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Vélez Sarsfield, antiga pedra na chuteira celeste

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Mauro França

HISTÓRIA

A fundação do Vélez seguiu um roteiro semelhante ao de centenas de outros clubes surgidos nas primeiras décadas do século XX.

Em um dia no final de 1909, três rapazes buscaram abrigo de uma chuva torrencial na estação de trem Vélez Sarsfield, no bairro de Floresta, região oeste de Buenos Aires. Ali, tiveram a idéia de fundar um clube.

A reunião de fundação aconteceu no dia 1º de janeiro de 1910, na casa de um deles nas proximidades da estação, cujo nome homenageava um distinto jurista argentino do século XIX, Dalmácio Vélez Sarsfield, e que acabou sendo adotado pelos fundadores. Nascia assim o Club Atlético Argentinos de Vélez Sarsfield.

A primeira camisa era branca, pela maior facilidade de encontrar tecidos nessa cor. Pouco depois da fundação, passou a ser azul marinho.

Em 1914, foi alterada para listrada nas cores verde, vermelha e branca, por influência dos muitos sócios italianos que haviam ingressado no ano anterior. Nessa ocasião, o nome foi abreviado para Club Atlético Vélez Sarsfield.

Em 1919, o clube ingressou na primeira divisão do futebol argentino. Em 1923, José Almafitani, um cronista esportivo descendente de italianos, assumiu a presidência.

O clube alugou um terreno no bairro de Villa Luro e construiu ali o seu primeiro estádio, com tribunas de madeira, que na década de 30 receberia o apelido de El Fortín (O Forte). Nele se realizou o primeiro jogo noturno na Argentina, em 1928.

A origem do uniforme atual do clube é curiosa. Em 1938, os dirigentes receberam uma proposta de um comerciante, que oferecia a baixo custo um estoque de camisas brancas com um grande V em azul no peito, originalmente encomendadas por uma equipe de rugby, que não foi buscá-las. A oferta foi aceita e desde então este se tornou o uniforme oficial do clube.

O Vélez viveu um momento crítico em 1940, quando foi rebaixado para a segunda divisão, pela primeira e única em sua história. As conseqüências foram danosas. O clube foi despejado do terreno do estádio, perdeu vários jogadores e uma centena de sócios.

Em meio à crise, em 1941, José Almafitani foi novamente eleito presidente e comandou a reconstrução do clube. Conseguiu a cessão de um terreno pantanoso no bairro de Liniers e nele construiu um novo estádio, inaugurado em 1943. Nesse mesmo ano, o Vélez retornou à primeira divisão.

Posteriormente o estádio foi totalmente reformado, ganhando estrutura de cimento. O novo Fortín foi inaugurado em 1951. Em 1978, por ocasião do Mundial, passou por nova reforma, que ampliou sua capacidade para 50.000 espectadores.

Almafitani foi o maior presidente da história da história do Vélez, tendo ocupado a sua presidência por 28 anos, até 1969, quando faleceu aos 74 anos. 

TÍTULOS

O primeiro título conquistado pelo Vélez foi o Campeonato Nacional de 68. Na equipe despontava Carlos Bianchi, então juvenil, que se tornaria o maior artilheiro da história do clube.

Bianchi jogou 324 partidas e anotou 206 gols, nos períodos de 67-73 e 80-84. No intervalo entre as duas passagens, jogou na França, no Stade de Reims e no Paris St. Germain. Foi artilheiro do campeonato argentino em três temporadas e em cinco do francês.

Como técnico Bianchi dirigiu o Vélez em seu período mais glorioso. Sob seu comando, o clube conquistou três campeonatos argentinos (Clausura em 93 e 96 e Apertura em 95), uma Libertadores (94) e um Mundial Inter-Clubes (94).

Bianchi conquistou ainda quatro títulos argentinos, três Libertadores e dois Mundiais pelo Boca Juniors.

Na final da Libertadores em 94 o  Vélez bateu o São Paulo. Fez 1×0 em Liniers, perdeu pelo mesmo placar no Morumbi e venceu nos pênaltis por 5×3. Conquistou o Mundial ao derrotar o Milan por 2×0, com a seguinte formação:

  • José Luis Chilavert, Hector Almandoz, Roberto Trotta, Victor Hugo Sotomayor e Raul Cardozo; José Basualdo, Marcelo Gómez, Christian Bassedas e Roberto Pompei; Omar ‘Turco’ Asad e José Oscar ‘Turu’ Flores.

Com praticamente a mesma base, comandada por Osvaldo Piazza, ex-auxiliar técnico de Bianchi, o Vélez conquistou a Supercopa de 96, batendo o Cruzeiro. 

Nesse período, ganhou ainda uma Copa Interamericana (94) e uma Recopa (97). E mais um Clausura, em 98, já sob o comando de Marcelo Bielsa.

Passado esse período de glórias, o Vélez voltaria a conquistar o Clausura em 2005, repetindo o feito em 2009, título que lhe deu o direito de participar da Libertadores-2010, no ano do seu centenário.

CONFRONTOS COM O CRUZEIRO

Vélez e Cruzeiro já se enfrentaram 8 vezes. Foram 4 vitórias argentinas, contra três do Cruzeiro e um empate. Os dois primeiros jogos foram amistosos.

O primeiro foi no Mineirão, em 69, com vitória celeste por 2×1. Em 71, nova vitória celeste, desta vez por acachapantes 6×3, em jogo realizado em La Bombonera. O Vélez chegou a abrir 3×0 e o Cruzeiro virou o marcador.

Cruzeiro 6×3 Vélez Sarsfield, sábado, 06fev71, Estádio La Bombonera, Buenos Aires, Copa Montevidéu – Gols: Zotola, 10, Bianchi, 32, Benton, 36, Zé Carlos, 44 do 1º tempo; Lima, 5, Zé Carlos, 7, Roberto Batata, 8, Dirceu Lopes, 15 e 40 do 2º – Cruzeiro: Raul Plassmann (Jorge), Lauro, Brito (Morais), Aloísio e Vanderlei Lázaro (Neco); Wilson Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Roberto Batata, Tostão e Lima. Tec: Ilton Chaves. Vélez: Cabalero, Gallo, Romeo, Zotola e Correa; Rios e La Palma; Cotton, Benton, Carlos Bianchi e Benito – Nota – Carlos Bianchi mais tarde seria treinador do Vélez e do Boca pelos quais conquistou vários títulos internacionais.

As duas equipes voltariam a se enfrentar pela fase de grupos da Libertadores-94. No Mineirão, empate de 1×1. Em Liniers, vitória do Vélez por 2×1. O Vélez terminou em 1º e o Cruzeiro em 2º no grupo, à frente de Palmeiras e Boca Juniors.

