Posts com a Tag ‘Personagens’

Fubá, o místico

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Contra o Botafogo, ele não apareceu. Estava dando um tempo, pois havia sido ameaçado por uma parte da torcida que não estava concordando com sua forma de conduzir a massa. Coisas do tipo vaia, não vaia, aplaude, não aplaude. Bobagens, enfim.

Goste-se ou não dele, Fubá já inscreveu seu nome na história do Mineirão. Até crônica do Roberto Drummond, ganhou. Seus detratores dirão que o colunista é emplumado. Mas estes são outros quinhentos réis. Importante é que o místico Fubá saiu da calçada para a arquibancada e de lá para as páginas dos jornais. E isto é definitivo.

*****

A paixão segundo Fubá 

Roberto Drummond 

Ele canta, ele ri, ele grita, ele assovia, e tudo que ele ordena durante os jogos do Cruzeiro no Mineirão, a China Azul segue fielmente. Se ele grita o nome de Sorín ou de Ricardinho, milhares de bocas repetem: Sorín, Sorín; Ricardinho, Ricardinho. Se ele vaia o juiz, se vaia Guilherme ou que jogador adversário for, a China Azul também vaia. Ele é um dos mais estranhos e carismáticos personagens do futebol brasileiro. 

Primeiro: ele só assiste aos jogos do cruzeiro de costas para o gramado. Nem mesmo na hora de um pênalti ele fica de frente para ver. Segundo: ele não vê os gols que o time de sua paixão marca, nem os que sofre. Terceiro: ele não vê as grandes jogadas dos craques que mais admira. Nada sabe dos dribles. Nada sabe do vôo dos goleiros. Nada sabe do gol de letra. Nada sabe do pênalti marcado ou perdido. Nada sabe do erro do juiz mas sabe a hora de vaiar o juiz. Quarto: ele só vai ver tudo que aconteceu nos jogos do Cruzeiro, quando chega em casa e assiste ao tape, que mandou gravar. 

Ele é Alexandre Eustáquio Vieira, apelido Fubá, que festeja uma data histórica: há 500 jogos, sempre de costas para o gramado, ele comanda a Máfia Azul, a maior torcida organizada do Cruzeiro. Um dos momentos mais bonitos da liderança de Fubá aconteceu no jogo contra o Coritiba, em que o time de Felipão deu um show e conquistou a Copa Sul-Minas. Foi na hora em que a Máfia Azul estendeu sua imensa bandeira nas arquibancadas. Qual é o mistério do Fubá? É um religioso? Respondo: a religião de Fubá é o Cruzeiro. Sua alegria é azul com estrelas brancas. Sua tristeza é tudo que entristece o Cruzeiro. Tenho a impressão de que Fubá tem sangue azul correndo nas veias, não por parentesco com reis e rainhas, mas de tanta paixão pelo time de Felipão. 

Fubá vem preencher um vazio no futebol brasileiro. Ah, como o Sempre, o comandante em chefe da torcida atleticana, que já nos deixou, faz falta. Como Vitor Bastos que, por desgosto, já não comanda a torcida do g, faz falta. Fubá é um líder diferente do grande animador de auditórios da “Era do Rádio”, Aldair Pinto, que comandou a torcida do Cruzeiro no Mineirão. Aldair Pinto era alegria pura. Fubá é um místico. 

Fubá comanda a Máfia Azul como se fosse uma mistura de líder sindical e dos monges que se dão penitência. A si mesmo Fubá deu uma penitência: não assiste aos jogos do time de sua paixão, só imagina os lances. Tem alguma coisa mais bonita? Assim como Nélson Rodrigues, o maior teatrólogo brasileiro, chamava Amarildo, do Botafogo e da Seleção Brasileira, de “O Possesso”, inspirado no escritor russo Dostoievsky, eu chamo Fubá de Hamlet, personagem do dramaturgo inglês Shakespeare. Ser ou não ser cruzeirense, eis a questão de Fubá. Dirijo-me a você, Pedro Paulo Cava, que me honra lendo esta crônica: escreva uma peça teatral inspirada em Fubá. 

Fonte: Estado de Minas, 24mar01. 

Duas notas do Rizek sobre o Cruzeiro

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Dois posts do Carta-Bomba sobre o Cruzeiro. Vale a pena discutí-las. André Rizek é dos melhores jornalistas da nova geração. Pensa e expressa-se com clareza. Sem o mofo dos velhos “pensadores” do futebol brasileiro.

Cruzeiro 2 x 3 Fluminense
O Cruzeiro poderia ter vencido o Fluminense. Mas ataca como se fosse um bando. Vai todo mundo para a frente, de forma desordenada, guiados pelos berros incessantes de PC Gusmão à beira do gramado, e assim toma contra-ataques como o que originou o terceiro gol do Flu. PC não conseguiu dar um mínimo de organização tática à equipe e perdeu o emprego. Além disso, nunca achei o goleirão Fábio grande coisa. Ele falha demais (falhou feio no último gol). No time carioca, Pet pode estar jogando apenas o básico, distribuindo o jogo de maneira fácil e simples. Mas mesmo jogando desta forma, discreta, ele é essencial.

