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Voz da Arquibancada
Voz da Arquibancada é o espaço de manifestação permanente do torcedor cruzeirense.

13/04/2007 | Voz da Arquibancada
Decisão sem lacaios é aqui

De Ataulfo Alves, de Minas e das Gerais, do Tupi, do Primeiro de Maio e do Cruzeiro
Por Ignácio Delgado


Caros amigos que acompanham e apreciam o futebol mineiro.

Ataulfo Alves foi ao autor do hino do Primeiro de Maio, glorioso time de futebol de Mirai, pequena cidade da Mata Mineira, hoje lembrada pelo descalabro que provocam a avidez do ganho e o desleixo com a vida. Salve o Primeiro de Maio, salve o meu clube adorado...

No início dos anos sessenta, do século que há sete anos encerrou-se, o Primeiro de Maio sagrou-se bi-campeão da Mata Mineira. Dinheiro, de potente chute, Dezinho, ponta esquerda arisco, Dico, a maravilha negra, grande zagueiro, eram os heróis que a memória e a retina, tão fatigadas, conseguem registrar, nos confrontos heróicos contra o Tupinambás, o Baeta, o Esporte e o Tupi, os poderosos esquadrões de Juiz de Fora, adversários formidáveis, que se somavam ao Ribeiro Junqueira, de Leopoldina, ao Nacional, de Muriaé, além de outros, que a memória e a retina não mais registram, no caminho do Primeiro de Maio rumo à glória.

Jamais passou p'ra lacaio de qualquer um no gramado.

Na Mata Mineira, Juiz de Fora sempre representou o que se insinuava nos apelidos que lhe alcunhavam os antigos: a Manchester Mineira, a Atenas de Minas: o contato com o Novo, o olhar para o Mundo, a síntese improvável entre o horizonte e o aconchego, do Mar e das Montanhas de Minas. Para quem vinha de Mirai restava a melhor saudade, o Primeiro de Maio, o Botafogo e a épica vitória do Cruzeiro sobre o Santos, 6 X 2 e 3 X 2, em péssima imagem de televisão, no momento inaugural do Futebol Brasileiro, quando este deixava de ser apenas a expressão da Corte e do Capital, do Rio e de São Paulo, para revelar-se como o jogo, e bemjogado, de todos os brasileiros. É certo que este momento profundo, radical, sublime, passou despercebido a muitos, para quem as fronteiras do Brasil encerram-se no Tietê e na Serra do Mar. Até hoje parece assim...

Mas o Brasil nunca mais foi o mesmo. Salve Raul, Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira, bandeirantes sem negros da terra, a revelar ao Brasil sua alma imensa, sua facecabocla, seu horizonte azul e estrelado.

Que Minas há muitas, já disse Guimarães Rosa. A Mata Mineira é um dos mais belos rincões deste mosaico. De Pedro Nava, de Murilo Mendes, de Ari Barroso, de Ataulfo Alves... do Primeiro de Maio (buscando sempre a vitória/ que sem favor lhe pertence/há de ficar na história do povo miraiense...). Do Tupi Football Club, um dos mais tradicionais times do futebol de Minas Gerais. Antes do Tupi só o Atlético Mineiro. Junto ao Tupi o América e o Villa Nova. Manteve-se o Tupi, entretanto, no circuito da Zona da Mata, campeão, por diversas vezes, desde 1912, não obstante o vice-campeonato mineiro de 1933, em meio à efêmera tentativa, em 1933 e 1934, de romper o mosaico mineiro, pelo menos no futebol.

Como registra Henrique Ribeiro, pesquisador do futebol mineiro,

O Tupi e os demais clubes de Juiz de Fora permaneceram disputando o seu campeonato da cidade por mais 20 anos, quando o certame se expandiu englobando os times das cidades da Zona da Mata e da Mantiqueira ganhando o status de "Divisão Especial" por parte da Federação que ainda passou a jurisdição de ambas as regiões do estado a Liga de Juiz de Fora. Curiosamente, o Campeonato dessa divisão tornou-se um certame regional à parte dentro do estado (http://www.superesportes.com.br/ e http://www.acessa.com/).

Até o Mineirão e à afirmação do Cruzeiro, nos dois campeonatos mineiros - o que reunia os clubes da região adjacente à capital e o campeonato da Mata Mineira, do qual foi bi-campeão o Primeiro de Maio, de Mirai (nos campos é um portento...) - não havia distância técnica e simbólica entre os times da Mata Mineira, agrupados na principal liga de futebol das Gerais, e os times de Belo Horizonte e vizinhanças, que disputavam o torneio que reunia os clubes de Minas e de seu coração de ferro, frequentemente insensível aos ecos das Gerais. Dos anos sessenta em diante, firmou-se um ÚNICO campeonato mineiro, ao mesmo tempo em que o Cruzeiro, e em seu rastro o Atlético Mineiro, consolidavam-se como clubes de dimensão nacional.

