Posts com a Tag ‘Nordeste’

Cruzeiro na Libertadores: 1976, a conquista (II)

terça-feira, 9 de março de 2010

Mauro França e Jorge Santana

Após o antológico 5×4 sobre o Inter, o Cruzeiro viajou ao Paraguai para enfrentar o Deportivo Luqueño e o Olímpia, respectivamente, vice e campeão paraguaio de 1975. O Luqueño vencera o clássico local por 3×2. Portanto, o jogo do domingo, 14mar76, seria o confronto dos vencedores da 1ª rodada.

Suspenso, Palhinha era o único desfalque. Piazza retornava à equipe, recuperado da contusão que o afastou do jogo contra o Inter. O Cruzeiro não fez um bom 1º tempo. A defesa teve trabalho pra conter a correria dos atacantes paraguaios. Palhinha fazia falta e Piazza voltou mal. Mesmo com boa atuação de Joãozinho, o ataque não funcionou. Pra complicar, o Luqueño fez 1×0 aos 29 e perdeu chances para ampliar ainda no 1º tempo.

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Viva Zapata!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

O futebol foi inventado por ingleses, aperfeiçoado pelos platinos e reinventado pelos brasileiros.

É obra coletiva. E popular. Mas, hoje em dia, só espertalhões e ricos faturam com ele.

Cartolas eternizados em federações e clubes, empresários, televisões, jogadores de alto nível, cronistas esportivos famosos, patrocinadores e gerentes de cartéis de futebol são os maiores beneficiários desta arte popular.

E para o povo? Nada! Necas de catibiriba. Nenhum retorno.

Ao contrário! O 2º clube mais popular deztepaiz já está cobrando R$200 por um ingresso. Isto enquanto enche as burras com patrocínios milionários.

Tá uma farra.

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O torcedor do futuro

sábado, 16 de janeiro de 2010

O Datafolha fez a seguinte pergunta a 853 crianças entre 4 e 12 anos:

  • Qual é o time de sua preferência?

Na pesquisa, publicada em 31jul08, em seu site, o instituto informa que 86% dos entrevistados declararam torcer por algum time, quase sempre de sua região.

  • “A preferência é regional: a escolha pelo São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Cruzeiro, Santos e Atlético-MG é mais expressiva na Região Sudeste, enquanto a opção por Grêmio, Internacional e Coritiba no Sul, Flamengo e Seleção Brasileira no Nordeste e Paysandu e Remo no Norte/Centro-Oeste.

Ranking:

  1. Flamengo – 23%
  2. São Paulo – 11%
  3. Corinthians – 10%
  4. Vasco – 5%
  5. Palmeiras – 5%
  6. Grêmio – 5%
  7. Seleção Brasileira – 4%
  8. Cruzeiro – 3%
  9. Botafogo – 2%
  10. Santos – 2%
  11. Atlético-MG – 2%
  12. Paysandu – 2%
  13. Internacional – 1%
  14. Remo – 1%
  15. Sport – 1%
  16. Coritiba – 1%
  17. Fluminense – 1%
  18. Santa Cruz – 1%
  19. Outros – 6%
  20. Não têm time -14%

O Calendário Segundo João

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Prezado Jorge Santana,
 
Tive todo o cuidado e paciência para ler do princípio ao fim a proposta do Paulo Sanchotene.

Embora aparentemente baseada no calendário europeu creio que a proposta dele seja de difícil assimilação.

E mais, considerando o que se faz no Brasil, dificilmente ela teria a adesão de Rio e de São Paulo, que durante anos impedem que qualquer mudança seja feita no Brasil de forma a reduzir a dominação que exercem sobre o esporte mais popular do país, o futebol.

Creio haver outra solução, menos complexa, e capaz de levar, paulatinamente, à situação ideal.

Não me agrada a fórmula de Apertura e Clausura como existe em vários países sul-americanos, muito embora ela abra oportunidade para que todos os times campeonem.

A fórmula de pontos corridos chamada por você de Morrinhão é universal e justa, pois cada time joga uma vez em casa e outra fora.

Ora, somos um país continental e se te incomoda ver os tais times de empresário e sem torcida ocupando as vagas de Remo, Bahia, Santa Cruz, Paysandu ou Sport, há que se reconhecer que os tais chegaram lá por méritos técnicos.

