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Um dia de sorte e glória

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Nesta sexta-feira, 13ago10, comemora-se os 13 anos da segunda conquista da Copa Libertadores pelo Cruzeiro.

Por e-mail, Davson Bruno Peixoto enviou o texto abaixo pra lembrar a efeméride.

Amigos cruzeirenses:

Hoje é sexta-feira, 13 de agosto. Para os superticiosos um dia temível, no qual se deve evitar passar debaixo de escadas, cruzar com gato preto, deixar os chinelos virados e outras tantas superstições. Segundo os historiadores não existe um fato exato que explique a origem da “sexta feira 13, dia de azar”, apesar das muitas estórias que tentam explicar a origem do tal mito.

O futebol também tem supertições que envolvem o 13. É impossível, por exemplo, esquecer Mário Jorge Lobo Zagallo, que tem fixação neste número. Vai saber se funciona ou não, mas o certo é que ele ganhou 4 Copas do Mundo.

Seja lá como for, a torcida cruzeirense tem motivos de sobra para comemorar este 13 de agosto de 2010, pois foi numa noite fria de 13 de agosto de 1997 que ela viu seu time entrar no gramado do Mineirão para conquistar mais um valioso troféu, o segundo de seu clube na Taça Libertadores da América.

A decisão era contra os peruanos do Sporting Cristal, um time mediano no cenário sul-americano, mas que chegava a decisão com propriedade, deixando no caminho gigantes do porte de Vélez Sarsfield (0×0 e 1×0), e Racing (2×3 e 4×1), além de, indiretamente, Peñarol e Racing, que estavam em seu emparceiramento a partir das oitavas-de-final e foram eliminados pelo Racing.

A primeira partida da decisão ocorreu uma semana antes, em Lima, e terminou 0×0.

O Cruzeiro não tinha um time de estrelas como o São Paulo, Palmeiras e Flamengo, mas era competitivo e com atletas acostumados a grandes decisões, casos de Palhinha II, Dida, Marcelo Ramos e outros.

O jogo de volta foi truncado. Os peruanos vieram com a proposta de se defenderem e tentarem a sorte em contra-ataques. Já o Cruzeiro partiu pra cima desde o começo querendo decidir logo.

Nas arquibancadas, mais de 100 mil cruzeirenes gritavam e cantavam empurrando o time. A torcida só se calou quando, aos 13 do 2º tempo, num lance rápido de contra-ataque do Cristal, o brasileiro Julinho sofreu falta na entrada da área.

Bonnet cobrou com força, rasteiro, no canto do goleiro Dida, que mergulhou praticando incrível defesa. Julinho ainda apanhou o rebote, mas Dida, mesmo caído, defendeu o chute à queima-roupa, com as pernas.

Quem estava naquele 13 de agosto de 1997 no Mineirão conhece bem a emoção que tento passar nesta minha narrativa do lance que ficou marcado como se fosse um gol. Eu me lembro bem, pois estava bem atrás do gol onde ele aconteceu.

Dois comentários chamaram a atenção em relação ao lance milagroso. Primeiro, o do saudoso radialista da Rádio Itatiaia, Carlos Cesar Pinguim, após a defesa do Dida. Ele animou os mais de 100 mil torcedores presentes dizendo: “O Cruzeiro nao perde mais a libertadores, o Cruzeiro não perde mais a Libertadores, depois dessa defesa do Dida…”

O segundo comentário foi do narrador da TV Globo, Galvão Bueno, que no momento da defesa afirmou: “Se o titulo vier, metade dele já tem dono!” Referia-se a Dida.

A defesa foi um aditivo para o entusiasmo das arquibancadas e para o time em campo. Depois dela, aos 30 minutos, veio o tão esperado gol, após cobrança de escanteio por Nonato.

O lateral cruzou da esquerda, a bola resvalou na defesa e sobrou para o canhoto Elivelton que, do lado direito, chutou meio mascado. Balerio falhou na tentativa de defesa e a bola beijou a rede. Gooooolll!!!

O grito ecoou pelas arquibancadas. A partir daí, o estádio ficou em festa até o final da partida. Fois uma das maiores emoções já vividas pelo Gigante da Pampulha. Era o Cruzeiro, de novo, no topo das Américas repetindo o feito de 1976.

Recordar é viver. Parabéns, torcida do Cruzeiro!!!