PC x Oswaldo
Considero Oswaldo de Oliveira um dos personagens mais interessantes do futebol brasileiro, além de grande caráter. Os dois fizeram parte da comissão técnica de Luxemburgo (PC como preparador de goleiros e Oswaldo como auxiliar) no Santos, no Corinthians e na Seleção. Eram bons amigos. PC já trabalhou na comissão de Oswaldo também. O time do Cruzeiro não tinha o menor padrão de jogo. Oswaldo chega para fazer isso, mas todos sabem que ele trabalha melhor quando pega um time já arrumadinho ou inicia um trabalho, desde a pré-temporada, “com calma”, a sua marca registrada. Nunca foi um grande estrategista. Seu forte é o trabalho no dia-a-dia. Se o Cruzeiro pensasse nele a longo prazo, para fazer um projeto para o clube, eu aplaudiria. Mas o seu contrato vence em dezembro. Foi uma decisão imediatista. Torço muito por ele, mas tenho dúvidas se dará certo.

O povo contra o povo no imaginário esportivo mineiro

sábado, 29 de julho de 2006

Marcelino Rodrigues da Silva

A rivalidade entre Atlético e Cruzeiro é parte obrigatória da vida de todo belo-horizontino, qualquer que seja sua classe social, sua profissão, sua relação com o esporte e sua paixão clubística. Você pode até mesmo odiar o futebol e fazer de tudo para estar alheio a ele, mas do barulho dos foguetes, das camisas na rua, dos gritos lançados ao ar e do clima de loucura que impera na cidade no dia de um clássico ninguém pode escapar. Isso, é claro, se você não for torcedor e estiver mergulhado até o pescoço nesse clima, acompanhando pelo rádio, pelos jornais, pela tv e pelas conversas de boteco cada pequeno detalhe da vida de seu clube. Além disso, todos nós temos parentes, vizinhos, amigos e colegas de trabalho que não se cansam de nos lembrar que a bola vai girar novamente no fim de semana. Explicar esse fenômeno, em termos históricos ou discursivos, não é uma tarefa fácil. Sobretudo porque são dois clubes que fazem questão de reivindicar para si o rótulo de “popular”, o que vai frontalmente de encontro a certas idéias muito cristalizadas no discurso acadêmico sobre o esporte no Brasil.

Para entender essa contradição, é preciso lembrar que a história do futebol brasileiro tem sido contada quase sempre a partir do que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro. O que aconteceu nas outras grandes metrópoles e nos demais estados do país é geralmente considerado apenas um reflexo, tardio e de menor importância, da história do futebol carioca. Até mesmo São Paulo, com suas particularidades históricas e culturais e sua inegável importância no esporte e em outros campos, tem sido relegada a um segundo plano na historiografia do futebol no Brasil. A ênfase no Rio de Janeiro explica-se facilmente pela importância dessa cidade como metrópole política e econômica, como capital federal e centro administrativo e, principalmente, como pólo gerador de símbolos da identidade cultural brasileira. Mas a sombra que ela lança no conhecimento sobre o imaginário esportivo brasileiro deve, certamente, ser combatida e superada.

Por estar efetivamente impregnada de determinados elementos e por ter servido a determinados projetos e objetivos políticos e culturais, a história do futebol carioca – e conseqüentemente do futebol brasileiro – tem sido sempre narrada e analisada a partir de certas dicotomias que dividem seus personagens e instituições em ricos e pobres, da elite e do povo, negros e brancos, do centro e do subúrbio etc. O processo de popularização, que transformou um esporte europeu e elitista em uma prática extremamente difundida e fortemente contaminada por elementos da cultura popular, domina amplamente as atenções, fazendo com que nosso passado futebolístico seja sempre visto como uma narrativa de democratização racial, de construção de laços sociais e de afirmação de nossa identidade cultural.

São essas dicotomias, portanto, que estruturam boa parte do discurso sobre o esporte no Brasil, seja ele artístico, jornalístico ou acadêmico. E foram elas que permitiram que o futebol fosse, em determinados momentos, instrumentalizado e transformado em campo de ações de caráter pedagógico e nacionalista. Mas a vida esportiva brasileira certamente não se reduz a essas clivagens e não pode ser completamente explicada por elas. A história da rivalidade entre Atlético e Cruzeiro me parece ser um dos casos em que essas limitações ficam evidentes.

