Calabocarrigo

Por Jorge Angrisano Santana | Em 1 de julho de 2010

Arrigo Sacchi, ex-treinador do Milan e da Azzurra, está encantado com Maradona. “É um revolucionário com este sistema 4-1-5!“, derrete-se o italiano.

Tolice. Há 45 anos, Aírton Moreira já havia escalado um time assim. Wilson Pìazza pretegia a zaga enquanto Natal, Dirceu Lopes, Evaldo, Tostão e Hilton Oliveira se dedicava a atacar.

Em caso de dúvida, perguntem ao goleiro Raul Plassmann, que não se cansa de comentar a ousadia do irmão do Zezé e do Biscoito.

E tem mais: ao invés de um enxadista como Mascherano, a Academia Celeste tinha em Piazza um centromédio que tratava com respeito a charmosa G18, bisavó da Jabulani.

17 comentários para “Calabocarrigo”

  1. Jorge Santana,
    Desde sempre acreditei que o futebol vice de funções.
    Existem os que se dedicam prioritariamente à defesa. Existem os que se dedicam prioritariamente ao ataque. E existe os que fazem funções defensivas ou ofensivas de acordo com a situação do jogo.
    Muita vezes você sente uma equipe recuar em campo, como resultado da movimentação do adversario.
    O futebol da moda de hoje é o Jogar no erro do adversário… Dar o contra-ataque a qualquer adversário pode ser letal. E se o adversário tiver peças com a categoria e vigor físico de um Maicon, Daniel Alves, Ramires, Kaká, Robinho, Nilmar, Luiz Fabiano, Grafite ou tiver no meio jogadores da categoria de um Alex10 que faça passes longos, então, é um maná.

  2. O Cruzeiro de 66 era um time moderno a seu tempo.
    Pedro Paulo e Neco se preocupavam primeiro em defender, mas, também saiam de trás para finalizar.
    Piazza fazia funções defensivas, mas, entre 66 e 67 fez 13 gols com a camisa do Cruzeiro, sempre aparecendo na frente como uma surpresa.
    Dirceu Lopes e Tostão faziam o vai e vem. Mas, é importante se lembrar que Natal voltava até o meio como frequencia e que Hilton Oliveira voltava até o meio e esperava que o lateral o acompanhasse para se desgarrar em desabalada carreira.
    Evaldo, sabia voltar e abrir os espaços por onde entravam Natal, Tostão, Dirceu e até mesmo Hilton Oliveira (fazia bem demais a diagonal).
    Ora, o segredo daquele time era unir a categoria imensa de seus jogadores, à juventude do meio e ataque.

  3. Procópio e William eram zagueiros, mas, subiam nos lances de bola parada como córneres e faltas laterais.
    Tostão e Dirceu Lopes eram geniais do meio para a frente, mas, também sabiam marcar. Assim, já vi o Cruzeiro encolher, trazer o adversário mais para dentro do seu campo para roubar a bola e surpreender o adversário como velocidade impressionante.
    O 4-3-3 da década de 70 era no Cruzeiro muito mais eficiente pois Joãozinho e Eduardo rabo de Vaca que jogavam de ponta, eram originários do meio e do futebol de salão. Tinham a visão de jogo, a capacidade do drible em velocidade (Joãozinho) ou senão nos lances em progressão (Eduardo), mas, voltavam até o meio para fechar os espaços.
    Marcar bem também é uma arte.

  4. O time argentino dos dias atuais não joga em 4-1-5 coisíssima nenhuma.
    Jonas Gutierrez + Henize fazem a linha de zagueiros com De Michellis + Samuel (Burdisso).
    Aí o meio tem Mascherano pela esquerda e Verón pela direita. De Maria pela esquerda e Messi flutuando por trás dos 2 atacantes que são Tevez e o Higuain (Milito).
    O esquema é o 4-3-1-2 clássico, apenas com uma diferença. O lateral pela esquerda praticamente fica mais atrás e portanto a incursão pelo flanco esquerda é feita ou por Di Maria ou senão por Tevez que se desloca de lado a lado. Higuain é a referência centralizada.
    Messi, vem pela direita ou também se infiltra pelo corredor oposto a Tevez, de forma a sempre se ter opção de atacar pelos 2 lados.

