Arquivo da Categoria ‘Dicas’

Sete Lagoas, a nova capital do futebol mineiro

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Arísio França Jr.

Com a escolha da Arena do Jacaré para receber os jogos dos times mineiros até a reinauguração do estádio Independência, minha cidade natal, Sete Lagoas, tende se tornar a capital do futebol mineiro nos próximos meses. A intenção deste post é servir, um pouco, como guia para os torcedores que estão dispostos a pegar a estrada pra acompanhar o Cruzeiro em terras setelagoanas.

Distante 65km de Belo Horizonte, Sete Lagoas foi emancipada em 24 de novembro de 1867, com territórios desmembrados de Santa Luzia e Curvelo. Como cidade pólo da Região do Alto Rio das Velhas, está compreendida numa área de influência de 500 mil habitantes, totalizando 38 municípios. Em Sete Lagoas existem no perímetro urbano dez lagoas, sendo 17 em toda a região próxima a cidade. A Lei que denomina as lagoas oficiais do município é a 4.113, de 11 de Novembro de 1989. As lagoas são: Boa Vista, Catarina, Chácara, Cercadinho, José Félix, Matadouro e Paulino.

A economia local, por muito tempo baseada na agricultura, pecuária e ferro gusa passou por enorme transformação a partir da vinda da Iveco Fiat e seus fornecedores. Há menos de um ano foi inaugurada a fábrica da AmBev que, juntamente com a Brennand Cimentos (a ser inaugurada em dez/10), fecha uma tendência inevitável de potencialidade industrial da cidade, Este desenvolvimento industrial, em grande parte, é o responsável pelo crescimento populacional da cidade que já passa dos 235 mil habitantes. O comércio, ainda arraigado pelo provincianismo e pela pouca qualidade na prestação dos serviços, já começa a se movimentar diante da inauguração do Shopping Sete Lagoas, pertencente à BR Malls, com data marcada para 30 de Setembro de 2010.

Para os que virão aos jogos na Arena, partindo da capital ou do Aeroporto de Confins, são dois os acessos à cidade. O principal é pela BR-040, sentido Brasília. Estrada duplicada que requer muita atenção devido aos inúmeros trechos com falhas na pavimentação e pelo elevado volume de carros e caminhões em trânsito. Outra opção de acesso é a MG-424, rodovia estadual que parte de Vespasiano, passa por Pedro Leopoldo, Confins, Matozinhos e Prudente de Morais. Boa parte dos seus 50km é duplicada. Não é tão movimentada, mas tem o agravante de ter um trecho de pista única complicado pelo trânsito de caminhões das cimenteiras da região e por passar dentro do perímetro urbano de Matozinhos e Prudente de Morais. Requer paciência fazer este caminho.

Uma boa pedida para quem for aos jogos aos sábados e/ou domingos é fazer uma programação de fim de semana para conhecer os atrativos turísticos locais e as opções de entreternimento. Nos jogos aos domingos à tarde, sugiro aos interessados que cheguem no sábado após o almoço, façam um passeio à Serra de Santa Helena e Parque da Cascata para ver o por do sol, seguido de uma parada na Lagoa Paulino (Centro e principal lagoa) e suas inúmeras opções de bares e restaurantes (Ilha do Milito, Fiorenza Pizzaria, Grillus, Choperia 4 Estações, Gôndola Ristorante).

Em família, vale uma passada na Feira de Artesanato e Alimentação que funciona todas as sextas e sábados à noite em uma praça ao lado da lagoa do centro. Para os mais animados, os programas que varam a madrugada acontecem na boate Night Lounge (centro – música eletrônica, público selecionado), Opinião Pub (centro – só rock de primeira, ambiente para descolados) e na casa de shows Estação Brasil (próxima ao acesso da BR-040). No domingo, café da manhã no hotel e visita à Gruta Rei do Mato (BR-040, entrada da cidade). Uma boa para o almoço é o Restaurante Mirante na orla da Lagoa Boa Vista (bairro Boa Vista).

É isso. Não escondo minha satisfação pela possibilidade de ver jogos do Cruzeiro aqui no quintal de casa. Mas, também, estou muito preocupado com as condições locais para receber torcedores, delegações das equipes e membros da imprensa de todo lugar. Sete Lagoas padece pelas últimas péssimas administrações municipais e enfrenta problemas nas áreas de segurança e saúde. Como outras cidades, o poder público local não está conseguindo acompanhar o desenvolvimento privado.