Segundo os poucos relatos disponíveis, o Clube Atlético Mineiro foi fundado em 1908, por um grupo de jovens estudantes, entre os quais se pode reconhecer algumas da famílias tradicionais da cidade. A agremiação teve, portanto, uma origem que pode ser considerada elitista. Sua transformação em um “clube de massa”, alcunha que lhe é consensualmente atribuída pela mídia contemporânea, é ainda um mistério a se resolver. Partindo das análises sobre o futebol carioca e de alguns outros indícios, é possível lançar uma hipótese, que já desenvolvi em outros textos, buscando comprová-la através das memórias esportivas de meu pai.

No Rio como em Belo Horizonte, um momento especialmente significativo no processo de popularização do futebol no Brasil foi a adoção do profissionalismo por muitos dos grandes clubes do país, em 1933. O acontecimento foi precedido por uma longa luta entre os que defendiam o amadorismo, em nome da preservação do futebol como passatempo elegante dos mais abastados, e os adeptos do regime profissional, que favoreceria os jogadores mais pobres que gradativamente vinham invadindo o esporte. Em Minas Gerais, Atlético, Cruzeiro e Villa Nova também se profissionalizaram em 1933, enquanto o América tentava se manter amador. Os três primeiros campeonatos profissionais foram vencidos pelo Villa Nova, clube de Nova Lima que, por suas origens operárias, tinha a tradição de abrigar jogadores de classe social mais baixa. O Atlético, então, passou a contratar atletas de origem mais humilde, alguns deles negros e mulatos, para reforçar o seu time e fazer frente ao Villa. Em 1936, o clube finalmente foi o campeão mineiro e conquistou o famoso título de “Campeão dos Campeões”, jogando contra clubes de Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. Esse título provocou grande orgulho regional e até hoje é lembrado, ocupando lugar de destaque no hino do clube. Dessa história viria, pelo menos parcialmente, a mística de “clube de massa” que o Atlético ostenta hoje e que a própria massa celebra a cada novo jogo no Mineirão.

O Cruzeiro Esporte Clube surgiu em 1921, como uma dissidência do Yale, ambos formados pelos numerosos imigrantes italianos que haviam se estabelecido em Belo Horizonte desde a sua fundação. Seu primeiro nome foi Società Sportiva Palestra Itália, e até o ano de 1926 a agremiação só aceitava italianos ou filhos de italianos em seus quadros. Somente a partir dali, e gradativamente, o clube passou a incorporar atletas que não eram membros da colônia, sem nunca perder seus fortes laços com ela. Em 1942, pressionado pelo clima de animosidade contra os italianos que a Segunda Grande Guerra havia provocado no Brasil, o Palestra mudou de nome para Cruzeiro e adotou como símbolo as estrelas do céu tropical, manifestando o desejo da colônia de se integrar à comunidade brasileira.

Tendo surgido como um clube de imigrantes, portanto, o Cruzeiro já nasceu popular. Os italianos que se estabeleceram em diversas partes do Brasil, no final do século XIX, não podem, de modo algum, ser tomados como membros da elite da sociedade brasileira daquela época. Eles eram, sobretudo, trabalhadores sem capital e sem instrução, que se dedicavam a atividades pouco valorizadas, como o trabalho nas fábricas e nas lavouras. Alguns deles, no entanto, já começavam a trilhar um duro caminho de ascensão social, dedicando-se ao comércio e à manufatura ou mesmo começando pequenos empreendimentos industriais cuja prosperidade seria responsável futuramente por alçá-los às classes mais abastadas. O Palestra Itália era um clube de imigrantes que, na sua grande maioria, eram membros de famílias pobres ou no máximo remediadas, sustentadas pelo trabalho árduo nas fábricas, oficinas e armazéns.

Embora Atlético e Palestra tenham protagonizado alguns capítulos importantes da história do futebol mineiro nas primeiras décadas do século XX, a rivalidade entre os dois clubes só apareceu mais tarde, provavelmente por volta da década de 1940. Nos anos de 1910 e 1920, os dois principais clubes do esporte mineiro eram o América, formado pela nata da sociedade belo-horizontina e detentor do celebradíssimo decacampeonato metropolitano, e o próprio Atlético. Nos anos de 1930, em função da adoção do profissionalismo, houve um crescimento do Villa Nova e um certo recuo do América, mantendo-se o Atlético no topo da hierarquia esportiva mineira. O Palestra teve, nas décadas de 1920 e 1930, alguns momentos brilhantes – como o tricampeonato de 27, 28 e 29 –, mas foram os anos de 1940 que marcaram sua subida ao primeiro plano. A partir daí o Cruzeiro começou a desenvolver com o Atlético uma intensa rivalidade, que atingiria o seu auge a partir da fundação do Mineirão, em 1965.

