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 Acesso mais recente em 18-09-20 14h16min  |  Fonte: Cruzeiro - Linkedin |  Qtd Leituras: 6124
COLAPSO: ´Má Gestão x Má Fé` por Sérgio Santos Rodrigues



Má gestão x Má Fé



Por Sérgio Santos Rodrigues

Nos últimos dias, recebi de muitos torcedores do Cruzeiro, e até de amigos mais próximos, reclamações e indagações sobre uma declaração que fiz no programa Bastidores, da Rádio Itatiaia, no dia 29 de junho, quando fui perguntado pelo jornalista João Vitor Xavier se não havia uma necessidade de se auditar contas de gestões passadas do Clube, especialmente as contraídas no período do ex-presidente Gilvan de Pinho Tavares (2012 a 2017).

Minha resposta foi ´não`. E ela pode até parecer impopular para alguns, mas vou me aprofundar um pouco sobre o assunto. Primeiro, creio que precisamos diferenciar má gestão de má fé. E essa diferença costuma ficar bastante evidenciada no futebol.

Infelizmente, o futebol brasileiro, mesmo com todo o seu potencial e engajamento, é um dos mais mal geridos do mundo. E não sou eu quem está falando isso. Várias empresas especializadas em gestão e consultoria comprovam, há anos, que uma das principais paixões do brasileiro é, na verdade, um produto muito mal cuidado.

Um estudo recente da Ernst Young, publicado em maio deste ano, em linhas gerais traduz em números como gestões ineficientes costumam ser regra por aqui.

Este levantamento apontou que o endividamento líquido somado dos clubes do Brasil cresceu 150% entre 2010 e 2019, mesmo com o Profut tendo atenuado o cenário no meio da década, evitando um cenário ainda pior.

Só em 2019, as dívidas acumuladas pelos clubes somam R$ 8,35 bilhões. Este número fica ainda mais assustador quando as receitas giram em torno de R$ 6,1 bilhões. Um disparate de mais de R$ 2 bilhões. É muita coisa.

Isso mostra o desequilíbrio nas gestões de um modo geral, porque os números são implacáveis. E o Cruzeiro é mais um clube que, infelizmente, não fugiu deste cenário. Ou, melhor, foi absorvido por ele. O Cruzeiro foi mais do mesmo. E isso, em partes, explica o aumento considerável da nossa dívida.

Por que eu estou me baseando em números?

Para diferenciar má gestão de má fé.

Vejo que uma auditoria tem como um de seus princípios primordiais detectar se houve irregularidades nos processos. E eu particularmente não acredito que isso tenha ocorrido dentro do Cruzeiro no período da gestão do Gilvan.

Nós sabemos de onde essas dívidas vêm. Sabemos a procedência. Daqui a pouco, o Cruzeiro precisa pagar duas delas na Fifa. E é nesta tecla que eu bato. Essas dívidas específicas, para mim, são oriundas de práticas de gestão que, por um motivo ou outro, não foram tão eficazes. Decisões infelizes acontecem a todo momento no mundo corporativo. No entanto, indícios de irregularidades no período nunca foram detectados. Se algum dia esses indícios aparecerem, têm que ser investigados à fundo também.

Após as gestões do Gilvan, sim, veio uma diretoria que agiu, no mínimo, de má fé. Tanto que alguns de seus personagens estão sendo investigados pela Polícia Civil de Minas Gerais e pelo Ministério Público.

E essas investigações surgiram justamente a partir de auditoria que apontou práticas absurdas, algumas delas nunca antes vistas no futebol, como um mesmo atleta recebendo três aumentos em menos de um ano. Uma prática extremamente abusiva, que serviu primordialmente de pretexto para pagamentos de comissões a agentes que sabe-se lá de onde saíram. Isso para mim é fruto de desonestidade e má fé, e difere de uma prática de gestão mal executada.

Reiterando: os números são implacáveis. Reconheço que a dívida do Cruzeiro, durante a gestão de Gilvan, cresceu de forma incomum. Inclusive, sempre fui muito crítico com isso e continuo com a mesma posição. Tanto que, em 2017, quando me candidatei à presidência do Clube pela primeira vez, sempre questionei os motivos que tanto elevaram essas dívidas. Vejo que, simplesmente, o Cruzeiro daquela época seguiu uma regra ruim do futebol brasileiro, uma tendência da qual nós vamos fugir com muito trabalho e dedicação. Mas, repito, nunca vi esse aumento de dívidas, mesmo que absurdo, se originando a partir de práticas desonestas.

A dívida histórica do Cruzeiro até o final de 2017, e até que se prove o contrário, nunca pareceu se originar em pilares de má fé. Se originou, sim, por inconsistências de gestões. Mas estou aqui para ter um ponto de atenção, aprender com tudo isso, e fazer com que o Clube passe a ser exceção daqui para frente.

Inclusive, mesmo com um panorama macro desfavorável, temos ótimos exemplos de boas gestões recentes no Brasil. Sempre faço questão de destacar o trabalho muito bem feito do Eduardo Bandeira de Mello no Flamengo. Quando ele assumiu o clube, em 2012, a dívida que caiu no colo dele era similar à nossa. E, com muito trabalho, ele e sua equipe de profissionais conseguiram equalizar as dívidas e plantar boas sementes para o Flamengo colher ótimos frutos hoje.

Destaco também as gestões profissionais implantadas em outros clubes, casos do Fortaleza, que tem apresentado superávit, do Bahia, que passou por um processo de redemocratização nos últimos anos e hoje é referência inclusive no âmbito social. Me inspiro também no trabalho desenvolvido pelo Grêmio, que conquistou a Copa Libertadores com uma folha salarial bastante consciente e tem brigado sempre na parte de cima da tabela, mantendo sua tradição de time vencedor.

O meu dever e a missão da minha equipe é não cair na vala comum do futebol brasileiro, mas sim entrar na esteira desses bons exemplos. É fazer do Cruzeiro uma organização, a partir de uma gestão que seja mais uma exceção dentro do nosso cenário.

Montamos uma equipe extremamente competente e apaixonadamente profissional justamente para evitar que o Cruzeiro seja mal gerido. Não serei irresponsável com a paixão de milhões, que também é a minha paixão. Eu não quero e não vou deixar novas dívidas para o meu sucessor lá na frente. Só assim poderemos pensar na saúde financeira do Clube a longo prazo e na volta aos trilhos das grandes conquistas.

Agradeço muito aos torcedores e amigos pela vigilância. Sei que serei o presidente mais fiscalizado da história quase centenária do Clube e tenho muito orgulho disso. É a partir de todo o feedback da nossa torcida que construiremos juntos um novo Cruzeiro.

O meu compromisso é contrariar a reincidência das más gestões no futebol brasileiro. E vou cumpri-lo.


/elo


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