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Voz da Arquibancada
Voz da Arquibancada é o espaço de manifestação permanente do torcedor cruzeirense.

12/10/2015 | Voz da Arquibancada
Cruzeiro, o clube do povo de Minas Gerais!

Por Geovano Chaves (CLIQUE AQUI ler a crônica na íntegra e comentar)

Das origens a formação do Império.

O Cruzeiro foi fundado pelo povo que, por sua vez, construiu a cidade de Belo Horizonte, nos braços e no suor. O Cruzeiro levou o nome de Belo Horizonte para o mundo. O Cruzeiro é a cara multiétnica de todo um Estado que é a síntese de um país. O Cruzeiro é um povo.

Tudo se iniciou no fim do século XIX e início do XX, quando milhões de imigrantes muito pobres vieram trabalhar no Brasil fugindo das condições de vida precárias e miseráveis que afligia a Europa nos antecedentes da I Guerra Mundial.

Muitos destes imigrantes, na sua grande maioria italianos, se instalaram na capital mineira. Eles vieram atraídos pela Comissão Construtora da Nova Capital, sob a liderança do Engenheiro Francisco Bicalho, que impulsionou a vinda destes imigrantes, a partir de 1895.

A construção da cidade demandou um exército de operários para a edificação da infraestrutura e dos edifícios públicos e a imigração foi o recurso utilizado por Bicalho para sanar o problema da mão de obra. Uma hospedaria de imigrantes foi erguida às margens do ribeirão Arrudas para receber os trabalhadores.

Estes imigrantes foram a principal mão de obra que, em conjunto com os ex-escravos recém abolidos, trabalharam pesado na construção civil e levantaram uma das maiores metrópoles brasileiras.

Os então futuros atletas e torcedores do Palestra Itália construíram a cidade onde talvez nunca imaginaram que, mais de um século depois, seriam dela, ao menos no plano futebolístico, os detentores da maioria dos corações belo-horizontinos e mineiros.






























Este fato é tão impactante que gerou a seguinte situação: se tratando de amor, o maior concorrente destes corações azuis em Minas Gerais não se traduziu em outro clube de futebol, e sim em uma religião. É o cristianismo nosso maior rival, que disputa conosco os corações, pois este, sem dúvida, é também muito popular em Minas Gerais desde sempre. No entanto, ao nosso lado temos o fato de que, para muitos, estas duas devoções podem ser conciliadas. Tivesse o Cruzeiro que rivalizar os corações e paixões com o cristianismo, teríamos aí sim talvez um rival à altura.

O futebol, a princípio, era um esporte voltado para a diversão das elites, pois é um entretenimento que surgiu por meio desta classe social. O futebol não atingia a princípio a classe pobre e trabalhadora. Em Belo Horizonte, inclusive para se diferenciarem da então “ralé carcamana” da cidade, já existiam alguns “Scratchs”, como eram chamados os clubes de futebol. Um destes clubes, que hoje é conhecido dentro da Avenida do Contorno, foi fundado por estudantes ricos de Belo Horizonte, que tinham como intenção praticarem um esporte que os “diferenciava” dos pobres.

A maioria esmagadora da população de Belo Horizonte era analfabeta, e estes estudantes tinham um enorme preconceito contra a “ralé carcamana” que se instalou na periferia da capital, local este onde habitavam os imigrantes pobres. Mal sabiam estes distintos estudantes que, com estas atitudes elitistas, estariam eles criando o maior pesadelo para seus descendentes.

Mas com o decorrer dos anos, o futebol começou a se popularizar. Esporte barato e que podia reunir dezenas de pessoas se divertindo ao mesmo tempo. Com a popularização do futebol, os imigrantes pobres se viram no direito de também participarem do esporte bretão.

Neste sentido, o clube Yale (extinto na década de 20) e o Palestra Itália se tornaram clubes exclusivos para os imigrantes, mas não era necessariamente proibido para negros (como membros da imprensa de penas arrotam), e sim para qualquer outra pessoa que não fosse da colônia italiana, que era uma resposta dos imigrantes pobres a elite da cidade.

Por conta disso, a popularidade do Palestra cresceu, o clube ganhou a admiração de toda a cidade pelo seu desempenho em campo, e logo foi liberada a participação de todas as nacionalidades no clube. O primeiro atleta de futebol negro registrado e documentado na antiga FMF foi Bento, em 1926, jogador palestrino. O Palestra Itália se tornou multiétnico, nascia ali as bases da maior, mais popular e mais historicamente incrível torcida de Minas Gerais.

Enquanto a maioria esmagadora dos jogadores do Palestra eram analfabetos e pobres, jogadores de outros clubes pertenciam a famílias ricas da cidade. O Palestra lhes assombrava. Logo na sua segunda partida, o Palestra emplacou logo um 3 x 0 no clube da que hoje é conhecido apenas no interior da Avenida do Contorno. Foi uma espécie de povo x playboys este jogo. Este fato contribuiu para que o Palestra se tornasse o clube mais popular de BH, que inclusive ganhou o apoio da maioria dos habitantes da cidade até a década de 40, quando o ditador Vargas e a política da II Guerra fez com que imigrantes fossem perseguidos no Brasil.

Não apenas forçaram o Palestra a mudar de nome. Tentaram destruir o Palestra. Apedrejaram sua sede, perseguiram seus torcedores. Hoje, tentam transformar a mudança de nome de Palestra para Cruzeiro como algo pejorativo. É porque tentaram durante décadas esconder esta história. Mas como é marca da trajetória deste clube, as voltas por cima são sempre bem dadas.

