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Papo com Jorge Schulman
Jorge Schulman escreve regularmente

14/12/2019 | Jorge Schulman
River e Cruzeiro: meus dois amores “rebaixados”

Há 2 zonas de conforto em cheque: dos que mandaram e dos que sempre fomos mandados.

A pedido de alguns amigos, que me reconhecem de pequeno como torcedor de River, e de brasileiro como apaixonado cruzeirense, me atrevo a fazer algumas ilações, muito pessoais, dessas duas histórias que tenho vivenciado.

A do River aconteceu no ano de 2011, e após um ano de muito aprendizado, restituiu à instituição milionária, de novo, à categoria maior.

A do Cruzeiro é muito recente, está sangrando ainda, por isso, talvez, alguns dos meus pensamentos estejam mais prenhes de emoção do que de razão.

Para começar, o “rosto” dirigente de ambos clubes era muito semelhante: Daniel Passarella, no River, e Wagner Pires de Sá, no Cruzeiro, agiram por omissão e foram incapazes de governar com cordura e sobriedade a infinidade de egos de 2 clubes de tanta história. O torcedor de River pedia desesperado que Passarella “falasse”, o do Cruzeiro, ainda não conhece nem o nome completo do Presidente.

O meu diagnóstico inicial é muito curto e fala apenas do que um torcedor qualquer, como eu, deseja de seu dirigente maior: que dê a cara.

Por isso, passo ao segundo ponto. Como se reergueu o River?

A ) O presidente Daniel Passarella continuou no cargo.
O anterior presidente, José María Aguilar, seguiu apontando Passarella como o grande culpado. Demorou cinco anos, mais precisamente em maio de 2016, em assumir sua gestão desastrosa, e foi como resposta a um torcedor que o responsabilizava:
Sí, coincido que fue culpa de quien habla las malas gestiones, los técnicos y jugadores de los últimos 18 meses de gestión. Absolutamente, y lo voy a cargar toda la vida por más explicaciones que pueda dar" (Sim, coincido que sou o responsável das más gestões, dos técnicos e jogadores dos últimos 18 meses de gestão. Totalmente, e vou levá-lo toda minha vida, por mais explicações que eu possa eximir)

B) O técnico, Juan José López, renunciou imediatamente.
Estava iniciando sua carreira como técnico, era um ex- jogador histórico do River, profundamente identificado com a instituição. Um verdadeiro perdedor!

C) Praticamente todos os jogadores saíram do clube.Um deles, assumiu a responsabilidade pela queda, se retirou dos gramados e se ofereceu a Passarella para liderar o retorno: Matías Almeyda.

D) Surgiram os ‘jogadores-torcedores’.

1. Matías Almeyda, o treinador, símbolo do retorno. Sua biografia está narrada no livro Almeyda. Alma y vida. Em 2005 tinha deixado os gramados, vivenciou uma profunda depressão, acompanhada de alcoolismo, mas a ajuda, em especial de sua família, o levaram a dar a volta por cima. River subiu com ele, Banfield no ano seguinte, e foi 3 vezes campeão no México com o Chivas, de Guadalajara.

2. Fernando Cavenaghi, dono de seu passe, cria das categorias de base do River. Jogou poco no futebol francês (Bordeaux), menos no Inter, de Porto Alegre. "Queremos ayudar para que River vuelva rápido a Primera". Seu principal desafio foi negociar com Passarella, um antigo desafeto. Aliás, para ambos.

3. Alejandro “Chori Dominguez, procedente do Valência, da Espanha, também cria das categorias de base do River. " "Ojalá que entre todos podamos sacar a River del lugar donde está, que sin dudas no lo merece.. Seu principal desafio foi ser o jogador de criação que o time necessitava, em momentos de profunda tensão. Isso não é fácil... É aquilo que Thiago Neves e Robinho não deram conta de fazer no Cruzeiro.

4. David Trezeguet, o argentino-francês que assistiu o jogo fatídico do 26 de junho de 2011 sentado na tribuna do Monumental como torcedor. Com 34 anos de idade, 14 títulos e 3 mundiais jogados, longe da família, passava o pior momento futebolístico na Liga dos Emirados Árabes. Não era ídolo de River, apenas torcedor. E ganhou esse título rápido, apenas um ano. Craque, dentro e fora do campo.

