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Voz da Arquibancada
Voz da Arquibancada é o espaço de manifestação permanente do torcedor cruzeirense.

03/05/2007 | Voz da Arquibancada
Sobre o Cruzeiro pós-2003

Por Marcel Fleming

Antes de emitir alguma opinião sobre a tragédia que se abateu sobre o Cruzeiro - tragédia anunciada - preferi deixar o sangue baixar e resolvi assistir ao jogo no VT proporcionado por uma emissora. Não porque goste de sofrer, mas porque queria ver com calma o jogo e fazer o meu juízo de valor sobre o que ocorreu.

Após ver o VT, tem muita coisa que gostaria de falar. Porém a seleção de frases feitas pelo Jorge Santana em seu blog torna difícil acrescentar algo. O Jorge e todos os participantes foram perfeitos em sua análise da situação do Cruzeiro. Em função disso, gostaria de aproveitar a seguinte frase apresentada no blog:

“O problema é que dirigentes e torcedores nos acomodamos. Ainda vivemos de 2003, como se esse ano fosse a regra. O Cruzeiro conquistava títulos todos os anos, mas não de forma tão avassaladora como em 2003. Esquecemos a nossa tradição maior, a de ganhar títulos na raça e na garra, de montar elencos competitivos e lutadores, que podiam perder, mas nunca sem luta…(Maicon)”

Esta frase é extremamente feliz ao explicar a mentalidade que assolou a massa cruzeirense, a diretoria e os jogadores após o inesquecível ano de 2003. Sabem aquela história do sapo dentro da panela com água, que vai esquentando e sapo não percebe? Pois é isso que vem acontecendo com o Cruzeiro.

Essa mentalidade assola também os jogadores dentro de campo (e, segundo notícias que se ouvem, no comportamento desses fora de campo também). Desde 2004, os times do Cruzeiro apresentam uma irritante passividade, uma irritante incapacidade de se unir e sair da adversidade dentro de campo. Sofrem de apagões emocionais, técnicos e táticos.

Essa falta de contato com a realidade atual (a de que não somos aquele time de 2003 que voava) e mais a desenfreada “filosofia” de negociar, negociar. Esses são os dois males do Cruzeiro: a empáfia pós-2003 e transformação do clube em balcão de negócios.

Que a torcida se deixasse levar pelos muitos anos seguidos de conquista celeste, vá lá. Mas a diretoria que, reconheçamos, fez muito pelo Cruzeiro no passado, tinha a obrigação de estar atenta à esse sentimento e à falta de planejamento, de metas, compromisso. Ou pior, a diretoria é a culpada por estes pontos.

É urgente uma mudança de mentalidade da diretoria - e principalmente dela. Paulo Autuori pode até ser criticado por não conseguir dar padrão de jogo a um time de jogadores medianos. Mas ele já deu a sua mostra de hombridade: pediu demissão.

E a diretoria? E os Perrellas? Quando é que vão pensar em dar chance a outros para conduzir o clube? Quando é que vão “dar a cara pra bater”? Não sejamos condescendentes: a responsabilidade é principalmente da diretoria.

Essa diretoria, se tem algum amor mínimo pelo clube, deveria, no mínimo, repensar seu planejamento. E, como alguém disse no blog, começar estabelecendo expectativas realistas para o clube, sob o risco de afundá-lo ainda mais.
Se continuar demonstrando fora de campo a incapacidade de reação, que assola o time em campo, corremos riscos muito maiores no futuro.

Alguém também mencionou no blog e gostaria de frisar: o Cruzeiro vem queimando jogadores desde 2004 e receio que queime promessas vindas da base. Vejam quantos jogadores saíram do Cruzeiro rechaçados nesses últimos anos e estão jogando bem melhor em outros clubes.

O jogo e os jogadores

Apesar de tudo o que se falou (e que faz sentido), um olhar mais calmo sobre o jogo revela algumas coisas importantes. Em primeiro lugar, deve-se reconhecer que o adversário apresentou maior volume de jogo o tempo todo, de forma que a sua vitória era merecida. Porém, a verdade é que o mais natural era que fosse uma vitória por, no máximo, 2 a 0.