Abraços
Davson Bruno Peixoto

Notas do Blogueiro:

Sporting Cristal 0×0 Cruzeiro, quarta-feira, 06ago97, 21h50, Estádio Nacional, Lima, Peru, jogo de ida das finais da Copa Libertadores 1997 – Juiz: Byron Moreno (equatoriano) – Cartão Vermelho: Cleison (Cru, 44 do 2º) – Sporting Cristal: Júlio César Balério; Manuel Marengo, Marcelo Asteggiano, Miguel Rebossio (Erick Torres, 8 do 2º); Vasquez (Alex Magallanes, 17 do 2º), Jorge Soto, Manuel Marengo, Pedro Garay, Nolberto Solano e Alfredo Carmona (Andrés Mendoza, 17 do 2º); Julinho e Luiz Alberto Bonet. Tec: Sérgio Markarián / Cruzeiro: Dida; Vítor, Gelson Baresi, Wilson Gottardo e Nonato; Fabinho, Ricardinho e Donizete Oliveira; Palhinha II (Tico); Cleison e Marcelo Ramos (Da Silva). Tec: Paulo Autuori

Notas
1. Sporting Cristal era tricampeão peruano (94 / 95 / 96)
2. Não puderam ser escalados o meia Prince Amoako e o lateral-direito Jílio Rivera, suspensos.
3. Terceiro clube mais popular o Peru, o Sporting Cristal era patrocinado pela cerveja Cristal. Universitário e Alianza Lima, os mais populares, pelas concorrentes, Cuzqueña e Pilsen, respectivamente.
4. Clubes brasileiros não podiam ser patrocinados por marcas de cigarro e de bebidas alcoólicas. O Cruzeiro estampava a marca Energil C, uma vitamina do Laboratório EMS, em sua camisa.

Cruzeiro 1×0 Sporting Cristal, quarta-feira, 13ago97, 21h50, Estádio Magalhães Pinto (Mineirão), Belo Horizonte, jogo de volta das finais da Copa Libertadores 1997 – Público: 95.472 pagantes; 105.853 pagantes – Renda: R$888.072,50 – Juiz: Javier Castrilli (argentino) – Bandeiras: Luíz Olivetto e Gerado Bertoni (argentinos) - Gol: Elivélton, 30 do 2º tempo – Cruzeiro: Dida; Vítor, Gelson Baresi, Wilson Gottardo e Nonato; Fabinho, Ricardinho (Da Silva, 26 do 2º), Donizete Oliveira; Palhinha II; Marcelo Ramos e Elivélton. Tec: Paulo Autuori / Sporting Cristal: Julio César Balério; Júlio Rivera, Marcelo Asteggiano, Manuel Marengo e Nolberto Solano; Jorge Soto, Pedro Garay Erick Torres (Roger Serrano, 28 do 2º) e Prince Amoako (Alfredo Carmona, 11 do 2º); Julinho e Luiz Alberto Bonnet Bonnet (Ismael Abrahamson, 40 do 2º). Tec: Sérgio Markarián

Notas
1. Garay (paraguaio), Balerio (uruguaio), Asteggiano (argentino), Amoako (ganês) e Julinho (brasileiro) eram os estrangeiros do Cristal.
2. O Presidente do clube, Francisco Lombardi, era o cineasta mais famoso do Peru.
3. O técnico Sérgio Markarián era uruguaio.
4. Na véspera da decisão, Paulo Autuori informou que sairia do Cruzeiro, mesmo com uma vitória.
5. A Libertadores teve 21 participantes, 90 jogos, 242 gols. Os artilheiros foram Acosta (Universidad Catolica, 11 gols), González (Bolívar, 9) e Basay (Colo Colo, 8).
6. Vídeo com gols do Cruzeiro.

Cruzeiro na Libertadores V: 1976, Mundial em BH

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mauro França e Jorge Santana

Mundial

Com a conquista da Libertadores 1976, o Cruzeiro se credenciou à disputa da Copa Intercontinental, nome oficial do Mundial Interclubes, naquela época disputado em dois jogos entre os campeões da América do Sul e da Europa.

O Bayern Munich, tri-campeão europeu, que se recusara a enfrentar o Independiente nos dois anos anteriores, aceitou jogar contra o Cruzeiro. As partidas foram marcadas para 21nov76 em Munique e 21dez76 em Belo Horizonte.

