Aldair Pinto, o chefe da torcida

Por Jorge Angrisano Santana | Em 5 de março de 2007

Estivesse vivo, Aldair Pinto, chefe da torcida do Cruzeiro nos Anos 1960/70, teria completado 85 anos, ontem. Aí vai uma historinha do grande cruzeirense que também foi o maior animador de auditórios do rádio mineiro. Quem souber outras histórias dele, por favor não deixe de contá-las.

Apenas uma vez Aldair abandonou a charanga. Nos 3 x 3 de 1967, quando o Atlético-MG fez 3 x 0 e o Cruzeiro parecia batido, ele entregou os pontos. Desesperado, desceu para o estacionamento, pegou o carro, saiu do estádio e tomou a direção de Pedro Leopoldo. No caminho, entrou numa estrada vicinal, parou debaixo de uma árvore, fechou os vidros e dormiu. Só acordou quando ouviu um grito de gol no rádio de um sujeito que passava pela estrada. Era noite, o jogo já devia ter acabado há muito tempo, mas e a coragem para abrir a janela e perguntar o resultado? O passante já ia sumindo na estrada com o rádio berrando um gol atrás do outro, quando Aldair criou coragem: “Quanto ficou?” Quando soube que o Cruzeiro havia empatado o jogo mais perdido da história, Aldair enlouqueceu. Gritou e pulou sozinho na estrada deserta. Depois, entrou no carro e voltou, buzinando, pra Beagá. 

Fonte: Páginas HeróicasOnde a imagem do Cruzeiro resplandece

19 comentários para “Aldair Pinto, o chefe da torcida”

  1. Ivan Monteiro disse:

    Jorge, infelizmente nao me lembro de outros casos da epoca! Mas vou aproveitar o episodio do saudoso Aldair Pinto para explicar o comportamento duma parte da torcida(a mais jovem, acredito), que anda desconfiando demasiadamente do time! Talvez a expresao correta seja “justificar” o desse pqueno grupo! Imagine voce, se o grande ALDAIR PINTO, num determinado momento, teve duvidas quanto a capacidade do time e entregou os pontos, temos que compreender os torcedores mais mocos que ja andam jogando a toalha, pedindo cabecas e desancando o time atual! Somente hoje, vi tanto torcedor descendo para o estacionamento, pegando o carro e indo embora que fiquei estupefado! Tomara que estes mesmos torcedores, assim como o querido Aldair Pinto, tenham a coragem de perguntar o placar e regressar a BH, para torcer como se deve!

  2. Franklin Bronzo disse:

    Em meados dos anos sessenta, mais ou menos no início da era da Academia que deslumbrou o país, voltava eu de mais um dia de aulas na Escola de Engenharia da UFMG (naquela época, ainda UMG), vindo da famosa esquina Espírito Santo/Guaicurus e passando pela altura da Rua São Paulo. Conhecia o Aldair Pinto apenas pelos seus programas de auditório, via Rádio Guarani e, também, pela nossa incipiente TV Itacolomi. Além de sua marcante presença à frente da charanga, no ainda limitado espaço reservado à torcida cruzeirense, à direita das tribunas. Pois bem. Foi uma cena simples, que, no entanto, vem-me à memória como um “flash”. Aldair atravessava a Afonso Pena, rumo à São Paulo, quando um seu possível conhecido gritou-lhe, saudando-o com intimidade : “–E aí, Crioulo, tudo bem?…”. Ao que o grande animador e sempre irreverente chefe da charanga retrucou, no ato, com o seu habitual bom humor : “–Epa!…Crioulo, não. Moreno, queimadinho de praia e xodó dos brotinhos!…”. E sumiu, lépido e imponente, por entre os transeuntes, rumo à sua querida Rádio Guarani. Grande e inesquecível Aldair Voyames Pinto…

  3. Evandro disse:

    Aldair Pinto ao chegar em BH (era radialista no interior de MInas) não era cruzeirense.
    Ser cruzeirense no interior de Minas antes do Mineirão era raridade.

    Durante muito tempo apresentou festas e eventos no Sindicato dos Tecelões, ali defronte ao Depto de Investigações da Lagoinha. Uma das artistas que se apresentava ali (era tecelã da fábrica da Cachoeirinha) era Clara Nunes que declarou-se cruzeirense… outro artista que ficou famoso e foi apoiado por Aldair era Agnaldo Timóteo que, mesmo sendo botafoguense, usou a camisa do Cruzeiro num recente reality-show (com a permissão do San Jorge!!!).

    Mas Aldair Pinto foi bastante influenciado pelo meu pai, parceiro dele nas festas do Sindicato dos Tecelões, para ser cruzeirense e contrapor aos cacarecos e pomponzinhos que dominavam o rádio mineiro… ali nasceu a preferencia dele pelo Cruzeiro e a luta que travou em todos os momentos qu e esteve no rádio.

    Estive JUNTO à charanga, durante muitos anos da minha vida. Talvez, por isso, seja um pouco intolerante com estes torcedores que só vêm jogo de vitória. Nem PPV os caras vêem com as mais esfarrapadas desculpas. Domingo de jogo o pessoal da charanga se reunia na esquina de rua Formiga com Av. Antônio Carlos (defronte a Minas Diesel), perto do Sind dos tecelões MUITO antes do jogo começar… Infelizmente é uma das coisas que sem apoio não dá para sustentar… que o diga Ivan Pinto, neto de Aldair Pinto e que tentou retomar a charanga e as dificuldades são enormes.