Como equilibrar os conceitos?

Para mim não é fazendo campeonatos estaduais em 30 datas que se terá a solução. Teríamos morrinhões estadiais do mesmo jeito.

A solução passa pela massificação do esporte, com ligas classificando para os campeonatos estaduais de forma a se manter a atividade esportiva em todo o território nacional durante onze meses.

Desenvolvendo minha idéia, teríamos, nos mesmos moldes, de hoje:

  • a) Campeonatos Brasileiros de 4 Divisões com 20 times em cada uma. A Série E teria a participação de times do Brasil todo, regionalizada nas fases iniciais e bancada por quem quiser comprar o filé das Séries A e B.
  • b) Copa do Brasil: Com a participação dos times da Série A + campeões estaduais do ano anterior não constantes desta série + uma fase eliminatória que agruparia os outros times por ranking das federações estaduais até se completar 64 clubes. Os participantes da Libertadores eliminados até a fase de grupos se qualificariam para estas vagas.
  • c) Campeonatos Estaduais revitalizados, com uma fase preliminar englobando os campeões das ligas micro-regionais classificando 6 clubes para a composição de 12 times da disputa do estadual do ano seguinte. Os classificados entre a 7ª e 12ª posições anualmente seriam cabeças de chave destes hexagonais regionalizados. Teríamos, então, um campeonato regionalizado com 6 chaves de 12 times, competindo ao longo de todo o 2º semestre para se indicar os classificados para os estaduais do ano seguinte. Isto englobaria 78 times por estado no máximo… Não creio que tenhamos potencial para mais que isto no Brasil inteiro. Estes campeonatos estaduais classificariam os times para a Copa do Brasil.

Como ficaria o Campeonato Mineiro:

  1. Centro / Oeste: Belo Horizonte, Vespasiano, Divinópolis, Betim, Ouro Preto, Mariana, Formiga, Itaúna, Passos, São Sebastião do Paraíso, Nova Lima, Pedro Leopoldo etc.
  2. Centro / Norte: Sete Lagoas, Curvelo, Diamantina, Montes Claros, Pirapora, Janaúba, Conceição do Mato Dentro etc.
  3. Vale do Aço /Leste / Nordeste: Itabira, Ipatinga, Fabriciano, Timóteo, Governador Valadares, Teófilo Otoni, Monlevade, Nova Era, Dionísio, São Domingos do Prata etc. 
  4. Sul: Varginha, Andradas, Poços de Caldas, Itajubá, Tres Pontas, Pouso Alegre, Três Corações, São Lourenço, Lavras, Guaxupé, Alfenas etc
  5. Zona da Mata / Campos das Vertentes: Juiz de Fora, Ubá, Leopoldina, Ponte Nova, Barbacena, Tombos, Muriaé, Barbacena, São João Del Rey etc.
  6. Triângulo / Alto Paranaíba, Noroeste: Uberlândia, Uberaba, Araguari, Ituiutaba, Araxá, Unaí, Patrocínio, Patos de Minas, Paracatu, Unaí, João Pinheiro etc.

Isto propiciaria a retirada de muitos jovens das ruas e a massificação do esporte, abertura de oportunidade para novos treinadores, árbitros etc.

Daria para encaixar no Calendário a Libertadores e a Sul-Americana, ambas classificando times para o Mundial de Clubes a ser disputado em Dezembro, com 16 clubes em estilo Copa do Mundo.

Por enquanto é isto. Preciso de mais tempo para elaborar mais esta proposição.

Att,
João Duarte Chiabi

Cruzeiro é líder entre os Off Eixo

domingo, 3 de janeiro de 2010

Pesquisa DataFolha, realizada logo após o encerramento do Campeonato Brasileiro, e publicada na edição deste domingo da Folha de S. Paulo, indica crescimento da torcida do Flamengo, que pulou de 17% para 19%.

Os rubronegros dominam o Nordeste, Norte e Centro-Oeste, com folga. Ou seja têm a maior torcida de coração partido do país, pois todos torcedores destas regiões têm seus times domésticos também.