Juiz de Fora é, talvez, a mais autêntica das cidades mineiras. Especialmente no orgulho de seus habitantes em afirmarem-se mineiros, na cidade e fora das Gerais, e no incômodo de situar-se dentro de Minas Gerais. Não obstante o longo período em que, de meados do século XIX até 1930, a cidade e a Mata Mineira vertebraram a economia e as finanças públicas em Minas Gerais, o incômodo acima referido nenhum bem fez à cidade e à Mata Mineira. Na década de 1930, quando o apego a formas locais de expressão de interesses obscureceu a percepção sobre os rumos e as oportunidade que se abriam para a região num novo ciclo de afirmação da economia mineira; nas década de 1950 e 1960, quando assistiu atônita à definição de um novo patamar na infra-estrutura que sustenta os esforços de modernização econômica do estado.

E, para voltarmos ao nosso tema, na dificuldade - aliada à miopia dos dirigentes do futebol das Minas, quando vislumbram as Gerais - em acompanhar o big bang que a afirmação do Cruzeiro representava para o futebol de Minas Gerais.

Desde meados da década de 1990 o Tupi arregimenta os melhores públicos dentre os times do interior que disputam campeonatos estaduais nos principais centros do futebol brasileiro, apesar da Saga dos Carijós (Ailton Alves, Juiz de Fora, Gráfica Concorde, 2004), por muitos anos confinados à segunda divisão do futebol mineiro, na década de 1990. Na primeira divisão de 2007, o Tupi empolgou Juiz de Fora e tem arrastado multidões ao Estádio Municipal Radialista Mário Helênio.
Tomara que sua trajetória possa firmar um novo horizonte para o futebol mineiro, que integre as Minas e as Gerais, e possa honrar não só sua quase centenária história, mas também os que dela participaram, como o Primeiro de Maio, de Mirai, terra de Ataulfo Alves.

Ignacio Delgado
Cruzeirense
Juiz de Fora - MG


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 marceloescobarjf | Juiz de Fora | 13-04-07 10h21min
Concordo com vc! Afinal de contas, verdadeira competição sem camaradagem, sem nuvens escuras, sem senãos, será disputada entre o Cruzeiro e o ***** Carijó aqui de Juiz de Fora... Belíssimas palavras sobre a nossa querida Juiz de Fora! Muito bem lembrado que somos mineiros por localização, por vocação e muitos, muitos mesmo, Cruzeiro de coração! Veremos amanhã um estádio lotado e repleto de alegria por parte das torcidas! Queira DEUS que tudo transcorra na mais absoluta cordialidade e paz!!!
 eu_sô_cruzeiro_meu | BH | 15-04-07 21h28min
A grande dúvida está nos apitadores. Como já se sabe o "apito amigo" continua em campo: 2 cartões amarelos: um p/ RICARDINHO (meio exagerado, não era p/ tanto) e um p/ o LEO-SILVA (mesma dose). Se fosse por esse critério tinha de explusar o jogador do TUPI pelo rapa no GUILHERME, no final do jogo. Foi falta violenta, era p/ vermelho direto, mas se desse amarelo, tb TINHA QUE EXPULSAR! O que houve???NADA! Isso é outra vergonha, e o arbitrozinho ficou rindo do RICARDINHO!!!
 jeronimo | Rio de Janeiro | 16-04-07 08h57min
Apesar do belo texto, permita-me fazer um adendo. Juiz de Fora têm muito mais torcedores dos times do RJ que de MG. Trabalho na zona da Mata mineira, conheço de passagem Miraí, perto de Cataguases, trabalhei por anos em Muriaé e posso afirmar com convicção, na zona da Mata mineira existem muito mais torcedores de times cariocas. Com certeza está aí a explicação do Flamengo ter a segunda maior torcida do estado. Precisamos mudar isto, e acredito que aos poucos mudaremos.
 fillipibaesso | Não definido | 05-03-08 20h14min
Sou miraiense. Neto de Wanir e sobrinho de Wantuil Werneck, ambos fundadores do Esporte Clube Primeiro de Maio. Fico muito feliz pela lembrança e pelo texto escrito pelo Senhor Ignácio. O espírito é esse! Vamos resgatar o futebol da Zona da Mata!
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