Repasso uma lista bem selecionada de contatos que poderão ser úteis aos que virão assistir jogos na Arena e me coloco à disposição aos companheiros do PHD para esclarecimentos, emergências, indicações e dúvidas sobre a cidade e os jogos: arisio@hotmail.com. Será um prazer recebê-los aqui!

Abraços.

Atrativos Turísticos:

  • Lagoa Paulino: centro da cidade. Principal lagoa e ponto de referência para opções de alimentação.
  • Gruta Rei do Mato: localizada junto ao trevo de acesso da BR-040. Muito bonita mas é preciso ter fôlego para circular por suas passarelas e escadas que atravessam os salões.
  • Serra de Santa Helena e Parque da Cascata: Complexo com acesso pelo bairro Jardim Arizona. Do alto da Serra é possível observar toda a cidade. Aos sábados, é possível voar de paraglider com um grupo local de praticantes deste esporte.
  • Museu Histórico Municipal: No centro, ao lado da Catedral de Santo Antônio.
  • Museu do Ferroviário: Avenida Antônio Olinto.

 Hospedagem e alimentação:

  • Real Hotel: Praça Martiniano Carvalho, 06 – Canaan – (31) 3773-3301
  • Sete Lagoas Residence – Rua Nestor Fóscolo, 284 – Centro – (31) 3775-1010
  • Lago Palace Hotel: Praça Carmelo Mota, 273 – Centro – (31) 3774-6044
  • Hotel Riviera: Rua Santa Helena, 125 – Canaan – (31) 3027-0800
  • Cantina Bom Sabor (self service) – Centro – (31) 3774-6633
  • Lagoa Espetos (churrasco e self service) – Centro – (31) 3775-2888
  • Ilha do Milito (a la carte e choperia) – Centro – (31) 3771-8939
  • Pizzaria Boca do Forno (massas) – Centro – (31) 3771-0103
  • Fiorenza Pizzaria (carnes e massas) – Centro – (31) 3771-8931

Telefones úteis:

  • Corpo de Bombeiros: (31) 3773-0207 ou 193
  • Polícia Rodoviária Federal: (31) 3774-7038
  • Rodoviária: (31) 3773-1133
  • Secretaria de Turismo: (31) 3772-9927
  • Hospital Municipal: (31) 3774-8668 ou 192 (SAMU)
  • Prefeitura Municipal: (31) 3779-7000
  • Pontos de táxi: (31) 3771-4211 / 3773-4747 / 3771-4141 / 3776-3012

Arísio França Jr., 33, Administrador, nasceu e mora em Sete Lagoas.

Perigos da Copa

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Será uma copa perigosa. Nem falo dos milhares de assaltos e agressões que as pessoas sofrerão nas ruas e nos hotéis de Joanesburgo a partir de 18h.

Haverá situações mais constrangedoras, riscos de todos os tipos. Eis um pouco do muito que pode acontecer:

  1. Se a moda do bundalelê introduzida pelo Maradona na Argentina pegar, teremos pornografia por todos os lados no pós-Copa. Já pensou o constrangimento que provocará a adesão à nova barreira pela Cocota nos estádios brasileiros? Jogadores emplumados na posição em que Napoleão perdeu a guerra esperando aas bolas adversárias?
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Bom filho à casa torna e não se decepciona

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Zé do Canadá, veio, viu, vibrou e já voltou. Estas foram as impressões do grande irmão do Norte sobre o Cruzeiro 0×2 São Paulo, no Mineirão.

Oi Jorge,

Tô de volta ao Canadá. Infelizmente nãoo deu pra encontrar ninguém do blog ou da lista no dia do jogo da Libertadores.

Chegamos em uma boa hora, mas tivemos que encontrar com o irmão do meu cunhado e outras pessoas.

Quando todo mundo apareceu, já estava tarde pra voltar ao Farroupilha.

O meu encontro com vocês vai ficar pra próxima vez, pra melhorar as chances, vou entrar em contato antes de ir ao Brasil.

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Fuzarca na Primaz

domingo, 23 de maio de 2010

Mais um fim de semana na Primaz de Minas. Outro encontro do PHD no sítio do Vovô Gegê.

Como de costume, Dom Tate recebeu a galera com um impecável café colonial e um honestíssimo tropeiro.