Como disse anteriormente, não é fácil localizar nessa trajetória os fatos e motivações que deram origem aos fortes sentimentos revanchistas que hoje opõem os membros das duas hostes. Mais difícil ainda é interpretar essa história e extrair dela os significados e as relações afetivas que a sociedade projeta nos dois clubes e em sua rivalidade. O protagonismo esportivo das duas instituições certamente é o responsável por elas serem as preferidas do público, mas de modo algum é capaz de explicar as configurações que essas paixões assumiram na vida esportiva mineira. Assumindo meu movimento apenas como um primeiro esforço nesse sentido, tento neste trabalho propor uma primeira resposta a essas questões. Para isso recorro a dois livros lançados recentemente pela editora DBA, como parte da coleção “Camisa 13”, sobre os grandes clubes brasileiros. Os livros são Raça e Amor: a saga do Clube Atlético Mineiro vista da arquibancada, de Ricardo Galuppo, e Páginas Heróicas, onde a imagem do Cruzeiro resplandece, de Jorge Santana. Somados a alguns pouquíssimos outros, esses dois livros são parte importante da limitadíssima bibliografia sobre a história do futebol mineiro.

Sobre esses dois volumes, é necessário dizer, antes de tudo, que não são textos construídos segundo os rigores do trabalho acadêmico. Ao contrário, são relatos que, embora baseados sobre um elogiável trabalho de pesquisa, transitam do registro jornalístico ao libelo apaixonado, já que, no espírito da coleção, ambos foram feitos por autores que não escondem sua condição de torcedores fiéis dos clubes sobre os quais escreveram. Longe de ser um inconveniente para os objetivos deste trabalho, essa característica faz com que os dois livros sejam, na verdade, legítimas expressões do imaginário, das tradições e da rivalidade que cerca os dois clubes.

Em ambos os textos, os sentimentos revanchistas entre atleticanos e cruzeirenses aparecem a todo momento. Os dois autores adotam, inclusive, certas formulas verbais para se referir ao rival, manifestando através delas a importância que esses sentimentos possuem na definição de sua própria identidade. O atleticano Ricardo Galuppo evita durante todo o texto usar a palavra “Cruzeiro”, referindo-se ao clube como “aquele time do Barro Preto”, “o ex-Yale”, o “ex-Palestra”, “a turma do Barro Preto” etc. Nas primeiras páginas do livro, o autor já avisa: “Em respeito à família atleticana, certas palavras não serão mencionadas neste texto, nem mesmo como referência a uma antiga moeda nacional – que saiu de circulação sem deixar saudade.” (GALUPPO, 2003: 21). Já o cruzeirense Jorge Santana, se não se nega a escrever o nome do rival, reserva sempre a ele algum comentário ou epíteto irônico ou depreciativo, como “galeto com polenta” e “os empedernidos secadores da vizinhança” (SANTANA, 2003: 15, 21). Assim, os dois autores já mostram o quanto a presença constante e ameaçadora do outro é vital para suas próprias identidades de torcedores, mesmo que esse outro seja seu semelhante e seu vizinho mais próximo, ou talvez exatamente por isso. Mas é quando buscam definir o que é ser torcedor de seu clube, descrevendo suas origens e seus vínculos com a sociedade, que os autores dão as pistas mais interessantes sobre os significados da rivalidade entre Atlético e Cruzeiro.

Na mística que cerca o Atlético, podemos certamente encontrar muitos dos elementos através dos quais se definiu, em âmbito nacional, uma certa imagem do “povo brasileiro”. Como uma agremiação eminentemente popular, o Atlético é o clube do “povão”, o clube da “massa”, dos pobres, dos negros e dos mestiços. Isso é perceptível, por exemplo, no verso do hino do clube utilizado para nomear o livro de Ricardo Galuppo (“lutamos com muita raça e amor”), em que a palavra raça ecoa não apenas o espírito aguerrido do esportista, mas também a presença do negro no esporte e os sofrimentos a que ele foi submetido em razão dos conflitos raciais. No livro de Ricardo Galuppo, esse sentimento está presente, por exemplo, na narrativa da ascensão de Ubaldo, um “menino fujão”, um “negro de corpo roliço” famoso por seus “gols espíritas”, que foi um grande ídolo do time na década de 1950:

Foi naquele ano que a torcida começou a saudar Ubaldo com uma música especial. Sucesso do carnaval de 1955, a marcha “Tem nego bebo aí”, de Mirabeau e Ayrton Amorim, era tocada em todo o país. Dali em diante, sempre que o centroavante do Atlético entrava em campo, a massa cantava: “Tem nego Ubaldo aí! Tem nego Ubaldo aí!” O artilheiro teve o passe vendido ao Bangu no final daquele ano e voltou pouco tempo depois, em 1958, quando recebeu da torcida uma das maiores homenagens já prestadas a um jogador de futebol.

