Meu primeiro RapoCota

Por Jorge Angrisano Santana | Em 8 de novembro de 2008

Walterson Almeida

Morando em Montes Claros, nunca tive oportunidade de assistir a qualquer jogo no Mineirão. Quis o destino que eu fosse pela primeira vez ao Gigante da Pampulha depois de 46 anos de vida (completados 3 dias antes) e de 21 anos morando em outro estado. Pelo menos, já estreei no maior clássico de Minas.

O cartão de visitas de Beagá não foi legal. A cidade está muito mal sinalizada. Sempre que estive aí de carro, peguei a Amazonas (continuação da Fernão Dias) e dirigi até o Centro, sem muitos problemas.

Desta vez, precisei ir de Betim até o Centro, sem placas indicativas e, pra piorar, com chuva. Do Centro até o Bairro União, próximo  ao Minas Shopping, foi outro parto. Asinalização só ajuda quem já conhece a cidade. Pra quem é de fora, nenhuma dica útil. Só cheguei ao destino porque fiquei com o celular ligado o tempo todo recebendo as dicas.

A preparação para o “Jogão” começou no almoço, quando meus dois mascotes do Cruzeiro organizaram um bolão e ninguém levou em conta a zebra do Maraca. Todos apontaram vitória do time azul. Alguns com placares bem dilatados. Convém esclarecer, porém, que eram todos cruzeirenses.

Saímos atrasados e pegamos engarrafamento na chegada ao estádio. Como as duas crianças entrariam no campo, descemos do carro e completamos o percurso a pé. Pra piorar, a asma de uma das crianças me obrigou a carregá-la nas costas ladeira acima.

Próximo ao Portão 3, vi uma senhora descendo de um carro, vestida a caráter, carregando uma raposinha  de  pelúcia. Eu a abordei pra contar que a tinha visto concedendo entrevista no  Morumbi,  naqueles  fatídicos 2×0 pros bambis.

Falamos daquela partida, do frio do Morumbi e de nossas expectativas sobre o clássico. Dias depois, lendo uma entrevista dela, aqui no PHD, foi que me dei conta de que aquela senhora, azul da cabeça aos pés, era a lendária Salomé.

Apesar da zebra do Maracanã e do comando técnico do “burro com sorte”, Adilson Batista, o torcedor celeste transbordava seu otimismo fora do estádio.

Lá dentro, me surpreendi com as más acomodações. Todo mundo em pé nas cadeiras, mesmo nas Especiais. Assisti ao jogo inteiro inteiro de pé, situação ruim pras crianças.

Também me surpreendi com o tamanho do setor de cadeiras especiais, onde esperava ver o Jorge Santana e o Evandrão, facilmente identificáveis na multidão. Mas não os vi.

A festa da torcida foi fantástica. Longe, infelizmente, do balé das bandeiras no Maracanã. Não consegui ver o frango bombado entrar em campo, mas gostei da entrada, em grande estilo, do Raposão.

Fiquei impressionado com o barulho das torcidas. É bem maior do que o dos jogos que assisto em São Paulo. As vaias da torcida cruzeirense, sempre que os zebrados tocavam na bola, eram ensurdecedoras.

Tive vontade de experimentar o tropeiro, confesso. Mas como vinha de um bom almoço e o JS já havia alertado sobre o repasto gorduroso (palavras dele), deixei a aventura pra outra ocasião.

Pra completar, o Cruzeirão passeou em campo. Poderia ter repetido os 5×0 do Mineiro, presente de aniversário que eu gostaria muito de ganhar. Mas ficou de bom tamanho. Pra elas e também pra mim, que faturei o bolão das crianças.

Só uma das minhas expectativas não se confirmou. Pela TV, sempre tive a impressão de que o Mineirão tremia a cada gol. Dessa vez, ele permaneceu rijo. Ou será que eu é que estava no mesmo ritmo e não percebi o balanço do concreto?