Cruzeiro 1×1 Vélez, quarta-feira, 09mar94, 21h45, Mineirão, Belo Horizonte, fase de grupos da Libertadores 94 – Público: 21.749 – Juiz: Oscar Velázquez (Paraguai) – Gols: Ronaldo, 20seg, Asad, 43 do 1º tempo - Cruzeiro: Dida, Paulo Roberto Costa, Célio Lúcio, Luisinho e Nonato; Douglas, Toninho Cerezo e Luiz Fernando Flores; Cleison (Macalé), Ronaldo Fenômeno e Roberto Gaúcho. Tec: Enio Andrade / Vélez: José Luiz Chilavert, Almandoz, Trotta, Sotomayor e Cardozo; Basualdo, Campagnucci, Gomez, Bassedas, Asad (Pellegrini), Flores (Galeano). Tec: Carlos Bianchi.

Depois do jogo, Carlos Bianchi explicou sua estratégia para impedir que o Fenômeno liquidasse seu time:

  • “Eu tinha que escolher entre impedir que os laterais cruzassem ou que o centroavante jogasse. Optei por concentrar meus homens na marcação pelo meio da defesa e cedi espaços pelos lados. Assim, encontrando facilidades pelas laterais, eles passariam o tempo cruzando e minha defesa cortando de cabeça.”

O Cruzeiro caiu na armadilha. Cruzou dezenas de bolas, aparentou domínio absoluto da partida e a torcida foi pra casa com a sensação de que o resultado tinha sido injusto.

Em 96, Cruzeiro e Vélez fizeram a final da Supercopa. Os argentinos levaram a melhor, com duas vitórias. No Mineirão, 1×0, gol de pênalti de Chilavert, aos 43 do 2º tempo. Em Buenos Aires, 2×0. Nonato, Donizete, Fabinho e Pellegrini foram expulsos.

Velez 2×0 Cruzeiro, quarta-feira, 04dez96, 21h45, Estádio José Almafitani, Buenos Aires, 2ª partida da final da Supercopa 96 -  Juiz: Júlio Mattos (Uruguai) – Vermelhos: Nonato, Donizete, Fabinho (Cru), Pellegrini (Vel) – Gols: Camps, 3, Gelson (contra), 7 do 1º tempo. Cruzeiro: Dida, Vitor, Gelson Baresi, Gilmar, Nonato; Fabinho, Ricardinho, Cleison, Palhinha (Donizete), Paulinho e Ailton (Da Silva). Tec: Levir Culpi / Vélez: Chilavert, Zandoná (Mendez), Sotomayor, Pellegrino, Cardozo; Husaín, Gomes, Bassedas, Morigi, Camps (Asad), Posse (Pandolfi). Tec: Oswaldo Piazza.

Na última vez que se enfrentaram, nova vantagem do Vélez, que eliminou o Cruzeiro nas oitavas de final da Copa Sul Americana de 2005. Os argentinos fizeram 2×0 em Buenos Aires e o Cruzeiro, 2×1 no Mineirão.

NA LIBERTADORES

O Vélez chega a sua 11ª participação na Libertadores (80, 94, 95, 97, 99, 01, 02, 04, 06, 07). Fora o título em 94, sua melhor participação foi em 80, quando alcançou as semifinais. Na sua última participação, em 2007, foi desclassificado nas oitavas. No total, foram 85 jogos, com 38 vitórias, 27 empates e 20 derrotas, 113 gols a favor e 78 contra.

HOJE

O técnico do Vélez é Ricardo Gareca, que completará 52 anos justamente no dia do jogo com o Cruzeiro. Apelidado de ‘Ei Tigre’, foi um atacante competente.

Revelado pelo Boca em 78, jogou também no Vélez entre 89 e 92. Fez 20 partidas e marcou 6 gols pela Seleção Argentina. Parou de jogar em 94 e no ano seguinte iniciou sua carreira de treinador. Está no Vélez de janeiro de 2009. 

Em 2009, o Vélez conquistou o Clausura e terminou em 5º lugar no Apertura. No atual Clausura ocupa provisoriamente a 1ª colocação (a 3ª rodada ainda não se completou) com 7 pontos. Empatou em casa com o Colon, 1×1; venceu o Arsenal, 3×0, fora; e no último sábado derrotou o Gymnasia La Plata em casa, 2×1, atuando com o time reserva.

Contra o Arsenal, o Vélez jogou com

  • Germán Montoya, Fábian Cubero, Sebástian ‘Sebá’ Dominguez, Nicolás Otamendi e Pablo Lima; Nicolás Cabrera, Leandro Somoza, Victor Zapata e Maximiliano Moralez; Hernán Rodrigo Lopez e Juan Manuel Martínez.

Fora uma ou outra alteração de última hora, este deve ser o time que enfrentará o Cruzeiro.

Mauro França, 46, cruzeirense, economista, historiador, nasceu em Sete Lagoas, mora em Belo Horizonte.

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Cruzeiro na Libertadores: 1975, a guerra (III)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Mauro França e Jorge Santana

[Clique para ler as partes UM e DOIS]

Depois da sofrida classificação para a fase semifinal, o Cruzeiro disputou sete partidas pela 1ª fase do Campeonato Mineiro, entre 20abr75 e 14mai75, antes de voltar suas atenções para o torneio sul-americano.

Os adversários na semifinal seriam os argentinos Rosário Central e Independiente, dois grandes times, especialmente o segundo, à época tricampeão da Libertadores.

O Independiente entrou diretamente na fase semifinal como campeão de 1974 (quando derrotou o São Paulo na final). O Rosário classificou-se como 1º colocado do Grupo 1, depois de uma disputa acirrada com o Olímpia do Paraguai e o rival Newell’s Old Boys, com o qual terminou empatado em pontos, vencendo pelo maior saldo de gols.

O clássico argentino abriu o Grupo B. Em 06mai75, jogando em casa, o Rosário derrotou o Independiente por 2×0. Na quarta-feira, 21mai75, Cruzeiro e Rosário se enfrentaram no Mineirão, que recebeu um público de 42.500 torcedores.

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Leopoldo Moura, um cruzeirense acadêmico

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Este é o Leopoldo Moura Jr., autor de posts instigantes, cruzeirense desde os tempos da Academia Celeste.