Até mais da metade do segundo tempo, mesmo com um jogador a menos e tendo pela frente um adversário que jogava talvez a sua melhor partida dos últimos 6 anos, o time do Cruzeiro estava jogando quase de igual para igual. O maior pecado era a completa falta de criatividade na armação das jogadas de ataque. De certa forma, o time soube se defender de um adversário mais empolgado, mas as jogadas de “ataque” se resumiam a tentativas de se levantar a bola a partir da intermediária. Nenhuma jogada de linha de fundo, nenhuma ultrapassagem.

Araújo, ao contrário do que alguns disseram, não fazia firula: tentava agredir um pouco, mesmo estando isolado e tendo que ser armador e atacante. Apesar das críticas, a única boa jogada de ataque do Cruzeiro saiu de uma trama entre Fellype Gabriel e Araújo. E, apesar de pedirmos jogadores identificados com o time, Geovanni não está jogando nada e parece que não está nem aí para isso.

Sim, houve falhas da defesa e Fábio foi acionado quase que o jogo todo - embora em 90% das vezes com defesas fáceis. Essas falhas costumeiras, não foram da defesa apenas, mas do meio-campo. Perdemos no meio-campo praticamente o jogo todo. Mas ainda assim, em uma boa parte do tempo, alguns jogadores demonstravam pelo menos, vontade, dentro da desorganização tática.

O resultado do primeiro tempo, embora não justo, era uma mostra de que, apesar de tudo, o Cruzeiro conseguiu manter o jogo equilibrado. Porém, devido a essa desorganização tática, esse equilíbrio era mantido a um custo relativamente alto, com constantes ataques à meta de Fábio e um jogador a menos.

Vale até ressaltar que a entrada de Guilherme foi uma modificação acertada de Autuori: durante alguns minutos, o Cruzeiro conseguiu re-equilibrar o jogo.

O tempo todo, porém era perceptível a falta de preparo psicológico do time. Tendo a vantagem de jogar por dois resultados iguais, faltou ao time a tranquilidade de, se fosse o caso, segurar um resultado adverso, mas reversível. Ou seja, mesmo perdendo de 1 a 0, o time deveria jogar com inteligência, cadenciar o jogo e perceber que, naquelas circunstâncias, poderia até ser um resultado aceitável, dado que o adversário havia “encaixado” melhor o jogo desde o início.

Mas o apagão psicológico do time, que talvez ainda se imaginasse aquele time de 2003, não permitiu que nenhuma “liderança” em campo mostrasse isso.

Só que, como vem acontecendo com o Cruzeiro há algum tempo, o time desmanchou num dado momento. O meio-campo passou a inexistir - e isso mesmo antes da expulsão do jovem e aplicado Simões.

Para mim, tanto ou mais que o apagão tático, o apagão psicológico é que fez a diferença. E o pior, neste momento, as críticas atingem a todos e nos impede de ver que houve sim, alguns jogadores que se aplicaram, que buscaram fazer alguma coisa. Para mim, Araújo, Ricardinho, Luizão, Simões, Gladstone, Fábio e Guilherme merecem crédito. Talvez Fellype Gabriel e Léo Silva mereçam mais uma chance. Talvez até algum outro, mas no momento não me ocorre.

Os outros deveriam repensar o que esperam e querem no Cruzeiro. Dependendo da resposta, deveriam pedir para deixar o time também.

Gostaria de enfatizar, mais uma vez: não acho que o Cruzeiro jogou bem. Mereceu perder. Porém, o resultado tão adverso não é condizente com o que ocorreu na maior parte do tempo.

O jogo e o árbitro

Não há justificativa e seria uma leviandade da minha parte dizer que a arbitragem teve peso no resultado. Porém, vale lembrar que os nossos rivais, durante muito tempo reclamaram das finais do Brasileiro contra o Flamengo em que teriam sido prejudicados. O discurso era o de que, mesmo não havendo tantos lances descarados, o árbitro (Wright) atuou com diferente rigor ao longo da partida, invertendo alguns lances, atrapalhando psicologicamente os nossos adversários.