Çangre Açul, Frede, Hugo, Dudu, Malafaia, Walmiro, Evandrão, França, King Arthur, Schulman e Arísio consumiram incontáveis caixas de originais e bavárias.

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La follia e l’ispirazione di Dio e el diavolo

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Prezado Jorge,

Nasta semana tivemos muitos assuntos importantes em debate no blog, mas quando sibrar um espaço, gostaria que você postasse este OT sobre a morte de Ronnie James Dio.

Sei que você acompanhou toda a evolução do rock, já bateu muita cabeça e não deixará de prestar uma homenagem ao Dio neste espaço.

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Cláudio Arreguy e seus 10 ídolos azuis

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Cláudio Arreguy, editor de esportes do Estado de Minas está lançando o livro Os Dez Mais do Cruzeiro.

No oitavo livro da Coleção Ídolos Imortais, o jornalista Cláudio Arreguy apresenta Os dez mais do Cruzeiro. É um livro que conta a saga de grandes craques do futebol brasileiro, motivo de orgulho para o torcedor da Raposa. Aqui estão as histórias de ídolos como Tostão, Dirceu Lopes, Joãozinho, Raul, Natal, Sorín, Alex, entre outros. Todos gênios da bola que ajudaram a transformar o Cruzeiro em uma das maiores potências esportivas do Brasil. É uma obra que não pode faltar na estante de nenhum amante do bom futebol. (Maquinária Editora)

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Mensagem do JA Ferrari

quinta-feira, 20 de maio de 2010

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Making of do capítulo JA Ferrari

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Quando me pediram o projeto do livro Páginas Heróicas, não pensei duas vezes. Ao invés de uma narrativa linear, resolvi contar a história do clube por meio da vida e dos amores celestes de 100 personagens.

Escolhi jogadores, dirigentes, treinadores, torcedores e jornalistas, que ao longo da história, nos bons e nos maus momentos estiveram identificados com as causas do Mais Querido de Minas.

Quando o livro ficou pronto, abismada, a editora cortou 75 % do material. No minifúndio que me restou, incluí do JA Ferrari por sua combatividade e destemor.

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J. A. Ferrari, o Bafo da Raposa

terça-feira, 18 de maio de 2010

Belo Horizonte, 02out33

O disparate entre o tamanho da torcida cruzeirense nas arquibancadas e nos jornais, rádios e televisões de Belo Horizonte é intrigante. Mesmo sendo maior no Mineirão, ela não ocupa espaço proporcional nas redações.

Em semanas de clássicos, então, os cruzeirenses se revoltam com a percepção que a imprensa da cidade apóia os, sem meias palavras.

Uma explicação possível para o fenômeno está no fato de que, ao contrário dos craques que se aposentam cedo,  jornalistas jamais saem de cena.

O tempo passa, ídolos são substituídos, mas o tom preto-e-branco das páginas esportivas permanece imutável como se futebol ainda fosse jogado com bola de capotão dos tempos em que o Atlético-MG tinha a maior torcida da cidade.

É história antiga. Vem dos tempos em que o exercício do jornalismo era privilégio de quem dominava as letras ou a arte de vender anúncios.

Jornalistas eram advogados, escritores, professores ou, na outra ponta, corretores de anúncios. Gente da elite da cidade, do meio de onde surgiram América-MG e Atlético-MG.

O Palestra Itália, criado por imigrantes italianos, era um clube de trabalhadores financiado por comerciantes.

Era um clube de marceneiros, pintores de parede, padeiros, caminhoneiros, pedreiros, pequenos agricultores. Os que subiam na vida abriam algum empreendimento comercial. Somente duas ou três gerações depois de sua chegada a Belo Horizonte, as famílias italianas começaram a formar seus primeiros doutores.

A distância entre o Palestra e os meios de comunicação é tão antiga quanto os clubes da cidade. Vem da década de 20  do século passado, e muda com lentidão.

A relação da torcida cruzeirense com a imprensa esportiva mineira sempre foi antagônica. A maior parte dos jornalistas é considerada rival. No sentido inverso, muitos cruzeirenses da crônica esportiva transformaram-se em heróis.

Plínio Barreto, o mais antigo jornalista esportivo mineiro e o maior arquivo vivo da história do futebol em Belo Horizonte é um exemplo de herói celeste. Ele transitou da crônica esportiva para a direção do clube, durante a gestão Felício Brandi, e quando fez o caminho de volta não perdeu prestígio entre os cruzeirenses.

