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	<title>Páginas Heróicas Digitais (PHD) - Cruzeiro.Org &#187; Ílton Chaves</title>
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	<description>Blog Páginas Heróicas Digitais (PHD) conduzido por Jorge Santana sobre as coisas do Cruzeiro Esporte Clube e afins sobre futebol</description>
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		<title>Nelinho, o atacante que jogava na defesa</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Apr 2010 19:13:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Santana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Rio de Janeiro, 26jul50

Manoel Rezende Mattos Cabral cresceu jogando nas peladas da Boiada da Penha, entre os bairros Olaria e Penha, no Rio de Janeiro. Havia tantos campos no lugar que, às vezes, faltavam garotos para completar os times. Nesses dias, jogava-se em duplas com dois garotos de cada lado revezando-se nos chutes a gol. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<ul>
<li style="text-align: right;"><em><strong>Rio de Janeiro, 26jul50</strong></em></li>
</ul>
<p>Manoel Rezende Mattos Cabral cresceu jogando nas peladas da Boiada da Penha, entre os bairros Olaria e Penha, no Rio de Janeiro. Havia tantos campos no lugar que, às vezes, faltavam garotos para completar os times. Nesses dias, jogava-se em duplas com dois garotos de cada lado revezando-se nos chutes a gol. Foi assim que o futuro craque celeste descobriu e aperfeiçoou a capacidade inata para o chute. Caprichou na pontaria, aprendeu a colocar efeito na bola e fez desse fundamento sua principal virtude.</p>
<p><span id="more-2181"></span></p>
<p>Durante a carreira, Nelinho continuou se aprimorando. Os colegas iam embora, mas ele ficava na Toca da Raposa. Com a ajuda dos goleiros das divisões de base, continuava, literalmente, no batente. Às vezes, exagerava. Certa vez, o cozinheiro da Toca teve que levar o almoço do goleiro na beira do campo, porque Nelinho não parava de chutar. Mais tarde ele copnfessaria:</p>
<ul>
<li><em>&#8220;Tenho consciência de que apareci muito pelos gols que fazia, principalmente os de falta. Se fosse somente pela minha técnica e minhas qualidades como marcador e apoiador, talvez nunca chegasse à Seleção Brasileira.&#8221;</em></li>
</ul>
<p>Mas o que fazia Nelinho, antes de bombardear goleiros na Toca da Raposa? Era um andarilho do futebol. Começou nos juvenis do Bonsucesso, profissionalizou-se no Olaria, jogou no América carioca, Vitória de Setúbal, Anzoategui, da Venezuela, e Clube do Remo. Foi lá que, em 1972, Carmine Furletti o descobriu numa partida do Campeonato Nacional.</p>
<blockquote><p><strong>Remo 2&#215;2 Cruzeiro</strong>, domingo, 03dez72, Estádio Evandro de Almeida, Belém, 1ª fase do Campeonato Nacional de 1972 – Renda: Cr$86.482,00 &#8211; Juiz: Agomar Martins (RS) – Gols: Eduardo Amorim, 6, Caíto, 10, Roberto, 45 do 1º tempo; Zé Carlos, 36 do 2º &#8211; Remo: Dico, Nelinho, Mendes (Valdemar), Dutra e Cuca; Silva e Tito; Copeu, Caíto (Hertz), Roberto e Peri. Tec: Thym François / Cruzeiro: Raul Plassmann, Pedro Paulo, Morais (Darci Menezes) Fontana e Vanderley Lázaro; Wilson Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Eduardo Amorim, Roberto Batata e Rinaldo (Lima). Tec: Ílton Chaves.</p></blockquote>
<p>Em 1973, ele se apresentou na Toca e foi logo mostrando serviço. Estreou na segunda partida da temporada, tomando, definitivamente o lugar do titular Lauro e do reserva Pedro Paulo, que foi jogar no Náutico.</p>
<blockquote><p><strong>Cruzeiro 2&#215;0</strong> <strong>Valeriodoce</strong>, quarta-feira, 24jan73, Mineirão, Taça Minas Gerais – Público: 5.167 – Renda: Cr$26.195,00 – Juiz: Lourival Felix – Gols: Roberto Batata, 28 do 1º tempo e 19 do 2º &#8211; Cruzeiro: Hélio, Nelinho (Lauro), Morais, Miro e Vanderley Lázaro; Souza, Zé Carlos e Eduardo Amorim, Roberto Batata, Rinaldo (Baiano) e Lima. Tec: Ílton Chaves / Valeriodoce: Manga, Dodô, Paulo, Nelson Torres e Nelson Souza; Valter e Wilson Almeida (Adílson); Lucinho, Roberto, Maneca e Cláudio. Tec: Vicente Lage, o 109.</p></blockquote>
<p>Percebendo que o Cruzeiro tinha contratado um reserva bom de bola do Remo, os cartolas do Atlético mandaram buscar Aranha, o titular do clube azulino de Belém. Pra eles, era elementar: se o reserva era bom, o titular devia ser ainda melhor. Enganaram-se, como sempre. Aranha desapareceu, enquanto Nelinho conquistou quatro campeonatos mineiros e uma Libertadores vestindo a camisa do Cruzeiro em 410 partidas nas quais fez 105 gols. Será que algum outro jogador de defesa marcou tantos?</p>
<p>Um deles está na história do Mineirão. Foi contra o Boca Juniors, no jogo de volta da decisão da Libertadores de 1977. Faltavam 12 minutos para o fim, quando o juiz apitou falta na intermediária. Gatti mandou abrir a barreira e Nelinho chutou com tanto efeito que a bola fez duas ou três curvas antes de chegar às redes. O treinador Yustrich não se conteve. Invadiu o gramado para abraçar o lateral. Três dias depois, o Cruzeiro empataria por 0&#215;0, em Monetevidéu, com o time argentino e perderia o título nos pênaltis (4&#215;5). Mas a imagem do gol correu o mundo.</p>