  4. Evandro disse:

    Ah!

    Um doce de leite com queijo minas para quem adivinhar para qual time Aldair Pinto torcida quando chegou a BH.

  5. Bruno Vicintin disse:

    O Doce de leite com queijo nao vou ganhar, sei la ou era america ou gaylo.rs
    Otima lembrança foram pessoas como o Aldair que fizeram nossa grandeza uma pena que hoje eu veja tantos sangue sugas nas arquibancadas, que so entram no mineirao porque ganham ingresso e mesmo assim nao apoiam!

  6. Bruno Vicintin disse:

    Sobre seu filho foi bonita sua entrevista na radio itatiaia apos o jogo de domingo, provavelmente a unica coisa que valeu na transmissao daquela radio porque ouvir os comentarios do lelio gustavo é foda!

  7. rdish disse:

    Evandro, vou chutar … Santos?

  8. Evandro disse:

    RDish,

    ERROU.

    Um dica…. não era um time mineiro.

  9. Filipe Braga disse:

    Botafogo???

  10. Wulfgar disse:

    Botafogo do Rio de Janeiro. ;)

  11. Evandro,
    Aldair Pinto era tricolor ?

  12. Roberto Q. Lautner disse:

    Acompanho o Wulfgar:

    Botafogo-RJ.

    Evanddro,
    pode enviar o queijo minas e o doce de leite por sedex. (rsrsrs).

  13. Ronaldo disse:

    Blog:

    Cheguei a ir ao Mineirao na epoca da Charanga do Aldair Pinto, eu era bem novo. Final da decada de 80.

    A Charanga ficava entre a cativa e onde a Mafia fica hoje. Correto? Corrijam-me se estou enganado!

    Abc. Ronaldo.

  14. pinna disse:

    Eu estava naquele jogo e não esmoreci. Pelo contrário, lembro que nos bares e banheiro, no intervalo, o comentário era um só: vamos virar este jogo.
    Aldair Pinto, a camisa amarela do Raul, o grito de CACHORRADA, fazem parte da história do Cruzeiro. Óbvio que existem outros, só que sou péssimo para nomes/datas, mas tenho “memória”

  15. Evandro disse:

    Era Botafogo.

    Vai ser dificil dar o prêmio.

    O primeiro que escreveu Botafogo-RJ (Filipe Braga) o fez perguntando… EU perguntei… queria ver a resposta…

    O segundo a responder (Wulfgar) foi veiaco (como diz o Sanjorge, “… com este Google, fica fácil demais…”).

    Vou ver quem merece O prêmio e nada de entrega a domicílio.

  16. Filipe Braga disse:

    Ahhh Evandro… vc disse “quem advinhasse” ganharia o prêmio. Se fosse “quem respondesse”… advinhação sempre leva um tom interrogativo na resposta…

    Abs

  17. Roberto Q. Lautner disse:

    Evandro,

    segundo é o primeiro do últimos, terceiro e o segundo. Também quero ser incluído na lista, pô!

  18. Luiz Martins disse:

    Com três dias de atraso, quero deixar meu registro. Não posso perder a oportunidade.

    Eu acompanhei o Aldair Pinto nas rádios Itatiaia (Aldair Pinto Show, final da década de 70), Capital (Capital Cidade Aberta, início da década de 80), Inconfidência (Aldair Pinto Show, década de 80) e Mineira (Programa Aldair Pinto, passagem rápida). A rádio do coração do Aldair sempre foi a Inconfidência.

    Foi o camisa 10 dos comunicadores de Minas. Um dos maiores do Brasil.

    Cruzeirense apaixonado. Totalmente irreverente. Detonava os pateticanos, chamava a torcidinha deles de cachorrada. Quando perguntado porque não era pateticano, dizia: “não sou filho de chocadeira”. Falava tudo isso no ar, tinha uma grande audiência. Arrebentava o emplumado e pasteurizado José Lino nas manhãs do rádio de Belo Horizonte.

    Era uma figura fora do comum. No Mineirão entrava com a Charanga e levantava a torcida. A revista Placar publicou uma matéria, na década de 70, que mostrava a importância da Charanga para empurrar o Cruzeiro no gramado e também para abafar as vaias nos momentos mais conturbados.

    A homengem dos cruzeirenses semi-novos ao Aldair Woymes Pinto.

    Se ele tivesse liderado a charanga do Flamengo ou do Corinthians com certeza estaria imortalizado pela grande imprensa. Infelizmente o rancor da jabazeira imprensa pateticana não permite a justa homenagem.

    Mas, não tem problema não, o livro do Jorge e este Blog registra a importância do cruzeirense que cansou de dar porrada na cachorrada. Valeu Jorge!

  19. Aldair Junio Woyames Pinto disse:

    Bom, ja faz muito tempo que todos comentaram, mas como o filho caçula deste homem ao qual vivi desde meu nacimento e até ele falecer so tenho a agradecer em nome do mesmo tantas alegrias e historias que venho escutando até hoje. Obrigado a todos pelo carinho para com meu pai!!! salve Cruzeiro