Há algum tempo, o ídolo de quase todos, Chico Buarque, disse que só havia dois brancos de verdade no Brasil: Xuxa e Taffarel. Si non è vero, è ben trovatto. Este é um país de mestiços. E, embora tenha racistas, não é um país racista. Complicado? Pra muita gente, sim. É de dar nó no cérebro. Mas é assim que funciona.
Mostrar o óbvio, contudo, é perdade tempo. A moda é copiar os USA. E lá, por muito tempo, houve segregação física, espacial, psicológica e cultural entre pessoas com peles de cores diferentes. Chagas que o tempo, a luta pelos direitos civis e a construção da auto-estima dos antigos segregados trataram de cicatrizar. Aqui, não. Quem tem grana, se dá bem. Brancos, e, sim senhores, negros também. Desde bem antes da abolição. E não acnteceu só com Chico Rei – não o cantor de sambinhas, mas o escravo de Vila Rica.
Mas, como ia dizendo, trata-se de uma discussão perdida antecipadamente. Intelectuais brasileiros, mesmo com todo seu antiamericanismo, copiam a América. E tome cotas, discursos acerca da consciência negra e papos afins. E, pior ainda, tal qual aconteceu no nazismo, tome classificação racial nas escolas!
O que os intelectuais tabajaras se recusam a aceitar é o fato de não existirem raças. É científico. Eles não ouvem a voz da ciência. Nem mostram intenção de largar o osso. Vá perguntar a quem trombeteia ser este um país racista se topa dividir sua polpuda conta bancária com as vitimas do racismo que alega existir. Os bem-pensantes não dividem coisa alguma. Nem com negros e nem tampouco com brancos e mestiços pobres. É pura festa da palavra desarticulada com o gesto.
Foi nesta onda que o ala Gabriel levantou sua bandeira anti-racista, ontem. Não fez mal. Nem bem. Foi só propaganda. Deu em nada. Nem a ESPN do B reparou. Tenho a impressão de que o povo pobre, negro, mestiço, amarelo, vermelho ou branco, não percebe o que o rico Gabriel tá querendo. O capitalismo nivela cores e e sexos. Todo mundo é consumidor de serviços e mercadorias e vendedor de força de trabalho. Não importa a cor da pele ou o sexo. Formalmente, todos são iguais no âmbito da relação entre capital e trabalho.
Agora, no dia em que alguém chutar, de novo, a Santa Padroeira ou esculhambar o Pelé, símbolos mais importantes da fé brasileira, aí, sim, o bicho vai pegar. A santa pelo que representa para quem sofre. O Rei pelo que representa para quem corre atrás do sucesso. Como a maior parte dos que jogaram, ontem, ao lado do Gabriel. Dos 26 em campo, 16 eram negros, 10, brancos ou mestiços. Todos ricos para os padrões brasileiros.
O Gabriel que trate, pois, de jogar bola mais redonda do que a que anda rolando. Só com marketing ele não vai se dar bem. E jogando mal, jamais será ouvido. Pelé, repito sempre, sem discursar, mostrou o caminho. Competência é que põe a mesa. Lição que milhões de brasileiros de todas as cores aprenderam e, por isso, vão tratando de meter o pé na porta do sucesso. Com ou sem campanhas.
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Um monte de gente da mídia esportiva, aproveitando a data que homenageia Zumbi dos Palmares, fez a sua “seleção” de todos os tempos de jogadores negros…
Creio que deveriam fazer a de mulatos e mestiços…
E também a de brancos…
Valendo somente jogadores brasileiros…
SanJorge,
Vai arriscar fazer as três?
Aposto que a melhor é a de negros.
Aliás, dizer que “…O que essa gente se recusa a aceitar é o fato de que não existem raças…” foi a melhor passagem. SEM COMENTÁRIOS. Não precisou nem de um “decreto” para determinar isso…
e, finalmente…
1) O Gabriel tem que se preocupar em JOGAR BOLA;
2) Tô ansioso para saber se a santa teve seu manto repintado. Será que os caras acharam seis anos pouco… pintaram o manto de qual côr?
A ciência não comunica descobertas por decreto. Há raças de cães e gatos, não de homens.
A de brancos, conforme ensina Chico Buarque, vai de Taffarel, Cone, Cone, cone e Cone. Cone, Cone, Cone e Cone, Cone e Xuxa.
As outras são inescaláveis. Afinal, vá escolher 22 em quase 200 milhões…
Que chato!
Fizeram uma guerra mundial por causa disso…
Será que não sabiam que raça é para cães e gatos?