<blockquote><p><strong>Cruzeiro 1&#215;0 Boca Juniors</strong>, domingo, 11set77, Mineirão, 2ª partida da final da Copa Libertadores 1977 - Público: 52.842 pagantes, 60.000 presentes - Renda: Cr$3.025.090,00 &#8211; Juiz: César Orosco (Peru) &#8211; Gol: Nelinho,  33 do 2º tempo &#8211; Cruzeiro: Raul Palssmann; Nelinho, Morais, Darci Menezes e Vanderley Lázaro; Zé Carlos, Eduardo Amorim e Eli Carlos (Lívio Damião); Eli Mendes, Neca e Joâozinho. Tec: Yustrich / Boca Juniors: Gatti; Pernía, Tezare, Mouzo e Tarantini; Ribol, Suñe e Zanabria; Mastrángelo, Veglio (Pavón) e  Felman (Ortiz). Tec: Juan Carlos Lorenzo.</p></blockquote>
<p>Nesse ano, ele foi um dos protagonistas da maior decisão da história do Campeoanto Mineiro. Após vencerem a primeira partida da melhor-de-três decisiva por 1&#215;0, os emplumados davam como certo omtítulo. Mas o Cruzeiro venceu as duas decisivas por 3&#215;2 e 3&#215;1 com aulas de futebol ministradas por Nelinho. Nas duas, ele fez cruzamentos milimétricos, que destroçaram a defesa emplumada e permitiram ao centroavante uruguaio, Revetria, inscrever seu nome na história do Cruzeiro.</p>
<blockquote><p><strong>Cruzeiro 3&#215;1 Atlético-MG</strong>, domingo, 09out77, 16h, Mineirão, 3ª partida da melhor-de-três da decisão do Campeonato Mineiro de 1977 – Público pagante: 122.534 – Renda: Cr$4.194.550,00 &#8211; Juiz: Márcio Campos Sales (SP) &#8211; Bandeiras: Raimundo Divino e Paulo Sanches (MG) &#8211; Gols: JRLima, 35, do 1º tempo; Revétria, 27, do 2º; Lívio Damião, 7, e Joãozinho, 14, do 2º tempo da prorrogação &#8211; Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Zezinho Figueroa, Darci Menezes e Vanderlei Lázaro; Flamarion, Valdo (Eli Carlos) e Erivelto; Eduardo Amorim, Hebert Carlos Revétria (Lívio Damião) e Joãozinho. Tec: lustrich. / Atlético-MG: Ortiz, Alves, Márcio Gugu, Vantuir Galdino e Dionísio; Toninho Cerezo, Danival (Heleno) e Paulo Isidoro (Marcinho); Marinho, JRLima e Marcelo</p></blockquote>
<p>Mas suportar o autoritarismo do treinador Yustrich era pra poucos. Entre os quais Nelinho não se incluía. Os dois se desentenderam e o lateral quis voltar ao futebol carioca. O Cruzeiro não permitiu. Nelinho ameaçou ficar parado até ganhar o passe e tomar o rumo que bem entendesse. Situação contornada, ele voltou ao elenco. Mas o time, em transição, já não lhe permitia brilhar tanto.</p>
<p>Ainda assim, ele foi convocado pelo Capitão Cláudio Coutinho para a Copa de 1978 e aproveitou a oportunidade pra entrar para história do maior torneio de futebol com um <strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=psJJEdZHpcU" target="_blank">golaço</a></strong>. Foi contra a Itália, na disputa pelo 3º lugar. Ele acertou um chute de curva, do bico da área, pelo lado direito e a bola entreou do aldo esquerdo de Zoff. Um gol pra qualquer lista dos mais bonitos de todos os tempos. Nelinho jogou 2 copas, vestiu 21 vezes e marcou 6 gols com a camisa da Seleção Brasileira.</p>
<blockquote><p><strong>Brasil 2&#215;1 Itália</strong>, sábado, 24jun78, 15h, Estádio Monumental de Nuñes, disputa doi 3º lugar da Copa dpo Mundo de 1978 &#8211; Público: 69.659 &#8211; Juiz: Abrahan  Klein (Israel) &#8211; Gols: Causio,38 do 1º tempo; Nelinho, 19, Dirceu, 27 do 2º - Brasil: Leão, Nelinho, Oscar, Amaral e Rodrigues Neto; Toninho Cerezo (Roberto Rivellino), Batista e Jorge Mendonça;   &#8220;Bufalo&#8221; Gil (Reinaldo), Roberto Dinamite e Dirceuzinho. Tec: Cláudio Coutinho / Itália: Dino Zoff, Antonio Cabrini, Antonello Cuccureddu, Claudio Gentile e Gaetano Scirea; Patrizio Sala, Aldo Maldera e Giancarlo Antognoni (Claudio Sala); Franco Causio, Paolo Rossi e Roberto Bettega. Tec: Enzo Bearzot.</p></blockquote>
<p>Durante a carreira, ele atuou nas duas alas, na ponta-direita e em todas as posições do meio de campo. No Cruzeiro, foi sempre lateral-direito. Era ídolo, mas brigou com o treinador Ìlton Chaves e foi para o Grêmio, pelo qual conquistou o Campeonato Gaúcho de 1980. Em matéria para o Estado de Minas (28set05) , Eugênio Moreira conta:</p>
<ul>
<li><em>“Em setembro daquele ano, os jogadores cruzeirenses reclamavam do tratamento que recebiam da comissão técnica. O treinador Ílton Chaves havia apontado maus profissionais no grupo: ‘Chupa-sangue, que prejudica o companheiro e o clube’. Em reunião na manhã do dia 9, o zagueiro Marquinhos pediu-lhe que citasse nomes e acabou por ouvir o seu. Ao contestar, foi expulso. Em solidariedade, Nelinho também abandonou a reunião. E, no treino da tarde, recusou-se a atender às ordens do comandante. O zagueiro foi suspenso por 10 dias e o lateral, por 5. ‘Não jogo mais com o Ílton’, anunciou o craque. No dia 25, o Estado de Minas anunciava, em manchete: ‘Grêmio terá Nelinho até o fim do ano’. Na negociação, o Cruzeiro comprou o passe do atacante Jésum e conseguiu o empréstimo do lateral-direito Mauro, ex-Guarani. &#8216;No Grêmio, vou ter o que hoje me falta no Cruzeiro e no futebol mineiro: motivação&#8217;. Só de falar que vou embora, já estou mais motivado, tranqüilo e confiante”, declarou o jogador, que tinha 30 anos. O lateral também ainda sonhava em voltar à Seleção Brasileira, pela qual disputara as Copas do Mundo de 1974 e 1978 e alguns amistosos, no início da era Telê Santana, em junho de 1980. ‘No Cruzeiro, na situação atual, dificilmente teria condições de voltar, ainda mais com o treinador que temos. No Sul, poderei jogar e recuperar a posição no time nacional.’&#8221;</em></li>
</ul>