Lideram, ainda entre os jovens, o que indica grnde vitalidade. Na contramão, Botafogo e, principalmente Fluminense definham, pois não conseguem mais empolgar a garotada fora do Rio.  

E o Cruzeiro, ultrapassando o Grêmio, volta à liderança do mundo Off Eixo. Confiram:

  1. Flamengo 19%
  2. Corinthians 13%
  3. S. Paulo 8%
  4. Palmeiras 7%
  5. Vasco 5%
  6. Cruzeiro 4%
  7. Grêmio 3%
  8. Inter 3%
  9. Santos 2%
  10. Atlético-MG 2%
  11. Botafogo 2%
  12. Fluminense 1%
  13. Bahia 1%
  14. Vitória 1%

P.S.: O site da Editora Abril diz que o Cruzeiro tem 4% na pesquisa, e o da Globo, 3%. Qual deles está certo?

Calendário Brasileiro à Inglesa

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Paulo Sanchotene

Propostas de Calendário para o Futebol Brasileiro

Nestas férias futebolísticas, apresentarei 4 propostas diferentes de organização para o futebol Brasileiro. Chamá-las-ei, pela ordem: modelo inglês; modelo americano; modelo europeu; e modelo brasileiro. Os nomes se referem apenas às inspirações, pois eles tiveram que ser adaptados à nossa realidade.

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Desconcentrar o futebol, uma obrigação

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Rodrigo Oliveira

Encerradas as séries B e C, – com a mácula de um jogo para 5 pagantes – ficaram definidos os clubes que disputarão as duas divisões mais importantes do Campeonato Brasileiro em 2010.

  1. SP: São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Barueri, Santos, Santo André, Guarani, Portuguesa, São Caetano, Bragantino, Ponte Preta, Guaratinguetá.
  2. RJ: Flamengo, Botafogo, Fluminense, Vasco, Duque de Caxias.
  3. MG: Atlético-MG, Cruzeiro , Ipatinga, América.
  4. GO: Goiás, Atlético-GO, Vila Nova.
  5. PR: Coritiba, Atlético-PR, Paraná.
  6. RS: Internacional, Grêmio.
  7. SC: Avaí, Figueirense.
  8. BA: Vitória, Bahia.
  9. PE: Náutico, Sport.
  10. CE: Ceará, Icasa.
  11. DF: Brasiliense.
  12. RN: América.
  13. AL: Asa.

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S.O.S Nordeste

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Caro anfitrião e caro administrador do site:

Lembrando de posts anteriores de solidariedade e utilidade pública, gostaria de sugerir um post neste blog bastante visitado sobre a situação dos nossos irmãos do Nordeste.

As chuvas lá já desabrigaram 116 mil pessoas, afetando diretamente 1.339.113 cidadãos brasileiros, numa das piores enchentes da história.

Conta da Cruz Vermelha nas instituições com maior penetração no Nordeste:

  • Caixa Econômica Federal – Ag.: 3281; Operação: 003; C/C: 300-1
  • Banco do Brasil – Ag.: 3515-7; C/C: 11024-8
  • Banco do Nordeste – Ag.: 016; C/C: 29393-8

Fonte: http://enchentes.blogueisso.com/

Leo Vidigal

Bahia, o 1º campeão brasileiro

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O primeiro campeão brasileiro

Em 1959, os campeões estaduais disputaram a 1ª Taça Brasil. O Bahia foi campeão após 14 partidas, das quais venceu 9, empatou 2 e perdeu 3.

Antes das finais contra o Santos de Pelé, Coutinho, Pepe, Zito etc, o tricolor desclassificou o CSA, o Ceará, o Sport e o Vasco, todos, campeões estaduais.

Naquela época, ainda não havia sido inventado o “convite”, nem a “virada de mesa” nas competições brasileiras.

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Ranking dos 9

sábado, 14 de março de 2009

Buscando informações apenas nos registros da memória, listei os principais goleadores do país.

Com a ajuda dos caros amigos leitores, gostaria de montar um Ranking do Nove. Quem se habilita a colocar esta turma na ordem certa?