Ou será POR ISSO (cães e gatos vivem às turras – embora uma paulistana tenha apresentado esta semana um bicho que foi obtido pelo cruzamento de um cão com uma gata – seria isso uma raça superior ou inferior?) que brigaram?
A seleção do Chico Buarque de negros foi razoável!
Os nazistas acreditavam em raças. Decorre disso, boa parte do desatino deles.
E o Chico Buarque é sempre razoável.
Este ano, jogadores e cartolas cruzeirenses foram pródigos em “campanhas” e falatórios, em lugar da prática elementar que, deles, a torcida esperava. Universidades, estádio, anúncios anti-racistas…Gabriel, jogue bola: “tu vuoi fare le nozze coi fichi secchi”…
Veludo, Djalma Santos, Domingos da Guia, Zózimo e Everaldo; Zé Carlos, Didi e Zizinho; Garrincha, Leônidas da Silva e Pelé.
Gilmar, De Sordi, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Piazza, Gérson e Rivellino; Julinho Botelho, Zico e Tostão.
Tá bom, aceito o desafio do Evandro. Aí vão as três seleções:
Negros: Dida, Pedro Paulo, Luisão, Darci Menezes e Vanderlei Lázaro; Juca e Zé Carlos, Roberto Batata, Evaldo, Jairzinho e Rodrigues.
Mestiços: Geraldo II, Souza, Caieira, Duque e Neco; Pires e Dirceu Lopes; Raimundinho, Ronaldo, Ismael Caetano e Joãozinho.
Brancos: Raul Plassmann, Maurinho, Cris, Bibi e Sorin, Wilson Piazza e Amaury de Castro; Natal, Niginho, Tostão e Alcides Lemos.
O Chico não é sempre razoável senão, onde ele classificaria a Angélica? Seria como neguinha?
Carissimo Jorge,
Permita-me divergir sobre o assunto em questão. Considero que vc acerta ao colocar fatores objetivos como forma da avaliar o tema. Deste ponto de vista temos na Ciência um fator a responder a questão.
Porém também de forma objetiva, temos outros aspectos que podem demostrar justamente o contrário. Do ponto de vista social temos exemplos de diferenças etnicas que se demostram no dia a dia brasileiro. Sejam em renda media por raça (etnia), salario medio no mesmo cargo, niveis de desempredo, etc na área profissional ou número de estudantes em IES (inclusive em Salvador), comprovaremos que a mesma etnia majoritária é excluida socialmente.
Não gostaria nem de entrar em aspectos subjetivos, ideologicos ou televisivos pois dariam enormes margens a interpretações.
Sendo assim não considero nenhum problema em campanhas pelo resgate a “consciência negra” ou “contra o racismo”, acho legitimas e dou apoio a quem a levanta estas campanhas. Apesar da campanha e do rendimento do jogador em questão, acho que uma coisa não impede a outra. De fato também concordo contigo sobre modismo de “famosos” ricos em campanhas socias passando imagem de bons e conscientes… sem sequer ter e saber de tais problemas, mas não me parece ser o caso do mesmo pelo conteudo da entrevista em questão… pode ser… mas independente disso gosto de ver o tema exposto.
Abs.,
Walterson,
A Angélica é mestiça…
Lembra da pintinha preta?
Putz, Evandro surrupiou minha piada. Pensei exatamente nisso. Falsa loura!
No time de brancos que escalei, acho que somente Raul e Bibi são europeus. Os demais, buscando há de se encontrar ascendentes negros e indígenas.
No time de negros, Jairzinho e Rodrigues tb têm ascendentes brancos e indígenas.
A classificação importada da Alemanha hitlerista não funciona no Brasil.
Ainda bem.
Já que o negócio é desafio dos bons aqui vai a minha seleção cruzeirense – brasileira dos brancos :
Brancos (4-3-3) : Raul, Nelinho, Cris, Procópio e Nonato; Piazza, Douglas e Alex; Natal, Tostão e Hilton Oliveira…
Mestiços (4-3-3) : : Geraldo II ( P. C. Borges), Souza (pai do Fernadão, Dácio e Sérgio hoje ótimos funcionários do Cruzeirão), William, Caieira e Neco; Donizete Oliveira (Boiadeiro também jogou demais no clube nos anos 90), Eduardo Rabo de Vaca e Palhinha I (Tostão II também marcou época na década de 80); Roberto Batata, Ronaldo Fenômeno e Joãozinho…
Negros (4-3-3) : Dida, Balú (Pedro Paulo), Luisão (o que hoje joga no Benfica), Darci Menezes (Luizinho merece menção honrosa) e Vanderlei Fantasminha (mesmo tendo perdido aquele pênalti sempre foi um ótimo lateral); Zé Carlos, Dirceu Lopes e Jairzinho ; Deivid, Evaldo e Lima (jogou mais tempo que o Rodrigues).