Excursão

Os jogadores celestes mal puderam comemorar o título da Libertadores. A delegação nem retornou para Beagá, onde certamente teria uma recepção triunfal. De Santiago, o time seguiu diretamente para Paris, escala inicial de uma excursão que se prolongou por todo o mês de agosto.

Nem houve tempo para descanso. Apenas quatro dias depois do histórico 3×2 sobre o River, em 03ago76, o Cruzeiro empatou por 1×1 com o Saint-Étienne, tri-campeão francês e vice-campeão europeu. Em 08ago176, o time celeste venceu o Nice por 4×3, com uma grande exibição.

A excursão continuou na Espanha, onde se realizavam vários torneios de verão, que os clubes brasileiros aproveitavam pra reforçar o caixa. Em La Coruña, no Estádio Riazor, o Cruzeiro disputou o Torneio Tereza Herrera, pela segunda vez consecutiva. Venceu o PSV Eindhoven por 2×0 e perdeu para o Real Madri pelo mesmo placar, com dois gols de pênalti.

No torneio seguinte, no Estádio Vicente Calderón, em Madri, o Cruzeiro perdeu para o Athletic Bilbao por 3×1 e venceu o Racing White, da Bélgica,  por 2×0.

No Ramon Sanchez Pizjuan, em 24ago76, o Cruzeiro empatou com o Sevilla por 1×1, mas foi eliminado nos pênaltis, por 5×3. Raul Plassmann defendeu uma penalidade, mas o juiz mandou repeti-la. Dois dias depois, o campeão sul-americano bateu o Hajduk Split, da Croácia, por 4×2, terminado em 3º lugar no Torneio de Sevilla.  

A excursão encerrou-se em 29ago76, no Estádio Municipal de Almeria com uma vitória por 3×2 sobre o time local. Foram 9 jogos, 5 vitórias, 2 empates, 2 derrotas, 18 gols a favor, 14 contra.

Financeiramente, o saldo da viagem foi ótimo, mas o custo técnico foi alto. Jairzinho, Vanderlei Lázaro, Nelinho e Wilson Piazza voltaram contundidos. Os dois últimos com mais gravidade, ficaram três semanas afastados do Campeonato Brasileiro, na época, chamado Copa Brasil.

Copa Brasil

Em 04set76, menos de uma semana depois do último amistoso na Europa, com cinco desfalques, o Cruzeiro estreou na Copa Brasil empatando com o Botafogo por 0×0 perante 10.294 torcedores, no Mineirão.  

Os desfalques constantes afetaram o rendimento do time. Zezé Moreira jamais conseguiu escalar o time completo no campeonato. Para complicar, Joãozinho também se contundiu com gravidade e ficou de fora da maior parte dos jogos.

Em um grupo de 9 equipes, o Cruzeiro ficou em 2º lugar ao lado de Coritiba, Atlético e São Paulo. Pelos critérios de desempate, ficou na 5ª posição (3 vitórias, uma por mais de dois gols de diferença, que valia 3 pontos; 4 empates e uma derrota). Como somente os quatro primeiros se classificavam, o time celeste teve que disputar a repescagem, que valia uma vaga para a 3ª fase do torneio.

Na repescagem, o Cruzeiro enfrentou Portuguesa, Londrina, Uberaba e Confiança. Somou 8 pontos (3 vitórias, uma de 3 pontos, e 1 empate) e ficou em 2º, um ponto a menos do que a Portuguesa. No último jogo, precisava derrotar o Londrina por dois gols de diferença pra ficar em 1º. Em 27out76, no Mineirão, diante de um público de quase 40 mil torcedores, Palhinha fez 1×0 no início do 2º tempo e foi só. Para surpresa de muitos, a menos de um mês do duelo contra o Bayern, o campeão sul-americano foi eliminado do Brasileiro.  

Racha

A eliminação precoce conturbou o ambiente na Toca. Carmine Furletti, vice-presidente de futebol, e Elias Barburi, o Tóia, diretor de futebol, criticaram Zezé Moreira, cujo esquema de jogo consideravam ultrapassado. Barburi queria a demissão do treinador. Mesmo afastado por doença, Felício Brandi bancou o treinador e responsabilizou os dirigentes, que teriam reforçado mal a equipe, pela desclassificação.