Walterson Almeida, 46, cruzeirense, engenheiro, nasceu em Montes Claros-MG, mora em São José dos Campos-SP.

27 comentários para “Meu primeiro RapoCota”

  1. Mauro França disse:

    Ainda bem quer vc resistiu ao tropeiro.

  2. Walterson disse:

    Faltou aí que estava preparado pra dar uma voadora no primeiro vaiador que, dizem, abundam nas Especiais. Felizmente, ninguem vaiou, apenas um que gritou várias vezes pro Wagner jogar de pé. E não dava nem pra discordar do cidadão. Só pra esclarecer (caso minha mulher leia isto) as duas crianças são filhas de uma prima. Não são minhas, viu, Elaine?

  3. Celeste disse:

    Grande história Walterson. É melhor você voltar lá mais vêzes. Nunca fui ao Mineirão. Pela TV parece que o torcedor saboreia o tropeiro com muito gosto.

  4. Jorge Santana disse:

    Alguém detectou o hiperlink no texto? Meu browser não está mostrando. Preciso feedback.

  5. Mauro França disse:

    O da Salomé? Dectetei, sim.

  6. Celeste disse:

    Eu também.

  7. Walterson disse:

    Dra Celeste, prometi a meu moleque, caso ele passe de ano (tô achando difícil), levá-lo pra assistir o último jogo, contra a Lusinha.

  8. Hugo-Divinópolis disse:

    Foi meu primeiro clássico também. Fui pisar no Mineirão em 2007 contra o Flamengo. Na ocasião já havia me mudado de Andradas pra Divinópolis e fiquei mais próximo da capital. Tenho certeza que Walterson, assim como eu, vai viciar nesse trem de ir ao Mineirão.

  9. Walterson disse:

    Hugo, pena que eu moro muito longe senão seria um frequentador assíduo. OT: Hoje a musa das frangas (Musas do Brasileirão) foi eliminada no quesito tradição, com uma fantasia de galinha. Acho que pegou mal.

  10. Walterson, espero que seu filho passe de ano… para nos encontrar no jogo da lusa…

  11. JS disse:

    Quem quiser pode contar a história de seu 1º RapoCota que o PHD publica.

  12. JS disse:

    O Tropeiro a la Mineirão está custando R$7. A cadeira dos jogos dos emplumados tá valendo R$5. Fast Foot tá mais em conta do que o Fast Food.

  13. Cleber Mendes disse:

    Boa noite estrelados: Eu já sonhei, por várias vezes, . Por enquanto estou só no sonho. Mas ainda terei a chance de assistir ao meu primeiro clássico no Mineirão, pois já assisti muitos pela televisão. Tenho uma colega de trabalho que presenciou um dos últimos encontros entre O Raposão e o franguinho depenado. Ela disse que é emocionante sentir o clima e ver a festa das duas torcidas. Se ela, que não torce para nenhum dos dois times, se emocionou, fico imaginando a adrenalina que bate firme nos cruzeirenses e galistas.

  14. Jorge Santana disse:

    Em que cidade vc mora, Cleber? Vale a pena vir a Beagá para o Jogão, como é chamado o superclássico por aqui.

  15. Cleber Mendes disse:

    Jorge, eu moro no subúrbio de São Paulo, chamado Uberlândia. Eu sou quase vizinho do Maurício Sangue Azul, ele mora no Bairro Santa Mônica e eu no Bairro Cazeca. Já nos encontramos no reduto cruzeirense nos dois clássicos válidos pelo Morrinhão 2008 e também na vitória de 3 a 1 sobre o fluzinho. A propósito, Jorge: vi uma notícia veiculada por telejornal local, agora à noite, que o Cruzeirão estreará no campeonato mineiro 2009 contra, justamente, o Uberlândia, o antigo Furacão da Mogiana, e que hoje está muito mais para sopro de formiga, mas não informaram se o local da peleja será o Mineirão ou o Parque do Sabiá. Você teria essa informação? Estou ouvindo Os Pholhas. Você gosta?

