Mauro França
Pela primeira rodada do Grupo 7, o Cruzeiro vai à Buenos Aires enfrentar um Vélez motivado, que tem como maior trunfo um conjunto forte e entrosado, além de alguns bons valores individuais.
Adilson manteve o esquema usual, escalou Elicarlos no meio e desta vez optou por começar o jogo com Thiago Ribeiro no ataque, ao lado de Kleber.
1º TEMPO
Aos 2 minutos, bola pelo alto, Gilberto acompanhava a sua trajetória e ao girar o corpo para fazer o domínio, levanta o pé e atinge involuntariamente o zagueiro Sebá, que chegava para a dividida.
Pela imprudência, lance para amarelo, mas o juiz sacou logo o vermelho e começou a mudar a história da partida.
Qualquer estratégia já fica comprometida com uma expulsão no inicio do jogo. E mais ainda quando na sequencia o adversário faz um gol.
Aos 5, Cabrera foi lançado no espaço vazio da lateral esquerda celeste, chegou antes de Paraná e fez um cruzamento perfeito para Santiago Silva, que, no segundo pau, fulminou de cabeça para o gol. Vélez 1×0.
Para complicar, o juiz uruguaio tratou logo de mostrar que os critérios seriam completamente diferentes.
O rigor que teve na expulsão de Gilberto não seria aplicado em lances até piores dos jogadores do Vélez.
Como aos 6, quando Moralez, sem visar a bola, atingiu com um carrinho o tornozelo de Elicarlos e recebeu apenas o amarelo.
Ou quando Cubero fez duas faltas violentas em Kleber, aos 9 e 10 minutos, que lhe renderam apenas o amarelo, no segundo lance.
O Cruzeiro chegou com perigo aos 7. Jonathan cobrou uma falta na direita, Henrique penetrou livre pelo meio da área, em posição legal, e cabeceou fraco, facilitando a defesa de Montoya.
O Vélez fazia uma marcação agressiva (em todos os sentidos) a partir da intermediária e dificultava a saída de bola celeste.
No ataque, explorava principalmente o lado esquerdo da defesa celeste, onde Diego Renan se mostrava completamente perdido e a cobertura não funcionava a contento.
O jogo ficou quente, disputado com muita intensidade. Aos 17, Gil recebeu o amarelo por atingir um adversário rente à linha lateral.
Dois minutos depois, Kleber foi atingido com violência pela terceira vez, desta vez por Lima, que foi amarelado.
O Cruzeiro, mesmo com um a menos, não se intimidou. Tentou sair para o jogo e de certa forma conseguiu neutralizar a pressão do Vélez, que depois do gol só chegou com perigo aos 24. Depois de uma cobrança de falta, Santiago Silva apanhou a sobra dentro da área e bateu forte para o gol. Fábio fez grande defesa, cedendo escanteio.
O jogo ficou concentrado entre as intermediárias. Mesmo com muita movimentação dos homens de frente, apoiados por Jonathan e pelos volantes, o Cruzeiro chegava pouco ao ataque.
Sem espaço para tocar a bola, a saída muitas vezes era feita com chutões. O Vélez, mais preocupado em bater, até então criava poucos lances de perigo.
Aos 28, o tempo fechou depois que numa disputa de bola Thiago Ribeiro foi atingido no rosto. Os jogadores celestes foram pra cima, formou-se o bolo, com troca de empurrões e xingamento de ambos os lados.
O juiz mostrou amarelo para Leonardo Silva e Santiago Silva. O quarto para os argentinos, segundo para os cruzeirenses.
Depois dos 30 minutos o Vélez teve mais presença no ataque, criando seguidas situações de perigo, a maioria com Cabrera, que explorava o corredor aberto no lado esquerdo da defesa celeste.
Aos 36, depois de uma troca de passes pelo meio, a bola foi lançada para Silva, que sairia na cara do gol não fosse derrubado por Gil na meia lua. Gil recebeu o segundo amarelo e foi expulso corretamente. Na cobrança da falta, Silva disparou um petardo e Fábio fez boa defesa.
Se com 10 a situação já estava complicada, com 9 ficou muito mais. Adilson trocou o perdido Diego Renan por Thiago Heleno, para recompor a zaga.
O Vélez seguiu batendo. Aos 39, Sebá chutou Kleber, caído no chão, na cara do juiz, que mostrou apenas o amarelo para o zagueiro.
Aos 41, na base da raça, o Cruzeiro chegou com perigo. Jonathan cobrou falta, Kleber desviou de cabeça e a bola saiu à direita do gol.
Nos minutos finais o Vélez tocou a bola no ataque e terminou o primeiro tempo batendo. Aos 46, Somoza atingiu Kleber e foi amarelado.
2º TEMPO
O Cruzeiro para o 2º tempo sem alterações. O Vélez começou pressionando, insistindo nos cruzamentos para área.
Já prevendo o desgaste do time, Adilson trocou Thiago Ribeiro por Pedro Ken, na tentativa de reorganizar o sistema defensivo.
O jogo se transformou num ataque contra defesa. Com dois a menos, não restou alternativa ao Cruzeiro que não se defender.
Kleber ficou isolado na frente, marcado por pelo menos três adversários. A defesa, no sufoco, despachava a bola do jeito que dava. Ao menos não faltou luta e dedicação.
Fora os cruzamentos para a área, o Vélez pouco criava. Teve uma chance clara aos 13 minutos, quando Lopez apareceu livre na cara do gol e chutou por cima.
Um minuto depois, Silva recebeu na entrada da área, livrou-se de Thiago Heleno e bateu para o gol, com perigo.
Sem conseguir transformar a superioridade numérica e o amplo domínio das ações em gols, Ricardo Gareca fez duas alterações aos 19. Cabral e Martinez substituíram, respectivamente, Lima e Cabrera.
Aos 21, Adilson trocou Kleber por Wellington Paulista, que se dedicou mais a ajudar na marcação.
Numa das poucas tentativas de ataque no 2º tempo, Henrique recebeu na esquerda e voltou para Paraná, que arriscou de fora da área e mandou longe do gol.
O Vélez seguiu forçando o jogo pelo lado esquerdo da defesa e teve ótima oportunidade aos 24. Após cruzamento, Martinez se antecipou à zaga e jogou por cima do gol.
Até que aos 32 o Vélez finalmente conseguiu ampliar o marcador. Moralez foi ao fundo e cruzou para Martinez, que, já na pequena área, apenas escorou para o gol. Vélez 2×0.
O panorama do jogo seguiu inalterado até o final. O Vélez insistiu no ataque e o Cruzeiro resistiu bravamente.
Já aos 40 minutos, Otamendi cometeu falta violenta em Wellington Paulista e foi amarelado. Foi o 7º cartão do Vélez, que cometeu o dobro de faltas que o Cruzeiro.
Há que se destacar o empenho e a dedicação dos jogadores durante todo o jogo e especialmente no 2º tempo.
Os que ficaram em campo lutaram com todas as forças e merecem aplausos pelo esforço heróico para resistir à pressão a que foram submetidos.
Restou a impressão de que o Cruzeiro tem todas as condições de conseguir a sua classificação.
A atuação do juiz foi desastrosa e influiu decisivamente no andamento da partida.
Foi rigoroso na expulsão de Gilberto e extremamente condescendente com as faltas violentas e agressões cometidas pelos argentinos.
PS: Deixo aqui minha homenagem ao grande amigo Leo Vidigal, que faz aniversário hoje, com votos de saúde, paz e sucesso.
Mauro França, 46, cruzeirense, economiário, historiador, nasceu em Sete lagoas, mora em Belo Horizonte.