Moema Ribeiro
O debate sobre formas de associação ao Cruzeiro é válido, especialmente se dele resultar uma proposta que chegue aos administradores do clube.
Com relação à proposta de preços variáveis de acordo com o desempenho do time, não me agrada pela complicação: preços variáveis aumentam o custo de administração e confundem o torcedor.
Além disso, não permitem ao clube fazer uma estimativa dos valores que serão arrecadados.
Minha proposta é dividir o programa: um para os torcedores que efetivamente têm interesse e condições de ir aos jogos.
Começa com aqueles que já têm o hábito de ir sempre, oferecendo condições especiais e tratamento diferenciado.
Semelhante ao sócio torcedor que já existe, mas com premiações de acordo com a categoria, mais ou menos como os programas de fidelidade das empresas de aviação.
Quando o torcedor atingir um número X de jogos, ganha ingresso para acompanhantes, upgrade para outro setor, brindes específicos, camisas etc.
Para o nível mais simples, haveria oferta de transporte especial para o jogo partindo do centro, por exemplo.
Para os níveis mais caros, quando se atingisse um determinado nível de fidelidade, os prêmios também seriam diferenciados.
Não concordo com sócio torcedor que dá direito a voto no clube: quem quer esse direito, deve comprar uma cota.
Já a outra categoria de sócio torcedor seria para aqueles que não têm condições de ir aos jogos.
Para esses, uma contribuição menor, mas com direito a participação em sorteios de produtos oficiais, viagens, e, tão em voga hoje, conteúdo exclusivo no site, notícias etc.
Para esta categoria também haveria diversos níveis.
Minha idéia, basicamente, é a de ter dois programas, um para o torcedor que vai a campo e outra para o torcedor que tem interesse nas coisas do clube, mas que não pode ir a campo – o que é muito importante para um clube que tem muita torcida fora de sua cidade e quer expandir fronteiras.
Por mais fanático que seja o torcedor, ninguém gosta de dar dinheiro sem receber algo em troca.
E sabendo que cada um quer uma coisa diferente –uns aquisição de jogadores, outros ingressos, outros poder de decisão etc– o melhor é se definir de uma vez quais são os prêmios e deixar claro que estas “recompensas” só aumentem pela fidelidade.
Ficaria, então, a critério do torcedor decidir qual categoria de sócio lhe é mais vantajosa, sabendo que em ambas ele estará contribuindo com o clube.
Moema Tomassoni Ribeiro (mfox), 33, cruzeirense, formada em Direito, nasceu em Belo Horizonte, mora em Chicago, Estados Unidos.