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Agência Minas Esportes



Cruzeirense de Arquibancada
Fernandão escreve preferencialmente após as apresentações do celeste cinco estrelas

31/07/2017 | Fernandão
Cruzeiro 0 x 0 Vitória

Cruzeiro é abatido pelo cansaço e pelo desânimo e deixa dois pontos irrecuperáveis para trás.

Primeiro Tempo

Tudo indicava um 0x0, antes do jogo começar. Cheguei a comentar com o Zuim e o Alex. A falta de jogadores agudos, capazes de gerar desequilíbrios às linhas inimigas, como Alisson e Arrascaeta. A arquibancada deserta, passando aos jogadores a mensagem que tanto faz.

Não vou perguntar ao você, amigo celeste, o motivo de sua ausência. Você que deu sua força na quarta para buscar o tento que mantém a chama acesa no ano. Apenas ressalto que sua ausência foi sentida. Não só ontem, no ano, como um todo.

O time inicialmente alinhou com o mesmo esquema de jornadas anteriores, já dissecado por aqui. O 4-4-2 tinha Sóbis como winger pela esquerda, Sassá e Neves na frente. No primeiro tempo, não funcionou. Não foi mantida a concentração defensiva de outros jogos, talvez pela falta de pernas, talvez pela falta de torcida.

Com Élber em um dia daqueles, o time ficou meio torto pela esquerda. Como os meio-campistas (Cabral e Henrique) jogavam em linha, cabia ao gringo apoiar pela esquerda e ao capitão apoiar o jogo pela direita, gerando as possibilidades de triangulação com os laterais e wingers. Na esquerda funcionou um pouco, na direita não. A ausência de um lateral direito, que compreenda a função de lateral, prejudicou nosso jogo, mais uma vez.

Mesmo assim o time teve chances na primeira etapa. E aí entrou o que – em minha opinião – foi o fator decisivo para a não vitória de ontem. O dia ruim da dupla de ataque. É um chavão daqueles de Ary Barroso na Rádio Tupi, mas como explicar as duas oportunidades criadas pelo talento do Thiago Neves no primeiro tempo, e as decisões equivocadas que ele mesmo tomou, preferindo passes duvidosos em vez de arremates da linha da área? Ou o excesso de solidariedade do Sassá em uma bola de frente, que preferiu tentar se redimir com o Sóbis pelo passe negado no jogo contra o Flamengo?

A falta de concentração defensiva (ou de pernas) ainda gerou algumas boas oportunidades para o Vitória.

E aí, os problemas de lesão vieram. Élber que em dois minutos tomou um pescotapa e uma bolada na cabeça saiu para a entrada do Rafinha. Manoel, que voltava após longo período, saiu, tudo indica que por conta de uma lesão reincidente. Tudo entre os 35´ e os 40´, o que ajudou a desorganizar a casa um pouco.

Segundo Tempo

Se a sensação de início era de 0x0, temi pelo pior no intervalo. Tudo se desenhava para que o time se precipitasse e sofresse um gol em algum momento. Nada indicava que aquela formação estranha de gente cansada seria capaz de fazer gols.

Na verdade ambas as sensações estavam erradas. Tanto a do início do primeiro tempo, quanto a do início do segundo. Sim – o jogo terminou 0x0. Mas não foi o jogo que se previa. No primeiro tempo, ambas as equipes tiveram possibilidades de marcar. Na segunda etapa também. E o Cruzeiro não caiu de rendimento no segundo tempo como se supunha, pelas alterações forçadas e pela questão física. O resultado – como quase sempre, aliás – foi mais obra aleatória do acaso reinante no caótico mundo da bola do que reflexo direto da produção das equipes.

Para o segundo tempo o time do Cruzeiro mudou. Voltou em um 4-1-4-1 com a segunda linha bem mais adiantada. Henrique foi recuado para fazer a função do entrelinhas e dar suporte à zaga. Rafinha inverteu de lado com o Sóbis. Neves recuou, para jogar ao lado de Cabral e tentar dar o passe que rasga a defesa de um ponto mais de trás. Após o intervalo, a mudança de esquema demorou uns 5 minutos para ser assimilada pelos jogadores. Nesse momento o Vitória cresceu e teve oportunidades. Até que ali pelos 15´, o Cruzeiro se assentou em campo e teve chances e mais chances de ganhar o jogo. Rafinha, Sassá e Neves falharam conclusões frente a frente com o goleiro adversário.

E o jogo se encaminhou para o fim.