Em meados de outubro, o clube contratou o uruguaio Pablo Forlan, que aos 31 anos estava aposentado em Montevidéu. Zezé Moreira contava com a experiência e a garra do lateral, que disputara duas copas do mundo e havia sido campeão intercontinental com o Peñarol em 1966.  

Inverno

O Cruzeiro embarcou para a Alemanha com problemas. Nelinho, Piazza e Joãozinho vinham de longa inatividade. Dirceu Lopes, há mais de um ano parado, também estava fora de forma. O time estava sem ritmo, pois só jogou duas vezes após a eliminação no Brasileiro. Com equipes mistas, empatou em Maringá, com o Grêmio local, e no Mineirão, com o América carioca, por 0×0.

Além de tricampeão europeu, o Bayern era a base da Seleção Alemã campeã do Mundo em 74. Tinha celebridades como Sepp Maier, Franz Beckenbauer, Gerd Muller e Paul Breitner entre outros. No campeonato alemão, estava em 3º, a 4 pontos do líder.

Os alemães até foram corteses. De acordo com Raul, forneceram agasalhos e material de treino aos cruzeirenses. O próprio goleiro foi presenteado por Maier com luvas apropriadas para jogos com neve.

O jogo foi disputado sob uma nevasca. Em tais condições, o Cruzeiro foi cauteloso. Queria ao menos empatar e trazer a decisão para o Mineirão. Nelinho e Joãozinho, que foi substituído por Dirceu Lopes no 2º tempo, não estiveram bem. Mesmo assim, o time resistiu até os 35 o 2º tempo, quando Ulli Hoeness cruzou da direita, Morais não alcançou e Gerd Muller, na entrada da pequena área, dominou e chutou no canto direito de Raul Plassmann.

Dois minutos depois, Rummenigge começou a jogada pela esquerda, Muller fez corta-luz e Kapellmann, da entrada da área, bateu rasteiro no canto direito de Raul pra definir o placar e colocar os alemães em vantagem na decisão.

  • Cruzeiro 0×2 Bayern München, terça-feira, 23nov76, 1º jogo da decisão do Mundial Interclubes 1976, Olympiastadion, Munique, Alemanha – Público: 22.000 pagantes – Juiz: Luis Pestarino (Argentina) – Gols: Muller, 35, Kapellmann, 37 do 2º tempo – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Zé Carlos; Eduardo Amorim, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho (Dirceu Lopes). Tec: Zezé Moreira / Bayern: Sepp Maier, Bjorn Andersson, Franz Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck e Udo Horsmann; Bernd Dürnberger, Conny Torstensson e Jupp Kapellmann; Uli Hoenes, Gerd Müller e Karl-Heinz Rummenigge. Téc: Dettmar Cramer. 1: Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Hoenes, Kapellmann e Muller conquistaram a Copa do Mundo 74 pela Alemanha. 2. Torstensson e Andersson disputaram as Copas de 74 e 78 pela Suécia. 3: Maier jogou as Copas de 66, 70, 74 e 78. Beckenbauer jogou as de 66, 70 e 74 e foi técnico da Alemanha em 86 e 90, quando conquistou o título. 4. Rummenigge tinha 21 anos à época. Era um talento em ascensão. Jogou as Copas de 78, 82 e 86.  

Mesmo apontando a neve como vilã, Nelinho não deixou de observar que muitos jogadores –os principais– estavam fora das suas melhores condições físicas e técnicas, em entrevista à Placar:

  • “A neve deixou o nosso time muito inseguro. Logo no início, perdi umas três bolas bobas porque ia dar o drible e ela corria ao invés de ficar no meu pé. Além disso, eu –como o Jair, o Joãozinho, o Piazza, o Palhinha e o Dirceu– estava em péssimas condições. Tanto que joguei plantado. Só desci umas duas vezes.”

Revanche

Sem compromissos oficiais, os jogadores voltaram à rotina de treinamentos. Palhinha, com dores musculares, e Jairzinho, gripado, não participaram da primeira semana de treinamentos. Zezé Moreira, que pretendia apurar a condição física e técnica do elenco, era só preocupação.

O Cruzeiro disputou apenas um amistoso entre os dois jogos. Em 11dez76, venceu o Uberaba por 3×0, no Mineirão, perante 4 mil torcedores. Raul e Jairzinho ficaram de fora, enquanto Dirceu Lopes e Joãozinho atuaram o tempo todo.