Dei uma reforçada nos branquelos com o Alex é bem verdade. Tenho certeza de que serei perdoado pela forçada de barra, principalmente pelo baixinho Rossi que jogou muito no final dos naos 50 no Cruzeirão. Mas, não teria forma de encaixar tantos bons camisaas 10 que tivemos. Palhinha II ficou de fora.
Ô, João…ao que me conste, o zagueirão William era (é) branco…E o Palha I, apesar do “boné”, é bem branquinho também…Nonato, branco?…
Vejam escalação do Chiabi como é discutível. Aquele manda-chuva federal da classificação racial teria discordado dela.
Procópio, Nonato, Alex e Hilton Oliveira escalados entre os branos, são mestiços.
O mestiço William é branco.
E os negros Luizinho, Dirceu Lopes, Jairzinho, Deivid, Lima e Rodrigues são mestiços.
Hitler enlouqueceria se tivesse que “purificar racialmente” o Brasil. Por via das dúvidas, mandaria torrar todo mundo.
Agora, num país maravilhosamente mestiço desses, aparece gente querendo reproduzir modelos americanos e europeus. Só por oportunismo político!
Tenham a santa paciência, cambada de demagogos! Melhor é tratar de parar de roubar o dinheiro público e aplicar as economias em educação. É a chave. O resto é trololó.
Filipe:
A desigualdade social no Brasil é imensa. Salta à vista. Ponto.
A mobilidade social tb é grande, embora, aparentemente, esteja caindo nas duas últimas décadas pelo npumeor inadequado de oportunidades que a população têm à disposição.
Há negros pobres, brancos pobres e, pricipalmente, mestiços pobres.
Por que há mais negros e mestiços pobres do que brancos pobres?
Em primeiro lugar porque o branco não foi escravo. Depois, pq o branco que chegou nas correntes migratórias tinha maior capacitação para trabalhos mais sofisticados, aqueles que permitem melhores rendimentos.
O africano chegou aqui numa desvantagem brutal. A maioria já era escrava na África. Foram comprados pelos portugueses, embora houvesse também captura pura e simples. Certo é que, derrotados em guerras tribais, negros eram vendidos aos brancos.
Se a África tivesse uma cultura superior ou, ao menos, mais capacitada para a guerra lá pelos anos 1500, os europeus é que teriam sido escravizados.
Infelizmente, o mundo é assim, Filipe. Os gregos, mais cultos, foram escravizados pelos romanos. Os judeus pelos egípicios. Chineses por japoneses. De formas distintas, mas foram. De alguma forma todas as, digamos, raças já passaram pelo cativeiro. Ou não foi assim?
Pois bem, os negros levaram tremenda desvantagem na comparação com as outras etnias, afora, as indígenas, na formação do Brasil. Mas, sob o capitalismo e a democracia, estão tratando de superar as diferenças.
Se o Norte tivesse perdido a guerra civil americana, e a economia fosse durante mais tempo mais agrária do que industrial, lá também os direitos civis teriam demorado mais tempo para serem obtidos.
Por isso, acho que o problema brasileiro não é racial, mas econômico.
Quanto mais rápido o país crescer, quanto mais domocrático for, quanto menos os governantes roubarem, menos gente ficará na miséria.Gente com qualquer uma das 500 tonalidades de pele existentes neste país.
País cuja padroeira é negra. E cujo cidadão mais popular, senão tb o mais querido, tb é negro. Se fosse um país racista, não seria assim.
Quem fala em racismo, no fundo, quer que tenhamos pena de quem não é branco. Mas não quer mudar coisa alguma, na medida em que não reconhece que o pais precisa se liberar de amarras corporativistas, políticas, econômicas etc. Isso, sim, faz bem a todos. Mas não dá ibope e tira privilégios.
Abs,
JS
E mesmo com a vitoria dos yankees e a derrota dos confederados, os EUA ainda carregaram por muito tempo esse ranço entre brancos e negros que é histórico, vide kkk e outras manifestações de pura intolerância. Aqui no Brasil , não tivemos um Lincoln pra apaziguar as diferenças, mas tbém não era preciso, pois o nosso racismo sempre foi mais velado, e não tão explicito como nas terras do tio sam.
Abs.
Gente, e o Gabriel? O que disse o Gabriel??!
Gabriel não disse nada. E nem adianta. Só será ouvido se jogar bem, se se destacar. Ninguém se arranja no futebol senão jogando muita bola. O torcedor é implacável.
SanJorge,
Mas afinal, futebol não é diversão, cultura e arte?
Não APELA!