  1. Nome, data de nascimento, bairro onde mora: Leopoldo Corrêa Moura Júnior, 26mar56, moro no Sion, em Belo Horizonte, cidade em que nasci.
  2. Família Moura: Meus pais são Leopoldo e Aretusa. Ele trabalhava na Atlantic, antiga empresa de petróleo, onde era representante comercial (na época, chamavam de “viajante”) e ela dona de casa. Entre os meus, os seus e os nossos (meu pai se casou 3 vezes), os irmãos formam um time de vôlei: 4 rapazes e 2 moças.
  3. Escolas: Instituto de Educação, colégios Arnaldo e Logosófico, Universidade Católica (Economia)  e UFMG (Letras e Demografia Econômica na Face/Cedeplar, ambos incompletos).
  4. Trabalho: Sou auditor de tributos da Prefeitura de Belo Horizonte.
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Cenas que eu nunca esqueço

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Osvaldo Faria

Trinta de julho de 1976. Três dias antes, a gente estava em Buenos Aires para a segunda partida Cruzeiro e River. Deu River. Foi necessário o terceiro jogo.

Na manhã seguinte, todo mundo amanheceu na porta da Varig, na Avenida Colón. Havia poucos lugares no vôo Buenos Aires / Santiago porque a decisão tinha ido para a capital dos chilenos.

Começava ali a pressão psicológica. A delegação estava com o coração preso. Poucos dias antes, morrera um dos nossos.

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Silvério Cândido, cruzeirense de formação palestrina

sábado, 11 de julho de 2009

Não vou apresentar o Silvério Cândido. Apenas indicarei sua localização no Mineirão pra quem quiser pedir autógrafo. Ele fica à direita das cabinas, na parte inferior das cadeiras especiais.

Em caso de dúvida, ele é o cara que conta fica relatando o jogo pro Evandrão, que passa o tempo todo com uma câmera pregada na cara não tem visão abrangente do gramado.

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É proibido pisar no tapete

sábado, 16 de maio de 2009
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Amigo Jorge Santana,

Bom dia!

Quando voltei do jogo do nosso Cruzeiro, conferi os comentários sobre a matéria do Roberto Batata e me emocionei pela aceitação com meu texto pelos leitores do seu blog.

Sinto-me honrado e feliz por ter vestido a camisa azul, que considero um manto sagrado.

Lembrei-me até de uma história dos tempos da Toca I.

Na entrada do refeitório, havia um tapete com o escudo do Cruzeiro Esporte Clube, pelo qual eu tinha o maior respeito.

Eu dava uma volta, mas não passava por cima dele de jeito nenhum.

Bom observador, o Seu Geraldo da Kombi, funcionário do clube, um dia me perguntou:

- Toninho, por que você sempre dá uma volta pra entrar no refeitório?

- Porque o escudo é sagrado, é o símbolo do meu clube e nele ninguém deve pisar.

Abraço,

Toninho Almeida

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Meu amigo Roberto Monteiro, o Batatinha

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Toninho Almeida

Dois 13 de maio me emocionam: um deles pelo cunho social e político, outro por uma passagem triste do mundo da bola, pela viagem fora do combinado do saudoso amigo e parceiro Roberto Monteiro.

No primeiro, o de 1888, por meio da lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, os negros, finalmente, alcançaram sua plena liberdade.

No segundo, o de 1976, por causa da morte trágica do nosso inesquecível Roberto Batata, nascido em 24jul49. Lá se vão 32 anos!

Hoje, eu deveria escrever sobre o inicio do Brasileirão, mas bateu, novamente, uma enorme saudade desse grande amigo e vou contar algumas passagens de nossas carreiras.

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Até aqui, 35!

sábado, 2 de maio de 2009

Cruzeiro Esporte Clube, 35 vezes campeão mineiro:

  • 1926 – Expulso da LMDT por ter excursionado a Caçapava, interior de São Paulo, o Palestra organizou uma liga dissidente, a AMET, com outros clubes da cidade, e foi campeão pela 1ª vez em sua história. Carvalho, Rizzo e Ciccio; Cicarelli, Nininho e Porphyrio; Piorra, Noé, Satyro Taboada, Ninão e Armando Bazzolli.
  • 1928, 1929, 1930 – Primeiro tricampeonato com a 1ª academia da história do clube. Nos dois últimos títulos, 100% de aproveitamento. Geraldo Cantini, Nereu e João Pedro Rizzo, Bento Russain, Pires e Nininho, Piorra, Ninão, Carazo, Bengala e Armandinho Bazzolli. Tec: Matturi Fabbi.

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Salomé 5 Estrelas, 75 anos

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Bom Despacho, 22out33

O Mineirão está quase vazio. Cruzeiro x Malutron jogaram para 12 mil espectadores, na tarde do sábado passado. Assim, ficou mais fácil conversar com a Salomé, torcedora-símbolo do time celeste. Com a Geral fechada, ela e sua raposa de pelúcia mudaram-se para a arquibancada, atrás do túnel do Cruzeiro.

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João Chiabi, um globetrotter celeste

quinta-feira, 22 de maio de 2008

João Chiabi Duarte, colunista do Cruzeiro.Org e comentarista do PHD, dispensa apresentações. Então, sem delongas, vamos à sua história.

  1. Sou o João Chiabi Duarte, de Conceição do Mato Dentro, Minas. Nasci em 07jul59, moro há 25 anos em Vitória, Espírito Santo, onde trabalho desde 83 na Cia. Siderúrgica de Tubarão. Há um ano, sou comprador mundial de refratários da Arcelor-Mittal. Virei globetrotter, embora continue morando no Jardim da Penha. (mais…)
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Acredite em si mesmo, acreditando no Cruzeiro

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Bruno Bello Vicintin

Acreditar é o verbo que deve guiar os cruzeirenses em 2008. O ano começou com muito pessimismo, talvez pelos 4 últimos anos nos quais o clube só conquistou títulos mineiros.

Não quero iludir a torcida. Também não estou satisfeito. Para um clube vencedor, título rural é pouco. O Cruzeiro nasceu pobre, mas hoje é respeitado em todo o continente.

Baseado nesta força, sonho com um 2008 mágico. O Cruzeiro está no maior torneio continental, que já venceu duas vezes. Em nenhuma delas, começando como favorito.

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Carmine Furletti, o Homem do Futebol

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
  • Serro-MG, 15dez26; Belo Horizonte, 09jan08

O “Homem do Futebol”

Entre 1953, quando assumiu seu primeiro cargo na direção do Cruzeiro, a convite do presidente José Greco, e 1985, quando passou a presidência do clube ao sucessor Benito Masci, Carmine Furletti respirou Cruzeiro. E, mesmo depois, como conselheiro nato, nunca deixou de ser consultado nos momentos mais graves da instituição.

