Afora jornadas esportivas, raramente ouço rádio. Mas, hoje, voltando mais cedo do batente, ouvi o Rádio Esportes, da Itatiaia. E me surpreendi com a vinheta do noticiário do Cruzeiro: o hino que a TFC lançou e foi adotado pela torcida, o “Vamos, vamos Cruzeirôôô…” Boa nova. Os protestos da torcida celeste começam a penetrar nas redações. Não poderia ser mesmo diferente. Jornalismo, antes de mais nada, é comércio. E comerciante não costuma desafiar consumidores. O negócio é insistir na exigência de tratamento eqüânime da mída mineira. Com jeito vai. Um dia ela acabará cedendo.
Arquivo de outubro de 2006
Com jeito vai
terça-feira, 31 de outubro de 2006O Rei-filósofo do Futebol
terça-feira, 31 de outubro de 2006Não vou falar de Marco Aurélio. Nem do treinador e nem do imperador romano. Antes, me proponho a homengear o Rei do Futebol, aquele a quem deveríamos rebatizar Rei-filósofo do Futebol. Como se verá adiante.
Quando Pelé dedicou seu milésimo gol às criancinhas pobres e pediu que se olhasse por elas, houve quem o chamasse de demagogo. Hoje em dia, quem vê tantas crianças nos sinais de trânsito é obrigado a dar razão ao rei. Alguma coisa devia ter sido feita antes de chegarmos onde chegamos.
Quando Pelé despediu-se do futebol no Cosmos, em Nova York, deu volta olímpíca gritando “love, love, love”. Afora, Caetano, o resto do mundo o chamou de piegas. Três décadas depois, estamos em meio a uma guerra de civilizações e ao mais descontrolado terrorismo de que se tem notícia na história da humanidade.
Pelé é daqueles que, diz um amigo meu, enxerga do outro lado da montanha. Prova disso é a mais recente obra eleitoral do povo brasileiro. Elegendo essa legião de mensaleiros, sanguessugas, vampiros, aloprados, requeijões, babalufs, baralhos e afins, nossa gente confirma o mais famoso de todos os vereditos reais: “o povo brasileiro não sabe votar!” E pensar que tantos intelectuais torpedearam o Rei por conta de frases tão simples quanto sabiamente premonitórias…
De minha parte, só tenho um pedido ao Rei-filósofo: “Candidate-se a presidente ou cale-se para sempre. Pare de nos alertar da inevitável e crescente esbórnia ou vá à luta para construir sua politéia tropical.”
P.S.: Não parece, mas é. Este post trata de futebol. É mais uma necessária referência ao Rei do Futebol que fez 66 neste outubro. Qualquer intervenção política será considerada, pois, off topic. Agora, sobre Platão e A República, pode-se falar à vontade.
O cruzeirense, segundo Garambone
segunda-feira, 30 de outubro de 2006Aposto que esse timelogo jamais foi ao Mineirão, não lê pesquisas, não conhece a história do Cruzeiro. Mas, como “trabalha na Globo”, se acha no dreito de falar e escrever sobre o que desconhece. Um Bozó redivivo. O original, tentava ganhar as mulheres falando de sua pretensa intimidade com o pessoal da emissora. Esse quer menos. Deslumbrado, corteja torcedores com brilherecos pseudo-intelectuais. E com a manjada arrogância da mídia do Eixo tenta ridicularizar um torcedor que não conhece. Esse Garambone não passa de outro Merchan anticruzeirense. Nossa melhor resposta é mudar de canal quando ele estiver pontificando no Arena Sportv.
“Timelogia
Sidney Garambone
Quando o blog inventou moda de jogar no ar a “Timelogia”, achou que a revolta popular seria gigantesca. Esperou muitos insultos e poucas contribuições. Mas os comentaristas são sensacionais e não só elogiaram a idéia de jerico, como deram idéias, retificaram, ratificaram e assim caminha a humanidade blogueira.
CRUZEIRENSE – Apesar do futebol, hoje, ser esporte de massa, diluído em todas as classes sociais, o Cruzeiro pertence àquela estirpe dos outrora times de elite. Acham o atleticano sem requinte, consideram o campeonato mineiro algo menor e nutrem uma aura internacional por causa das conquistas extra-Minas. Aliás, antes mesmo do São Paulo adotar esta internacionalização, o Cruzeiro já se sentia o mais globalizado dos brasileiros. Consideram-se vitrine perfeita para futuros craques, vide Ronaldinho e Fred. Mas são muito seletos. Se o time está mal, não lotam o Mineirão apoiando. E se está bem, pensam duas vezes antes de abandonar a TV a cabo. Os mais antigos creditam à Tostão, Dirceu Lopes e Palhinha o amor pelo futebol refinado. Os mais novos acreditam que foi em Belô que Luxemburgo realmente mostrou seu valor. Para terminar, dizem-se pioneiros nos centros de treinamento de grande excelência. Não à toa a Seleção cansou de se concentrar na Toca da Raposa antes da Granja Comary.”