Fialho Pacheco foi outro nome histórico. Foi o mais importante repórter policial de Minas. Dele, se dizia que desvendava mais crimes que a própria polícia. Alto, corpulento, sempre com um cigarro no canto a boca, além das reportagens policiais, Fialho estava sempre a serviço do Cruzeiro. Foi ele quem criou o slogan “Eta, Cruzeiro duro!”, que a torcida repetiu à exaustão nas décadas de 40 e 50 e e estampou adesivos que os cruzeirenses pregavam nas portas e vitrines das lojas de comerciantes atleticanos e americanos.

Afonso de Souza, irmão do lateral-direito Souza, editor de esportes do Diário da Tarde foi outro militante azul da crônica esportiva de Beagá. Quando o Mineirão foi inaugurado e o futebol mineiro atingiu seu ponto de ebulição com a febre dos programas esportivos, ele teve a idéia de criar colunas no DT. Cada uma dedicada a um grande da cidade. Os colunistas escolhidos foram jornalistas cheios de verve, ironia e deboche, gente com a cara e o espírito do torcedor de arquibancada.

Para a coluna Toca do Coelho, o irônico Paulo Papini, que estava sempre algumas doses –consumidas no bar do Palmeiras, no São Lucas– acima dos rivais.

Pra coluna Canto do Galo, o sarcástico Francisco Antunes (Xico Antunes ou XA), cuja personalidade combinava o ressentimento e amargura, marca alvinegra nos primeiros tempos do Mineirão. Ele calibrava as palavras e afiava a língua nas mesas do Ali Ba Bar, na Barroca, perto do Colégio Marconi.

O defensor do Cruzeiro seria o abstêmio J. A. Ferrari, que nunca levava desaforo pra casa e respondia às provocações com raciocínio rápido e tiradas inteligentes.

Antes da coluna Bafo da Raposa, João Alberto Ferrari de Lima já havia trabalhado em várias seções dos Diários Associados (Estado de Minas e Diário da Tarde e TV Itacolomi, menos nas páginas esportivas.

Filho do jornalista cruzeirense Ethelberto Franzen de Lima, e de Lúcia Ferrari de Lima, de família italiana vinda da região da Basilicata, J. A. era um jornalista de combate. Franzino, defendia-se com o raciocínio rápido que o ajudava a criar piadas mordazes e instantâneas.

Sua aceitação pela torcida celeste foi imediata e o impediu de cumprir promessa que fizera a si memso de escrever apenas uma coluna e só mesmo pra atender ao amigo Afonso de Souza.

O sucesso foi tão grande e tão imediato, que além do jornal, ele acabou estrelando o Bola na Área, debate esportivo de maior índice de audiência na televisão brasileira com espantosos 97% de Ibope.

Ele conta como aconteceu:

  • “Eu era redator de política do Estado de Minas, atividade entediante durante a ditadura, por causa da censura. Percebendo minha irritação com a atividade monótona, Ciro Siqueira me transferiu pra Superintendência de Relações Públicas do jornal. Foi lá que o Afonso de Souza me buscou pra escrever a coluna do Cruzeiro. O sucesso foi tão grandem que a Brahma decidiu patrocinar um programa de televisão com os colunistas da Diário da Tarde.”

O coluna causou polêmica desde sua primeira edição. Na segunda-feira após o primeiro Cruzeiro x Atlético no Mineirão, J. A . fez pesadas críticas aos jogadores e dirigentes atleticanos que, inconformados com a marcação de um pênalti, brigaram com o juiz e a polícia.

Irritado, o treinador Mário Celso de Abre foi ao jornal reclamar. Mas, em vez dos tradicionais salamaleques dispensados aos dirigentes atleticanos pelo pessoal da casa, ele  encontrou um jornalista duro.

Ferrari não apenas reafirmou sua convicção de que havia sido pênalti, como ainda quis saber porque os atleticanos espumavam durante o jogo e a briga. Marão desconversou e voltou pra casa sem a retificação do repórter.