Mesmo reconhecendo a força do adversário, o clima entre os jogadores era de confiança. Todos achavam possível reverter o resultado e conquistar o título. Acreditavam no pouco tempo de adaptação dos alemães ao calor fizessem a diferença, como o frio e a neve tinha feito na Alemanha. Zezé Moreira analisou o adversário e deu a receita para vencê-lo, em entrevista à Placar:

  • “Eles praticamente não têm posição fixa em campo. Há sempre um jogador a mais na marcação dos atacantes adversários e a recuperação deles é impressionante. Temos que partir para um jogo coletivo, rápido e objetivo, como naquelas partidas contra o Internacional, pela Libertadores.”

Zezé Moreira ficou aborrecido com o desfecho do jogo de ida:

  • Nós nunca poderíamos ter nos apavorado com o primeiro gol e partido pra cima deles que nem loucos. Deveríamos ter ficado quietinhos, no nosso esquema, porque a derrota de 1×0 era um excelente resultado para o Cruzeiro. Agora, eles entram aqui com 2×0 no placar. Isso lhes dá muita segurança e apóia qualquer sistema defensivo.

Mas não havia perdido a esperança:

  • Chegaremos lá. Precisamos entrar com os onze jogadores em perfeitas condições técnicas e físicas, caso contrário, será difícil vencer. Estamos treinando duro porque não adianta apenas marcar os gols necessários. É preciso, também, não tomar.

Verão

Enfim, na quinta-feira, 21dez76, o Mineirão recebeu pela primeira e única vez na sua história uma decisão de título mundial. O público oficial foi de 113.715 pagantes.

Saí da Fafich, no Bairro Santo Antônio, por volta de 13h e parei pra tomar cerveja e fazer a resenha do futebol com os colegas no Jorobó, um boteco na Contorno, quase na esquina de Carangola.

Por volta de 15h, saímos para o Mineirão em vários táxis. Eu e o Nílton Figueiredo, colega de Sociologia, tomamos um fusca amarelo sem banco dianteiro.

Na Catalão, sobre o viaduto do Anel Rodoviário, o motorista puxou o freio de mão e recomendou: “Se vocês querem ver o jogo, melhor irem a pé.”

Travou tudo. As pessoas largavam os carros no meio da pista e saiam correndo em direção ao estádio. No estacionamento, saquei o lance: havia dezenas de ônibus de todas as partes do país: Bahia, Rio, Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e inúmeras cidades do interior de Minas.

Quando consegui entrar, não havia mais divisão de setores. Tentei furar os bloqueios de cada um dos acessos às arquibancadas, cadeiras e geral, sem sucesso. O Mineirão estava entupido.

O jeito foi assistir à decisão no corredor. Escolhi o Bar 22, cuja televisão, uma Philco com Bombril –aquela palha de aço que dizia ter mil e uma utilidades- nas pontas antenas, atendia a uma multidão incalculável. Havia superlotação até nas áreas de circulação.

No dia seguinte, o Estado de Minas estampava a manchete “Trânsito infernal na ida e na volta. A decisão mudou a vida da cidade”.  Os jornais informaram também sobre a invasão de mais de 20 mil torcedores vindos em caravanas, que não encontrando ingressos à venda, arrombaram os portões do estádio. Esse foi, sem dúvida, o maior público da história do Gigante da Pampulha. (Jorge Santana)

O Bayern chegou à BH no dia do jogo. Os jogadores foram para o hotel, descansaram poucas horas e foram para o Mineirão. Reconheceram o gramado e se aqueceram sob estrepitosas vaias da torcida.

Zezé Moreira escalou uma formação mais ofensiva, com um ataque com Jairzinho pela direita, Palhinha, Dirceu Lopes e Joãozinho. Eduardo ficou no banco.

