundo tempo, adiantou as linhas e pressionou o adversário até fazer o segundo gol. Não reconhecer isso é um desserviço ao time.

Exigir que o time de forma pré-determinada porte-se de uma única maneira é uma estupidez por parte da torcida, que ao insistir nisso ainda limita o repertório do treinador.

Exigir que o time entre, em todos os jogos, com os titulares é no mínimo paradoxal. Relembro que ano passado, a crítica constante ao trabalho do treinador falava de sua “panelinha”, que sempre os mesmos caras jogavam. Além disso, estamos no Brasil. Vamos fechar a temporada com mais de 70 jogos. Como o zebrado fez ontem em Chapecó e o Cruzeiro fez em Campinas, afirmo, sem medo de errar: Até o fim do ano todos os times envolvidos em duas ou mais competições farão isso pelo menos uma vez.

Exigir a busca do tal DNA celeste é uma bobagem. Gostamos de vencer. Apreciamos a raça do Ricardinho e do Fabinho, a técnica do Boiadeiro e do Alex. O faro de gol do Marcelo Ramos. Times que vencem, imortalizam-se por suas virtudes, sejam quais forem.

Exigir resultado, ao invés de desempenho é não saber do que se trata o futebol. Como o gol é raro, a donzela difícil do futebol, temos de avaliar as ideias, a execução e a fluência de jogo.

Por isso pergunto. O que queremos do Cruzeiro?

Saudações Celestes



Gestor público, que faz suas observações após cada partida do Cruzeiro, de forma pouco espalhafatosa e totalmente despretensiosa.
fernandao@cruzeiro.org

Leia também as colunas anteriores Cruzeirense de Arquibancada

As opiniões e declarações aqui expressas são de inteira responsabilidade do autor. O Site Cruzeiro.Org não responde por nenhuma opinião assinada.

Comentários:  Clique aqui e faça seu comentário sobre a coluna

 Aloisio Mendess | Santa Maria/ DF | 26-06-17 22h27min
Fernandão, vou começar pela resposta de sua pergunta: quero o Cruzeiro campeão. Não importa o esquema de jogo, a escalação ou quem vai ser o técnico. Como atualmente é o Mano, então que seu esquema funcione e que traga resultados, vitórias e títulos. Tenho certeza que se formos campeões da CB e subirmos na tabela do Brasileiro, ninguém irá reclamar e o time não será vaiado pela torcida. Sua coluna está muito bem embasada. Gostei de ler. Parabéns.
 pyxis | BHZ | 29-06-17 12h31min
´... O que queremos ? ...`
Particularmente quero o Cruzeiro jogando como no primeiro tempo contra os suínos e por tempos de 45´ comocontra o peixe, gambás, grêmio etc.
QUERER É PODER !
Se jogar assim, títulos virão facilmente... nem precisa combinar com os inimigos...
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