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Universitário 0×1 Cruzeiro: um gol, três pontos, infinita cautela

quarta-feira, 4 de março de 2009

Até aqui, a Libertadores tem maltratado muito os times brasileiros. São Paulo e Grêmio trabalharam muito e colheram pouco em seus jogos de estréia, jogando em casa.

A SEP já tomou duas coças impiedosas. E o Cruzeiro deixou escapar 2 pontos contra um time fraco. Só o Sport tem motivos para se sentir confortável com sua bela vitória em Santiago.

Hoje, o Cruzeiro terá um estreante em Libertadores, um clube sem tradição e sem dinheiro para montagem de elenco valioso. Mas nem isto é garantia de vitória. O mundo da Libertadores está de ponta-cabeça. Até time vencezuelano está ditando cátedra na competição. É o fim do mundo!

Ao jogo: o Cruzeiro vai com o melhor time que pode montar no momento. E “Los doctos”, idem. O que isto siginfica em termos de competitividade de cada lado é o que veremos a partir de 21h50.

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Queniano voltou das férias em forma

domingo, 18 de janeiro de 2009

Atuações dos celestes e seus adversários no Cruzeiro 4×2 Atlético-MG, pela Copa Bimbo, em Montevidéu:

  • Adílson Baptista – Manteve a base do ano passado, o que deu resultado, vide o amplo domínio do time no primeiro tempo. No segundo tempo, mexeu para contrabalançar o cansaço de alguns e promover as estréias dos novos contratados, sem alterar a estrutura do time e sem abdicar da vitória. Virou especialista em derrotar o rival, pra desespero dos emplumados da mídia e dos multinicks.
  • Torcida – Coisa rara, a TV mostrou mais emplumados do que cruzeirenses num estádio. Provavelmente, porque os azuis continuam preferindo o Nordeste e os zebrados tenham aderido a Punta Del Este. Até pra escapar das inevitáveis gozeiras que levam em praias brasileiras. (Síndico)

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Bozzafogo ganha merecidas férias

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A CBF informa, entre risinhos maliciosos, aposto, que Bozzafogo está fora dos próximos sorteios do Morrinhão. Vai ver foi premiado com umas duas semanas em algum resort do Nordeste.

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Reserva de mercado

terça-feira, 22 de julho de 2008

Germano Borba

Quando inventou a Copa União, o Clube dos 13 queria (e ainda quer) apenas times das regiões Sudeste e Sul disputando o título brasileiro. Seu desejo era criar reserva de mercado. Queriam que os times das regiões mais pobres, Norte e Nordeste, ficassem fora do campeonato.

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Leão, Coral e Timbu

domingo, 6 de julho de 2008

Marcos Pinheiro

Campeão brasileiro de 1987 e da Copa do Brasil deste ano, o Sport é o maior vencedor de estaduais em Pernambuco, com 37 títulos contra 24 da Cobra Coral e 21 do Timbu.

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Atitudes

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Atitudes vencedoras

  • Falar com Deus. Charlie Bullet falou e despejou luz sobre o elenco rubronegro.
  • Comprar briga com o Eixo mobilizando todo o Nordeste. O presidente da FPF fez isto e desmobilizou qualquer esquema que estivesse sendo urdido pra beneficiar o Corintiãs.
  • Deixar o clube atual e ir ao Recife viver a grande jornada com os ex-companheiros. Como fez Romerito.

Atitutes perdedoras

  • Ganir desconsolados e amedrontados por causa da altitude. Como fizeram cartolas cruzeirenses.
  • Tietar o Riquelme. Como fizeram Fabrício e Guilherme.
  • Temer a pulsação de La Bombonera. Como torcedores, treinador, cartolas e jogadores do Cruzeiro.

Epopéia Vitoriana

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Marcos Cabral

Aí vai, antes do esperado. Me lembrei que o final de semana será dedicado, além do ócio, à secação. Ficou um pouco longo. Fazer o quê? É uma “epopéia”. Ah! Vai ser rede de manhã, até às 10hs, praia das 10hs às 14hs, para aproveitar a maré vazia, e rede das 14hs às 18hs. Para finalizar, escolha o título do post. Por curiosidade, a expressão “campo da luta” faz parte do hino, o primeiro e mais bonito e não o patético “Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô”, do Esporte Clube Vitória.