  16. JS disse:

    Pholhas, Cléber? Isto é do tempo do Evandrão. Sou da Geração Skank. Tô achando que vou a UBL esta semana, a serviço. Tenho uma reunião na Tubal Vilela. Quem sabe tomamos um chope no Zero Grau ou no Flirt? Ainda existem estes botecos aí?

  17. Walterson disse:

    JS, na última vez que estive em Ubercity, o Zerograu apresentava um chopps supergelado. Cleber, eu estudei aí por 5 anos, só que há 21 anos. Na época, tirando os paulistas que faziam Engenharia (cerca de 70% da turma), só se via torcedores do Flamer.da e Vaxxxco. Ano passado fizemos nossa festa de 20 anos de formado aí, lá no Uberlândia Clube. Ainda tenho uma irmã e uma sobrinha morando aí, próximo ao shopping da João Naves.

  18. Cleber Mendes disse:

    Jorge, eu também gosto do Skank, mas não troco minhas músicas pop AM anos 60 e 70 por coisa alguma. Tenho mais de quinze fitas com um monte de sucessos daquela época. A paixão que eu sinto por essas velharias é imensa, todo final de semana eu as ouço e só o meu fanatismo pelo Cruzeirão Multisupercampeão é maior do que essa paixão. Se você vier ao subúrbio seja bem vindo. Agradeço o convite mas eu não tomo chopp.

  19. Cleber Mendes disse:

    Walterson:
    Eu moro próximo ao shopping, na rua do hotel que fica na esquina da João Naves com a Rondon Pacheco.

  20. Walterson disse:

    Minha irmã mora em frente ao shopping, na rua paralela à João Naves, numa esquina que tem uma pamonharia. Imagino que seja do lado da sua casa.

  21. Magnus disse:

    Meu primeiro rapocota,f oi um jogo 2×2, tive que assistir na torcida das frangas, devia ter uns 12 anos, com meu pai, atleticano fanatico, fiquei torcendo calado a cada gol do tostão II, saimos atrás duas vezes no placar, e empatamos o jogo.

  22. Só fui em um Cruzeiro x Atlético, o segundo jogo da final do Mineiro deste ano, vitória de 1×0 do Cruzeiro, com gol de Marcelo Moreno. Nota: a torcida das cocotas neste dia tava menor que a dos gambás quando eles vem jogar aqui…

  23. Parabéns pelo post, Walterson. Eu ainda não tive o prazer de ver o Rapocota ao vivo, não tenho data, mas antes de fechar os olhos ainda vou viver essa emoção.

  24. Jorge Santana disse:

    Magnus, escreva a história do seu 1º RapoCota e mande-a por e-mail. Vamos publicá-la, aqui.

  25. Naldo disse:

    É sempre bom ler estas histórias, aventuras no Mineirão. Eu nunca assisti a um Rapo-Cota. A minha única vêz no Mineirão foi em um providencial Cruzeiro X Náutico – 2007. Como levei o meu filho que ainda é criança, procurei um jogo mais tranquilo e fui feliz na escolha, apesar do 2 x 2.

  26. Geraldo/BH disse:

    Saudações Cruzeirenses a todos. Calculo que já tenha ido a mais de 100 clássicos com certeza. É imperdivel. Cada clássico com as cocotas é diferente de qualquer outro jogo. Como torço pro Cruzeirão deste l965, levo vantagem sobre êles.

  27. Alexandre Sanches disse:

    Jorge Santana, mando na próxima semana cópias da trágica primeira goleada que o Palestra itália sofreu aqui em minha terrinha do Sabarabussu, score de 7 a 5 para o Siderúrgica. O pau comeu e a turma dos periquitos apanharam muito, um deles foi o irmão de meu avô Felipe Peixoto, história interessante acontecida em 1935, quando o Cruzeiro ainda era o Palestra Itália, os antigos periquitos do Barro Preto.