“Num jogo contra o Ex, realizado em 7 de dezembro de 1958, Ubaldo fez um de seus gols inexplicáveis. A torcida invadiu o gramado, carregou seu ídolo e ganhou as ruas. O desfile seguiu pela avenida Silviano Brandão, subiu em direção à Floresta, passou pela praça da Estação e, sempre ao som de ‘Tem nego Ubaldo aí!’, foi parar na praça Sete, no coração de Belo Horizonte. Ubaldo jamais se referiu àquele fato com modéstia. ‘Naquele tempo, só duas pessoas eram carregadas nos ombros do povo. O presidente Juscelino Kubitschek e eu.’ Orgulho legítimo de quem foi protagonista de uma cena extraordinária.”  (GALUPPO, 2003: 94)

Curiosamente, no entanto, o livro de Ricardo Galuppo parece se esforçar em alguns momentos para não enfatizar essas conotações com maior potencial de conflito, preferindo efetuar um deslocamento de sentido e definir a torcida e o time do Atlético por características como a paixão cega e o empenho desmedido pela vitória. “Raça e amor”, independente da classe social ou da cor da pele: “O povo alvinegro é assim – passional, fiel, generoso. (…) Nosso time não tem simpatizantes. Tem torcedores apaixonados. Quem ama o Galo se considera o ser mais atleticano do mundo.” (GALUPPO, 2003: 20). A esse deslocamento, pode ser relacionada uma outra característica, associada freqüentemente por Galuppo ao Atlético e sua torcida: a heterogeneidade – seja ela social, profissional ou racial. Ecoando as palavras do autor, José Eustáquio de Oliveira afirma, na orelha do livro:

“Ser atleticano é ser intrépido, gentil, solidário, engraçado, triste, alegre, mal-humorado, gozador, inteiro, estilhaçado, criança, adulto, esclerosado, homem, mulher, pobre, rico, remediado. Pai-de-santo, pastor, ateu e até cardeal. Moreno, louro, vermelho, amarelo. É preto e branco!”

Mais do que um clube dos pobres, portanto, o Atlético é um clube “da massa”. Esse conceito deve ser tomado, aqui, de modo teoricamente mais rigoroso. A massa é aquela entidade em que toda a sociedade urbana e moderna se une, tornando-se um aglomerado heterogêneo, gelatinoso e altamente inflamável, que tanto pode ser conduzido como um gentil rebanho quanto pode explodir em revoltas sangrentas e incontroláveis. Mas é também o lugar onde as classes e as raças se encontram, para produzir o fenômeno da mestiçagem étnica e cultural, do qual surgiu a imagem do Brasil e do brasileiro que durante o século XX dominou o imaginário de nossa sociedade.

A essas conotações associadas ao Atlético podem ser opostas determinadas características da representação da idéia do “popular” que se faz através da mitologia cruzeirense. Se a torcida do Atlético é apaixonada, a do Cruzeiro é exigente, ranzinza, acostumada a cobrar o desempenho de seu time. Pois, embora os cruzeirenses também não se cansem de declarar seu amor pelo clube, o que os distingue não é a atitude passional. À possessão da “Galoucura”, o Cruzeiro opõe a organização e a diligência de sua “Máfia Azul”. Nascido no interior de uma colônia de imigrantes, o Cruzeiro parece se definir sobretudo por aquilo que possibilitou aos italianos sua inserção na sociedade brasileira: o trabalho árduo e incansável, por meio do qual se pode construir lentamente um futuro bem sucedido. É o que se vê, por exemplo, nos seguintes trechos da narrativa de Jorge Santana sobre as origens e o desenvolvimento do tal “clube do Barro Preto”:

O Palestra mineiro foi criado por trabalhadores e recebeu a adesão dos comerciantes e industriais, todos italianos. Era uma cosa nostra, fechada às demais colônias e ao restante da população. Os italianos pobres queriam um clube para integração social, lazer e cultura física e os ricos, um cartão de visitas para exibir à elite da capital. O Palestra, assim como a Beneficência Italiana, deveria espelhar a capacidade de realização que levara tantos deles ao sucesso.” (SANTANA, 2003: 30)

E mais à frente:

“É aí que se inicia a saga do Cruzeiro Esporte Clube, o qual, nas palavras de Luiz Carlos Rodrigues, ‘se fez grande sem lances de heroísmo pungentes e sem heróis miraculosos, cuja grandeza foi plasmada no cotidiano, na simplicidade de um trabalho constante e reiterado, quase anônimo, cuja somatória, ao correr do tempo, conferiu a dimensão grandiosa, internacional, universal, de um dos maiores clubes do mundo!’”  (SANTANA, 2003: 32)

Vemos, então, que Atlético e Cruzeiro, com suas origens, suas tradições e seus mitos particulares, representam duas imagens bem diferentes da idéia do “popular”. Se buscarmos por relações entre essas representações e certos elementos do contexto em que elas foram produzidas, como os processos de modernização da sociedade brasileira e construção da identidade nacional, veremos que elas desempenham também papéis bastante diferentes, e talvez complementares. Na mitologia do Atlético podemos identificar o esforço da mediação, do encontro entre as classes e grupos sociais, para o qual foi necessário estabelecer conexões com a memória e a cultura dos menos favorecidos, por exemplo, através da escolha da “raça” como valor primordial. Já no imaginário cruzeirense, parece predominar sobretudo a idéia do “trabalho”, tomada como valor fundante da vida esportiva e caminho para a prosperidade, no futebol e fora dele. Enquanto o Atlético, miscigenado e contaminado, reafirma a diferença do brasileiro passional, intuitivo e sofredor, que de algum modo perturba o processo de modernização, o Cruzeiro reforça o vetor desse processo, fincando suas raízes na ação dos próprios europeus como agentes modernizantes e estabelecendo como seu valor primordial o próprio fundamento do sistema capitalista.