Cruzeiro 1×0 Atlético-MG, domingo, 24out65, Mineirão, Belo Horizonte, 11ª (última) rodada do 1º turno do Campeonato Mineiro de 1965 – Juan de la Passión Artés (FMF) – Bandeiras: Wilton Marinho e José Gomes  (FMF) – Expulsões: Bugleaux, Vander, Roberto Mauro, Mário Celso de Abreu foram os primeiros expulsos. Quando a pancadaria se generalizou, os demais jogadores, titulares e reservas, também foram exclupidos da partida – Gol: Tostão, 35 do 1º tempo – Cruzeiro: Tonho; Pedro Paulo, William Cavalo, Vavá e Neco; Ílton Chaves, Dirceu Lopes e Tostão; Wilson Almeida, Marco Antônio e Hilton Oliveira. Tec: Airton Moreira – Atlético-MG: Luiz Perez; João Batista, Vander, Bueno e Décio Teixeira; Bugleaux, Viladônega e Toninho; Buião, Roberto Mauro e Noêmio. Tec: Mário Celso de Abreu.- Notas1. O pênalti que deu origem à briga foi cometido por Décio Teixeira em Wilson Almeida aos 34 do 2º tempo. 2. Mário Celso de Abreu, o Marão, havia sido campeão brasileiro dirigindo a Seleção Mineira em 1963. 3. William Cavalo e Ílton Chaves, então jogadores do Atlético, Marco Antônio, do América, e  Neco, do Villa Nova, também tinham sido campeões brasileiros de 1963. 4. Na mesma tarde, a TV Itacolomi exibiu, diretamente do Rio de Janeiro, o clásssico FlaxFlu, o de maior prestígio no futebol brasileiro. 5. Os jogadores atleticanos que agrediram o juiz e travaram uma batalha campal com soldados da Polícia Militar foram detidos e conduzidos à delegacia para prestar depoimento. 6. Juan de la Passión Artés era espanhol. 7. Este Cruzeiro 1×0 Atlético-MG foi o 11º dos 30 que o Cruzeiro disputou pra se tornar campeão brasileiro de 1966.

Daí em diante, sucederam-se as confusões. Brigas que vinham de antes da inaugruação. De uma rivalidade começada há 50 anos no futebol da Capital mineira.

Quando, numa manhã, antes da inauguração do Gigante da Pampulha, a administração do Mineirão reuniu os presidentes dos Cruzeiro, Atlétic0-MG e América pra escolha dos locais a serem ocupados pelas torcidas, esquecidos de que futebol se joga à tarde, os atleticanos escolheram a parte sombreada das arquibancadas.

Quando perceberam a mancada dos cartolas, os torcedores alvinegros ficaram furiosos. X. A. foi quem comandou a reação chamando de refrigerada e de barropretada a torcida cruzeirense.

J. A. respondeu dizendo que, por falta de uma praça de esportes própria, aquele pedaço escaldante da arquibancada passaria a ser sede campestre do Atlético-MG. Lugar apropriado para os emplumados se bronzearem sem pagar taxa de condomínio. Pegou.

Além de esquentar os fundilhos na fornalha e receber o sol da tarde na cara, o que tornava difícil acompnanhar os jogos, na segunda-feira os alvinegros ainda tinham de ouvir a inevitável pergunta sobre bronzeado adquirido no fim de semana.

Outra brincadeira que entrou para o folclore aconteceu no Bola na Área. No afã de conquistar aliados para o seu América-MG, o jovem cartola americano, Paulo Afonso, propôs ao Coronel Walmir Pereira, presidente do Atlético-MG, botarem as duas torcidas desfilando juntas com suas bandeiras pela Avenida Afonso Pena.

O presidente ouviu calado a explicação de que a aliança seria fatal para o Cruzeiro. O sucesso seria suficiente para os vira-casacas, que haviam trocado o América-MG pelo Cruzeiro, voltarem pro antigo clube.

J. A. foi curto e grosso: “Paulinho, pode buscar sua turma, mas não precisa levar mais do que uma ou duas Kombis…”

Walmir Pereira deu gargalhada estrepitosa. Paulo Afonso ficou sem resposta. E a história de que bastam duas Kombis pra carregar a torcida do Coelho entrou para o anedotário do futebol mineiro e brasileiro.

Outra vítima de J. A. foi o compositor Carlos Imperial. Num programa da televisão carioca, o multimídia se confessou cruzeirense em Minas.

Uma semana depois, ele veio a Belo Horizonte contratado para promover a Rodada dos Milhões, um dos inúmeros carnês de prêmios da história do Clube de Lourdes. Desfilou no Mineirão, deu entrevistas falando de se amor pelas cores preta e branca, que eram também as do seu Botafogo. E deitou falação sobre sua paixão pelo Atlético-MG.