O calouro de Engenharia, João Chiabi Duarte, relata suas impressões:

“Eu me lembro de ter chegado ao estádio por volta das 16 h. Os portões se abriram por volta das 18 h. Lá dentro, não dava pra levantar e sair, porque se perdia o lugar. O time deles era uma verdadeira seleção campeã do mundo. Fiquei no hall de entrada para vê-los passar. Sepp Mayer o goleiro tinha mãos imensas. Beckenbauer carregava os sacos como qualquer outro jogador. Não tinha essa de roupeiro, cada um fazia a sua parte. Lembro até hoje da cena. O Bayern entrou para aquecer com os seus agasalhos vermelhos da Adidas (sonho de consumo de todos nós naquela época), um calor infernal. Foi a maior vaia que eu já tinha visto em um estádio de futebol…

O Cruzeiro precisava de uma vitória por dois gols no tempo normal para forçar a prorrogação e pênaltis. A gente acreditava demais nos nossos craques. O jogo começou depois das 21h. O Cruzeiro fez uma ótima partida e parou sempre nas mãos de Maier ou nos desarmes fantásticos de Beckenbauer ou do Schwarzenbeck (jogava duro e não perdeu uma antecipação naquele dia). Houve lances incríveis durante o jogo. Uma cabeçada do Jairzinho, de costas, que o Sepp Maier só defendeu porque tinha mãos enormes. Ou a grande defesa do Raul no chute rasteiro e forte do Rumenigge, que ele tirou com a ponta do pé.  

No Cruzeiro, Dirceu Lopes parecia se ressentir da longa inatividade e não conseguia ter vantagem sobre a marcação implacável de Kapellmann. No 2º tempo, Zezé Moreira trocou-o por Forlan, que entrou na lateral direita, e adiantou Nelinho para a meia, para aproveitar o chute do lateral. E ele mandou três ou quatro varadas em direção ao gol alemão. Todas espalmadas ou socadas por Maier.

Rumenigge dava trabalho nos contra-ataques, mas sentiu uma contusão e deu lugar a Arbinger, que entrou para marcar as boas combinações que Nelinho e Forlan faziam pela direita. Palhinha, Joãozinho e Jairzinho brigaram com valentia contra os gigantes do time alemão e criaram as oportunidades. Embora não tivessem feito os gols, lutaram muito, como de resto, todo o time celeste.”

Mesmo sem o título, os jogadores celestes deixaram sob os aplausos da torcida, em reconhecimento pelo que fizeram. Foi um belo espetáculo proporcionado por dois grandes times. Um show de técnica e tática

  • Cruzeiro 0×0 Bayern München, terça-feira, 21dez76, 2º jogo da decisão do Mundial Interclubes-76, Mineirão, Belo Horizonte. Público: 113.715 pagantes – Juiz: Patrick Partridge (Inglaterra) – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza (Eduardo Amorim) e Zé Carlos; Jairzinho, Palhinha, Dirceu Lopes (Pablo Forlan) e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Bayern: Sepp Maier, Bjorn Andersson, Franz Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck e Udo Horsmann, Weiss, Conny Torstensson e Jupp Kapellmann, Uli Hoeness, Gerd Müller e Karl Heinz Rummenigge (Alfred Arbinger). Tec: Dettmar Cramer.  

Alguns lances ficaram da decisão mundial ficaram eternizados: duas incríveis defesas de Raul Plassmann, um drible de Joãozinho deixando o Kaiser Beckenbauer de bunda no chão e uma cabeçada de Jairzinho que, com o arco escancarado, mandou a bola no travessão.

João Saldanha culpou a cabeleira Black Power do atacante pelo desperdício. Segundo ele, a bola amorteceu naquela touceira ornamental. Para provar sua tese, o cronista saiu pelas ruas do Rio de Janeiro com uma bola e uma câmera filmando cabeçadas de outros cabeludos. Todas sairam chochas. 

Links:

  1. Vídeo de uma emissora alemã, com os gols da partida, com uma impagável participação do repórter Paulo Roberto escalando o time do Bayern.
  2. Trecho de um documentário do Sportv sobre Jairzinho, com imagens rápidas do jogo do Mineirão.
  3. Fernando Sasso narra alguns momentos ada decisão.

Bom filho à casa torna e não se decepciona

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Zé do Canadá, veio, viu, vibrou e já voltou. Estas foram as impressões do grande irmão do Norte sobre o Cruzeiro 0×2 São Paulo, no Mineirão.

Oi Jorge,

Tô de volta ao Canadá. Infelizmente nãoo deu pra encontrar ninguém do blog ou da lista no dia do jogo da Libertadores.

Chegamos em uma boa hora, mas tivemos que encontrar com o irmão do meu cunhado e outras pessoas.

Quando todo mundo apareceu, já estava tarde pra voltar ao Farroupilha.