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O jogo que virou lenda

domingo, 30 de dezembro de 2007

Mauro França

Seria exagero afirmar que o Cruzeiro 5 x 4 Internacional, da Libertadores 76, foi o maior jogo da história do Mineirão? Definitivamente, não.

Já imaginaram Raul, Nelinho, Zé Carlos, Joãozinho, Jairzinho, Palhinha Manga, Falcão e Figueroa dirigidos por Rubens Minelli e Zezé Moreira, dois dos maiores treinadores da história do futebol?! O resultado foi uma aula de futebol ofensivo a ser lembrada pro resto da vida.

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A 2 minutos do fim, Mestre Zelão lançou e o Velho Palha encaçapou!

sábado, 24 de novembro de 2007

João Chiabi Duarte

Naquela quarta-feira, 29ou75, o Cruzeiro chegou ao Recife para enfrentar um bom e invicto Sport em seus quase instransponíveis domínios precisando da vitória para não ter de jogar tudo, na rodada seguinte, contra o São Paulo, no Morumbi. Não seria fácil. Contundidos, Joãozinho, Eduardo Amorim e Roberto Batata foram substituídos por Jésum, Eli Mendes e Cândido.

Antes decomeçar o jog, previa-se o time pernambucano explorando a força física de Miltão e a habilidade de Dario nas jogadas aéreas. Não deu certo. O zagueiro Darci Menezes tinha um tempo de bola espetacular e se antecipava como poucos. Capaz de cruzamentos perfeitos, Cláudio Mineiro, cria do América-MG, era peça-chave do time nordestino.

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Campeão do Sesquicentenário

terça-feira, 19 de junho de 2007

Nasce o Palhinha artilheiro! 

Bruno Vicintin 

Um jogo clássico decidiria o Campeão Mineiro do ano de 72, título que o Cruzeiro buscava, depois de ter dominado a década de 60 e visto o Atlético ser Campeão Brasileiro em 1971. Era época de mudança. O Cruzeiro renovava a primeira academia, e craques consagrados, como Tostão e Dirceu Lopes, davam espaço para a garotada celeste, liderada por um fenomenal centroavante artilheiro, de nome Palhinha. 

Dirceu ainda era o comandante do meio campo, um craque inigualável, mas uma fatalidade – uma fratura na perna – o tirara da decisão, impedindo-o de entrar em campo. A torcida atleticana ficara toda animada, afinal, Dirceu nunca havia perdido uma decisão contra o maior rival. 

Pelo lado atleticano, o ídolo era um centroavante atabalhoado, mas com fama de artilheiro, de nome Dario; mesmo desengonçado, ele levantava a torcida adversária com vários gols.

No Cruzeiro, o substituto de Dirceu seria Palhinha, uma grande promessa das divisões de base, mas que estava com apenas 19 anos e já tinha nas costas o peso enorme de substituir um ídolo eterno da torcida celeste. 

Os dois times foram ao gramado para mais uma decisão estadual. No banco celeste, apoiando os companheiros, se via Dirceu Lopes, com a perna toda engessada. O jogador fizera questão de estar lá, e isto seria uma força importante para o Cruzeiro carimbar a faixa de campeão brasileiro diante da torcida atleticana.   

Do lado adversário, todo mundo queria a vitória, pois, que quando o Atlético fora Campeão Brasileiro, um ano antes, não tinha vencido o Cruzeiro, o que incomodava a torcida atleticana que, afinal, passara uma década sofrendo nas mãos de Tostão, Dirceu, Piazza e companhia.    

No começo da partida, a maior técnica cruzeirense prevalecia; o Atlético jogava com muita raça, mas era envolvido no início. Palhinha era perseguido pelos zagueiros atleticanos, que tentavam intimidá-lo, mas o garoto tinha no sangue a raça de campeão, de que todo craque cruzeirense necessita.

Até aos 36 minutos, o futebol envolvente do Cruzeiro prevaleceu. Roberto Batata correu pela esquerda e, quando ia cruzar, foi interceptado por Raul Fernandes, que cedeu o córner. Lima cobrou para Roberto Batata, que subiu mais que Raul e tocou de cabeça para Palhinha, que chutou forte para dentro do gol, sem chance para o goleiro uruguaio Mazurklewicz.   

O primeiro tempo foi todo de domínio celeste e a torcida fez a festa, mas o Atlético, no segundo tempo, veio para o tudo ou nada. Dario perdera duas boas chances, uma aos 2 minutos e outra aos 4. Do banco celeste, Dirceu Lopes, geralmente calado, gritava, orientando os companheiros.

Numa jogada, Palhinha machucou o joelho e ainda bateu com a cabeça no chão, precisando ficar alguns minutos de fora. Era o momento que o Atlético esperava, mas, por incrível que pareça, o domínio cruzeirense continuou!   

Mesmo com dez, o Cruzeiro jogava melhor, e Lima, numa bela jogada, em que passara a bola por debaixo das pernas de Oldair, quase marcou! Palhinha, que acabara de voltar, fez linda tabela com o experiente Piazza e, de cara para o gol, perdeu a chance de aumentar! 

Mais uma vez, o velho ditado do futebol, “quem não faz, toma”, provou ser verdadeiro. Aos 17 minutos do segundo tempo, Dario não perdoou uma falha do goleiro Hélio e empatou a partida! 

O jogo passou a ser dramático. Aos 21 minutos, Palhinha penetrou pelo meio da área, depois de ser lançado, e quis forçar o pênalti, jogando-se no chão quando foi empurrado por Raul Fernandes. Os jogadores celestes partiram para cima do árbitro, pedindo pênalti, mas ele não deu!   

Após uma falta de Vanderlei em Dario, alguns funcionários do Atlético invadiram o gramado aos gritos, provocando os jogadores celestes e também o juiz e os bandeirinhas. O jogo acabou empatado e foi para a prorrogação. Então a estrela do garoto brilhou mais forte: aos 9 minutos do segundo tempo da prorrogação, Palhinha mandou uma bomba, estufando as redes atleticanas e fazendo o gol do título, para desespero da torcida adversária!    

A comemoração do título foi linda. O garoto Palhinha correu para o banco, onde estava Dirceu, com a perna engessada, para abraçá-lo, mostrando a união daquele time. Dirceu foi ainda carregado pelos jogadores e, junto com Palhinha, chorando, foi até bem perto da geral, comemorar com a torcida mais um título e a renovação final da primeira para a segunda academia celeste!   

