Ola visitante, Clique aqui para conectar ao site

 Home   |   Blog PHD   |   Charges   |   Colunistas   |   Notícias   

PROMOÇÃO CRUZEIRO.ORG 25 anos - COPA DO BRASIL - FINAL NO MINEIRÃO
Comente no site, Compartilhe no Facebook ou Retuíte as notícias no Cruzeiro.Org e concorra a ingresso na final da Copa do Brasil
Blog Páginas Heróicas Digitais



Voz da Arquibancada
Voz da Arquibancada é o espaço de manifestação permanente do torcedor cruzeirense.

17/11/2013 | Voz da Arquibancada
A identidade das Torcidas

por Luiz Otávio Correa (Para ler clique AQUI)

Torcidas de futebol são diferentes, às vezes maiores, às vezes menores em número de torcedores, mas cada uma com as idiossincrasias.

Alguns times tem mais títulos, outros menos (às vezes a diferença é enorme). E os títulos são importantes sim, muito importantes. Demarcam a grandeza dos clubes e formam a identidade das torcidas.

A Torcida do Cruzeiro conta, feliz, a história dos seus títulos, grandes equipes, cada uma com a sua épica e inesquecível trajetória. Bobagem dizer qual foi a melhor delas. A cada geração de títulos uma geração de imortais. Fácil escrever assim quando nos vangloriamos e comemoramos os belos gols de Everton Ribeiro e o Tri campeonato.

São tantas glórias...

Só para lembrar alguns momentos, os 6 a 2 no Santos em 1966 e a virada fantástica em cima do São Paulo em 2000. O gol malandro de Joãozinho, em 1976 e a mística em torno da morte de Roberto Batata. Em 1997, aquela defesa do Dida seguida do gol de Elivélton. Em 2003, os golaços de Alex e a Tríplice Coroa fantástica. Bom cada um que eleja do seu repertório a sua narrativa. Estas são mais minhas, mas são de muitos outros torcedores também.

Todos estes momentos são memórias e histórias, sobre as quais nós, cruzeirenses, criamos as nossas versões, lembranças. Como diz a historiadora botafoguense, Lucilia de Almeida Neves Delgado, a memória é o substrato das identidades. Não é diferente no futebol. Cada torcida forja a sua identidade a partir da sua memória. Daí a importância dos títulos logicamente, que são os momentos onde estas narrativas são contadas e recontadas. Contamos a nossa história através de nossas práticas, representações, jeitos. Título é para ser lembrado e alimenta a alma.

Desta maneira, a relação das torcidas com o seu time nunca é pragmática.

Ficaria entre o tipo de ação que tem um valor, ou mesmo são tradições e às vezes nem racionais são. Só não depende de um sucesso dos times para acontecer. Se assim o fosse, torceré pelo Barcelona sempre. Mas não é assim que acontece. Agremiações ficaram muitos anos sem títulos e tiveram um crescimento da torcida. Outros viram a sua torcida diminuir ou não aumentar.

Desta maneira, para aqueles que pensam que os cruzeirenses são pragmáticos, não saberiam explicar o crescimento da torcida do cruzeiro nos anos 80. Nos anos 90, nem poderíamos dizer, porque com todos os títulos que ganhamos nesta década, ficaria fácil explicar. Mas voltando á década anterior, quando tivemos aqueles times horrorosos que nem é bom lembrar, tínhamos 39% de torcedores em Minas, contra 46% de um outro time. O percentual era 26% nos anos 60. Bom, ganhamos a Libertadores em 1976. Mas o que explicaria o crescimento e permanência destes ´pragmáticos` torcedores durante os anos subsequentes, em que os cruzeirenses iam ao Mineirão para ver ´certos jogadores` que não vou elencar aqui para não ser injusto para os bons jogadores e até craques que atuaram nestes times.

Por falar em craque, eu mesmo apaixonei definitivamente pelo Cruzeiro em 1981, dia em que o Joãozinho quebrou a perna (Link do Vídeo). Não era uma final. Era um Cruzeiro contra um desconhecido Sampaio Correia. O que tenho em minha retina é o Joãozinho sentindo dor enquanto eu chupava o picolé com seis anos de idade. Tenho minha própria narrativa heroica de ser cruzeirense. Eu, sentado atrás do ´gol da cidade`, e o João Travolta deitado do lado direito do ataque do Cruzeiro. Não foi bem assim. Mas é como eu me lembrava antes de rever o video indicado acima. Também não me lembrava do gol que o Cruzeiro fez ou deixou de fazer. Na verdade foi um empate e a jogada foi pela esquerda, logicamente. Mas eu só me lembro do picolé de limão e da dor do jogador do meu time. Nem sabia da sua genialidade. O que quero dizer é que Joãozinho, na sua dor, me fez solidário. Não foi porque fez o gol do título da Libertadores, mas porque ele é parte da história do Cruzeiro, parte da nossa identidade e memória também. Até no seu pior momento.

Com todo respeito a este time do início dos anos 80, se o cruzeirense fosse mesmo pragmático teria escolhido torcer pelo time que foi campeão mineiro de maneira consecutiva durante 6 anos. Mas não foi isto que aconteceu. Em vez disso, a torcida do Cruzeiro só cresceu. O Cruzeiro já era grande naquela época, apesar ´daqueles` times. O Cruzeiro nunca foi provinciano. Em Minas só temos um time que tem sua torcida assim.