<p>A passagem pelo Rio Grande do Sul não o colocou, de novo, na Seleção. E, pior, em sua volta ele encontrou um Cruzeiro em péssima fase. Seus gols escassearam. Não havia mais atacantes como Palhinha, Dirceu Lopes, Eduardo Amorim, Roberto Batata ou Joãozinho recebendo seguidas faltas que ele tranformava em gols.</p>
<p>Com o desmonte do grande time dos anos 70, faltas e gols escassearam. Suas 52 derradeiras partidas pelo Cruzeiro, entre 1981 e 1982, foram conturbadas. Numa delas, contra o Atlético-MG, em novembro de 1981, ele brigou com o ponteiro Eder Aleixo e correu atrás do desafeto que, apavorado atravessou o gramado e se escondeu nos vestiários até a turma do deixa-disso acalmar o furioso lateral cruzeirense. O descontrole emocional levou o Cruzeiro terminar a partida com 8 jogadores e uma derrota de 2&#215;0.</p>
<p>Daí em diante, o conflito com torcedores e dirigentes aumentou. Seus desafetos o acusavam de falta de entusiasmo. Diziam que suas subidas ao ataque requeriam uma cobertura especial inexistente pela falta de um bom centromédio. O clima ficou ruim. O rompimento aconteceu após a derrota por 1&#215;0 para o Anapolina em 20 de março de 1982. O clube foi eliminado da Copa Brasil (nome do Campeonato Brasileiro à época) e o treinador Hercules Brito Ruas (zagueiro campeão mundial em 1970) foi substituído por Yustrich com quem Nelinho já havia brigado em 1977.</p>
<p>Ele conta como terminou sua história no Cruzeiro:<em> </em></p>
<ul>
<li><em>&#8220;Yustrich já havia treinado o Cruzeiro e saiu falando mal de mim. Eu disse que não trabalharia mais com ele, mas o contrataram. Não fui eu que quis sair, eles é que não me quiseram mais. Eles queriam me vender e criaram um clima para eu sair. Fizeram o mesmo com o Tostão. Os dirigentes eram muito espertos e acabaram de bem com a torcida, dizendo que foram obrigados a me vender.&#8221;</em></li>
</ul>
<p>Trocado pelo volante Geraldo e pelo lateral-esquerdo Hilton Brunis, revelados pelo Atlético-MG, Nelinho desembarcou no outro lado da Lagoa da Pampulha. Separação consumada, cada um tocou sua vida. O Cruzeiro descobrindo novos talentos como Carlos Alberto e Balu, que também ganharam títulos na Toca da Raposa. E ele esticando sua vida útil no futebol por mais 5 anos até se eleger deputado estadual e  encerrar a carreira, que lhe valeu lugar nas seleções de todos os tempos dos rivais mineiros. No Cruzeiro, por títulos regionais, mas também por passagens pela Seleção em duas copas do mundo e um título continental. No rival citadino, apenas por modestas conquistas regionais.</p>
<p>Aposentado, Nelinho conta várias histórias de sua carreira, em programas de televisão. Jamais aos microfones da Rádio Itatiaia. Tudo por ter brigado com sua equipe de esportes em função de denúncias de jornalistas da emissopra. Segundo alguns deles, nas viagens, Seu Mané caia na gandaia. O lateral enfureceu-se, exigiu desculpas e avisou que contaria os podres de seus detratores. Nunca mais se falaram.</p>
<p>De outra vez, ele se preparava pra bater uma falta quando um colega mais entusiasmado implorou: <em>&#8220;Mané, deixa esta comigo, tô confiante demais!&#8221;</em> Nelinho cortou o papo: <em>&#8220;Cara, se você que nunca treina conbranças está confiante imagine eu que treino todo dia. Sai pra lá!&#8221;</em> E mandou bomba.</p>
<p>Em Poços de Caldas, antes de começar a partida, um jogador da Veterana avisou ao lateral:<em> &#8220;Sou seu fã. Vou fazer umas faltas ali na frente da área pra te ver cobrar. Mas vê se capricha, hem? &#8220;</em> E fez várias, que Nelinho bateu com maestria pra alegria do beque e sofrimento do goleiro.</p>
<p>Na final da Libertadores de 1976, no Estádio Nacional, em Santiago, o Cruzeiro teve uma falta a favor, próximo à grande área,  a cinco minutos do fim. Piazza quis rolar a bola pra Palhinha chutar. Nelinho pisou no pé do Capitão impedindo o desatino, pois tinha certeza de que estava diante da bola do jogo. Mas, enquanto os dois caciques discutiam, o moleque Joãozinho metou uma curva na bola, que cobriu a barreira e enganou Landaburu, goleiro do River. O desobediente ponta-esquerda deu ao lateral o maior título de sua carreira.</p>
<p>Em 2003, quando estava escrevendo o 1º volume do Páginas Heróicas, visitei Nelinho na academia de ginástica, dança e lutas, que ele fundou com sua mulher, a bailarina clássica Wania Bambirra, na Av. Uruguai, Sion, pra pedir uma entrevista. Ele não a negou, mas também nunca marcou uma data.  O livro saiu sem o perfil dele. Mas eu fui atrás de suas histórias, que seus colegas de futebol e jornalistas contam aos montes. Estas são algumas delas.</p>
<p>A entrevista, bem, continuo esperando. Um dia sai. E com ela outras revelações da carreira do atacante que jogava na defesa.</p>
<ul>
<li>Livro: Páginas Heróicas, vol II</li>
</ul>
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		<title>1975, a minha Libertadores</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Apr 2010 20:15:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Santana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Toninho Almeida
Quando penso nos desafios da Libertadores, volto ao passado. Principalmente, à Libertadores que vivenciei como atleta do Cruzeiro, a de 1975.
É uma experiência diferente para qualquer atleta. Ainda mais para um daqueles tempos heróicos.
Com o vice-campeonato brasileiro de 1974, o time conquistou uma vaga pra disputa da competição sul-americana de 1975.