Cruzeiro 2 x 1 Atlético–MG, quinta-feira, 07set72, Mineirão, decisão do Campeonato Mineiro 1972 – Público pagante: 63.011 – Renda: Cr$402.097 – Juiz: Sílvio Gonçalves – Gols: palhinha, aos 36 do 1º tempo; Dario, aos 16 do 2º; Palhinha, aos 9 do 2º tempo da prorrogação – Cruzeiro: Hélio, Lauro, Darci Menezes, Fontana e Vanderlei Lázaro, Wilson Piazza e Zé Carlos, Luís Carlos, Palhinha, Roberto Batata (Baiano) e Lima. Tec: Ílton Chaves / Atlético-MG: Mazurkiewicz, Oldair Barchi, Raul Fernandes, Vantuir Galdino e Cláudio Mineiro; Vanderlei Paiva, Toninho e Guerino (Serginho); Dario, Lôla e Romeu. Tec: Telê Santana.   

Capítulo do livro Jogos Imortais, de Bruno Vicintin, que está à venda na Cruzeiro Mania, na Sede Urbana do Cruzeiro.

Tags: árbitro, Brasil, Cruzeiro, decisão, Dirceu Lopes, gol, gramado, jogadores, juiz, Mineirão, Palhinha, público, Raul, Roberto Batata, torcida, Tostão, Vitória, Wilson Piazza, Zé Carlos

O show já terminou

domingo, 3 de junho de 2007

Sergio Aguero, maior promessa dos Independiente nos últimos 20 anos, foi vendido ao Atlético Madrid quando mal completava 17. Gonzalo Higuain, artilheiro do River, transferiu-se para o Real com 18. Fernando Gago, volante do Boca, teve o mesmo destino aos 20. O volante Denílson transferiu-se do São Paulo para o Arsenal ainda Sub-17. 

Os clubes da 1ª Divisão mundial (e também dos da 2ª e até da 3ª) contratam quem e quando querem na periferia do mundo. Assunto encerrado. E se o clube fraco tentar segurar suas promessas levará, no máximo, um troco arbitrado pela FIFA. Tal qual o Grêmio no caso R10. 

Criticar os Irmãos Perrella pelas transferências de jogadores do Cruzeiro é perda de tempo. Dizer que o Fred foi negociado na hora errada, besteira. Se dependesse de seu irmão-procurador, o ex-americano teria saído pela metade do preço para a Espanha. E bem antes. 

E se o Cruzeiro resolvesse cobrir a proposta do Lyon oferecendo, digamos, R$600 mil por mês ao artilheiro, ainda assim, ele poderia alegar vontade de viver num país civilizado pra cair fora. Argumento irrefutável. Só os absurdamente fanáticos e os desinformados imaginam que clubes pobres de países atrasados podem desafiar a fúria compradora de seus primos ricos. 

O que mais atrapalha o Cruzeiro não é a questão comercial. Com elencos piores, Figueirense, Paraná ou Juventude têm feito bem mais. São clubes pobres, porém inteligentes. Perceberam que podem competir com os irmãos mais famosos com organização tática e emulação de atletas que as torcidas “metidas a besta” desdenham. 

Após boas campanhas, ano passado, Figueira e Paraná desmontaram seus times. Mas já se arrumaram este ano. Com que astros da pelota? Pagando que salários? Mixaria, aposto. Com a matéria prima bem inferior à que o Cruzeiro tem, um montou time para decidir a CB e ou outro para liderar, até aqui, o Brasileiro. 

E, nós cruzeirenses, vaiando jogadores a cada passe errado, reclamando das contratações de desconhecidos, xeretando a vida privada dos atletas a quem acusamos de mercenários e cachaceiros, ameaçando botar investigadores para vigiá-los, exigindo futebol de firulas, desdenhando a marcação forte etc. Assim, não se faz time pra competir no atual futebol brasileiro. 

Piazza, Tostão, Dirceu Lopes, Evaldo, Palhinha I, Eduardo Amorim, Roberto Batata, Nelinho, Raul Plassmann são apenas retratos na parede. Alex foi sonho de uma noite de verão. Noite curta, como se sabe. E só veio parar no Cruzeiro por estar na bacia das almas quando foi contratado. Craques como Perfumo, Brito, Jairzinho, Muller e Sorín também não vêm mais pra cá. The dream is over pra nós também. 

Agora, é acordar cedo, trabalhar duro, rezar bastante e, sobretudo, armar time competitivo. O que passa por escalar vários feios, sujos e malvados no meio de campo e dois práticos no ataque. Algumas matadas na canela terão, necessariamente, de ser aplaudidas. Como na Canção do Roberto e do Erasmo, “O show já terminou / Vamos voltar à realidade…

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Jogos Imortais, o livro

quarta-feira, 21 de março de 2007

Bruno Vicintin está lançando Jogos Imortais. O livro conta a história de 86 grandes espetáculos oferecidos pelo Mais Querido de Minas desde a inauguração do Mineirão.

O Cruzeiro é a maior paixão do escritor que, nas próximas semanas, colocará sua obra à disposição do torcedor celeste na Cruzeiro Mania e em livrarias de todo o Estado. 