À noite, no Bola na Área, ele repetiu a conversa. Só não contava com o troco de J. A.: ”Foi bom mesmo você ter mudado de clube, pois sua imagem não faria bem ao Cruzeiro.”

Pego no contrapé, Imperial jogou por terra mais uma ilusão da torcida atleticana. Disse que só estava ali para defender seu cachê.

Mas a vítima preferida da J. A. era seu o colega X. A., quase sempre apanhando pela palavra. Como no dia em que, convidado pra chefiar a delegação atleticana numa viagem a Formiga, chamou a cidade de “Sertão da Farinha Podre”.

Dito por um formiguense, em roda de amigos, fica engraçado. Por estranhos, vira ofensa. J. A. exigiu respeito pela “Princesa do Oeste” e levantou a cidade contra o Atlético-MG. Diante da reação, X. A. pipocou e desistiu da missão.

Quando a extinta TV Itacolomi resolveu gravar o Bola na Área no interior, os cronistas levavam material promocional de seus clubes (camisas, canetas, bonés, chaveiros e o que mais existisse nos departamentos de relações públicas).

No fim do programa, torcedores faziam fila para receber os brindes do Cruzeiro, enquanto os do Atlético-MG encalhavam. Depois de ver a história se repetir em Itaúna, Lagoa da Prata, Ouro Preto e Curvelo, X. A. desistiu: “Não volto mais ao interior de Minas, essa terra de cruzeirenses”.

O que não falta ao cruzeirense João Alberto são histórias. E história, com H maiúsculo também.

O Presidente da Província de Minas, seu tio-avô Augusto de Lima, foi quem assinou o decreto transferindo a capital de Ouro Preto pra Belo Horizonte. Ato de coragem que desfiou a ira dos ouropretanos.

A mesma coragem que fez J. A. aprender caratê pra se defender dos torcedores que o ameaçavam.

  • “Um chegou a telefonar ameaçando me dar um tiro nas costas. Eu o chamei de covarde. Disse-lhe que só podia agir mesmo pelas costas, pois, cara a cara, ia tremer e deixar cair a arma. O idiota nunca mais amolou mas, por via das dúvidas, tratei de aprender defesa pessoal.”

Medida oportuna, pois Bafo de Raposa não é algo que agrade os sensíveis rivais do Cruzeiro em Belo Horizonte.

N.B.: Este capítulo do Livro Páginas Heróicas Imortais foi  o 5.000º post do blog PHD (Páginas Heróicas Digitais).

O Bafo da Raposa está voltando

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Leitores e comentaristas do PHD:

Ja está publicada a primeira coluna que relembra os antigos textos/crônicas publicadas pelo jornalista JA Ferrari. Dentro em breve, ele nos brindará com o retorno de sua coluna, Bafo da Raposa, que fez furor e sucesso na mídia mineira da época pós-inauguração do Mineirão.

JA Ferrari foi titular de duas colunas, que antecederam o Rápido e Rasteiro, do Neuber Soares, no Diário da Tarde. E também participou de programas esportivos na extinta TV Itacolomi nos Anos 60 e 70, como o Bola na Área, precussor das bancadas de torcedores retomadas neste milênio.

O respeitado jornalista foi o criador, também, da coluna de nome Terceiro Tempo, muito antes de certo simpatizante das frangas e integrante da mídia do eixo se apropriar do nome (é possível que tenha copiado o nome à época em que se alfabetizava no interior de Minas e a coluna servido de inspiração). Tem sido dos mais tradicionais e ferrenhos defensores do Cruzeiro  e foi, ao longo de sua trajetória, um lutador contra desmandos e parcialidades, que marcaram a história do  futebol mineiro.

Numa das edições da revista Academia, publicada pelo Cruzeiro em 1968, ele escreveu crônicas que poderiam ser repetidas neste recente campeonato mineiro mudando-se tão somente os nomes das personagens.

No Cruzeiro.Org, ele continuará a manter sua postura apaixonada, crítica e firme, sempre exigindo correção e a integridade de ações das personagens que comandam o futebol mineiro para as coisas relacionadas ao Cruzeiro.

No site, publicaremos algumas colunas antigas do nosso novo colaborador de forma a apresentá-lo ao pessoal com menos de 30 anos que não acompanhou sua fase áurea no jornalismo mineiro que, agora, está sendo retomada.