Aqui então eu agradeço meu irmão por poder me fazer experimentar isto e me sentir em casa, naquele gigante que me impressionava. Aquele Mineirão Azul, mágico, aqueles mantras. Eu fui envolvido por aquela torcida, sentia-me parte daquilo, sem precisar perder a minha individualidade, o que era mais fantástico. Mais tarde eu saberia que ser cruzeirense é ser assim mesmo. Não é massa, mas é uma nação, o que faz uma enorme diferença por dar vazão justamente à diferença.

Não somos melhores ou piores, somos mais 8 milhões de torcedores do maior time de Minas. Temos uma identidade. Ser cruzeirense tem ´um jeito`, um valor, uma ótica. Somos seguros e não temos medo desta morte simbólica, que se reflete na aniquilação do outro.

Cruzeirense sabe conviver com a diferença. O fascismo é que escolhe o rival para aniquilá-lo. A sua máquina beligerante é movida por este ódio, pela necessidade de acabar, denegrir, diminuir o outro. O fascismo elege um inimigo que é a razão da sua decadência. Mas a predisposição para o totalitarismo e a pré consciência, refletida na necessidade extrema de cuidar da sexualidade do outro, por exemplo. Talvez a escassez de títulos gere este tipo de vontade totalizante.

Mas isto é só uma hipótese, não sei e tão pouco me interessa saber.

O que mais faz ser cruzeirense é ter consciência da minha individualidade. Mas existem cruzeirenses com tendências fascistas e homofóbicas também e sei, não são poucos. Mas tendo a acreditar que cruzeirense, na maioria das vezes, não está, de verdade, nem aí para a sexualidade do outro e não se importa se o outro time vai ganhar ou não... Cruzeirense torce pelo seu time. Cruzeirense não ameaça pular da Lagoa da Pampulha por que o outro time vai ser campeão brasileiro, como aconteceu em 2003. Cruzeirense não veste camisa de outro time para lembrar a derrota do time adversário.

Somos diferentes, nem melhores e nem piores. Diferentes, isto é certo. E gostamos deste nosso jeito, apaixonados pelo time, uma simbiose que levou a tantas glórias.

Somos mais de oito milhões de guerrilheiros, heróis, maravilhosos: temos uma identidade guardada na memória coletiva, que amamos e reconhecemos como nossa. O outro não é o inferno não, por que somos mais. Simples assim.

Luiz Otávio Correa é cruzeirense e professor.

Voz da Arquibancada é o espaço dedicado ao torcedor da arquibancada, geral e de toda imensa torcida espalhada pelo mundo. O Cruzeirense que se sentir motivado, inspirado e/ou indignado, escreva seu texto e envie para arquibancada@cruzeiro.org. A equipe Cruzeiro.Org terá o prazer de selecionar os textos recebidos e publicar os melhores e mais apropriados.

Leia também as colunas anteriores Voz da Arquibancada

As opiniões e declarações aqui expressas são de inteira responsabilidade do autor. O Site Cruzeiro.Org não responde por nenhuma opinião assinada.

Comentários:  Clique aqui e faça seu comentário sobre a coluna

 pyxis | BHZ | 17-11-13 02h47min
Camarada Luiz Otávio, entendo e respeito algumas de suas fundamentações e conclusões, entretanto, discordo de quase tudo. Causas e efeitos não são bem assim e algumas de suas teorias são factuais para você, nem para a maioria da torcida do Cruzeiro é possível. Numa análise sócio-antropológica, o que motiva torcedores de futebol a serem assim ou assado, é a cultura e educação familiar, a história e resultados nada tem a ver com isto. Explicações não são obtidas facilmente com imagens e memória...
 pyxis | BHZ | 17-11-13 02h49min
... Discordo da sua analogia/transposição feita a partir do que disse a historiadora botafoguense...
AS coisas são bem mais complexas e garanto a você que nem 20% da torcida do Cruzeiro pode ir a um estádio para viver algumas emoções... (que justificariam sua teoria de "memória" e visualização. Para que sua análise ficasse mais interessante, o poder da comunicação do rádio, poderia ser usado para explicar a identidade das torcidas no país inteiro.
 Beth Makennel | Belo Horizonte | 19-11-13 13h23min
Somos, simplesmente, disparadament5e, os maiores de Minas e um dos 4 maiores do Brasil e das américas. Zeirôooooooooooooooooo
 Lista/Chat Cruzeiro 

Assinar Lista-Cruzeiro

 Publicidade 

 Notícias   
19/09 - 14h20 [13 coment.]
Baixo aproveitamento nos pênaltis em toda a temporada liga alerta 

19/09 - 09h13 [4 coment.]
Cruzeiro alcança terceira melhor campanha do returno do Brasileiro 

19/09 - 08h08 [3 coment.]
Mano revela por que ainda não utiliza Arrascaeta como titular 

19/09 - 07h55 [1 coment.]
Sub17 conquista a J-League Challenge Cup, em Osaka (JPN) 

19/09 - 06h48 [1 coment.]
Atletismo conquista todas as provas disputadas no fim de semana 

18/09 - 08h56 [8 coment.]
Cruzeiro vence o Bahia e consegue se manter entre os 6 melhores 

18/09 - 07h39 [4 coment.]
Eleições: Lideranças do Cruzeiro intensificam atuação na campanha 

18/09 - 07h33 [2 coment.]
Cruzeiro lutará contra o Flamengo por sua 40a conquista no Mineirão 

>> Mais noticias

Cruzeiro.Org© 1999-2017 - Site Oficial da Torcida - Contatos para Webmaster