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Agência Minas Esportes



Voz da Arquibancada
Voz da Arquibancada é o espaço de manifestação permanente do torcedor cruzeirense.

04/09/2014 | Voz da Arquibancada
Ô meu pai, eu sou cruzeiro meu pai...

Por André Oliveira (CLIQUE AQUI e COMENTE)

Não foram cinco anos longe do Mineirão, foi uma eternidade !!!

Nosso reencontro tinha dia e hora marcados: 30/08 às 18h30min. Aguardar estes últimos dias para o jogo fazia-me sentir menino de novo, tamanha ansiedade e aflição. O sábado custou a passar.

Quatro e meia da tarde estaciono o carro distante dois quarteirões do Mineirão, descemos em cinco, corremos para o estádio, entramos pelo portão D, faço o cadastro da minha afilhada para entrar no campo. A menina estava em êxtase, mal podia acreditar, era sua primeira ida ao estádio, minha sobrinha também ia pela primeira vez ao Mineirão.

Como temos que aguardar até 17:30 para ela seguir com as crianças, vamos ver nossos lugares, seguimos para o nosso setor. Ao entrar no estádio, ficamos deslumbrados, o Mineirão ficou maravilhoso!!! O coração se agita.

A China Azul vai chegando aos poucos, desço para levar minha afilhada à fila das crianças. Volto, esperamos mais um pouco até vermos a criançada entrando no campo. Desço de novo para buscá-la, as crianças demoram um pouco para voltar, acompanho o jogo com alguns pais, por uma TV no corredor externo do estádio, até que lá vem a meninada.

Enquanto ela me conta que abraçou o Fábio, subimos correndo para a arquibancada, entro na fileira, quando estou chegando à cadeira, meio de lado para o estádio, minha sobrinha olha pra mim e diz: gol deles! Ãh? O quê? Viro para o campo e vejo os jogadores da Chapecoense se abraçando, olho o placar que indica 0x1 para eles.

Mas não dá tempo pra nada, nem pra sentir baque, pois enquanto os caras se abraçam, a torcida grita a plenos pulmões. Ficamos todos emocionados com a reação da torcida, que canta e incentiva. E quanto mais a torcida cantava, tanto mais nos empolgávamos e cantávamos cada vez mais alto, uma sinergia contagiante! Arrepiado, só me vinha uma certeza: não vamos perder esse jogo!

Harmonia, sintonia torcida-time, questões tão discutidas nesse espaço nessa hora ficam óbvias: se eu, um no meio de 28, 29 mil pessoas, embalado pelo canto da torcida, sentia essa confiança de que iríamos virar, tanto mais os jogadores que escutavam toda essa China Azul acreditando e empurrando o time.

A Chapecoense se fecha, enrola para bater lateral, tiro de meta, e o Cruzeiro com maior volume, posse de bola, pressiona, tudo dentro do que já se imaginava que seria o jogo, com exceção do gol da Chapecoense, esse entrou de penetra no script.

Mayke encontrava espaço nas costas do lateral, e já chegava com perigo em alguns momentos, Goulart e Marcelo Moreno quase empataram, mas não foi o suficiente, fomos para o intervalo com 1x0 contra.

Minha afilhada estava tensa, testa franzida, olhar preocupado, minha sobrinha e esposa também meio apreensivas. Afirmei a elas: “esquenta não, vamos virar!” Um torcedor próximo endossou: “quando fizermos o primeiro eles não vão aguentar a pressão não!”

Claro, teve comentário infeliz e corneta também, mas não vou gastar palavras dando-lhes uma atenção e espaço que não merecem. Não agora, não aqui!

Voltando ao jogo... Marcelo O. fez ótima leitura do 1° tempo, viu os espaços que Mayke já encontrava e colocou Alisson para infernizar de vez. O garoto entrou bem demais no jogo e incendiou a partida. Não demorou para explodirmos de alegria: Léo empata o jogo! A virada demorou menos ainda. Para coroar a substituição de M.O e a bela partida de Alisson, o garoto faz o terceiro gol!
A Chapecoense ainda faria o segundo, mas não teve tempo de comemorar, pois na sequência o Cruzeiro fez o quarto gol. Emoção e alegria! Cantávamos, pulávamos, gritávamos, Mineirão em festa: “Explode coração, na maior felicidade...”.

Termina o jogo! Cruzeiro 4x2 e mais líder do que nunca!

Vamos saindo do estádio com o sentimento de quem deixou tudo lá dentro, toda a emoção, adrenalina, vibração, voz, tudo!
Minha afilhada e sobrinha, empolgadas, falavam sem parar:

“Emoção demais! Eu quero voltar! Que dia que é o jogo contra o Bahia! Eu abracei o Fábio! Agora o senhor tem que nos levar à Toca da Raposa. Temos que marcar pra vir a família toda agora!”

A empolgação delas me fez voltar à primeira vez que fui ao Mineirão.

(quem nunca foi privado de nada, nem mesmo de títulos do Cruzeiro, talvez não entenda muito bem o que vou contar...)

Naquela ocasião, saía do estádio segurando a mão do meu pai e falei:

_ “Ô pai quando eu crescer eu não quero muita coisa da vida não, se eu tiver uma casa, um carro, um pouco de conforto e puder vir ao Mineirão de vez em quando , tá bom demais!” E ainda emendei: “ah, e quero ver o Cruzeiro ser Campeão Brasileiro também, claro!”