  1. Quem é Bruno Vicintin?  Meu nome completo é Bruno Bello Vicintin. Tenho 29 anos, nasci em São Paulo, sou Engenheiro Civil pela Escola de Engenharia Kennedy, trabalho na Rima Industrial e moro em Beagá. 
  2. Por que Jogos Imortais? Seria Páginas Heróicas, porém como já havia o seu com este nome, escolhi Jogos Imortais. Nele, conto a história dos 86 maiores jogos do Cruzeiro Esporte Clube.  
  3. Quantas páginas e capítulos ele tem?  São 368 páginas divididas em 86 capítulos. Em cada capítulo, escrevo sobre um jogo. O capítulo inicial conta como foi aquele primeiro clássico do Mineirão em que os atleticanos brigaram com o juiz e do qual, muito estranhamente, a mídia se esqueceu.  
  4. Qual é a editora, quanto custará e onde será vendido? Fiz o livro sozinho. As editoras ABC e Prefácio só ajudaram na pesquisa e edição. O Cruzeiro bancou metade da impressão e ficará com metade dos lucros. A tiragem será de 8 mil (mil de capa dura, os demais em brochura). Os primeiros 500 serão vendidos no lançamento no Automóvel Clube por R$100. Os outros 500 serão distribuídos, metade pelo Cruzeiro, metade por mim. Sete mil serão vendidos em livrarias. O preço, ainda não definido, deverá ficar em torno de R$60.
  5. Como surgiu a idéia do livro?  Em 2004, quando vários jogadores celestes faziam corpo mole no Campeonato Brasileiro, me ocorreu escrever sobre um dos jogos mais emocionantes do Cruzeiro, que havia assistido. Logo me veio à memória outras tantas partidas e vi que tinha material para um livro. Contratei a jornalista Amanda Ribeiro para ajudar na pesquisa. Depois, conheci o Evandro Oliveira, que também colaborou muito e virou um grande amigo. Foi ele quem deu a idéia de escrever sobre 86 jogos. Só procurei o Cruzeiro para obter autorização para publicar o livro. Não pedi nada, pois sou contra tirar qualquer vantagem do clube. O presidente Alvimar Oliveira Costa, contudo, propôs que o livro fosse oficial. Daí em diante, me surpreendi com tantas pessoas que vieram me ajudar só por amor ao Cruzeiro. Foi isto que fez o livro deixar de ser apenas uma idéia.  
  6. Quanto tempo você gastou na pesquisa? Dois anos. Ela ia sendo feita conforme decidíamos qual jogo entraria. É difícil agradar a todos, pois temos muito mais de 86 grandes jogos. Acho, porém que 90% dos jogos que todos gostariam de ter visto estão no livro. 
  7. O que mais te surpreendeu ao escrever essa parte da história do Cruzeiro? Sinceramente, foi como um pequeno time de imigrantes pôde enfrentar a tudo e a todos e crescer, virar um gigante, ter uma torcida maravilhosa de todas as cores e raças. Mesmo tendo sido criado por italianos, o Cruzeiro se tornou grande demais para continuar sendo apenas de uma colônia. O clube lutou contra preconceitos, leis absurdas, imprensa (lutamos até hoje), lendas e adversários ferozes. Por isso, o Cruzeiro justifica o verso de seu hino “tão combatido, jamais vencido”.  
  8. Que lições você tirou da experiência de pesquisar e escrever sobre a história do Cruzeiro? A maior lição é a de que o mais importante é saber o que cada um de nós pode fazer pelo bem do Cruzeiro. Sou péssimo em português, pois estudei em inglês, mas escrevi um livro sobre meu clube. Vários pessoas fazem muito pela instituição: carregam faixas, vão aos jogos, brigam, quase até se matam, tiram dinheiro do bolso, gastam tempo, tudo por amor ao clube. A lição que tiro é a de que devemos seguir estas pessoas, estes torcedores e dirigentes que, por sua vez, seguem o exemplo do grande Felício Brandi. Outra lição é a de que sempre devemos lutar contra aqueles que só querem tirar proveito do clube, que não são cruzeirenses de verdade, que não amam o Cruzeiro como ele deve ser amado. Pra mim, todo cruzeirense tem que acordar e pensar “O que é que eu fiz pelo Cruzeiro, hoje?”  
  9. Qual a passagem do livro que mais te emocionou?  Duas em especial: os 7 gols em homenagem ao Roberto Batata e o gol do Tostão contra o Atlético-MG, que fora prometido a um menino doente. Também não posso me esquecer do Ronaldo Nazario, o maior jogador do mundo. Atendendo a um pedido meu, ele escreveu um depoimento sobre o Cruzeiro para o livro. Coisa que outros ídolos antigos não aceitaram fazer.  
  10. O lançamento será aberto ao público? Se for, quando e onde será? Não será aberto por falta de espaço. Numa outra oportunidade, o livro será apresentado à torcida numa recepção na sede do Cruzeiro.
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Não é pebolim

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Primeira leitura: www.cruzeiro.org. Nele fico, sabendo que Diego e Kerlon devem formar o ataque contra o Santos. Há controvérisas. Alguém argumenta: “Vão queimar o Kerlon, ele não é atacante”. É, e não é. Joga no meio de campo, mas tem uma chegada fulminante ao ataque. Obviamente se o deixarem e se ele arriscar. E tem de arriscar pra não virar jogador comum.

Zé Carlos, Mestre Zelão, o jogador que mais vezes vestiu a camisa celeste, atuou em todas antes de se fixar em sua posição. Piazza, jogou inúmeras vezes, incluindo Copa do Mundo, na zaga. Tostão e Rivellino, dois meias esquerdas já consagrados, vestiram a 9 a 11 no México. A 10 tinha dono.

Lembro que, em início de carreira, Zico aceitou jogar na ponta-direita, Eduardo Amorim foi ponta e meia. Roberto Batata trocou a 9 pela 7. Palhinha começou aproveitando oportunidades na ponta-direita e mesmo o genial Joãozinho, para não competir com os cracaços do meio de campo cruzeirense, migrou pra ponta-esquerda. E que Romário, virou segundo atacante porque Dinamite tinha a 9 cativa.

Futebol não é totó, pebolim, como queiram. Jogador de campo não fica parado. Durante o jogo, Kerlon poderá recuar para pegar algumas bolas e partir em direção ao gol ou fazer lançamentos para a correria do Diego. Poderá alternar posicionamento com Wagner. Poderá jogar pela esquerda, pela direita ou até aparecer como centroavante. Depende, diria o Chiabi, da leitura que conseguir fazer da partida. E ler a partida é atributo necessário a quem deseja se confirmar como craque.

Se o Kerlon pretende deixar de ser promessa, deve se cuidar pra dar conta dos 90 minutos de uma partida. Deve entrar em campo com disposição máxima. Deve ser dinâmico e aproveitar as oportunidades que Osvaldo Oliveira lhe tem dado.

No futebol, como na vida, oportunidades não são programadas. Se o cavalo está arreado, tem de montar e seguir adiante. Outra coisa: quando tiver chance, ele deve exercitar sua habilidade de foca e partir pra cima dos beques com a bola dominada na cabeça. É a sua marca, seu diferencial. Não há porque renegar o estilo. Confiança, garoto!

Tags: camisa, Chiabi, Copa do Mundo, Cruzeiro, gol, Joãozinho, Palhinha, Roberto Batata, Tostão, tributo, Wagner, Zé Carlos

Orlando Augusto: “O Cruzeiro é muito bem dirigido.”

domingo, 6 de agosto de 2006

Jorge Santana,
Desculpe por não ter podido responder suas perguntas antes. Como tenho quatro atividades diárias, só chego, em casa, por volta da meia noite. E morto de cansaço. Mas hoje, finalmente, cumpro com minha obrigação com prazer. Serei honesto nas respostas que puder dar. Não sei se poderei responder a todas as perguntas. Desculpe, se ficar decepcionado.
Um abraço,
Orlando Augusto

1. Onde e quando você nasceu, qual era a profissão de seus pais, qual é sua formação acadêmica e profissional e quando você veio para Belo Horizonte?