Neste torneio, tudo é mais difícil. Todos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Toninho Almeida</strong></p>
<p>Quando penso nos desafios da Libertadores, volto ao passado. Principalmente, à Libertadores que vivenciei como atleta do Cruzeiro, a de 1975.</p>
<p>É uma experiência diferente para qualquer atleta. Ainda mais para um daqueles tempos heróicos.</p>
<p>Com o vice-campeonato brasileiro de 1974, o time conquistou uma vaga pra disputa da competição sul-americana de 1975.</p>
<p><span id="more-12804"></span></p>
<p>Neste torneio, tudo é mais difícil. Todos os times se reforçam pra disputá-la. Nossos adversários, sejam quais forem, se desdobraram dentro de campo.</p>
<p>Começamos bem o torneio de 75 superando o Vasco e os colombianos Deportivo Cali e Nacional de Medellín, na 1ª fase.</p>
<p>Na fase semifinal, que era disputada em dois grupos, de três equipes, o Cruzeiro pegou os argentinos Rosário Central e Independiente.</p>
<p>Em Belo Horizonte, vencemos ambos por 2&#215;0 e ficamos na liderança do grupo. Nos jogos de volta, contudo, o time participou de uma verdadeira guerra.</p>
<p>Na primeira partida, em Rosário, a equipe foi hostilizada desde o desembarque na cidade.</p>
<p>À noite, no hotel, torcedores do Central, fizeram barulho e soltaram foguetes pra nos intimidar.</p>
<p>No meio de toda a confusão, passei por uma situação inusitada. Recebi a visita de dois estudantes de Teófilo Otoni, Samir e Leopoldo, em nosso hotel.</p>
<p>Eles haviam sido presos políticos e, agora, estavam exilados em Rosário, como tantos outros brasileiros. Fiquei emocionado com o relato das dificuldades pelas quais passavam.</p>
<p>E eles me disseram que o Cruzeiro também teria dificuldades devido à agressividade dos rosarinos.</p>
<p>A partida foi tensa do início ao fim. Moedas e pedras foram atiradas nos jogadores cruzeirenses durante todo o jogo.</p>
<p>Perdemos por 3&#215;1 com o último gol dos argentinos marcado em impedimento no final da partida.</p>
<p>Quando o banco do Cruzeiro se levantou para protestar, a polícia jogou gás lacrimogêneo para nos dispersar.</p>
<p>As agressões não pararam por aí e a delegação teve de sair escoltada do estádio.</p>
<p>Contra o Independiente, podíamos perder por uma diferença de dois gols pra chegar à decisão do torneio, mas um gol olímpico no início da partida desestabilizou a equipe.</p>
<p>Nada deu certo para o Cruzeiro que acabou desclassificado com a derrota de 3&#215;0.</p>
<p>A eliminação custou o cargo do técnico Ílton Chaves, que vinha de quatro temporadas bem sucedidas à frente do elenco.</p>
<p><strong>Antônio Gonzaga de Almeida</strong>, Toninho Almeida, 59, meio-campista do Cruzeiro nos Anos 70, detentor do Belfort Duarte por nunca ter sido expulso em 288 partidas, nasceu em Teófilo Otoni-MG, mora em Belo Horizonte onde é o Coordenador de Divulgação do Campos de Luz, programa da Cemig.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Cruzeiro na Libertadores: 1976, a conquista (I)</title>
		<link>http://cruzeiro.org/blog/em-breve-aqui/</link>
		<comments>http://cruzeiro.org/blog/em-breve-aqui/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 01 Mar 2010 19:05:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Santana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mauro França e Jorge Santana
A Libertadores de 1976 começou para o Cruzeiro na vitória de 3&#215;2 sobre o Santa Cruz no jogo único pela semifinal do Campeonato Brasileiro, em 07dez75, no Recife.
O resultado, definido com um gol de Palhinha aos 46 do 2º tempo, garantiu não só a presença na final como também a terceira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Mauro França</strong> e <strong>Jorge Santana</strong></p>
<p>A Libertadores de 1976 começou para o Cruzeiro na vitória de 3&#215;2 sobre o Santa Cruz no jogo único pela semifinal do Campeonato Brasileiro, em 07dez75, no Recife.</p>
<p>O resultado, definido com um gol de Palhinha aos 46 do 2º tempo, garantiu não só a presença na final como também a terceira participação do clube no torneio sul-americano, a segunda consecutiva.</p>
<p>Na final, o Cruzeiro foi derrotado pelo Internacional por 1&#215;0, no Beira-Rio e, foi vice-campeão pelo 2º ano consecutivo.</p>
<p><span id="more-13508"></span></p>
<p>Seis meses antes, o clube havia sido eliminado nas semifinais da Libertadores, o que valeu a demissão de Ílton Chaves e a contratação do experiente Zezé Moreira.</p>
<p>Alfredo Moreira Júnior tinha 67 anos. Mais de 40 como jogador e treinador. Seu currículo, incluía a Copa do Mundo de 1954 à frente da Seleção Brasileira.</p>
<p>Ele era irmão de Aymoré Moreira, campeão mundial em 62, e de Airton Moreira, técnico da Academia Celeste nos anos 60, que foi se tornou seu auxiliar técnico na passagem pela Toca da Raposa.</p>
<p>Zezé era experiente, rígido, profundo conhecedor do futebol e tinha fama de matreiro.</p>
<p>Ele estreou em 24ago75, na abertura do Brasileiro de 1975, com um 0&#215;0 contra o Comercial, em Campo Grande.</p>
<p>Mesmo sem contar com Dirceu Lopes, que, contundido, ficaria mais de um ano afastado dos gramados, Zezé rearmou um time abalado pela eliminação na Libertadores  e levou-o à final do Brasileiro, com uma bela arrancada na reta final, quando tudo parecia perdido.</p>
<p>Na Copa América de 1975, a Seleção Brasileira foi representada por um combinado de jogadores mineiros, o que acarretou o atraso do calendário da FMF.</p>
<p>Assim, tanto a decisão da Taça Minas Gerais quanto o quadrangular final do Mineiro de 1975 foram adiados para o início de 1976.</p>
<p>Dessa forma, pouco mais de um mês depois da final do Brasileiro, o Cruzeiro voltou a campo, em 18jan76, pra disputar a 1º partida da decisão da Taça Minas Gerais, contra o Atlético-MG, que venceu por 2&#215;1.</p>
<p>Uma semana depois, o rival citadino repetiu o placar e ficou com o título, que valia um ponto extra no quadrangular final.</p>
<p>A essa altura, Jair Ventura Filho, o Jairzinho, 33 anos no cartório, 31 autodeclarados, três Copas do Mundo na bagagem, já treinava na Toca.</p>