Para aqueles que não conhecem este grande cruzeirense, JA Ferrari tem uma parte de sua história relatada no livro Páginas Heróicas Imortais -Onde a Imagem do Cruzeiro Resplandece, e foi citado neste blog na passagem dos 42 anos da conquista do Cruzeiro sobre o Santos de Pelé.

Saudações cruzeirenses,

Evandro Oliveira

NB: Clique aqui pra ler uma coluna do JA Ferrari, publicada na revista Academia na segunda metade dos Anos 60.

Passeio completo em Montevidéu

domingo, 16 de maio de 2010

Silvério Cândido

Mais uma vez, pelo prazer de acompanhar o Cruzeiro na Libertadores, partimos, eu, meu irmão caçula, Vicente, e nossas patroas, pra Montevidéu.

Saímos na quarta, dia do jogo, no tradicional voo das 6h, com escala em São Paulo. Por volta de 4h, vários torcedores já estavam no saguão do Aeroporto de Confins. Inclusive o, sempre animado, Ivan Pinto.

Chegamos à capital uruguaia às 12h40, conforme previsto, e fomos para o Hotel Radisson, onde estava a delegação do Cruzeiro.

Deixamos a bagagem e fomos para o Mercado del Puerto. Como em Santiago, havia muitos cruzeirenses no mercado.

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Acompanhando o Raposão na Terra do Zebu

sábado, 15 de maio de 2010

Maurício Garcia Vieira

Eu vi o Cruzeiro passar pelo Uberaba e se classificar para as semifinais do Campeonato Mineiro. E neste relato, tento passar um pouco do clima de um jogo intenso no gramado, mas calmo na arquibancada.

A viagem

O horário do jogo é pornográfico, mas o deslocamento entre Uberlândia e Uberaba é muito bom: 100 quilômetros na pista dupla da BR 050, que está bem conservada. A chegada ao estádio também é muito tranqüila. O acesso da rodovia ao estádio Engenheiro João Guido é feito em amplas avenidas de pistas duplas. Com tanta facilidade, cheguei cedo, por volta de 20h40.

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Eu fui à festa dos Guerreiros das Arquibancadas

sábado, 15 de maio de 2010

Vinícius Cabral

Quarta-feira. Dia de clássico sul-americano e a TV aberta troca um suspense por um pastelão. Começa a procura por locais que transmitirão Cruzeiro x Nacional.

Cruzeirenses na Bahia, Curitiba e no exterior dando seus pulos pra não perderem o jogo.

Afinal, nem todas cidades por este mundo afora têm organizações com a Embaixada Azul de Brasília ou Sampa Azul pra mostrarem o Mais Querido de Minas em ação.

Belo Horizonte, a cidade dos bares, não tem este problema. Hoje em dia, em cada esquina, é possível encontrar um local pra acompanhar o Cruzeiro em seus jogos fora de casa. Entretanto, poucos são os locais organizados por turmas de torcedores ou de amigos.

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O imã do futebol

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Quando eu digo que futebol é pra fazer amigos, não me dão crédito.

Pois vejam a epopéia do Zé Maria, que veio do Canadá exclusivamente pra conhecer a galera do PHD e, é claro, aproveitando a ensancha oportunosa, assistir ao jogão entre Cruzeiro e São Paulo.

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Cruzeiro.Org: Liga Oficial no Fantasy Game

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O Cartola FC é um fantasy game desenvolvido pelo canal SporTV em parceria com a Globoesporte.com. O jogo tem como base o Campeonato Brasileiro de 2010, repetindo edições anteriores que apresentaram expressiva participação do torcedor brasileiro.

O Cruzeiro.Org criou uma liga exclusiva e distribuirá para os seus participantes DUAS CAMISAS OFICIAIS e diversas camisas exclusivas do Cruzeiro.Org. O nome da Liga é Cruzeiro.Org-Oficial. (mais…)

Onde torcedor vai sofrer

sábado, 8 de maio de 2010

Estes são os estádios nos quais serão disputados os jogos da Série A do Morrinhão:

  1. Mário Filho, Maracanã, Rio de Janeiro, 82.238 lugares (Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo).
  2. Governador Magalhães Pinto, Mineirão, Belo Horizonte, 75.783 (Cruzeiro, Atlético-MG)
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Bola na tela do Cineclube Face

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Dica do professor Leo Vidigal pra quem gosta de cinema de futebol:

Mostra Cinema e futebol – Cineclube Face – Campus Pampulha da UFMG. As sessões acontecem no auditório 3 da Face e são abertas ao público. A mostra prossegue até 2 de junho.

