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 Atualizado em 27-04-18 05h46min  |  Fonte: Cruzeiro - Site Oficial |  Qtd Leituras: 233
Revétria: O depenador de frangas e a importância da confiança

Cruzeiro !!! Por Hebert Carlos Revetria

Cruzeiro Esporte Clube. Um dos meus maiores desejos era jogar nesse time. O time de Tostão, Piazza, Palinha, Raul e Nelinho. Eu já os havia visto na final da Copa Libertadores da América contra o River Plate da Argentina, o gol de falta de Joãozinho, seus dribles, suas jogadas ao ritmo de samba. De repente estava eu em Belo Horizonte, na Toca da Raposa, concentração do clube – maravilhosa, tinha de tudo, até cinema. Não dava para acreditar no luxo que encontrei. A cozinha era um restaurante e quando nos concentramos vinha até um barbeiro. Eu estava me recuperando de uma grande hepatite. Mal tinha me levantado da cama e já estava no Brasil, sem me dar conta de que já era ´brasileiro`. Com o grande período convalescente (73 dias na cama), tinha deixado crescer o bigode, com os cabelos grandes juntando-se a ele. Tudo bom!

Depois de assinar o contrato com o Cruzeiro, me levaram até a TV Globo, em um programa esportivo importante de Belo Horizonte. Penso um pouco no que falar em espanhol, já que não tinha ideia sobre o português, ainda mais se falassem rápido. Ouvi falar que o grande ídolo do Atlético Mineiro, que é o rival da cidade, era Miguel Ortiz, goleiro argentino que jogou muito tempo no Wanderers de Montevidéu. Eu sempre fazia gols quando jogava contra ele no Uruguai. Sendo assim, essa era minha força e minha carta de apresentação para a torcida. Não conhecia os jogadores do rival e lá na emissora encontrei coincidentemente com Toninho Cerezo e ele fez um comentário: ´Enquanto Reinaldo, Paulo Isidoro e Eu jogarmos no Atlético, esse ´gringo` não vai ser campeão.

Eu não tinha a menor ideia do que ele estava falando. Eu só esperava minha vez de falar com firmeza. Então me colocam na frente das câmeras e me contam o que o Toninho havia dito e eu respondo: ´Sempre fiz gols no Ortiz, e cumpro minhas promessas`. Assim, curto e grosso.

Soltei uma bomba, pois não sabia que fazia um ano que não marcavam contra ele em um clássico. Também não conhecia aquela fera que estava ao meu lado e não tinha ideia de quem era Reinaldo. Que tolo eu fui.

Enquanto eu entrava em forma e me adaptava à ´estrutura` do Brasil, jogando de vez em quando e mudando também meu estilo de jogo, as duas equipes chegaram às finais e chegaram iguais.

Naquela semana, estava muito concentrado no meu físico e treinei muito forte para ver se o técnico me levava em consideração. Sinceramente, sempre gostei de jogar as finais. Na minha carreira, acho que só perdi uma final e foi justamente no juvenil contra o Brasil no Sulamericano do Chile. Já sentia desde a segunda-feira em que voltamos a treinar que eu poderia estar entre os 11 titulares. O Flamarion, outro jogador que havia chegado comigo ao Cruzeiro, também tinha a sensação de que jogaria a final – e coincidentemente nós dois fazíamos aniversário no mesmo dia. Também morávamos no mesmo bairro, Gutierrez, e íamos no carro dando força um ao outro de que jogaríamos.

´Você pode, Gringo`.

´Sim, Flama, você também. É a nossa hora de mostrar serviço`.

Ele jogava como 5, um volante sensacional, como todos os brasileiros desta posição, estilo Paulo César Carpegiani.

Mas o tema aqui sou eu. Levei três meses para fazer uma tabela com Joãozinho, que estava acostumado a cruzar para a área quando ia à linha de fundo. Eu não tinha me dado conta que o time jogava de outra maneira.

Até que um dia parei para conversar com ele.

´João, que eu faço para cabecear uma bola?`

´Ah, Gringo, comigo você está morto. Você tem que sair da área, correr até mim e faz a tabela ou deixa passar a bola entre as pernas e aí você decide`.

´Puta que pariu. Por que não conversei antes?`

Pensei ´Agora vou conversar com a equipe toda`.

Aí comecei com o Eduardo, ponta direita, um monstro. Tinha um drible que chamavam de ´rabo de vaca`.

Ficava com a bola presa no pé e a deixava a mostra para, quando tentavam tirar-lhe a bola, fazia uma finta para dentro e marcador tombava para o outro lado. Falei com ele: ´Lança pra mim, que ganho deles por cima, Eduardo`.

´Gringo, eles são muito rápidos. Me ajuda a tirar o lateral da jogada e depois vai pra área. Não faça isso automaticamente. Saia da área para jogar`.

Eu tinha uma vantagem e tinha aproveitar: dividia o quarto com Nelinho. Depois do treino, ele gostava muito de continuar chutando bolas ao gol, com barreira, sem barreira, desde o escanteio, fazer tabelas para chutar de todos os lados ao gol. Passei a ficar com ele e começamos a treinar os cruzamentos a partir do lado direito, que é por onde ele jogava. Eu treinando de frente para a arquibancada, tinha que me exibir. Os jornalistas, torcedores e dirigentes estavam todos os dias vendo como estavam a equipe, e o ´Gringo´ matando a bola no peito, chutando e cabeceando. Coloquei todas as ferramentas a serviço.

Eu já me imaginava no estádio Mineirão, lotado até as escadas, sem caber mais um alfinete. Sempre gostei desse clima dos brasileiros, jogando ao ritmo de samba, as bandeiras, o calor, as cabeças todas concentradas, o grito de gol. Imaginei a partida toda na minha cabeça. Estava nervoso, mas tinha certeza de que, seu eu jogasse, mostraria toda a garra Charrúa.