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With a little help…

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

O Rafael Henrique anda brabo comigo. Segundo ele, eu ridicularizo a little help da Nestlé e do Governo de Pernambuco aos times do Campeonato Brasileiro. Ele se engana. Não sou contra, só constato que alguns mitos não se sustentam quando os clubes não conseguem vender seu produto nem a preço de banana. Tem de ser, mesmo, a preço de caldo de galinha.

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Utilidade Pública

segunda-feira, 26 de março de 2007

Leopoldo Moura Jr. 

Na década passada, o então presidente do Cruzeiro, Zezé Perrela, colocou o apelido de “rural” no Campeonato Mineiro. Foi uma forma depreciativa de tratar o que seria um campeonato “de pouca relevância” e “deficitário”. Achei que houve erro estratégico grave. Faltou visão de longo prazo – o que é meio raro, em se tratando do cartola cruzeirense. Geralmente ele tem acertado. 

Talvez inspirado pelo sucesso do Cruzeiro nos torneios nacionais e internacionais, Copa do Brasil e Supercopa, Zezé não enxergou que acabar com os estaduais é secar a mina que tantos frutos rende ao futebol brasileiro e que o qualifica como um dos melhores do mundo, apesar da zorra administrativa: o jogador de bola. 

Se a situação não anda boa para quem tem a condição de exportadores de talentos, não dá para imaginar como seria se tivéssemos que importar cabeças-de-bagres e refugos.  Num acesso de bom senso, anos mais tarde, a CBF acabou com os regionais e deu força para os estaduais. Parece que foi pressionada pelas federações das regiões norte e nordeste do país. Ainda bem que o Brasil não é só o “Sul-maravilha”.

São os estaduais que, por sua abrangência, estimulam e movimentam centenas de times profissionais e, indiretamente, os amadores. É uma divisão de base gigantesca.  Abro um parêntesis para dar um exemplo do que entendo como visão estratégica.

Há cerca de 10 anos, os dois gigantes da indústria de automóveis, a Toyota e a GM, seguiram rumos opostos: a Toyota continuou a acreditar nos carros híbridos (com 2 motores, a combustão e elétrico), apesar do alto custo. A GM, por outro lado, raciocinou toscamente e achou que não tinha sentido investir em algo que “dava prejuízo”.

A Toyota perdeu dinheiro com as vendas do híbrido, mas ganhou tremendamente com a imagem de que é uma empresa verde, que tem preocupação ambiental e busca poluir menos. Por essas e outras é que ela assumiu a liderança, sendo hoje a terceira maior dos EUA e dominando 15% de todo o mercado mundial.

Voltando ao futebol. O Campeonato Mineiro é extremamente importante e o Cruzeiro tem muito a ganhar, inclusive financeiramente, no longo prazo. Se pensarmos que uma cidade de porte médio (com população acima de 50 mil habitantes) tem como bancar um time pelo menos na 2ª divisão de um campeonato estadual veremos que, aqui em Minas, existem 59 municípios nessa condição, sem contar os da região metropolitana.

Refinando um pouco mais as contas: há 20 cidades com mais de 100 mil habitantes e em totais condições de ter um representante na 1ª divisão do Mineiro: Uberlândia, Juiz de Fora, Montes Claros, Uberaba, Governador Valadares, Ipatinga, Sete Lagoas, Divinópolis, Poços de Caldas, Patos de Minas, Teófilo Otoni, Pouso Alegre, Barbacena, Varginha, Conselheiro Lafaiete, Araguari, Itabira, Passos, Muriaé e Coronel Fabriciano.  Dá para jogar fora esse potencial? Quanto dinheiro movimentaria essas cidades motivadas? Qual o efeito multiplicador de um jogo do Cruzeiro no interior? Porque um campeonato com apenas 12 clubes? É para que ele seja disputado rapidamente?