  • 06mai (17h30) e 07mai (11h30) - Duelo de Campeões – Filmado em 2005, é ambientado em 1950, no Estádio Independência, em Belo Horizonte, quando os Estados Unidos conseguiram uma vitória que entrou para a história das Copas do Mundo, por 1×0.

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Uma noite no Morumbi

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Chiabi Jr.

Estava perto do Morumbi, ontem, e pra fugir do trânsito do final da tarde, resolvi conferir o que nos espera na Libertadores.

Apesar de acompanhar o Cruzeiro fora de Beagá com freqüência, esta foi a primeira vez que fui ao Morumbi. Pra completar, Rogerio Ceni estava fazendo seu 900º jogo pelo tricolor.

Amigos, honestamente, o Morumbi não tem condições de sediar a abertura da Copa do Mundo, senão por razões políticas.

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Blog PHD – Aviso Administrativo

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Caros comentaristas e leitores do Blog Páginas Heróicas Digitais (PHD).

Em virtude de recentes tentativas de ataques, que o Blog e o Site estão sofrendo, resolvemos que algumas ações serão tomadas para diminuir os riscos e dar uma organização mais efetiva e ágil ao Blog e outros espaços abertos aos comentários.

  1. Eliminaremos os links para notícias ou site que sejam colocados dentros de comentários e que não estejam relacionados ao POST. Se quiserem contribuir com o site indicando links de novidades e notícias, coloquem o link nos comentários de notícias, enviem link para  twitter.com/cruzeiro_org ou enviem os links para contato@cruzeiro.org . (usários que colocarem links para programas hostis ou vírus, serão suspensos por 90 dias dos nossos cadastros e denunciados nos fóruns específicos – a reincidência ensejará a exclusão sumária);

  2. Pedimos que não escrevam comentários que estejam relacionados a assuntos fora do contexto do Tópico. Caso isso seja necessário, pedimos que os demais comentaristas não respondam a estes comentários. Especialmente conversas rápidas deverão ser feitas em outros espaços virtuais associados ao Site e ao Blog. De acordo com o mais apropriado, utilizem o Portal do Cruzeirense (www.portaldocruzeirense.com.br) ou o grupo de Bate-Papo da Lista de Cruzeirenses no MSN (mensagem de adesão para group764905@groupsim.com);

  3. Usuários que fazem uso de nicknames diferentes ou de fakes e profiles falsos, serão instados a completarem seus dados no seu perfil. Caso não façam ou mostrem resistência a dar informações pedidas, serão suspensos no nosso cadastro por tempo indeterminado;

  4. Apoiamos e adotamos todas as medidas de segurança e proteção de ambientes informacionais, internacionalmente aceitas, para ambiente conectados à Internet. O desrespeito às nossas politicas de acesso e privacidade possibilita a adoção de medidas juridicamente aceitas.

  5. Comentários feitos para narrar partidas e bate-papo entre usuários do Blog serão eliminados, o que provocará desordenação e confusão na cronologia e histórico dos comentários. Não prejudique a compreensão dos comentários sobre o post. Utilizem o grupo de bate-papo do MSN para acompanharem jogos, especialmente aqueles que não tem a participação do Cruzeiro.

Estes parâmetros de segurança serão adotados nos demais espaços gerenciados pela Equipe Cruzeiro.Org, quais sejam: Site Cruzeiro.Org, Fórum Portal do Cruzeirense, Lista-Cruzeiro no Yahoo!, Listas e Blogs associados, Grupo de Mensagens Instantâneas no MSN, Comunidades associados do Orkut, Profiles do Twitter

Dúvidas e reclamações qualquer um dos serviços acima identificados devem ser enviadas para ombudsman@cruzeiro.org

Atualizado em 5/5/2010 – 10:00

A margem de erro

terça-feira, 4 de maio de 2010

Pedi ao Marcos Pinheiro, o analista de números do PHD, uma explicação sobre o que é, e como calcular corretamente, a margem de erro das pesquisas sobre torcidas.

Este é apenas um aspecto dos problemas que atormentam torcedores eufóricos ou insatisfeitos com os resultados das pesquisas.

Há muito mais o que se considerar quanto à metodologia das pesquisas. Mas isto fica pra outro post.

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