  5. Assim, as semelhanças com o esquema do Cruzeiro de 66 são muito grandes, embora adaptadas à condição física dos dias de hoje.
    Piazza seria Mascherano. Dirceu Lopes seria um organizador de jogo como Verón. Natal seria o Di Maria invertido. Tostão seria Messi, só que atuando mais pela faixa esquerda do gramado. Evaldo seria Higuaín. E Hilton Oliveira seria o Tevez, só que com muito mais mobilidade.
    Neco sobe tão pouco quanto Heinze.
    Pedro Paulo se aventurava ao ataque tão esporadicamente quanto JOnas Gutierrez. E os 2 beques Burdisso e De Michellis replicariam William e Procópio.
    Então, para os que viveram este tempo, que conheci por ler e estudar a história do clube, como é o seu caso, do Evandrão e do Damas fica a encomenda.
    Um abraço – JCDuarte

  6. Jorge Santana disse:

    Há controvérsias, João. Hilton jamais fazia facão. Natal, sim, tanto ia à linha de fundo quanto aprecia como centroavante. PP apoiava de vez em quando. Neco ia até o meio de campo e entregava a bola pra quem estivesse livre. Procópio e William eram becões típicos. Uma mais clássico, saia jogando, outro mais rebatedor, ficava mais na sobra. Piazza fazia a contenção, mas sabia sair para o ataque como homem-surpresa. Tostão tanto armava quanto conlcuia. Evaldo era um centroavante móvel, que se deslocava permitindo a chegada dos meias. Já Direceu Lopes era inclassidficável. Um líbero atacante. Jogava e fazia o que bem entendesse. Dirceu era infinitamente melhor do que Messi, Maradona, Platini, Zico e quem mais se candidatar a uma comparação. Pena que o jogo não fosse tão midiático.

  7. Jorge Santana disse:

    De qq forma, o que espanta o Sacchi, que vem de uma tradição de futebol defensivo, é qa quantidade de jogadores que sabem atacar na Argentina: Di Maria, Messi, Higuain, Tévez e Rodriguez ou Verón (este fazendo a bola viajar ao invés de entregá-la a domicílio). Pro italiano, isto é uma avalanche, daí o pitaco do 4-1-5. Pra ele, quando toda essa gente aparece pra atacar, o 4-3-1-2 só existe no papel. Sorte da Argentina é toda esta gente ter chegado em boa forma à Copa. O Brasil não tem uma turma assim. Kaká está baleado, Robinho comeu cerca até cansar no ManC, o Fabuloso passou por contusões sérias, R9 e R10 são páginas viradas na hstória do futebol. As novidades seriam Ganso (que tb está chumbado), Neymar e André, que Dunga descartou por inexperiência. Dos volantes, só Ramires está na ascendente. Felipe fez péssimo campeonato italiano, Gilberto Silva e Elano estavam no ostracismo. Ajudam mais pela experiência, mas já não são capazes de brilhar. Sorte é a turma da cozinha estar em bom momento. Se o Michel deslanchasse, ficaria ainda mais sólida a defesa e mais perigoso o ataque. Pena, o Alex10 jamais ter se firmado no conceito dos treinadores da seleção. Ele, sim, poderia fazer a diferença. De qq forma, mesmo sem as melhores condições, o Brasil pode surpreender a Holanda e avançar. A conferir.

    • Sobrinho disse:

      Comentário do JS sem forçar a barra né todo dia que se vê não! Num Brasil e Argentina aposto no Brasil, porque num duelo entre ataque do Brasiil e defesa argentina dá ataque brasileiro fácil. O contrário o Messi vai ter jogar muita bola para superar Lúcio, Ruan e JC.

      • Jorge Santana disse:

        Sobrinho, se não gosta, não leia. Se há tanto PVC, PCV e RMP por aí,. por que ler o JS? Pra mim, não faz a menor diferença me lerem ou não. Vc deveria ler apenas os comentaristas profissionais, os que jamais forçam a barra.

  8. Naldo disse:

    Este esquema do Maradona foi um aborto. Ele deu uma baforada, distribuiu as camisas e nasceu este esquema que o SACCHI acha uma maravilha. Vai virar abóbora assim que pegar o Brasil, se é que vai pegar.

  9. Elias disse:

    Alex10 é um desses casos inexplicáveis do futebol…

  10. Danilo_VIX disse:

    Obrigado ao Chiabi e ao JS por uma aula espetacular de história que acabei de ter…. Maravilhosos depoimentos, inigualáveis!!!

  11. Elias disse:

    Perguntaram-me sobre o jogo de daqui a pouco: Sem prognósticos. Jogo dificil, decidido a favor do time que tiver os nervos no lugar, opções de banco e uma pitadinha de sorte, que acompanha os campeões.
    Se vou assitir: Claro. Se vou torcer pro Brasil: Claro.
    Se vou sofrer: NÃO!
    Afinal descobri que se tiver um mal súbito, somente nos jogos do Cruzeiro.
    Com a seleção brasileira nunca…

    • Douglas_Sorocaba disse:

      Elias foi vidente e preciso nos comentários, hein!
      Eu também não sofro pela selação, há muito tempo. Já basta quase infartar em cada jogo do Cruzeiro.

  12. Arthur disse:

    vamos a um comentarista que não força a barra… bem deixa eu pensar, estou pensando… uma hora depois, continuo pensando, ..ufa, achei um, se chama JC, endereço dele: paraiso.com, no jornal celestial.

  13. Rodrigo-bsb disse:

    ola