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Papo com José Eustáquio
José Eustáquio Dourado escreve regularmente

14/12/2005 | José Eustáquio Dourado
O que será, que será....

“Erros tão graves e absurdos, que até mesmo uma figura do nível de Levir Culpi é capaz de diagnosticá-los.”

São muito estranhas as coisas no mundo do futebol. Essa é uma constatação que não traz nada de novo, de inédito. Mas, como cheguei a essa constatação pela milionésima vez, vou falar de algumas coisas que acho, no mínimo, muito estranhas!

Estranho muito que pessoas de bom nível social, econômico e talvez até cultural, oriundas do mundo dos negócios, com experiência empresarial, como gostam de se proclamar os irmãos Zezé e Alvimar Perrela, persistam no cometimento de erros tão absurdos!

São erros decorrentes da ignorância dos conceitos de planejamento e gestão, tanto táticos quanto estratégicos, aspectos essenciais para o sucesso tanto no mundo dos negócios, quanto no meio futebolístico!

Erros tão graves e absurdos, que até mesmo uma figura do nível de Levir Culpi é capaz de diagnosticá-los. Ou alguém já se esqueceu do que ele disse sobre a qualidade das divisões de base do Maior do Mundo? Mesmo não concordando com a suposta má qualidade das divisões de base do Cruzeiro, temos que concordar que até ele sabe que a solução para o clube estrelado, como também para os demais clubes brasileiros, está na formação de atletas, na prospecção de potenciais talentos futebolísticos nessa fonte inesgotável que é a população brasileira.

Assim, mesmo que o imediatismo dos resultados o exija, a contratação de jogadores já experientes, portanto mais próximos de encerrar a carreira, deve servir apenas de alavanca para dar sustentação aos jovens valores, até que esses consigam caminhar com seus próprios pés e levar sua equipe à glória dos títulos, alcançando, conseqüentemente, seu sucesso pessoal que, convenhamos, é fugaz e passageiro, pois a carreira é muito curta!

Hoje, qualquer jogador de mediano desempenho fala em jogar no exterior, chegar à Seleção Brasileira, etc.etc. Antes isso só era pensado por aqueles acima da média, os diferenciados! Mas como o negócio do futebol prosperou muito, os empresários e atravessadores hoje vendem o cara como um craque numa fita de vídeo ou num dvd, mas, na verdade, um perna-de-pau em campo. E o que impressiona é que os dirigentes continuam fazendo negócios com esses enganadores!

O Cruzeiro Esporte Clube, com a infraestrutura que detém, sem problemas de caixa e sem dívidas, segundo é proclamado aos quatro ventos, com uma rede imensa de escolinhas de futebol conveniadas, com parcerias com um número grande de clubes de futebol no Brasil e até em Portugal, não pode e nem deve fundamentar sua estratégia de montagem de equipes competitivas na aquisição de jogadores já rodados e, principalmente, de pouca expressão!

Depois de dois anos de fracassadas campanhas futebolísticas, com pífios resultados e esquadrões medíocres dentro de campo, mas cantados como estratégia de “arrumação da casa” pela Diretoria, não dá para agüentar o velho discurso de “que o preço do craque tal está fora da realidade do futebol brasileiro”, que “vamos esperar o mercado europeu fechar para contratar um fora-de-série disponível”, etc.etc. desde quando a contratação de um Bóvio, um Pitbull, um Marcão, um Marcel é um investimento acima das possibilidades do Maior do Mundo? Ou pode atender o clamor da massa celeste por atletas de alto nível, capazes de conduzir o Cruzeiro ao lugar de destaque que merece?

Nessa dura realidade do futebol nacional, estratégico é investir nas categorias de base e mesclar a equipe com jogadores de talento indiscutível com a chamada “prata-da-casa” já preparada e acostumada às disputas, como Irineu, Diego, Kerlon, Jonathan, Diogo, Walter Minhoca e outros que não tiveram nenhuma chance! Foi assim em 2003, com os resultados que todos nós ainda comemoramos. Não é possível esquecer de Gomes, Luizão, Maicon, Jardel, Wendel, Marcinho e Gladstone, naquele time de Alex10, Maldonado, Edu Dracena, Thiago, Cris, Leandro, Sandro, Aristizábal e outros menos votados!

Seria muito bom que os Perrelas pensassem nisso e, ao lado da formação de uma equipe de excelente qualidade, com a contratação de 04 ou 05 bons jogadores, poderia até avançar na idéia de dotar o Maior do Mundo de “casa própria”, de uma arena multiuso moderna e capaz de patrocinar a formação de grandes esquadrões, mantendo assim o Cruzeiro sempre nas cabeças dos campeonatos e na ponta dos rankings do futebol mundial!

José Eustáquio Dourado, professor, apaixonado pelo Cruzeiro e o Direito.
jedourado@cruzeiro.org

Leia também as colunas anteriores Papo com José Eustáquio

As opiniões e declarações aqui expressas são de inteira responsabilidade do autor. O Site Cruzeiro.Org não responde por nenhuma opinião assinada.

Comentários:  Clique aqui e faça seu comentário sobre a coluna

 jucatigre | Edealina | 12-01-06 22h33min
Não sou muito palpitero mais eu entendo muito de futebol, queria fazer uma possivel escalação do cruzeiro para vencer até aquele mercenario do luxemburgo. Fábio, Maurinho, Dracena, André Leone & Leandro Silva, Fabio Santos, Dario Coca, Gallardo & Zermatten, Araújo & Elber. Com esse time a gente vence qualquer, Só falta convencer a diretoria a trazer esse ZERMATTEN, pois ele joga bola demais mesmo, e seria o melhor jogador do BRASILEIRÃO. Espero resposta...
 Isaac | Guarapari | 13-01-06 13h07min
jucatigre, não tem como concordar com voce, primeiro que seria IMPOSSÍVEL, segundo porque sou mais os jogadores que temos aqui do que os escolhidos pelo amigo, e terceiro é que se não dermos uma oportunidade aos jóvens que temos aqui, jamais seremos um time revelador de talentos, como buscamos e revelemos um Tostão um Fred ou um Ronaldinho, podemos sim revelar um Kerlon um Wagner, um Diego, um Thiago Heleno, um Luizão e por aí vai...
 lcaviana | Belo Horizonte | 17-01-06 13h26min
Caro Professor, sempre pensei assim: a mescla de jogadores de ponta com a prata da casa (também de qualidade enão só pelo fato de ser prata da casa), experiência com juventude. Os grandes times da história foram montados a partir disto (o Cruzeiro 2003 inclusive). Hoje infelizmente a diretoria prefere apostar nos "rodados" de qualidade muitas vezes duvidosa ou no barato, barato este que sempre sai caro para a torcida. Espero que em 2005 se mude esta política.
 gesoco | Não definido | 02-11-08 19h16min
Precisamos descobrir por que o Adilson, não gosta de escalar o time certo! Ou melhor será que sempre tem que escalar os protegidos!! Ou o protegido sem capacidade!! No inicio ele tinha que achar lugar para Fabricio, Parana e Henrique.. o fabrico mostrou futebol.. o Parana também mas o Henrique.. dizem que rapaz é namorado da filha dele,, se isso for verdade, o cara ta colocando tudo a perder para dar cobertura ao Genro.. Veja toda vez que o Henrique jogou!! O time foi horroroso, jadilson já
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