<p>Ele atravessava um momento de baixa na carreira. Vinha de uma atuação apagada na Copa de 74, que lhe rendeu uma saraivada de críticas, e uma passagem conturbada pelo Olympique de Marselha, clube para o qual se transferira após a Copa.</p>
<p>Pra culminar, em meados de 75, o Furacão da Copa recebera uma suspensão de um ano por agressão a um bandeira no campeonato francês, e voltara ao Brasil, desacreditado.</p>
<p>Mas ele se encaixava no perfil de atacante que Zezé procurava pra suprir a ausência de Dirceu Lopes. Era, ao lado de Vaguinho, ponta do Corinthians,um dos eleitos elo treinador.</p>
<p>Como o clube paulista não quis negociar seu atacante, Zezé tratou de, pessoalmente, convidar Jair, nos primeiros dias de 76. E o Cruzeiro investiu US$5,000.00 pra liberar em definitivo o passe do atacante campeão do mundo em 1970.</p>
<p>Jairzinho chegou à Toca sob desconfiança geral. Para muitos, era um irresponsável e em fim de carreira.</p>
<p>Dizia-se que estaria mais interessado em conhecer as boates de BH do que em jogar futebol. Mas já nos exames médicos e nos primeiros treinos ele surpreendeu a todos pela boa forma física, mesmo depois de tanto tempo inativo.</p>
<p>Sem se importar com as críticas, Zezé Moreira defendeu a contratação:</p>
<ul>
<li><em>“É o atacante que procurávamos, para ficar na frente, jogar para o gol, com características que completarão o nosso ataque. Jair sabe tocar a bola, é experiente e do tipo rompedor. Jogador que voltasse para armar não nos serviria. Não o contratamos por acaso. Tem categoria e conhece o assunto. Ele veio para entrar no time e não vai ficar caro ao clube.”</em> (Placar, Ed. 304, 06fev76).</li>
</ul>
<p>Jairzinho estreou em 01fev76, no Cruzeiro 4&#215;1 Caldense, que abriu o torneio decisivo do Mineiro de 1975.</p>
<p>O Cruzeiro passou por cima de todos os adversários no quadrangular. Bateu a Caldense mais uma vez, por 3&#215;1, partida em que Jair marcou seu 1º gol com a azul-estrelada, derrotou o América duas vezes por 2&#215;1, e o Atlético, com um duplo 1&#215;0, conquistando o tetra campeonato mineiro.</p>
<p>Jairzinho foi o principal, mas não o único reforço contratado  para a Libertadores.</p>
<p>Valdo e Isidoro chegaram durante o Brasileiro de 1975 e seriam as principais opções de banco de Zezé Moreira. Vieram ainda Ozires, zagueiro de 24 anos, ídolo no Fortaleza, e o experiente Ronaldo Drummond, 29 anos, mineiro de Belo Horizonte, atacante tricampeão brasileiro em 71/72/73, que estava no Palmeiras.</p>
<p>O Cruzeiro estava pronto e embalado pra começar a sua trajetória na Libertadores.</p>
<p>FASE DE GRUPOS</p>
<p>Os brasileiros ficaram no Grupo 3 com os paraguaios Olímpia e Sportivo Luqueño. Apenas o 1º colocado avançava para as semifinais.</p>
<p>Esperava-se que Cruzeiro e Inter fizessem um grande jogo, como havia sido a final do Brasileiro, disputada 84 dias antes. Eram duas grandes equipes, com muitos craques e bem armadas por técnicos brilhantes.</p>
<p>De um lado, Raul, Nelinho, Zé Carlos, Jairzinho, Palhinha, Joãozinho e Zezé Moreira. Do outro, Manga, Figueroa, Falcão, Valdomiro, Lula e Rubens Minelli. E sem contar com Piazza e Paulo Cesar Carpegiani, que, contundidos, ficaram de fora.</p>
<p>Mas o que se viu naquele domingo, 07mar76, superou a expectativa do torcedor mais otimista.</p>
<p>Os 65 mil torcedores presentes foram brindados com um dos maiores jogos da história do Mineirão. Um jogo altamente ofensivo, cheio de alternâncias, reviravoltas e emoções.</p>
<p>Lances capitais do jogo que virou lenda:</p>
<ul>
<li>01 – Darci Menezes falha, Escurinho chuta, Raul Plassmann defende.</li>
<li>03 &#8211; Joãozinho cruza, Palhinha se antecipa a Figueroa e toca por baixo de Manga. <strong>Cruzeiro, 1&#215;0</strong>.</li>
<li>10 &#8211; Nelinho lança da defesa, Figueroa mata no peito, a bola escapa, Palhinha vem por trás e toca para o gol. <strong>Cruzeiro, 2&#215;0</strong>.</li>
<li>14 &#8211; Lula recebe de Caçapava na intermediária e dispara um petardo indefensável. <strong>Inter, 2&#215;1</strong>.</li>
<li>21 &#8211; Joãozinho intercepta passe de Figueroa para Cláudio, avança até a entrada da pequena área, aplica um drible desconcertante em Figueroa e fuzila Manga. <strong>Cruzeiro, 3&#215;1</strong>.</li>
<li>25 – Jairzinho perde boa chance de gol.</li>
<li>32 &#8211; Figueroa chuta uma bola no travessão.</li>
<li>39 &#8211; Lula recebe, vai ao fundo, aplica uma caneta em Morais e cruza para Valdomiro ajeitar e bater rasteiro sem chance para Raul. <strong>Inter, 3&#215;2</strong>.</li>
<li>06 &#8211; Falcão lança Valdomiro, que cruza, Zé Carlos tenta cortar e manda contra o próprio gol. <strong>Inter, 3&#215;3</strong>.</li>
<li>12 &#8211; Palhinha acerta cotovelada em Figueroa e é expulso.</li>
<li>18 &#8211; Joãozinho e Jairzinho pressionam Caçapava, Jairzinho fica com a bola, avança e na entrada da área rola para Joãozinho, que de pé direito joga no ângulo oposto de Manga. <strong>Cruzeiro, 4&#215;3</strong>.</li>
<li>23 &#8211; Raul defende cabeçada a queima-roupa de Escurinho.</li>
<li>25 &#8211; Vacaria cruza da esquerda, Escurinho desvia de cabeça para o meio da área e Ramon completa para o gol, também de cabeça.<strong> Inter, 4&#215;4</strong>.</li>
<li>35 &#8211; Eduardo dribla dois e solta uma bomba, Manga defende para escanteio.</li>
<li>40 &#8211; Joãozinho avança, dribla Valdir e é derrubado. Pênalti que Nelinho cobra com violência, deslocando Manga. <strong>Cruzeiro, 5&#215;4</strong>.</li>
<li>45 &#8211; Joãozinho dribla dois, chuta por cobertura e Manga desvia para escanteio.</li>
</ul>
<p>Entre tantos craques, Joãozinho foi o grande nome do jogo, o ponto de desequilíbrio.  Fez dois gols, deu o passe para outro e sofreu o pênalti que resultou no 5º gol. Não bastasse isso tudo, ele destruiu a defesa colorada com um repertório incrível de dribles.</p>
<p>Tido, pelos cornetas da época, como boêmio, <em>O Bailarino</em> treinou sozinho na Toca da Raposa durante o carnaval, que caiu em 29 de fevereiro, 1º e 2 de março. Tinha posto na cabeça que aquela seria a “sua Libertadores”. E foi, como se viu.</p>