Uma solução interessante foi dada pela fórmula de pontos corridos em turno único, apresentada pelo Paulo Sanchotene neste blog, porque mantém as mesmas datas e amplia para 16 o número de clubes. Não custa tentar e encher a bola do interior. O futebol mineiro só tem a ganhar. E o Cruzeiro muito mais. Claro que temos que ampliar as fronteiras, mas as nossas bases estão aqui. Foi o Cruzeiro que, a partir de 1966, consolidou o conceito de Campeonato Mineiro. Até então, com todo respeito à nossa história e à tradição de clubes importantes como Valério, Uberaba, Uberlândia, Tupi, Caldense, entre outros, o nosso campeonato era muito mais metropolitano do que estadual, em termos de força de torcida.Os torcedores do interior naquela época, em sua maioria, eram de quais times? Os de BH ou os do Rio e São Paulo. Com muito custo, e vitórias, revertemos esse quadro, apesar dos enclaves ainda existentes na Zona da Mata e no Sul de Minas.

A presença do time é uma fonte importante para a conquista de torcedores. Ou vamos ficar dependendo apenas dos meios de comunicação? Em Três Pontas, onde vou com freqüência, é quase impossível sintonizarmos emissoras de BH. É mais fácil ouvir as do Rio e São Paulo. Pela televisão, então, nós já vimos que a emissora predominante quando passa jogos do futebol mineiro, nós cruzeirenses passamos raiva.

Não sei se todos esses argumentos são relevantes para a diretoria celeste rever seu ponto de vista. Como temos a grande maioria da torcida do interior e que merece ver regularmente o seu time de perto, temos o direito de decretar: assistir aos jogos do Cruzeiro é uma questão de utilidade pública! Tão importante quanto os investimentos que, por exemplo, a Cemig e a Copasa fazem em áreas que, no curto prazo, “não dão lucro”. Tão útil quanto a obrigação de os ônibus urbanos trafegarem em horários de menor movimento, nas grandes cidades. Ou, ainda, de uma farmácia ficar aberta nos finais de semana, nas cidades menores.

Leopoldo Moura Jr., 50, cruzeirense, auditor de tributos, belo-horizontino morando em Toronto, Canadá.

Quem é o cruzeirense?

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Marcos Pinheiro

Se o Departamento de Marketing quiser se aproximar do torcedor cruzeirense deve tratar de conhecê-lo. Saber onde ele mora, qual seu nível de renda e de instrução. Se fizer isto, descobrirá que, ao contrário do mito criado pela imprensa, os cruzeirenses não estão encastelados nos bairros nobres de BH. Essas zonas são redutos das aves.

A maior parte da torcida azul está fora de Belo Horizonte, embora também na Capital ela seja majoritária. Conforme recente pesquisa do Datafolha, há 3 cruzeirenses para cada emplumado no interior de Minas.

Outra pesquisa, esta do Lance!/Ibope, de 2001, indicou a preferência dos torcedores por região de Minas. No Norte, Vale do Jequitinhonha, Vale do Mucuri e Zona da Mata, a vantagem da torcida celeste é de 4 por 1. São regiões pobres. Não adianta, pois, tentar vender camisa oficial a R$150 para a massa torcedora que mora nelas.

Em Belo Horizonte, conforme uma pesquisa publicada pelo Hoje em Dia, em novembro de 2004 (dados abaixo), os emplumados são maioria entre os mais ricos e os de maior grau de instrução. Os cruzeirenses, por outro lado, são mais numerosos entre pobres, os de menor grau de instrução e os que moram nos bairros mais distantes do Centro.

Será que o DMKT do Cruzeiro sabe disso? Parece que não. Caso contrário, não se limitaria a oferecer ao público cruzeirense produtos como o Cartão 5 Estrelas e as caríssimas camisas oficiais.

E não cobraria ingressos mais caros em dias de jogos, uma forma de punir o torcedor que mora longe do Mineirão, seja ele do Interior ou da periferia da Capital. Uma política que também prejudica os mais pobres, justamente os que têm poucas opções de lazer além do futebol.

O torcedor pobre ama tanto seu clube quanto o rico. E, embora, não possa ter cartão nem comprar camisa oficial, também consome e precisa ter à disposição produtos de acordo com sua possibilidade de gasto. Produtos que os dirigentes do clube, por desconhecerem sua própria torcida, não oferecem.

E dentre os produtos que é preciso oferecer a preços módicos, o principal é o futebol. O jogo de futebol, pra ser mais preciso.