E) A torcida, sempre a torcida. Quando falo de torcida, falo de todos os que levam no sangue o River. Uma mistura de orgulho ferido e vergonha na cara, ingredientes perfeitos para levantar a cabeça e dizer: “Estamos juntos, nas boas e nas más.” O torcedor de River lidou com tudo isso e a zoeira nacional dos Bosteros, além de uma imprensa que “quanto pior, melhor”.

O terceiro ponto, quiçá definidor das diferenças entre as 2 quedas, está nas situações políticas dos clubes. River tem agrupações, com listas próprias, com campanha interna, o sócio vota. Cruzeiro não.

A situação política do Cruzeiro é fácil de entender: um grupo de poder de um clube social, muito bem montado, dirige os destinos de um clube de futebol. Por isso, os torcedores não só não se sentem representados, também não acreditam neles.

Hoje, há 2 zonas de conforto em cheque, difíceis de serem quebradas: 1, dos que estão acostumados a mandar, e se sentem no direito de continuar; 2, dos que estamos acostumados a serem mandados, feridos porque, apesar de conhecermos a realidade, agora devemos batalhar pelo nosso reconhecimento real, não “de palavra”.

Alguém duvida que Cruzeiro, algum dia, vai subir para primeira divisão? Eu não duvido. E também não duvido que a queda demanda 2 gestos de grandeza:

a) dos “que montaram a estrutura”, os dirigentes, que tanto dano fizeram à instituição, manchando sua história, denegrindo seus fundadores, manipulando, mentindo; eles sabem o que fazer, cada ser humano tem sua própria consciência, e um travesseiro.

b) de nós, a aprender a perdoar, o mais rápido possível, de cuidar o que dizemos que é nosso, reconhecendo nossa fraqueza em dialogar, ao invés de excluir, destruir, matar.

O futebol é uma das ferramentas que temos para evoluir. Nosso desafio está no processo antes do que no resultado final. Essa é a utopia. E a utopia está cheia de esperança, do contrário não é vida.

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Jorge Schulman é argentino e o mais Cruzeirense entre os torcedores do River Plate
jorge.fernando.schulman@gmail.com

Leia também as colunas anteriores Papo com Jorge Schulman

As opiniões e declarações aqui expressas são de inteira responsabilidade do autor. O Site Cruzeiro.Org não responde por nenhuma opinião assinada.

Comentários:  Clique aqui e faça seu comentário sobre a coluna

 Celeste | Sorocaba-Itajub� | 16-12-19 13h14min
Parabéns, Jorgito. O futebol dá a oportunidade de se levantar e até apagar um momento ruim da história. Um amigo corintiano me disse que encara outros rebaixamentos desde que venha um mundial após cada queda... No meio dessa confusão toda está o orgulho daqueles que se acham acima de tudo. A cura para esse momento tão ruim deve começar de dentro para fora. Eu não consigo vislumbrar uma possibilidade de recuperação. A vaidade humana é o pior dos defeitos....Abraços!
 Jorge Schulman | Belo Horizonte | 18-12-19 12h19min
Olá Celeste, tudo bem? Anos que a gente não se comunica por estas terras. Pois é; o futebol sempre nos serve de aula para o nosso dia-a-dia. São tantos aprendizados para o nosso crescimento!! Sempre me imagino agindo dessa forma na minha casa, com minha família... Será que somos assim mesmo? Um grande abraço, meus desejos de muita paz, amor e alegria para o 2020.
 JOAO COSTA | BRASILIA | 18-12-19 16h14min
Caro hermano, estou comentando sobre esta sua belíssima coluna com um certo atraso, pois eu estava sem senha de acesso.Sábias são suas palavras. Passados os momentos de raiva e vergonha, que foi o que senti, cabe-nos como cruzeirenses levantar a cabeça e apoiar incondicionalmente a instituição Cruzeiro, nosso maior orgulho. Aqueles que vergonhosamente mancharam nossa história devem ser esquecidos, a instituição Cruzeiro seguirá perene. Que 2020 seja o ano do resgate. Um Abraço e um feliz Natal!
 pyxis | BHZ | 04-01-20 15h20min
Schulman,
As Situações dos dois rebaixamentos são diferentes...
Estou torcendo para os empresários do BANDIDO do TNeves fecharem negociação com o River... TAOQUEI?
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