<blockquote><p><em><strong>Cruzeiro 5&#215;4 Internacional</strong>, domingo, 07mar76, 1ª rodada da 1ª fase da Libertadores 1976 – Público: 65.463 pagantes – Renda: Cr$793.407,00 – Juiz: Luiz Pestarino (Argentina) – Vermelho: Palhinha, 12 do 2º tempo – Gols: Palhinha, 3 e 10, Lula, 14, Joãozinho, 21, Valdomiro, 39 do 1º tempo; Zé Carlos, contra, 6, Joãozinho, 18, Ramon, 25, e Nelinho, 40 do 2º – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Darci Menezes e Vanderlei Lázaro; Zé Carlos e Eduardo Amorim; Roberto Batata (Isidoro), Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Internacional: Manga, Cláudio Duarte (Valdir), Elias Figueroa, Hermínio e Vacaria; Cláudio Caçapava e Paulo Roberto Falcão; Valdomiro, Escurinho, Flávio Minuano (Ramon) e Lula. </em></p></blockquote>
<p>Depois do jogo, cartolas do Inter, encenando irritação, denunciaram que o Cruzeiro havia comprado o Juiz. Tudo porque, ao pagar o trio de arbitragem, obrigação do clube mandante, Carmine Furletti dispensou o troco, coisa de US$50.00.</p>
<p>Nada de novo no mundo da bola. Os colorados só estavam preparando o clima hostil com que pretendiam intimidar o Cruzeiro no Beira Rio. Mas o tiro saiu pela culatra.</p>
<p>Depois do jogo, <strong>Zé Carlos Bernardo</strong> foi claro:</p>
<ul>
<li><em>&#8220;Nunca tinha jogado uma partida como esta. Foi emoção demais.&#8221;</em></li>
</ul>
<p>Em depoimento à Revista do Cruzeiro, duas décadas depois, <strong>Osvaldo Faria,</strong> comentarista da Rádio Itatiaia, disse:</p>
<ul>
<li><em>“Foi dramático. Era lá e cá. Uma loucura como nunca vi igual no Mineirão.”</em></li>
</ul>
<p>Em sua coluna de televisão em O Globo, <strong>Arthur da Távola</strong>, comentaria, três dias depois do jogo:</p>
<ul>
<li><em>“A plenitude daqueles 90 minutos pôde ser vivida no momento em que ocorreu, pois o desfecho não era sabido até o fim da partida. Mesmo assim, apelo daqui à TV Tupi, programe aquele jogo como atração especial um dia desses. É obra de arte. Raras vezes o futebol brasileiro viveu instantes tão maravilhosos. Cruzeiro 5, Internacional 4, teve a eternidade das grandes batalhas. Daquelas que entram na história pela soma das virtudes tornadas encantamento.”</em></li>
</ul>
<p><strong>Links</strong>:</p>
<ul>
<li><strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=3uW9aySZL8w" target="_blank">Gols do jogo</a></strong>, na transmissão da TV Cultura/SP:</li>
<li><strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Y9ss3pJU5t4&amp;feature=related " target="_blank">Jogos Para Sempre</a></strong>, produção do Sportv, com participação de Nelinho, Lô Borges e Cláudio, dividido em 6 partes. (link da 1ª parte; para as demais pesquisar ‘Jogos Para Sempre – Cruzeiro 5&#215;4’).</li>
<li><strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=vRq4cMEgJS0&amp;feature=related" target="_blank">Vídeo da RBS</a></strong>, emissora gaúcha, com comentários de Cláudio Duarte e Vacaria, que atuaram na partida e do jornalista Ruy Carlos Ostermann, entremeados por fotos do jogo. Tem erros factuais, mas vale a pena por mostrar a visão do adversário.</li>
</ul>
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		<title>Cruzeiro na Libertadores: 1975, a guerra (III)</title>
		<link>http://cruzeiro.org/blog/cruzeiro-na-libertadores-1975-a-guerra-iii/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 21:10:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Santana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mauro França e Jorge Santana
[Clique para ler as partes UM e DOIS]
Depois da sofrida classificação para a fase semifinal, o Cruzeiro disputou sete partidas pela 1ª fase do Campeonato Mineiro, entre 20abr75 e 14mai75, antes de voltar suas atenções para o torneio sul-americano.
Os adversários na semifinal seriam os argentinos Rosário Central e Independiente, dois grandes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Mauro França</strong> e <strong>Jorge Santana</strong></p>
<p style="text-align: center;">[Clique para ler as partes <a href="http://cruzeiro.org/blog/cruzeiro-na-libertadores-1975-a-guerra-i/" target="_blank"><strong>UM</strong> </a>e <strong><a href="http://cruzeiro.org/blog/cruzeiro-na-libertadores-1975-a-guerra-ii/" target="_blank">DOIS</a></strong>]</p>
<p>Depois da sofrida classificação para a fase semifinal, o Cruzeiro disputou sete partidas pela 1ª fase do Campeonato Mineiro, entre 20abr75 e 14mai75, antes de voltar suas atenções para o torneio sul-americano.</p>
<p>Os adversários na semifinal seriam os argentinos Rosário Central e Independiente, dois grandes times, especialmente o segundo, à época tricampeão da Libertadores.</p>
<p>O Independiente entrou diretamente na fase semifinal como campeão de 1974 (quando derrotou o São Paulo na final). O Rosário classificou-se como 1º colocado do Grupo 1, depois de uma disputa acirrada com o Olímpia do Paraguai e o rival Newell’s Old Boys, com o qual terminou empatado em pontos, vencendo pelo maior saldo de gols.</p>
<p>O clássico argentino abriu o Grupo B. Em 06mai75, jogando em casa, o Rosário derrotou o Independiente por 2&#215;0. Na quarta-feira, 21mai75, Cruzeiro e Rosário se enfrentaram no Mineirão, que recebeu um público de 42.500 torcedores.</p>
<p><span id="more-12802"></span></p>
<p>O Cruzeiro começou arrasador e abriu o placar logo aos 3 minutos. Dirceu Lopes, caindo pela ponta direita, avançou até a área e cruzou para Palhinha, que se antecipou ao zagueiro e completou para o gol.</p>
<p>A pressão durou até os 15 minutos, mas o time não conseguiu ampliar o marcador, seja por erros no último passe ou excesso de preciosismo. Depois o jogo ficou equilibrado. Mesmo com um maior volume de jogo, o Cruzeiro criou poucas chances de gol.</p>
<p>O Rosário chegou com perigo, aos 3 do 2º tempo, em uma cobrança de escanteio de Kempes. Aos 9, Mário Killer chutou de longa distância e Raul espalmou pela linha de fundo.</p>
<p>O Cruzeiro teve grande oportunidade aos 22 com Roberto Batata, que recebeu cruzamento de Joãozinho dominou no peito e bateu de voleio. A bola saiu rente à baliza.</p>