Atuações:

Torcida Celeste – A maior parte, que ficou em casa, fez um papelão com o time ao deixar sobrar ingressos a 10 reais na bilheteria. 10.000 pessoas é público de Vila Belmiro. Os que foram, e são os de sempre, sabem como se comportar em um estádio de futebol. Apoiaram o time até o fim, não vaiaram um alvo predileto (sempre tem meia-dúzia de boçais) e dividiram-se entre apupos e aplausos após o fim do jogo.

Fábio – Garantiu o ponto da equipe ao compensar com agilidade algumas afobações.

Romero – Fez seu pior jogo na nova função de lateral. Mostra a cada dia que está sendo sacrificado. Faço a ressalva: por culpa maior da diretoria, uma vez que o treinador não tem opções viáveis.

Léo/Manoel – Sóbrios. Léo ainda tentou empurrar o time para frente na segunda etapa, pela direita, tentando compensar a ineficiência do lateral que não dava profundidade ao time.

Murilo – Não repetiu as últimas belas atuações. No segundo tempo abusou de dar bico pro lado em bolas recuperáveis para sair tocando. Defensor tem de entender o jogo: saber a hora de chutar pra onde o nariz aponta e a hora de dar volume ao time.

Barbosa – Foi discreto durante a maior parte do jogo. Arriscou-se mais quando o Rafinha caiu pelo seu lado na segunda etapa, mas geralmente precipitou-se no último passe.

Henrique – Fez uma partida burocrática na primeira etapa, atuando pelo lado do campo em que nada dava certo. No segundo tempo, recuado, fez o pêndulo do time, dando a opção da salvaguarda mais atrás na construção das jogadas. Foi bem fazendo a função que exigiu muito fisicamente, já que seu companheiro de volância não tinha mais pernas para ajudar.

Cabral – Tentou auxiliar na construção das jogadas. Tanto tentou que se descuidou de sua função principal na contenção algumas vezes. Foi o melhor volante do primeiro tempo e o pior do segundo, quando se arrastou em campo.

Sóbis – Fez o seu melhor jogo desde o jogo contra o Corinthians, quando entrou no segundo tempo. Isso dá a medida de quanto está mal. Sua partida foi longe de ser brilhante. Diga-se em seu favor que não deve ter sido escalado para fazer o lado de campo com tanta obrigação de recomposição nem quando tinha 20 anos. Há um erro do Mano Menezes na condução da situação do Sóbis.

Élber – Emplacando seu 6º jogo seguido como titular, por pura necessidade, mostra os mesmos erros de sempre. Péssimo passe e baixa capacidade de leitura de jogo. Em seu favor, a capacidade de recomposição, e a velocidade. Saiu depois de acidentes em série.

Neves – Precisa de descanso. Equivocou-se em todas as decisões que teve de tomar no terço final. Com a contusão do Arrascaeta, deve ser mantido em uma redoma de vidro na Toca II para garantir que esteja inteiro contra o Grêmio. Culpo o cansaço, dando ao nosso melhor jogador do campeonato o crédito que merece.

Rafinha – Esse rapaz é o meu alvo preferencial. Sabe aquele jogador que você não gosta? O meu é o Rafinha. Tenho meus motivos. Fiz esse prólogo para que saibam o quanto é duro admitir que o Leãozinho foi o melhor em campo. Devemos vê-lo em campo com alguma frequência de agora pra frente.

Sassá – Periga ser um bonde. Vou guardar minha boca pra comer minha farinha, por enquanto. O saldo até aqui: Flamengo – Bom, Flu – OK, Avaí – Ruim, Vitória – Horrível. Espero que não seja uma tendência, podem faltar-me os adjetivos em breve.

Raniel – Esse moço acertou um chute contra a Chape na ida da Copa do Brasil, esse ano. Só. A molecada quando tem chance, tem que aproveitar cada uma como a da vida, porque é isso mesmo. Não vejo esse ímpeto no Raniel, como vi no Judivan, por exemplo, quando subiu. Falando em Judivan, em departamento médico... Melhor deixar pra lá.

Mano – Em campo, o time possível, dada a relação de jogadores disponíveis. Duas substituições por lesão no primeiro tempo. O único comportamento observável do treinador no jogo de ontem, foi a mudança de esquema no intervalo, para tentar aproximar o meio do ataque. O 0x0, em casa, contra um adversário fraco, não pode, jamais, produzir elogios para qualquer um que seja que ocupe a casamata celeste.