O meu encontro com vocês vai ficar pra próxima vez, pra melhorar as chances, vou entrar em contato antes de ir ao Brasil.

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Beque expulso não é problema, mas atacante…

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Caros amigos do PHD:

Eu acredito que quando uma equipe fica com dez em campo, a partida pode até se tornar mais arriscada para o adversário.

São vários os exemplos em que a expulsão de um jogador acaba sendo benéfica pra uma equipe, pois ela acaba crescendo em campo e cosnegue até vencer o jogo.

Quando o time está unido, focado e bem organizado, a expulsão de um companheiro faz com que cada atleta comece a correr por dois.

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Camisa rosa tem poder!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

De uns tempos pra cá, torcedores do Estudiantes incluíram a camisa rosa e a bandeira do Atlético-MG entre seus trapos.

Como todo mundo sabe, os pinchas têm um bruxo, que lhes dá proteção com rezas e despachos antes das partidas.

Pois não é que o tal bruxo foi desmoralizado pela camisa rosa e pela alvinegra bandeira? Camisa rosa tem poder! De estraçaiar quem a veste.

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Ricky: “O árbitro teve sensibilidade”

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Pitacos de protagonistas e blogueiros acerca do São Paulo 2×0 Cruzeiro, no Morumbi, São Paulo, jogo de volta das quartas de final da Libertadores 2010, em 19mai10:

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Fábio trabalhou dobrado

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Atuações dos celestes e seus adversários no São Paulo 2×0 Cruzeiro, no Morumbi, São Paulo, jogo de volta das quartas de final da Libertadores 2010, em 19mai10:

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Sem telecoteco

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O França não mandou a resenha do São Paulo 2×0 Cruzeiro. Segundo ele, é impossível escrever sobre uma partida de apenas um minuto.

Dez contra onze, na casa do adversário, com de diferença de dois gols pra descontar, era tarefa que estava além da competência do Cruzeiro.

Coisa que, aliás, nem o fabuloso Barça conseguiu jogando em casa  contra a Inter.

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São Paulo 2×0 Cruzeiro: Desclassificado a tapa

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Pra avançar às semifinais da Libertadores, o Cruzeiro precisa vencer o São Paulo. E por, no mínimo, dois gols de frente.

Se fizer 2×0, haverá disputa de pênaltis. Qualquer outra vitória com dois gols a mais resolve a série no tempo regulamentar.

O Cruzeiro tem duas dúvidas: Jonathan e Kleber em recuperando-se de contusões. Mas terá a volta de Leonardo Silva, que cumpriu suspensão no jogo de ida.

O São Paulo, que poupou todos os títulares na derrota por 2×1 para o Botafogo pelo Brasileiro, contará com o retorno do beque Miranda.

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Passeio completo em Montevidéu

domingo, 16 de maio de 2010

Silvério Cândido

Mais uma vez, pelo prazer de acompanhar o Cruzeiro na Libertadores, partimos, eu, meu irmão caçula, Vicente, e nossas patroas, pra Montevidéu.

Saímos na quarta, dia do jogo, no tradicional voo das 6h, com escala em São Paulo. Por volta de 4h, vários torcedores já estavam no saguão do Aeroporto de Confins. Inclusive o, sempre animado, Ivan Pinto.

Chegamos à capital uruguaia às 12h40, conforme previsto, e fomos para o Hotel Radisson, onde estava a delegação do Cruzeiro.

Deixamos a bagagem e fomos para o Mercado del Puerto. Como em Santiago, havia muitos cruzeirenses no mercado.

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Arísio: “Fernandão ressurgiu do nada”

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Pitacos de protagonistas e blogueiros sobre o Cruzeiro 0×2 São Paulo, em 12mai10, no Mineirão, jogo de ida das quartas de final da Libertadortes 2010:

  1. Dagoberto, atacante do São Paulo: Jogamos muito bem. Superamos as expectativas. E demos uma sorte danada… O Fernandão tem uma técnica apuradíssima, uma inteligência excepcional. Sabe jogar muito bem naquela posição ali. Espero que ele ainda possa dar muitas alegrias pra gente. A equipe estava devendo uma partida consistente. Lutamos com inteligência, sabíamos das dificuldades. O Cruzeiro é muito difícil de ser batido em seus domínios. Mas jogamos com sabedoria. Não ganhamos nada, ainda temos noventa minutos lá no Morumbi.
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Ao menos 30min, com 3 no meio e 3 no ataque

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Caro Jorge Santana,

Quem o escreve é Toninho Jr., filho do Toninho Almeida.