<p>Aos 24, o Cruzeiro finalmente conseguiu marcar o 2º gol. E foi um golaço. Piazza fez um lançamento longo para Palhinha, que na corrida deixou Pascuttini caído, driblou Daniel Killer e o goleiro Biasutto e tocou para o gol vazio à sua frente.</p>
<p>O Rosário teve grande chance para diminuir aos 30, quando Kempes se jogou na área e o juiz marcou pênalti. Pascuttini cobrou e Raul defendeu, mantendo a vantagem de dois gols.</p>
<blockquote><p><strong>Cruzeiro 2×0 Rosário Central</strong>, quarta-feira, 21mai75, Mineirão, semifinal da Libertadores 1975 – Público: 42.500 – Renda: Cr$523.222,00 – Juiz: Jose Martinez Bazán (Uruguai) – Gols: Palhinha, 3 do 1º tempo e 24 do 2º.  – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Darci Menezes (Souza) e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza, Eduardo Amorim e Dirceu Lopes; Roberto Batata, Palhinha e Joãozinho (Eli Mendes). Tec: Ílton Chaves / Rosário Central: Carlos Biassuto, Gonzalez, Daniel Killer, Jose Pascuttini e Mario Killer; Carlos Aimar, Eduardo Solari, Ramon Boveda (Cerminato), Roberto Cabral, Zavagno e Mario Kempes. Tec: Carlos Griguol -  <strong>Notas</strong> &#8211; 1. Os irmãos Killer, Boveda e Kempes jogaram pela Seleção Argentina na Copa América de 75. Na Copa de 78, Daniel Killer foi reserva e Kempes, o grande astro. 2. Com essa base, o Rosário conquistou o campeonato Nacional em 73 e foi vice do Nacional e do Metropolitano em 74. Chegou à Libertadores ao bater o San Lorenzo e o rival Newell’s old Boys, campeões de 74, num torneio seletivo que indicou os representantes argentinos na edição de 75.</p></blockquote>
<p>Apenas 48 horas depois, na sexta-feira, 23mai75, o Cruzeiro voltou a campo para enfrentar o Independiente, então o tricampeão do torneio, com vários jogadores de Seleção no time. Mais de 46.000 torcedores foram ao Mineirão.</p>
<p>Os argentinos ameaçaram logo aos 3 minutos, quando Bochini lançou Rojas, que chutou pra fora. Aos 7, Joãozinho lançou Vanderlei, que chutou pra defesa de Perez.</p>
<p>Aos poucos, o meio de campo celeste foi se impondo e as chances de gol aparecendo. Aos 16, Perez fez grande defesa em chute de Roberto Batata. Um minuto depois, Dirceu Lopes arrancou em velocidade e só foi parado com falta no bico da grande área, pela direita. Nelinho soltou a bomba e acertou o ângulo de Perez, fazendo 1&#215;0.</p>
<p>Nelinho ainda acertou o travessão em outra cobrança de falta, aos 29. O ataque do Independiente praticamente não ameaçou, graças a grande atuação do sistema defensivo celeste.</p>
<p>O Cruzeiro manteve o ritmo no 2º tempo. Joãozinho desequilibrava no ataque e a defesa anulava bem as tentativas do adversário.</p>
<p>Aos 24, Joãozinho bateu escanteio curto pra Eduardo, recebeu de volta e cruzou. Roberto Batata dominou, passou por Pavoni e bateu para o gol, sem chance defesa para Perez. O Cruzeiro ainda criou chances para ampliar, mas o 2&#215;0 se manteve até o final.</p>
<blockquote><p><strong>Cruzeiro 2×0 Independiente</strong>, sexta-feira, 23mai75, Mineirão, semifinal da Libertadores 1975 – Público: 46.136 – Renda: Cr$557.098,00 – Juiz: Edson Perez (Peru) – Gols: Nelinho, 17 do 1º tempo; Roberto Batata, 24 do 2º.  – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Darci Menezes (Souza) e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza, Eduardo Amorim e Dirceu Lopes; Roberto Batata, Palhinha e Joãozinho (Eli Mendes). Tec: Ílton Chaves / Independiente: Perico Perez, Comisso, Manuel Sá, Semenewicz, Ricardo Pavoni; Aldo Rodriguez, Ruben Galván; Percy Rojas (Ruiz Moreno), Balbuena, Ricardo Bochini e Daniel Bertoni. Tec: Pedro Dellacha. – <strong>Notas</strong> &#8211; <strong>1</strong>: Bochini era o grande ídolo dos rojos, mas teve poucas chances na Seleção, em função da concorrência. Já veterano, participou, como reserva, da vitoriosa campanha da Argentina na Copa de 86. <strong>2</strong>: Pavoni disputou a Copa América de 75. Bertoni e Galván foram campeões mundiais em 78, sendo que o primeiro jogou também na Copa de 82. <strong>3</strong>: O Independiente disputou três finais do Mundial Interclubes. Ganhou em 73, batendo o Juventus da Itália (o Ajax desistiu de jogar). E perdeu em 72, para o Ajax, e em 74 para o Atlético Madrid (o Bayern Munich desistiu). Em 75, Bayern e Independiente não entraram em acordo quanto as datas e a final não foi disputada.</p></blockquote>
<p>Como em 1967, o Cruzeiro abriu boa vantagem sobre os adversário e viajou pra Argentina precisando apenas de um empate pra se classificar à final.</p>
<p>Podia até mesmo perder as duas partidas por dois gols de diferença, desde que fizesse pelo menos um gol. Isto porque, no jogo da volta entre os argentinos, em 30mai75, o Independiente batera o Rosário, em Avellaneda, por 2&#215;0.</p>
<p>O Cruzeiro tinha 4 pontos e 4 gols de saldo, com mais 2 jogos para fazer. Os argentinos tinham, cada um, 2 pontos e saldo de 0, com apenas mais um jogo por fazer.</p>
<p>Antes das partidas na Argentina, o Cruzeiro enfrentou o Esab na final da 1ª fase do Campeonato Mineiro, em três partidas disputadas em 25/28/30mai75. O primeiro jogo terminou 2&#215;1.</p>
<p>Nos dois seguintes, o campeão mineiro fez 6&#215;2 e 1&#215;0, conquistou o título e um ponto extra para o quadrangular final, que seria disputado no início de 76. No último jogo, quatro dias antes de encarar o Rosário, Ílton Chaves escalou um time reserva.</p>
<p>Jogar na Argentina não era fácil. O clima era de guerra, com a torcida atirando tudo que fosse possível no gramado. Em campo, o repertório de catimbas incluía cusparadas, tapas, puxões e agressões variadas. Coagidos pelo clima hostil, os juízes fingiam não ver.</p>
<p>Mas é preciso reconhecer: acima de tudo, Rosário e Independiente tinham grandes times.</p>
<p>O jogo em Rosário foi disputado na terça-feira, 03jun75, sob um frio de 5º graus e com o campo enlameado. O Cruzeiro dominou o 1º tempo, mas não abriu o placar. O que aconteceria aos 4 do 2º, com um gol de Dirceu Lopes.</p>