Essas, no entanto, são conclusões muito preliminares, resultantes de uma investigação que ainda está dando os seus primeiros passos. A decifração do intrincado jogo social e discursivo que se desenrola em torno da rivalidade entre Atlético e Cruzeiro certamente demanda, para ser bem compreendida, um trabalho mais demorado e cuidadoso de pesquisa e análise, um trabalho que ainda está por ser realizado. É necessário ampliar o corpus, buscar as fontes primárias, recolher relatos de atletas e torcedores de outros tempos, cotejar as informações, refinar teórica e metodologicamente a análise… Mas está lançada, pelo menos, uma hipótese inicial de trabalho.

Referências bibliográficas

  • GALUPPO, Ricardo. Raça e amor: A saga do Clube Atlético Mineiro vista da arquibancada. São Paulo: DBA Artes Gráficas, 2003.
  • HELAL, Ronaldo & GORDON Jr., Cesar. Sociologia, história e romance na construção da identidade nacional através do futebol. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, n.23, 1999, p. 147-165.
  • MARTÍN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1997.
  • PEREIRA, Leonardo Affonso de Miranda. Footballmania: uma história social do futebol no Rio de Janeiro – 1902-1938. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.
  • SANTANA, Jorge. Páginas heróicas, onde a imagem do Cruzeiro resplandece. São Paulo: DBA Artes Gráficas, 2003.
  • SILVA, Marcelino Rodrigues da. Mil e uma noites de futebol; o Brasil moderno de Mário Filho. Tese (Doutorado em Letras – Estudos Literários.), Faculdade de Letras da UFMG, Belo Horizonte, 2003.
  • SOARES, Antonio Jorge. História e invenção de tradições no campo do futebol. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, n° 23, 1999, p. 119-146.

Marcelino Rodrigues da Silva é membro da comissão editoria da Universidade Vale do Rio Verde – UNINCOR - Av. Castelo Branco, 82 – Chácara das Rosas – Três Corações – MG – www.unincor.br/pos

Fonte: http://www.filologia.org.br/ixcnlf/12/14.htm

A Argentina como castigo

quarta-feira, 21 de junho de 2006

Portugal 2 x 1 México, quarta-feira, 21 de junho, na Arena AufSchalke, Gelsenkirchen, pela 3ª rodada do Grupo D da Copa 2006.

Meira, Boa Morte, Caneira, Simão Sabrosa etc. Felipão escalou um time com nomes de personagens da literatura lusa d’antanho. Mas foi o bastante para vencer um México sem inspiração, sem recursos técnicos e sem futuro. E para o matreiro treinador completar sua 10ª vitória consecutiva em Copas do Mundo. Coisa que ele, com falsa modéstia, tratou de minimizar: “imagine se eu, um cara do interior ia sonhar, algum dia, com uma coisa dessas?!” Fala sério, Scolari!

O México fez de tudo pra ser eliminado. Rafa Marquez, cometeu pênalti infantil, metendo a mão na bola dentro da área, Bravo isolou um pênalti e Perez foi expulso por cavar outro. Sorte que o concorrente à vaga, Angola, contentou-se com um empate frente ao Irã. E, com isso, deixou o rabo-de-foguete de encarar a Argentina nas oitavas de final para os mexicanos.

Personagens da decisão

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Fábio defendeu uma bola difícil e foi parceiro do poste em outra.

Jonathan foi sacado antes do primeiro quarto do jogo. Não teve tempo de encontrar uma solução para neutralizar as combinações do Marinho Donizetti e do Diego Silva pelo seu setor e conseguir atacar. Não comprometeu defensivamente.

Luizinho atacou muito, mas não teve inspiração para definir o que fazer com a bola na hora de concluir sua parte nos contra-ataques.

Moisés foi o limpa-trilhos da decisão.

Edu Dracena um dos melhores do jogo. E o melhor do campeonato.

Júlio César fez o cruzamento mais importante de sua carreira, o do gol do título.

Diogo Mucuri lembrou Douglas. Poderia haver maior elogio?

Fábio Santos supriu com raça a falta de qualidade técnica. Ainda não recuperou o bom futebol do ano passado e nem perdeu a mania de se meter em encrencas.

Leandro Bomfim, malemolente, às vezes irrita pela lentidão. Mas sabe passar com qualidade o que, em último caso, é o mais importante pra quem joga no meio de campo.