Nasci em Conceição do Mato Dentro, em 20 de janeiro. Do ano, não me lembro. Meu pai, Silvério, já falecido, era farmacêutico formado. Era considerado na nossa terra o pai dos pobres, o que me envaidece muito. Minha mãe, Maria da Cruz, professora, aposentou-se como diretora da escola local. Vim para BH em 1967 para continuar meus estudos. Em 68, servi ao glorioso Exército Brasileiro. Cheguei a ser cabo. Fiz o 2º Grau aqui em BH, no Colégio Estadual Central, no bairro Santo Antonio. Fiz dois cursos superiores, jornalismo e publicidade, ambos na antiga FAFI BH, hoje UNI BH, onde nos anos de 89 a 91 fui professor de rádio-jornalismo. Ainda em 68 conheci o famoso músico Flávio Venturini e, levado por ele, me tornei músico profissional. Toquei com o Flavio por 8 anos consecutivos na banda Os Turbulentos, sucesso em Minas na década de 70. Continuo tocando até hoje, nunca parei. Hoje sou baterista da banda Boca de Sino, formada por jornalistas e professores.

2. Quando e por que começou a torcer pelo Cruzeiro?

Ainda morando em Conceição, por volta de 1964, meus pais presentearam num natal, a mim e a meu irmão Haroldo, com duas camisas de futebol. Meu irmão ficou com a do Flamengo e eu com a do Botafogo, times de maior torcida em minha terra naquela época. No primeiro domingo que saímos “uniformizados” meu irmão foi aplaudido por estar com a camisa do Fla e eu vaiado por estar vestindo a camisa do Bota. A partir daí não quis mais a camisa, devolvi o presente para o meu pai dizendo que queria outra. E de outra cor. Na primeira visita que meu pai fez a BH, trocou a camisa e levou uma do Cruzeiro. A paixão começou assim.

3. Em que veículos você trabalhou ao longo da carreira?

Em 1970, fui à radio Itatiaia divulgar um baile da banda Turbulentos e fiquei conhecendo o Carlos César Pingüim, então o plantão da emissora. Ficamos amigos e ele me levou para auxiliá-lo como rádio-escuta. Foi uma passagem rápida, pois logo depois fui para a escola da época em rádio, A Rádio Jornal de Minas. Fui pra lá fazer um programa musical. Chamava-se Hoje é dia de rock. Um dia, um radialista chamado José Luiz Aguiar me perguntou se eu conhecia de futebol e eu disse que sim. Ele me levou para o Estádio Independência e me tornei, de um dia para o outro, repórter. Não parei mais. Como profissional, atuei nas rádios Guarani, Capital, Inconfidência e Mineira. Trabalhei, ainda, nas televisões Record, Manchete (hoje, RedeTV), TV Minas, SBT (Alterosa) e, agora, na TV Horizonte. Já escrevi para muitos jornais de outros estados e do interior de Minas. E cobri três copas do mundo.

4. Quais os maiores jogos do Cruzeiro que você assistiu?

Impossível definir os maiores jogos do Cruzeiro até hoje. Como viajei mundo com o clube, posso afirmar que os jogos contra os argentinos sempre são os mais emocionantes.

5. Escale o seu Cruzeiro de Todos os Tempos.

O entrevistado esqueceu-se de responder esta pergunta. Quando o fizer, a resposta será postada.

6. Qual foi o melhor técnico da história do Cruzeiro?

Difícil responder quem foi o melhor técnico. Quem já viu Zezé Moreira, Yustrich, Enio Andrade, Scolari, Wanderley Luxemburgo, Paulo Autuori, entre tantos outros, não consegue escolher um. Seria injusto de minha parte.

7. E os melhores dirigentes?

Tenho que reconhecer que, nos últimos anos, todos deram contribuições importantes para o crescimento do Cruzeiro. Mas inesquecível mesmo ainda é o Felício Brandi. A construção da Toca da Raposa I foi um marco muito maior do que a construção da Toca II. Depois dele, sem dúvida o Zezé Perrela.

8. Quais foram seus maiores furos jornalísticos?

Já dei um mundo de notícias em primeira mão. A venda do Joãozinho para o Internacional, a morte do Roberto Batata, contratação de vários jogadores. Eu era muito ativo como repórter. Ficava na cola dos dirigentes 24h por dia.

9. E as barrigas mais desagradáveis?

Com sinceridade, as barrigadas foram tão pequenas que passaram despercebidas.

10. Como é sua relação com a torcida do Cruzeiro?

Ótima. Sou respeitado e querido. Por diversas vezes, tive meu nome gritado pela torcida quase inteira presente ao Mineirão. Em outras épocas, no tempo em que iam 90 mil torcedores ao estádio. Claro que não sou unanimidade, pois devido a minha seriedade no trabalho não consigo agradar a todos. Muitos querem que eu seja puxa-saco, o que não sei ser. Sou padrinho da Associação das Torcidas Organizadas do Cruzeiro criada no salão do restaurante Dona Lucinha, na Rua Sergipe, com minha presença na primeira reunião.

11. E com as torcidas adversárias?

Elas me respeitam muito, graças a Deus. De vez em quando, pegam no pé mas, de um modo geral, nunca tive problemas. Mas também faço por onde. Não sou de desrespeitar ninguém.

12. Quem foram os melhores locutores, comentaristas, repórteres do rádio mineiro? E da televisão?

Vou citar alguns companheiros inesquecíveis com quem trabalhei e aprendi muito, muito mesmo! Jota Junior, Vilibaldo Alves, Paulo Celso, Walter Luiz, Dirceu Pereira, Paulo Roberto Pinto Coelho, Aloísio Martins, Fernando Sasso, Flávio Anselmo, Luiz Carlos Alves, Waldir Rodrigues entre tantos outros. Prefiro citar pessoas com quem aprendi muito.

13. Qual foi o maior jogador da história do futebol mineiro? Por quê?

Maior jogador da história do futebol mineiro pra mim foi o Reinaldo José de Lima, um gênio com a bola nos pés.

14. Como surgiu o Clube do Meu Coração e quem financia o programa?

Como fiz cobertura do Cruzeiro por mais de 15 anos e fui muito ligado à sua torcida, era muito cobrado por não falar muito das categorias de base, por exemplo. Não dava tempo. Depois, o clube foi crescendo tinha muita festa e os associados não tomavam conhecimento disto. Então, tive a feliz idéia de criar um programa que tivesse tempo para divulgar outros assuntos do Cruzeiro e não apenas o futebol profissional. Convidei a Rita de Cássia, então, começando sua carreira como Relações Públicas do Cruzeiro. Isto foi há 11 anos. Vistamos, então, o Zezé Perrela para anunciar o nascimento do programa. Ele achou interessante e nos apoiou. Assim nasceu o primeiro programa criado no Brasil para falar de um clube só. Quem financia? Posso começar a dizer que o Cruzeiro nunca pagou absolutamente nada, nunca pagou um programa sequer e também nunca interferiu em nada n’O Clube do Meu Coração. Digo isso, até pra fazer justiça aos nossos dirigentes. Como sou formado em publicidade e tenho uma agência há 20 anos, vendo propaganda para garantir a exibição do programa. Hoje, rodamos um comercial do Cartão 5 Estrelas, mas é um cliente como qualquer outro. Isso não dá o direito ao clube de interferir na condução do programa.