Pois é, já sabemos como os nossos adversários chegaram às finais: um pênalti daqueles que poderia ser ou não marcado; a volta de uma cobrança errada que, em condições normais, dificilmente um árbitro manda voltar. Isso sem falar na derrota para o parceiro na última rodada, que, curiosamente, classificou um time muito fraco.

Na primeira falta do jogo de ontem, quando os jogadores dos 2 times levantaram o pé da mesma maneira, ficou claro para mim como o árbitro iria levar o jogo: a diferença de rigor na aplicação de cartões, na marcação de falta.

Danilinho, um jogador que, provavelmente daqui a alguns anos estará no ostracismo, deveria pensar em ser ator de teatro: valorizou as duas faltas que resultaram na expulsão dos zagueiros celestes. A primeira, aliás, ele mal foi tocado pelas mãos de Gladstone. Ele chegaria na cara do gol, em condições de marcar se continuasse: preferiu arriscar a encenação, o árbitro “caiu na dele” e expulsou Gladstone.

O pênalti contra o Cruzeiro também é o típico lance que fica na interpretação do árbitro: Fábio nitidamente toca na bola, que tem sua trajetória alterada.

Não podemos deixar esses fatos esquecidos só por causa do que aconteceu ontem.

Não questiono a superioridade do adversário e nem o seu merecimento pela vitória. Não é choro de perdedor. É apenas constatação de que, ao contrário do que o técnico adversário disse, este campeonato está escrito para eles ganharem.

E o Cruzeiro está dando uma ajuda e tanto!

Domingo que vem

A única coisa que espero é que o time do Cruzeiro entre em campo com dignidade e que vença a partida. Não importa por que placar.

Hoje, depois do que ocorreu, tem-se a impressão de que os adversários são infinitamente superiores. Discordo de forma veemente. O placar amplamente favorável é fruto, como disse, de circunstâncias que tiveram seu ápice ontem.

No domingo que vem, o Presidente do clube tem que estar na beira do gramado, no banco de reservas. A sua presença será mais importante que a de qualquer técnico.

O Cruzeiro tem que ver este jogo de domingo como um renascimento. O renascimento da garra do imigrante italiano, da força de um time que tem uma história muito maior do que aqueles que a mancharam ontem.

Marcel Fleming
São Paulo-SP

Voz da Arquibancada é o espaço dedicado ao torcedor da arquibancada, geral e de toda imensa torcida espalhada pelo mundo. O Cruzeirense que se sentir motivado, inspirado e/ou indignado, escreva seu texto e envie para arquibancada@cruzeiro.org. A equipe Cruzeiro.Org terá o prazer de selecionar os textos recebidos e publicar os melhores e mais apropriados.

Leia também as colunas anteriores Voz da Arquibancada

As opiniões e declarações aqui expressas são de inteira responsabilidade do autor. O Site Cruzeiro.Org não responde por nenhuma opinião assinada.