Durante a II Guerra Mundial, o Palestra viveu um dos seus momentos mais difíceis, mas como era destino deste clube imperar sobre este Estado, os palestrinos resistiram, a torcida segurou a “bronca” e assim estes torcedores ultrapassaram as décadas de 40 e 50 na raça e, nos anos 60, após tudo que o Palestra viveu para se tornar Cruzeiro, chegava a hora dos deuses do futebol brindarem esta torcida com o maior esquadrão futebolístico que o Estado de Minas Gerais já presenciou.

Os tostões que os antigos imigrantes vieram buscar trabalhando na construção civil da cidade não vieram no formato moeda como eles esperavam, e sim no formato jogador de futebol.

Minas Gerais estava tomada de vez e marcada para sempre com o segundo ser que levou o seu nome a ser conhecido no Mundo todo depois do barroco Aleijadinho.

Após o Cruzeiro, outros conseguiram esta façanha, como Sepultura e João Guimarães Rosa, por exemplo. Mas no futebol, apenas um fez isso. Quanto orgulho, porque foi na raça, o Palestra sobreviveu a guerra e se tornou Cruzeiro, o clube do povo.

Com a inauguração do Mineirão, já na era Cruzeiro, a popularidade do clube aumentou de forma assustadora, “esta torcida cresce tanto que mais parece uma China Azul”, disse um torcedor de um clube regional à época. Cruzeiro e Mineirão formaram uma simbiose, é possível sentir o cheiro do bafo da Raposa caminhando em seus entornos.

O Mineirão foi feito por operários para ser a casa dos operários que fundaram aquele que levaria o nome do Estádio para o mundo.

O Cruzeiro surgiu em Belo Horizonte que por sua vez é uma cidade formada por migrantes e imigrantes. O amor pelo Cruzeiro se espalhou como suas estrelas no céu pelas terras de Minas Gerais, surgiu uma constelação de loucos alucinados que empurraram o clube para se tornar uma das maiores potências futebolísticas do continente e planeta. As décadas seguintes cravaram o nome Cruzeiro na história do futebol mundial.

A torcida do Cruzeiro ama o que ela é e o que ela conquistou. Amamos nossos títulos e temos sede de novos. Em tempos de guerra, sobrevivemos. Em tempos de escassez de títulos, como a década de 80, respondemos a penúria de conquistas com a maior média de público do mundo em uma copa na década de 90.

Nesta mesma década, pudemos vivenciar uma invasão popular a nossa casa com mais de 160 mil pessoas dentro e nas imediações do estádio. Uma aglomeração humana espetacular. Estava ali o povo. Nem os Inconfidentes conseguiram façanha semelhante. Isto é a prova absoluta do que as centenas de operários do início do século transformaram em 8 milhões de pessoas na atualidade.

O Cruzeiro nunca se resumiu a um clube de futebol. O Cruzeiro, na verdade, é a história da formação de um povo que gira em torno deste clube. O Cruzeiro foi feito para o povo e cada elemento deste povo leva o Cruzeiro nos braços como os imigrantes que fundaram o clube levavam os tijolos que construíram a cidade que o Cruzeiro reinaria.

A sabedoria deste povo não engana, o Cruzeiro é um muro de concreto, ruim de derrubar. Até tentaram, inclusive sob guerra. Mas aí está o Cruzeiro, a maior instituição futebolística de Minas Gerais graças a força de um povo.

Saudações a todos corações do mundo que unidos formam uma constelação em forma de clube de futebol que espelham 5 estrelas no peito e no céu ao mesmo tempo.
Cruzeiro, tua estória é tão bonita, faz parte de nossas vidas, para os nossos filhos nós vamos contar. Cruzeiro, tu és nossas vidas, nosso orgulho, nossa alegria, e nada pode descrever, o sincero e imenso amor que sentimos por você!

Em torno destas 5 estrelas e desta camisa azul, nós orbitamos.

Cruzeiro, clube do povo de Minas Gerais.



Voz da Arquibancada é o espaço dedicado ao torcedor da arquibancada, geral e de toda imensa torcida espalhada pelo mundo. O Cruzeirense que se sentir motivado, inspirado e/ou indignado, escreva seu texto e envie para arquibancada@cruzeiro.org. A equipe Cruzeiro.Org terá o prazer de selecionar os textos recebidos e publicar os melhores e mais apropriados.

Leia também as colunas anteriores Voz da Arquibancada

As opiniões e declarações aqui expressas são de inteira responsabilidade do autor. O Site Cruzeiro.Org não responde por nenhuma opinião assinada.

Comentários:  Clique aqui e faça seu comentário sobre a coluna

 pyxis | BHZ | 14-10-15 01h10min
Geovano, não repara... Este povo chamado torcedor modinha, gosta muito de uma coluna como a sua, eivada de, como diria Nélson Rodrigues, unanimidades...
Como inibimos a participação de frangas neste espaço, tens unanimidade...

P.S. Não me incluo na unanimidade. ;-P
 pyxis | BHZ | 14-10-15 01h20min
Só para registro...
Sou beorizontino de terceira geração. Minha avó materna nasceu na capital em 1904. Aquele que seria meu bisavô materno era de Sabará e veio para a capital para ajudá-la a construí-la, não era oriundi e muito menos escravo liberto. Igual a ele, várias foram as famílias a se alojarem na "periferia" (Lagoinha, Santo André, etc)
. Meus filhos são uma rara 4a geração de belorizontinos. Desde 1904.
 pyxis | BHZ | 14-10-15 01h23min
... se nossa história é tão bonita, se pros nossos filhos vamos contar, que seja a NOSSA história, sem adjetivar a estória dos outros. AFINAL, precisamos mesmo nos comparar a outros com versões e nebulosas, para enaltecer nossa HISTÓRIA?
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