Wagner era  melhor do time até sair exausto. Fez  gol do título o que vale lugar na história do clube.

Jonílson entrou pra trancar o meio de campo. E trancou.

Elber foi um leão. Rodrigo Posso não permitiu, por duas vezes, que ele quebrasse o jejum de gols que já dura cinco rodadas. Mas como ajudou a marcar o gol do título, entra também pra história deste campeonato.

Gil jogou como se fosse a partida mais importante de sua carreira. Atacou, defendeu, prendeu a bola. Dividiu com Mucuri, Dracena e Posso as honras de “melhor do jogo”.

Alecsandro não comprometeu, embora tenha perdido duas oportunidades de definir o jogo. PC teria feito melhor se escalasse o Diego, mais veloz, mais ágil, mais lutador.

PC Gusmão queimou uma substuição muito cedo ao trocar Jonathan por Luizinho. Errou ao trocar Elber por Alecsandro e não por Diego. Mas armou um time equilibrado e não ficou esperando o segundo tempo pra resolver o jogo. Tentou intimidar o Ipatinga atacando desde o início e se deu bem. Ao trancar o meio de campo no segundo tempo, embora tenha deixado muito torcedor à beira de um ataque cardíaco por quase que abdicar do ataque, consolidou a vitória. 

Zezé Perrella deu um passeio – sentimental ou eleitoral? -, de muletas, pela orla do gramado antes do início da partida. Foi apaludido, com intensidade crescente, à medida em que ia da galera genérica para a Máfia Azul. No final, deu as estocadas de praxe nos emplumados.

Máfia Azul fez sua parte, mas não encontrou eco no restante da torcida pouco acostumada às cantorias do Mineirão. No final, até seu bandeirão invadiu o estádio e foi seqüestrado pela despreparada PM local. O maestro Fubá, na ausência de jogadores no pódio, tomou o troféu e o levou à torcida que permanecia na arquibancada. A cena lembrou-me uma frase do Hans, alemão que trabalhou num programa de urbanização de favelas de Belo Horizonte, duas décadas atrás, diante das seguidas pegadinhas que nosso jeitinho lhe pregava: “Isso aqui é um baita esculhamabaçom!”

Polícia Militar – Deu vexame. Durante o jogo, manteve dois soldados e um cachorro para impedir invasões de campo. Depois de consumada a invasão por centenas de pacíficos torcedores, mandou buscar reforços que chegaram agredindo e avacalhando de vez a festa.

SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - trabalhou para salvar as diversas vítimas da violência policial. E saiu-se bem.

BR 262, em obras, tem vários pontos de alto risco para a vida dos motoristas. Próximo a Caeté, a falta de sinalização – uma constante em quase todo o persurso – provoca entradas de veículos na contra-mão. Espero que, para a primeira partida da final de 2007, a torcida do Cruzeiro viaje com mais segurança ao Vale do Aço.

Sr. Quelhas foi o juiz ruim de sempre. Mas nem quero mais falar mais dele. Por ora, com o Cruzeiro disputando a Copa do Brasil e o Brasileiro, ele deve ficar distante.

Torcida do Ipatinga – Nunca esteve tão grande. Metade das arquibancadas, um pouquinho mais, talvez. E também nunca esteve com o coração tão dividido. No final, vários torcedores vestidos de verde por fora entraram no gramado para comemorar o título do seu primeiro time.

Administração do Ipatingão – Deixa um enorme espaço vazio para uns tais veículos credenciados que nunca chegam e obriga muita gente a estacionar longe submetendo-se a flanelinhas que cobram entre 3 e 8 reais para “olhar” os carros. Repórteres informaram que a carteirada comeu solta na entrada principal do estádio. Havia, no mínimo, 4 mil torcedores a mais do que o público anunciado. E o gramado estava levantando poeira em bola rasteira. Uma decepção para quem tem o Epaminondas M. Brito como o terceiro melhor estádio de Minas.

Nudista – A peladona da torcida do Ipatinga acertou em cheio ao se despir na arquibancada em frente às cabines. Errou, contudo, ao não democratizar seus dotes naturais invadindo o gramado. Até aquele momento, a PM ainda não se dera conta de que, em jogos decisivos, há grande probabilidade de ocorrerem invasões de campo. Estava fácil pular o fosso. Ajuda é que não faltaria se ela quisesse. E considerando que todos pagamos o mesmo preço pelo ingresso não foi justa sua decisão de se vestir novamente sem dar uma geral para todo o estádio. Ficou devendo. 

Time do Ipatinga – Um timaço capaz de vencer qualquer adversário, menos uma camisa azul-estrelada em tarde de superação. Rodrigo Posso foi espetacular salvando três gols certos. William e Teco, perfeitos, seguraram a onda, no mano-a-mano contra os atacantes do Cruzeiro, quando o Tigre atacou em massa no segundo tempo. Marinho Donizetti e Dênis são ótimos laterais. Paulinho já atingiu o estágio da completa estabilidade. Joga sempre bem.  Walter e Medeiros, muito marcados, ficaram devendo. Camanduacaia e Diego Silva bem que tentaram, mas em tarde e Dracena e Moisés inspirados tiveram poucos espaços. Ney Franco já está aprovado. O Ipatinga já lhe deu régua e compasso. Pode encarar qualquer desafio daqui pra frente.