<p>Mas o Rosário empatou aos 7, com Kempes cobrando pênalti inexistente, segundo a imprensa brasileira. O empate inflamou o time local, que não deu tréguas ao sistema defensivo do Cruzeiro. Aos 18, Cabral desempatou e, aos 33, Kempes fechou a conta. Nos minutos finais, o Cruzeiro reagiu e criou situações de perigo, mas não conseguiu diminuir o marcador.</p>
<p>Toninho Almeida, reserva do meio de campo, naquela Libertadores, conta como foi o jogo em Rosário:</p>
<ul>
<li><em>&#8220;Em Rosário, nosso time foi hostilizado desde o desembarcou na cidade. À noite, os torcedores do Central, faziam barulho e soltavam foguetes com a intenção de nos intimidar.  A partida foi tensa do início ao fim. Moedas e pedras foram atiradas nos jogadores cruzeirenses durante todo o jogo.  Perdemos por 3&#215;1 com o último gol dos argentinos marcado em impedimento no final da partida. Quando o banco do do Cruzeiro protestou, a polícia jogou gás lacrimogêneo pra nos dispersar.  Depois da partida, nossa delegação teve de sair escoltada do estádio.&#8221;</em></li>
</ul>
<blockquote><p><strong>Cruzeiro 1×3 Rosário Central</strong>, terça-feira, 03jun75, em Rosário, Argentina, semifinal da Libertadores 1975 – Público: 22.226 – Renda:  876. 696 pesos – Juiz: César Orozco (Peru) – Gols: Dirceu Lopes, 4, Kempes, de pênalti, 7, Cabral, 18, Kempes, 33 2º tempo – Cruzeiro: Rau Plassmann, Nelinho, Morais, Darci Menezes e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza, Eduardo Amorim e Dirceu Lopes; Roberto Batata (Eli Mendes), Palhinha (Cândido e Joãozinho. Tec: Ílton Chaves / Rosário Central: Carlos Biassuto, Gonzalez, Daniel Killer, Jose Pascuttini e Mario Killer; Carlos Aimar, Eduardo Solari, Ramon Boveda, Roberto Cabral (Hugo Carril), Zavagno e Mario Kempes. Tec: Carlos Griguol.</p></blockquote>
<p>Apesar da derrota, o Cruzeiro viajou a Buenos Aires com alguma folga. Se perdesse por 2 gols de diferença, disputaria a final.</p>
<p>Na sexta-feira, 06jun75, o time mineiro começou melhor na Doble Visera, Avellaneda. Aos 5, Nelinho acertou o travessão cobrando falta. Aos 12, Dirceu Lopes fez jogada individual e serviu Palhinha que, na cara do gol, chutou pra fora.</p>
<p>Depois dos sustos, o Independiente passou a dominar a partida e abriu o marcador aos 35, com Pavoni cobrando pênalti, corretamente marcado.</p>
<p>No 2º tempo, o Independiente aumentou o ritmo e partiu em busca dos gols que lhe faltavam. Explorando principalmente as jogadas pelas pontas, os rojos criaram e perderam pelo menos três chances claras para marcar entre os 12 e 16 minutos.</p>
<p>A pressão deu resultado, Aos 20, Bertoni fez um gol olímpico e o Independiente tomou conta da partida impedindo o Cruzeiro de atacar. Finalmente, aos 31, Ruiz Moreno marcou o 3º. O Cruzeiro não teve forças para reagir e a classificação pra final escapou, inacreditavelmente.</p>
<p>Na volta, o torcedor Antônio Carlos Rossi, perguntou ao goleiro Raul: <em>&#8220;A gente podia perder até de dois, será que não dava pra segurar o placar?&#8221; </em>Realista e debochado, o goleiro resumiu o desastre:</p>
<ul>
<li><em>&#8220; Sorte nossa, eles precisarem só de 3, se precisassem de 5, teriam feito também.&#8221;</em></li>
</ul>
<blockquote><p><strong>Cruzeiro 0×3 Independiente</strong>, sexta-feira, 06jun75, Avellaneda, Argentina, semifinal da Libertadores 1975 – Público: 40.000 – Juiz: Carlos Robles (Chile) – Gols: Pavoni, de pênalti, 35, Bertoni, 20 e Ruiz Moreno, 31 do 2º – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Darci Menezes e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza, Eduardo Amorim e Dirceu Lopes; Roberto Batata (Eli Mendes), Palhinha e Joãozinho (Cândido). Tec: Ílton Chaves / Independiente: Perico Perez, Comisso, Manuel Sá, Semenewicz, Ricardo Pavoni; Ruben Galvan e Percy Rojas; Balbuena, Ricardo Bochini, Daniel Bertoni e Ruiz Moreno (Giribert). Tec: Pedro Dellacha.</p></blockquote>
<p>Como sempre, as explicações proliferaram. O enviado de Placar aos jogos, Divino Fonseca, da sucursal de Porto Alegre, culpou o esquema excessivamente defensivo montado por Ílton Chaves, que teria abdicado do ataque.</p>
<p>Outros culparam as falhas da defesa, os erros dos juízes e insinuaram doping dos argentinos. Muitos lembraram os insucessos anteriores para sustentar que o time amarelava nas decisões.</p>
<p>Em entrevista à Placar, Wilson Piazza declarou:</p>
<ul>
<li><em>“Fiquei convencido de não estamos preparados para enfrentar o futebol de competição que os argentinos mostraram”.</em></li>
</ul>
<p>Na mesma linha, Raul disse:</p>
<ul>
<li><em>“Eles são muito mais manhosos e experientes do que nós nesse negócio de Libertadores”.</em></li>
</ul>
<p>Seja como for, como já tinha acontecido em 67, o Cruzeiro enfrentou dois grandes times e perdeu apenas no saldo de gols.</p>
<p>Foi competente ao ganhar os jogos em casa, como os adversários também foram. Cometeu erros, deixou escapar uma boa vantagem, mas é difícil falar em vexame.</p>
<p>A experiência adquirida naquele ano seria de fundamental importância na próxima campanha, em 76.</p>
<p>A conseqüência imediata da desclassificação foi a demissão do técnico Ílton Chaves, que estava no comando do time há três anos.</p>
<p>Para seu lugar foi contratado Zezé Moreira, 65 anos, técnico de grande experiência. Zezé recuperou o time e o levou ao vice-campeonato no Brasileiro de 75, obtendo mais uma classificação para a Libertadores.</p>
<p style="text-align: center;">NÚMEROS</p>
<p><strong>Campanha</strong>: 10 jogos, 5 vitórias, 1 empate e 4 derrotas. 15 gols a favor, 15 contra.</p>
<p><strong>Artilheiros</strong>: Palhinha (7), Nelinho (3), Roberta Batata e Dirceu Lopes (2) e Vanderlei (1).</p>
<p><strong>Jogadores</strong> (número de jogos): Raul (10), Nelinho (10), Morais (6), Darci Menezes (10), Vandrlei (9), Piazza (8), Eduardo (10), Roberto Batata (8), Palhinha (10), Dirceu Lopes (10), Joãozinho (8), Souza (6), Aender (1), Eli Mendes (4), Cândido (6), Zé Carlos (4), Baiano (2), Moacir (2).</p>
<p><strong>Técnico</strong>: Ílton Chaves.</p>
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