Tem tarefas para o futuro. ``Promover´´ o Sóbis à reserva do Thiago Neves, como segundo atacante. Encontrar algo a mais do que uma solução temporária para a lateral direita, mesmo que seja para ser utilizada eventualmente. Administrar o elenco, minimizando a possibilidade de contusões até os jogos contra o Grêmio pela Copa do Brasil.

Fechando

Uma noite fria em todos os aspectos. Valeu para encontrar o velho Sandro no Mineirão. Companheiro do tempo das vacas magras pós 2003, estava sumido havia uns 10 anos do estádio. Ficamos lembrando, antes do jogo, aquele 4x0 contra o Vitória em 2004, quando o safado do Maldonado que não disputava uma bola havia umas 20 rodadas deu o maior sangue, evitando o rebaixamento do Alt.-MG. Fomos, nossa turma toda, alguns dos 695 pagantes daquele jogo, o menor público da história do Cruzeiro no Mineirão.

Está sendo desgastante esperar o resultado no Brasileiro. Mesmo com o sonho de ainda fazer quatro jogos pela Copa do Brasil, teremos mais de 20 até o fim do ano pelo campeonato. Administrar isso da melhor forma é função dos profissionais do Cruzeiro, para que não tenhamos que sofrer depois. A posição do time no campeonato é inferior ao que deveria ser nesse momento, podendo passar para preocupante em breve. Tenho algumas caixas de cerveja empenhadas na classificação do Cruzeiro para a Libertadores 2018, me ajudem aí.

Saudações Celestes


Gestor público, que faz suas observações após cada partida do Cruzeiro, de forma pouco espalhafatosa e totalmente despretensiosa.
fernandao@cruzeiro.org

Leia também as colunas anteriores Cruzeirense de Arquibancada

As opiniões e declarações aqui expressas são de inteira responsabilidade do autor. O Site Cruzeiro.Org não responde por nenhuma opinião assinada.

Comentários:  Clique aqui e faça seu comentário sobre a coluna

 Thiago Campos | N�o definido | 31-07-17 14h15min
Coluna sóbria sobre o jogo e a atmosfera que o cercava. Eu aqui a 600 km de BH fui para o sofá numa preguiça danada. A torcida já percebeu que brasileiro não vai dar em nada e que o time e principalmente o técnico apostam tudo na CB que será uma tarefa Hercúlea. Estratégia temerária pois não se pode desprezar a proximidade da zona perigosa. Quanto ao Sassá também vou aguardar mais um pouco, mas até agora não gostei muito do que vi.
 Zuim | Não definido | 31-07-17 21h54min
Concordo em muitos aspectos principalmente na abordagem sobre o Sobis e ao Romero na lateral direita. O Elber que era uma esperança ta dificílimo de engolir. Pior ainda ta o DM/Fisiologia, acho que já é caso fazer igual ao Perrela com o Ronaldo Nazare, mandar todo mundo embora.
 pyxis | BHZ | 31-07-17 22h52min
Ainda bem que não protejo nenhum jogador e muito menos pego este ou aquele para cristo... Sóbis tem feito partidas horríveis em sequência e Romero é simplesmente o melhor roubador de bolas do Br´17 ...
Ainda bem que estava no estádio vendo a atuação destes jogadores, senão ia ficar preocupado com a visão obnubilada (talvez pelo efeito de algum tipo de álcool ou opioide alucinógeno) de algumas visões sobre o mesmo fato. :-P
 Fernandao_Br | Belo Horizonte | 01-08-17 08h38min
Bom dia, Thiago. Nossa grande chance de passar de fase do Grêmio é a regra do estatístico suíço Jacob Bernoulli. Se você fizer uma coisa por tempo suficiente, todos os resultados possíveis vão acontecer. Na segunda chance estamos melhor preparados. Esperamos que dessa vez o Henrique não se machuque antes do primeiro jogo para a entrada do tenebroso Denílson.
 Fernandao_Br | Belo Horizonte | 01-08-17 08h42min
Olá Zuim. Como nosso amigo fisioterapeuta Turquim falou. Não pode ser só azar. Não sei se você viu, mais o empresário do Arrascaeta foi correndo oferecer ele pro River Plate essa semana. Deve estar cagando de medo de a recuperação do Cruzeiro tirar o rapaz da Copa. Acho que nossa melhor chance é uma macumba em cada encruzilhada até o jogo contra o Grêmio, para pelo menos ter um time para jogar.
 Fernandao_Br | Belo Horizonte | 01-08-17 08h43min
Bom dia, Evandro. Hahahaha. Auto-ironia é para poucos!
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