Meu pai riu, e disse: “É, tá bom demais, cê não tá muito bobo não, isso até eu quero!”

Naquela época, meu pai já tinha crescido e não tinha casa própria, nem carro, nem “um certo” conforto, e não tinha visto o Cruzeiro ser campeão brasileiro (o título de 66 ainda não era reconhecido, embora pra ele já fosse), a única coisa do “meu desejo” que desfrutávamos no presente, era estar no Mineirão.

Àquela altura, o Cruzeiro “não tinha” nenhum título de Campeão Brasileiro, não tinha nenhuma Copa do Brasil, nem Supercopa... enfim, eu ainda não havia visto um título de grande expressão; meu pai me “alimentava” com as histórias do título de 66, o gol de falta de Joãozinho na final da Libertadores de 76, os 5x4 no jogo imortal contra o Inter, entre outras histórias e curiosidades...

Sábado, já do lado de fora do Mineirão, enquanto lembrava aquela conversa com o meu pai, olhei para o céu e agradeci a Deus...

ELE me deu muito mais do que eu pedi naquele dia!

Olhei para trás, contemplei o Mineirão, respirei fundo e sussurrei só pra mim:

Ô MEU PAI, EU SOU CRUZEIRO MEU PAI !!!

Voz da Arquibancada é o espaço dedicado ao torcedor da arquibancada, geral e de toda imensa torcida espalhada pelo mundo. O Cruzeirense que se sentir motivado, inspirado e/ou indignado, escreva seu texto e envie para arquibancada@cruzeiro.org. A equipe Cruzeiro.Org terá o prazer de selecionar os textos recebidos e publicar os melhores e mais apropriados.

Leia também as colunas anteriores Voz da Arquibancada

As opiniões e declarações aqui expressas são de inteira responsabilidade do autor. O Site Cruzeiro.Org não responde por nenhuma opinião assinada.

Comentários:  Clique aqui e faça seu comentário sobre a coluna

 msramosazul | Não definido | 04-09-14 08h04min
Belíssima coluna André. Você transmitiu toda a emoção possível. Me ví criança junto ao meu pai.Parabéns.
 marco | Curitiba | 04-09-14 08h11min
Belo texto. Me emocionou. Parabéns.
 estrelado campeão | Ubá  | 04-09-14 08h23min
André, estou ansioso para levar meus filhos ao Mineirão também. Quase que foi contra a Chapecoense, por coincidências. Como somos do interior, estou esperando a melhor oportunidade( quem sabe um sábado) para aproveitarmos o domingo e fazermos outras coisas( Zoológico, Parques, etc). Vi o Cruzeiro pela primeira em 84(já estava com 18 anos) e fiquei espantado ao ver o talento do Joãozinho, de fato foi tudo aquilo que falavam. Espero que seja ainda em 2014. De repente encontramo-nos na TOCA III.
 pyxis | BHZ | 04-09-14 13h29min
Duas coisas: 1. Parabéns André !!! 2. Um dos meus filhos chama-se André Oliveira e este texto não foi do meu filho.
 rodriguesmacedo | Belo Horizonte | 04-09-14 21h25min
Absolutamente emocionante o seu comentário. E falo isto com uma pontinha de inveja, pois apesar de minha filha de 8 anos adorar ira ao Mineirão comigo, ela nunca quis entrar com os jogadores, por mais que eu insista. Parabéns.
 webber | Belo Horizonte | 04-09-14 21h45min
Nós somos Cruzeiro!
 Celeste | Sorocaba-Itajub� | 04-09-14 23h08min
Parabéns André. A coluna está emocionante. Isso se chama sinergia (palavras do Evandro) e cruzeiridade (sua história de torcedor). Nós que já passamos por períodos de jejum de bom futebol e títulos devemos valorizar e vivenciar cada momento dessa fase azul. Meu sobrinho entrou com o time na primeira fase do Mineiro (time misto) lá em varginha. Acompanhou o MM e acho que deu uma baita sorte para nosso 9 (rs...).
 Celeste | Sorocaba-Itajub� | 05-09-14 12h02min
Torcedor 1, como o garoto mora longe de BH (Itajubá) o próximo encontro com o Cruzeiro só em 2015 provavelmente. Daí vamos escolher quem estará mais necessitado de sorte!. O MM na época era reserva e marcou dois gols.Vou colocar fotos no FB cruzeiro.org., só do estádio. Não foi possível fazer fotos com os jogaores.
 veron | BHZ- Fortaleza | 06-09-14 00h33min
André, parabéns pelo texto. Também me lembrei do meu saudoso pai, que em plena década de 80 conseguiu que todos os 5 filhos e vários sobrinhos que moravam no interior fossem verdadeiros cruzeirenses. Por coincidência, a minha filha de 3 anos Maria Ritta, também foi ao Mineirão pela primeira vez nesse jogo contra a Chapecoense. Ela ficou super excitada, cantava, comemorava os gols como uma veterana. Acho que estou conseguindo passar pros meus filhos o mesmo que meu pai nos passou. Bom demais!!!
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