15. Como surgiu o Jogada de Classe e como ele se financia?

Em 99, fui para a Rede Minas e lá criei o Jogada de Classe. Pesquisei três meses junto ao telespectador para saber como ele gostaria de ter um programa esportivo. Queriam um programa sério, sem puxa-saquismo, sem clubismo e assim é feito diariamente o Jogada de Classe. Não tenho dúvidas de afirmar que, hoje, ele é o mais respeitado programa esportivo da TV mineira.

16. Por que a torcida do Cruzeiro é maior nas ruas – como mostram pesquisas de todos os institutos – mas não nas redações da imprensa de Belo Horizonte?

Não acho que nas redações o Cruzeiro “perde” para outros clubes. Talvez os jornalistas cruzeirenses trabalhem com mais seriedade não deixando transparecer que torcem para o clube. Acho ótimo. No trabalho, não podemos ficar torcendo. Temos que ser honestos. Caso contrário, estaríamos enganando nossas torcidas.

17. Ao dizer que torcedor insatisfeito deve vaiar, o jornalista não acaba por incentivar uma escalada que atinge seu ponto máximo nas agressões físicas?

Acho que cada um tem sua opinião e tem que ser respeitada. Eu nunca disse que o torcedor deve vaiar seu time ou determinados jogadores quando não estão bem. Na minha opinião, torcedor tem direito de vaiar, pois afinal ele pagou para entrar no local. Direito é uma coisa, dizer que ele tem que vaiar é outra. Acho que só vaiar não incentiva a violência, não. É a minha opinião.

18. O Cruzeiro é bem dirigido ou, a qualquer momento, a torcida pode se surpreender com uma catástrofe administrativa que ponha o clube em risco?

O Cruzeiro é muito, muito bem dirigido pela atual diretoria. Não acho que possa haver uma catástrofe administrativa assim de repente. Acho que estamos é perdendo terreno no futebol, com contratações medíocres. Já não estamos entre os melhores do Brasil.

19. Como você imagina que o Cruzeiro estará em 2016?

Prefiro dizer que até 2016 quero ver um Cruzeiro várias vezes campeão mineiro, brasileiro, sul-americano e mundial. E muito maior. Temos todas as condições para isto.

20. Conte algum caso interessante da vida do Cruzeiro, que você ainda não contou na televisão ou no rádio.

Se contar os casos que ainda não foram contados em rádio e na TV, corro risco de vida. Não posso contar aqui o que também não contei lá. Rsrsrsrsrs…

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Rápido e rasteiro

domingo, 28 de maio de 2006

Qual foi o maior time da história do Cruzeiro? Os mais novos, com razão, dirão que foi o tríplice coroado de 2003. Os muito velhos vão se lembrar do time-poema, tricampeão 1928/30. Outros, votarão no Cruzeiro Duro que, na primeira metade dos 40, levantou 4 dos 6 campeonatos mineiros. O João Chiabi afirma ter sido o de de 1972/77.

Segundo ele, “o time de 72/77 tinha Raul, Nelinho, Perfumo, Wanderley (às vezes lhe depreciam o futebol em função do pênalti perdido na final da Libertadores 77), Piazza, Zé Carlos, Dirceu Lopes, Eduardo Rabo-de-vaca, Jairzinho, Ronaldo, Roberto Batata, Palhinha, Joãozinho. Esse time conquistou uma Libertadores, chegou à final de outra. Disputou duas finais do Brasileiro e foi também cinco vezes campeão mineiro em seis anos. Teve, portanto, resultados mais significativos que o de 1965/69.”

Insisto, contudo, que o maior, o mais importante, o de futebol mais bonito foi a Academia Celeste. Tenho certeza de que esse Cruzeiro 1965/70 é um dos três maiores times da história do futebol brasileiro, ao lado do Santos de Pelé e do Paulistano dos Anos 20. Pra se ter idéia do quanto se esmeravam no trato da gorduchinha, basta dizer que, em 5 ou 6 anos, os baixinhos da Academia cruzaram não mais do que meia dúzia de bolas altas sobre a área. E se atrasaram uma dúzia para o goleiro foi muito! Era jogo rasteiro, rápido, de toques precisos, ofensivo em tempo integral.

Ao final da decisão da Copa dos Campeões (Barcelona 2 x 1 Arsenal), na ESPN Brasil, Tostão confessou: ”Fugi do meu jeito habitual e torci feito criança pelo futebol de toques do Barça. O time catalão estava determinado, mas não desesperado. Lembrou-me do estilo do Cruzeiro e do Santos, nos Anos 60.”

A prova definitiva da superioridade da equipe de Tostão, Dirceu e Cia. está em que ele foi capaz de bater seguidamente o time mais bem sucedido da história do futebol, o Santos de Pelé. O título brasileiro de 1966, além de toda sua importância histórica, foi conquistado no campo do adversário. E com suas armas: raça, talento e uma categoria jamais repetida na história do futebol brasileiro.

A primeira formação da Academia – Raul Plassmann, Pedro Paulo, William, Procópio e Neco, Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Evaldo e Hilton Oliveira – inspirou música e poesia, foi tema de incotáveis crônicas, vendeu roupa, eletrodoméstico, disco, carro, terno e gravata e, principalmente, cotas da Sede Campestre. Mais do que isso: elevou a auto-estima do torcedor mineiro. Incluindo a dos rivais, acreditem. Foi um time tão fantástico que criou bordão: ”Rápido e rasteiro como a linha do Cruzeiro!”

Depois de tudo isso, quem ainda vai se preocupar com a Libertadores de 67, perdida por falta de experiência, ou do Brasileiro de 69, perdido no saldo de gols? Definitivamente, aquele foi um time diferente. Capaz de arrancar de um comentarista carioca, em 1968, após uma derrota de 5 x 1 para o Flamengo, no Maracanã, elogios definitivos: “o Cruzeiro perdeu jogando um futebol extraordinário, dando show e, por isso, foi aplaudido pelos 90 mil rubronegros.”

Lembro-me, como se fosse hoje. E quem, tendo acompanhado aquele time, não se lembraria também?

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