´Comecemos com os escanteios`, eu dizia. ´Nelinho, quando eu levantar o braço e pedir que lances a bola do córner até o segundo pau, na verdade vou a correr até o primeiro. Cruze entre a marca de pênalti e o primeiro pau`.

A minha estratégia era ganhar dos zagueiros – Modesto, que facilmente media uns dois metros ou mais, e Vantuir, o outro zagueiro muito forte do Atlético Mineiro. Realmente não sei quantos cruzamentos treinamos na semana, e comigo cabeceando todas ao gol. De dez lançamentos, nove eram gols. Os goleiros não conseguiam defender minhas fortes cabeçadas.

Com Flamarion, seguia conversando e dando grande apoio um ao outro. Não tínhamos certeza se jogaríamos mas já éramos os melhores jogadores da partida. Hahahaha.

Na quarta-feira, o técnico me chamou e vou ao seu escritório (Yustrich, o ´Homão`, como diziam). Tinha sido goleiro do Flamengo e media uns dois metros. Falava alto como estivesse resmungando continuamente. Ele me explicou que achava que eu estava muito bem e que na quinta eu seria titular no treino, já fechando o time para domingo.

Dentro de mim eu já sabia. Serviu apenas para ratificar uma dúvida que, como em qualquer tema, se você não sabe o medo te persegue. Eu precisava disso, do ´Gringo, você joga`. Saí dali com o 9 pregado nas costas. Flamarion também estava dentre os onze e o trajeto até em casa era pura alegria. Conseguimos o que queríamos.

A cidade estava dividida, com os torcedores do Atlético tendo a partida como ganha antes de jogar. E, em parte, tinham razão. Era uma das melhores equipes do Brasil e vinham arrasando todos que enfrentavam.

Eu tinha esperanças de que a minha empolgação de jogar um dos clássicos mais importantes do Brasil contagiasse aos demais jogadores. Ficava olhando para os atletas do Cruzeiro e dizia a mim mesmo: ´Com todos esses fenômenos não podemos perder. Raul de goleiro, Moraes e Zezinho Figueroa, Nelinho, Zé Carlos e Vanderlei. No ataque, Eduardo, Flamarion, Eu, Erivelto e Joãozinho.`

Continuava com meus pensamentos. ´Cavo uma falta perto da área e Nelinho fura as redes deles. Busco uma tabela com o João e avanço para enganar a todos, vou até a área e espero sobrar alguma bola`. De alto veria uma situação difícil. Na defesa deles eram dois ursos de tão grandes e fortes. O goleiro Miguel Ortiz eu já conhecia dos Wanderers, sabia das suas qualidades, mas também dos seus pontos fracos.

Meu primeiro cartão de visitas nessa partida seria incomodá-lo com minha presença e pressioná-lo em cada bola que agarrasse. Ele já me conhecia e sabia qual era minhas qualidades. Mas o objetivo era deixa-lo nervoso. Tinha que fazer meu jogo psicológico. Depois veria os espaço que me deixariam os zagueiros, pois eles marcavam homem a homem e, como tinham muita confiança no mano a mano por ganharem dos atacantes, eu teria que definir muito rapidamente se iria chutar.

Nos meus sonhos, já tinha tudo sobre controle, mas a realidade virtual é muito diferente da real. Treinávamos muito forte, todos queriam um lugar no time. Até uma senhora benzedeira foi nos visitar. Se tivesse que tomar banho de sal grosso eu tomaria. Não queria nenhum mal olhado ou uma agulha fincada em um vodu. Se não fincassem minha cabeça não teria problema. Esse jogo é mental e nada me impediria de realizar meu jogo. Também veio um senhor que era famoso por suas previsões. Era de Minas Gerais, mas não me lembro de qual cidade.

´Oi Revetria, tudo bem?`, ele me chama. Eu estava entrando campo de treino e me viro para ele – não me lembro do seu nome. Ele era alto, de 70 e poucos anos, e me solta uma frase que não entendi naquele momento e muito menos poderia imaginar.

´Você veio ao Brasil, para o Cruzeiro, por alguma razão. Você vai deixar uma marca grande, por isso está aqui. Os caminhos de Deus são imprevisíveis`.

´Muito obrigado`, respondi sem crer em suas palavras. Quando segui o caminho até o treino, pensei: ´A marca que posso deixar é que, se eu não fizer um gol domingo, o chute na bunda que vou tomar vai ficar tão marcado quanto uma linha de cal, talvez até maior`.

O bom era que meu outro eu me sussurrava os gols, até a forma de comemorar. E ele mesmo tratava de levar esses pensamentos embora. Meus dias alternavam entre a glória e o temor. Quando chegava em casa para ficar com minha esposa e filho, dizia eles: ´Está muito fácil, estreia e despedida. Faz um ano que ninguém marca no Ortiz`.

´Tranquilo`, me dizia Gaby. ´Você consegue`.

Dentre essas falas de confiança e ver a família, uma coisa é responsável por sairmos à frente. Me municiei com as armas que tinha nas mãos. A Audácia e a Irresponsabilidade. Não dei bola ao meu eu negativo e foquei nos gols que imaginei. Assim com eu pensava em jogar pelo Cruzeiro, também tinha que pensar que faria gols para ser campeão.

Outro colega, que também era um número 9 como eu, me disse: ´Gringo, fé em Deus e confiança em você mesmo!`

Sábias palavras. CONFIANÇA...

/elo


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 Celeste  | Sorocaba-Itajub� | 08-04-18 20h25min
Parabéns Revetria. Você tatuou seu nome no coração do torcedor azul.
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