Venho, primeiramente, parabenizá-lo pelo belíssimo blog do Cruzeiro.Org. Sempre acompanhei, desde quando morava nos USA, onde fiquei por 9 anos.

O PHD sempre esteve na minha lista de favoritos. Desde agosto de 2009, moro em Vinhedo, interior de São Paulo.
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Faltou brilho, jamais brio

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Atuações dos celestes e seus adversários no Cruzeiro 0×2 São Paulo, em 12mai10, no Mineirão, Belo Horizonte, jogo de ida das quartas de final da Libertadores 2010:

  • Torcida – O bom público (50 mil presentes) alentou o time o tempo todo. Poucos torcedores destoaram ao vaiar a troca de fabrício por Fábio Santos. Outros tantos, movidos pelo chavão de que jogador cponvoado não põe o pé na dividida, pediram Roger Galera em lugar de Gilberto. Manifestações normais num jogo de alata btensão. No conjunto, porém, a obra da torcida foi de boa qualidade. A maioria compreendeu que estava assistindo a um duelo de titãs e que sua equipe estava se empenhando em busca de um resultado melhor. (Síndico)

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Cruzeiro 0×2 São Paulo: A vitória da muralha

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Mauro França

Para o primeiro jogo contra o São Paulo, pelas quartas de final da Libertadores, o Cruzeiro terá o desfalque importante de Leonardo Silva, suspenso.

Sem outra opção, Adilson escalou Thiago Heleno ao lado de Gil na zaga. Fabrício, mesmo sentindo dores na coxa, vai para o jogo.

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Cruzeiro 0×2 São Paulo: A força da grana

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Quem vencer esta série de quartas de final disputará as semifinais contra o vencedor de Internacional e Estudiantes, depois da Copa do Mundo, quando a Libertadores recomeçar.

Nesta primeira parte do jogo de 180 minutos, o Cruzeiro não contará com Leonardo Silva, expulso na partida contra o Nacional.

No São Paulo, Miranda, cuja irmã faleceu na segunda-feira, deve ser a ausência. O reforça da equipe será Fernandão, buscado no Goiás.

Belo Horizonte está mobilizada para o duelo no Mineirão. Mais de 50 mil torcedores vão incentivar o time celeste.

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A escrita que vale

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Cruzeiro é freguês do São Paulo. Até mesmo jogando no Mineirão. Mas suas poucas vitórias têm valor maior do que as muitas do tricolor. Em jogos decisivos, a freguesia se inverte.

Hoje, a escrita de vencer as partidas decisivas tem de funcionar para o Mais Querido de Minas manter o sonho do tricampeonato da Libertadores. Decisão contra o tricolor precisa continuar sendo festa em azul e branco.

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Los empresarios son dueños de nuestro fútbol…

domingo, 9 de maio de 2010

Bolsoquark, torcedor do Nacional, responde aos comentaristas do PHD:

Quiero agradecer a todos por sus comentarios y su hospitalidad, y hasta levantar la copa no paren… Buena suerte cruceirenses…

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ZZP: “Cruzeiro é time de Libertadores!”

sábado, 8 de maio de 2010

Pitacos de protagonistas e blogueiros acerca do Nacional (Uruguai) 0×3 Cruzeiro, no Gran Parque Central, em Montevidéu, jogo de volta das oitavas de final da Libertadores 2010, em 05mai10:

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Soy hincha de Nacional y quiero felicitarlos

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Mensagem do nosso leitor Bolsoquark, torcedor do Nacional:

Estimados “torcedores” del Cruzeiro.

Como no hablo portugués, voy a tratar de escribir simple en español.

Soy hincha de Nacional y quiero felicitarlos por la clasificación y por el excelente equipo que tienen. Da gusto verlos jugar.

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Impertinência

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Pergunta impertinente:

  • O que teria acontecido se dupla RapoCota tivesse trocado os adversários da quarta-feira?

Destrinchando:

  1. O Cruzeiro tem time pra encarar o Santos?
  2. O Atlético-MG teria um estrategista pra neutralizar o Nacional e sua brava gente?

Velho Damas e Ex-Dylan estão dispensados de responder.