Raposão e Tigrão & Tigrim – Taí uma boa idéia dos marqueteiros dos clubes. Os mascotes fizeram a festa de crianças e marmanjos no Ipatingão. O Raposão trabalhou mais. Continuou agitando a massa depois do jogo quando os felinos do vale sairam de campo carregando o fardo do vice-campeonato.

Personagens do superclássico

terça-feira, 28 de março de 2006

Fábio – Três defesas. Uma difícil, duas nem tanto.

Jonathan – Defendeu muito. Atacou pouco.

Moisés – Um pouco afobado, mas sem comprometer a defesa.

Leone - Tranqüilo. Parou os atacantes alvinegros sem muito estardalhaço. Muita gente acha que deveria ser titular.

Dracena – Perfeito em campo. No final, falou além do necessário. Respondeu à altura os funcionários provocadores do Atlético-MG. Excedeu-se, contudo, quando atacou a instituição. Este tipo de discurso só serve para acirrar animosidades. Quando estiver na Europa, será punido se repetir as ofensas de ontem. Mas é provável que lá também não encontre funcionários tão despreparados quanto os do rival citadino para bater boca.

Júlio César – Defendeu bem. Atacou pouco. Afoito, fez duas faltas seguidas e foi expulso.

Anderson – Como não havia necessidade de atacar, manteve-se na defesa fechando o corredor direito do ataque emplumado.

Fábio Santos – Regular. Desnecessariamente nervoso.

Recife – Jogou o arroz-com-feijão adequado à altura do jogo em que entrou em campo.

Diogo Mucuri - Anulou Ramon, o único atleticano capaz de decidir o jogo para seu time. Para muitos foi o melhor em campo.

Francismar – Terceira boa atuação seguida. Não passa de primeira e nem faz lançamentos de qualidade. Mas sabe chegar em velocidade para chutar em gol. Fez um golaço. O melhor do time.

Wagner – Fez um golaço de falta, o primeiro de sua carreira. Sem ter feito nada de extraordinário, conseguiu preencher o meio de campo e tocou a bola com qualidade. Parece estar saindo do baixo astral que o tirou de metade do campeonato.

Elber – Consciente. Não dá sossego aos zagueiros e sabe servir os companheiros que chegam à área para chutar a gol. É a referência do time, na precisa observação do Mauro França.

Gil - Veloz, puxa bem os contra-ataques e sempre aparece com muita disposição para concluir as jogadas mas agudas do ataque. Pena não ter chute bem calibrado. O Marcos Pinheiro acredita que ele tem dois pés direitos (o pior, em seu caso; aquele que os antigos comentaristas diziam servir apenas para tomar o bonde). No final, prendeu a bola com dribles que irritaram o adversário, mas deram alegria à torcida. À nossa, por supuesto.

PC Gusmão – Não inventou. Escalou o melhor time à sua disposição e fechou todas as portas de sua defesa mantendo os laterais presos na marcação e colocando o Diogo Mucuri para anular o Ramon. Nota dez.

Jogadores do Atlético-MG – Bruno defendeu uma bola impossível numa cabeçada do Élber. Trabalhou com afinco durante todo o jogo livrando seu time de outros gols. Ramon, embora bem marcado por Diogo Mucuri, foi o único de seu time a tratar bem a bola nas poucas vezes em que esteve com ela. Marcos, Castan e Lima não comprometeram. E foi só.

Lori Sandri – Covarde, escalou três beques e três volantes quando só a vitória interessava a seu time. Passou o jogo balbuciando coisas que nem o melhor leitor labial dos canais de esporte poderiam traduzir. Algo como “Valha-me Senhora de Aparecida!”

Sr. Quelhas, o juiz: Deixou de marcar dois pênaltis a favor do Cruzeiro. Um sobre o Gil, outro sobre o Leone. Deixou de expulsar o Castan por uma entrada sem bola no Élber. Tudo o que deixou de fazer beneficiou o Atlético-MG. Sei não, sei não…

Torcida do Atlético-MG – Embora maior do que a do Cruzeiro nas arquibancadas, esteve silenciosa na maior parte do jogo. Cantou parabéns para comemorar os 98 anos de seu clube e, a quinze minutos do fim, tirou o time de campo desiludida com mais uma eliminação, a quinta (ou seria sexta?) seguida para o rival.

Torcida do Cruzeiro – Não ocupou todos os espaços à sua disposição, mas compensou a ausência de muitos componentes gritando mais do que a rival. De quebra, proporcionou o espetáculo das camisas girando sobre as cabeças.