Comentários:  Clique aqui e faça seu comentário sobre a coluna

 Olecram | Poços de Caldas | 03-05-07 00h15min
Caro Marcel perfeita a sua análise dos motivos pelos quais nosso time encontra-se, com o perdão da palavra, nessa PATÉTICA situação! Os Mortadelas se acharam no Olimpo futebolístico desde a Triplíce Coroa julgando-se os mais espertos dirigentes do futebol brasileiro. E o q fizeram por aperto de caixa virou filosofia empresarial: vender jogadores (1º os mais consagrados, depois quem rendese um punhado de dólares - ou euros, a mais e até jovens promessas, recém promovidas ao profissionalismo).
 Olecram | Poços de Caldas | 03-05-07 00h27min
E, como já estavam acostumados a fazer no seu frigorífico, os Mortadelas passaram a adotar a política de "engorda de boi" para revenda comprando jogadores desconhecidos para mais tarde, após expostos na vitrine q é o Cruzeiro, vendê-los com um bom lucro. O clube se transformou num balcão de negócios e de negociatas, o paraíso dos empresários! Nossos jogadores, mesmo os da base, já chegam sonhando em jogar um dos paraísos onde recebam muitos $$$ em moeda forte ainda q seja na Turquia ou em Malta.
 Olecram | Poços de Caldas | 03-05-07 00h36min
E ao invés de termos um Diretor de Futebol passamos a ter um caixeiro-viajante especialista em comprar barato não importa a qualidade do produto e sim o seu empresário, para depois de meses vender essa mercadoria mais caro para faturar os sonhados $$$ parte dos quais com destino ignorado... Para q time se os produtos da marca Cruzeiro é consumida com avidêz no exterior? Daí termos jogadores q nunca mereceram vestir o manto azul por força dos interesses empresariais e técnicos coniventes com isso
 Olecram | Poços de Caldas | 03-05-07 00h42min
Daí essa falta, não digo de amor, mas de orgulho de vestir uma camisa q tantas glórias conquistou, por parte da maioria de nossos jogadores. Daí termos um time de egoístas, cada um preocupado mais com seu futuro q com o futuro do time! Cada um por sí e a torcida por todos, essa é a mentalidade que impera na Toca II atualmente! Daí essa falta de identidade com o clube, de união do plantel, de liga, e principalmente de hombridade, de honestidade, de vontade, de gana dos nossos atuais jogadores.
 Olecram | Poços de Caldas | 03-05-07 00h49min
O Cruzeiro, de clube de futebol se transformou na casa da mãe Joana, onde tudo vale, onde todos fazem o q querem, sem nenhum pudor ou temor, pois as punições para os q se excedem nas gandaias são apenas simbólicas, apenas para dar satisfação a esse grupo de idiotas torcedores, chamado de China Azul, que economisam parte de seu minguado salário para ir ao Mineirão ou para pagar um pacote com jogos daquele q um dia foi um time, q em priscas eras era chamado de Academia do Futebol...
 Olecram | Poços de Caldas | 03-05-07 00h55min
São essas algumas das razões de nossa decadência, a crônica de uma morte anunciada! E é esse o motivo pelo qual tenho evitado emitir opinião sobre nomes de reforços e de treinadores, pois, a continuar essa mentalidade, qualquer que sejam eles não evitarão nosso triste destino!! E é por essa razão que desde q participo deste amplo e democrático espaço, venho clamando por mudanças radicais já, pelo fim da dinastia perreliana, sob pena de ver a ruína daquele time para o qual me orgulhava de torcer!
 reginaldocp | Serra | 03-05-07 08h22min
Maciel, sua análise descreve corretamente a situação. Desde a contração do Rivaldo e demissão do Luxa, percebi que a coisa tava feia. Enviei mensagens p/ a Máfia Azul (essa tinha o poder de mobilização) e site do Cruzeiro, criticando os euricos mirandas de minas. Mas o que adianta isso, diante da fome de poder dos Perrelas? Nada. O que torcedores que moram em outros Estados podem fazer? Nada. Mas penso que deve haver uma união (se possível) entre torcidas org. de BH pressionarem a saída deles.
 rafaelsantanaac | Abre Campo | 03-05-07 12h02min
Perfeita a sua analise,O cruzeiro deixou de ser um glorioso e grandioso clube e se tornou um mercado de jogadores, onde vc vem escolhe e leva sem nenhum problema ou dificuldade..temos que cobrar mais empenho dos jogadores mas primeiramente temos que cobrar dos perrelas um time competitivo e com raça, como o time campeão da copa do brasil de 2000 diante do são paulo, akilo sim era time, mostrou raça e vontade de ser campeão mesmo sabendo das dificuldades. é disso que precisamos, vamos cobrar...
 ferraz | Vila Velha | 08-05-07 12h39min
Concordo inteiramente com o MARCEL, e digo mais, a muito venho comentando com outros amigos cruzeirenses aqui de Vitória-ES. sobre o sucateamento feito pelos BERRELAS, é só o jogador começar a aparecer que é vendido, e isto em pleno decorrer de campeonatos. tinhamos um time imbativel em 2003 e se mativessemos o plantel certamente seríamos campeões da libertadores e brasileiro. CHEGA, FORA BERRELAS. FERRAZ - VITÓRIA-ES
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