Para conhecimento dos marqueteiros do Cruzeiro, eis o mapa da torcida mineira, segundo a pesquisa Ibope/Lance! de 2001 (em %):

Por região do Estado de MG

  • Triângulo/Alto Paranaíba: Cruzeiro, 18 / Atlético, 6 / Outros, 36
  • Noroeste/Norte: Cruzeiro, 40 / Atlético, 12 / Outros, 11
  • Oeste/Campos das Vertentes: Cruzeiro, 32 / Atlético, 20 / Outros, 14
  • Jequitinhonha/Mucuri: Cruzeiro, 25 / Atlético, 6 / Outros, 19
  • Vale do Rio Doce: Cruzeiro, 32 / Atlético, 16 / Outros, 5
  • Zona da Mata: Cruzeiro, 12 / Atlético, 3 / Outros, 52
  • Sul/Sudoeste: Cruzeiro, 4 / Atlético, 4 / Outros, 50
  • Área Urbana de BH: Cruzeiro, 33 / Atlético, 41 / América, 2 / Outros, 1
  • Periferia de BH: Cruzeiro, 39 / Atlético, 30 / Outros, 6
  • RMBH: Cruzeiro, 38 / Atlético, 20 / América, 1 / Outros, 1

E uma radiografia da torcida de Belo Horizonte (excluída a RMBH), por região, escolaridade, renda e idade oferecida pela pesquisa Nexus/Hoje em Dia de 2004 (em %):

Por Regional de BH

  • Venda Nova: Cruzeiro, 57,8 / Atlético, 42,2 / América, 0
  • Pampulha: Cruzeiro 53,2 / Atlético, 38,3 / América, 6,4
  • Noroeste: Cruzeiro 51,1 / Atlético, 44,4 / América, 4,4
  • Oeste: Cruzeiro, 46,7 / Atlético, 51,1 / América, 2,2
  • Barreiro: Cruzeiro, 57,8 / Atlético, 40 / América, 2,2
  • Norte: Cruzeiro, 46,7 / Atlético, 46,7 / América, 2,7
  • Nordeste: Cruzeiro, 37,8 / Atlético, 55,6 / América, 4,4
  • Leste: Cruzeiro, 30,2 / Atlético, 65,1 / América, 4,2
  • Centro/Sul: Cruzeiro, 33,3 / Atlético, 40 / América, 13,3

Por Grau de Escolaridade

  • Analfabetos: Cruzeiro, 60 / Atlético, 40 / América, 0
  • Até 4ª série: Cruzeiro, 54,2 / Atlético, 40,7 / América, 3,4
  • 5ª/8ª: Cruzeiro, 48,9 / Atlético, 50,0 / América, 0
  • 2º grau: Cruzeiro, 43,9 / Atlético, 47,8 / América, 12,3
  • Superior: Cruzeiro, 36,8 / Atlético, 47,4 / América, 12,3

Por Faixa de Renda Salarial

  • Até 2 SM: Cruzeiro, 52 / Atlético, 43,1 / América, 0
  • 2 a 5 SM: Cruzeiro, 49,7 / Atlético, 44,1 / América, 4,0
  • 5 a 10 SM: Cruzeiro, 34,1 / Atlético, 51,6 / América, 10,7
  • 10 a 20 SM: Cruzeiro, 50 / Atlético, 39,3 / América, 10,7
  • 20 SM ou +: Cruzeiro, 23,1 / Atlético, 61,5 / América, 7,7

Por Faixa Etária

  • 10/19 anos: Cruzeiro, 47,5 / Atlético, 50 / América, 0
  • 20/29: Cruzeiro, 52,8 / Atlético, 41,7 / América, 3,7
  • 30/39: Cruzeiro, 45,7 / Atlético, 47,8 / América, 3,3
  • 40/49: Cruzeiro, 38,9 / Atlético, 54,2 / América, 4,2
  • 50/59: Cruzeiro, 42,6 / Atlético, 46,3 / América, 10,6
  • 60/69: Cruzeiro, 43,8 / Atlético, 43,8 / América, 9,4
  • 70 ou +: Cruzeiro, 62,5 / Atlético, 32,5 / América, 0

Marcos Pinheiro, 36, carioca, engenheiro, economista, cruzeirense, mora em Belo Horizonte