Sidney Garambone, Jornalista, 40, é editor-chefe do Globo Esporte e debatedor do Arena Sportv. Tem mestrado, escreveu três livros e acha que futebol é cultura. – http://globoesporte.globo.com
Onze treinadores
segunda-feira, 30 de outubro de 2006João Chiabi Duarte
Sejamos realistas: estes treinadores não virão para o Cruzeiro em 2007.
-
Muricy, campeão com o São Paulo, não viria para cá agora.
-
Abelão já tem pré-contrato com um time da Europa e até indicou Cuca para lhe suceder no Inter.
-
Luxa é o melhor de todos, mas, teve aquele problema com os Perrelas e também não deverá voltar agora.
-
Mano Menezes, tirou o Grêmio da Série B e o elvou à Libertadores. Agora, não vai deixar de comer o filé.
-
Paulo Autuori tá com o boi na sombra e ganhando muito no Japão.
Sejamos realistas: se o Oswaldo sair, estes são nomes possíveis:
-
Renato Gaúcho, que faz um trabalho razoável com o Vasco. Não ganhou títulos, mas o time tem chegado. Vibra e cobra muito, por isso pode dar certo aqui.
-
Adílson Baptista é amigo dos Perrelas. Zezé chegou a comprar seu passe quando estava contundido. Ainda não trabalhou em grandes clubes, mas saiu-se bem no Figueirense e Paysandu. É meio boquirroto, mas, conhece as malandragens de futebol.
-
Caio Jr. faz surpreendente campanha com o Paraná, mas ainda o considero verde para assumir o Cruzeiro. Seria uma aposta.
-
Vágner Mancini é detalhista, disciplinador, estudioso e líder. Tem vivência dentro das 4 linhas. Faz trabalho continuado no Paulista, que subiu da C para a B. Perdeu praticamente todo o time titular, mas soube remontá-lo com outras peças. Sabe explorar os pontos fracos do adversário e não desiste nunca. Esta é uma boa aposta, afinal, nunca trabalhou em clubes grandes.
-
Edu Marangon possui temperamento explosivo. Inteligente, sabe posicionar um time em campo. Conquistou a Taça SP de Juniores. Acostumado a trabalhar com a garotada, seria interessante passar um tempo na base para depois assumir o time de cima. Gosto do jeito abusado que ele tinha como jogador e que leva para os seus times. Joga ofensivamente, o que é bom.
-
Tite fez bom trabalho no Grêmio, é motivador, mas carrega sempre a sua igrejinha junto. Aí mela tudo.
Fonte: www.cruzeiro.org
João Chiabi Duarte, 46, engenheiro metalúrgico, cruzeirense, nasceu em Conceição do Mato Dentro, mora em Vitória-ES, onde trabalha, há 23 anos, na Cia. Siderúrgica de Tubarão.
O calouro precisa de apoio
domingo, 29 de outubro de 2006Desde ontem, tenho ouvido críticas ao centroavante Jonathas. E também ao Ozzzvaldo Oliveira por ter elogiado o garoto. Por critérios estritamente técnicos, eu teria escolhido Nilmar, Fred, Wagner Love ou Liedson para a 9 estrelada. Aposto que treinador e cartolas do Cruzeiro também.
Mas como o clube não tem dinheiro para contratar essas feras, o negócio é descobrir talentos. E se o candidato à vaga tem de ser pescado na base, em meio ao principal campeoanto do país, a torcida precisa saber que ele pode não estar pronto aos 17. Tostão, Maradona, Rivellino, Pelé etc eram craques “antes de se apresentar ao Exército”. A maioria, contudo, vai se formando aos poucos. Sem apoio, naufragam. Ozzzvaldo está de parabéns por ter lançado e apoiado o garoto.
E ele realmente foi útil contra o Goiás. Deslocou-se, marcou a saída de bola dos zagueiros, chutou a gol, lutou sem parar, enfim, incomodou o adversário. É pouco? Elber, por contusão ou por falta de fôlego, não vinha fazendo nada disto. Além de tudo, vários centroavnates grossos se deram bem porque a posição abre espaço para taletos e também para oportunistas.
Entre os talentos puros, destaco Pagão, Toninho Guerreiro, Evaldo, Ronaldo, Romário, Müeller, JRLima entre tantos que fizeram história. Outros, aliando talento e força, também se deram bem. Niginho, Seeler, Pahinha, Dinamite, Seixas, Silva, Roberto César, Fred etc são expoentes deste grupo. Finalmente, vem o batalhão dos que aliaram força e esperteza e entraram para a história do mesmo jeito. Revetria, Luque, Dario José dos Santos, Vieri, Palermo etc estão nesta categoria, sem dúvida a de maior contingente.
Parece que o Jonathas vai descolar seu lugar neste último grupo. Se, é claro, a torcida ajudar incentivando e perdoando-lhe algumas gafes. Como, por exemplo, aquela que resultou no gol do Gladstone, ontem.
Deu zebra
domingo, 29 de outubro de 2006Dia desses, o Lance! publicou – 26 ou 27 de outubro – anúncio fúnebre da Timemania. Segundo o jornal, só agora se descobriu que créditos trabalhistas têm precedência sobre tributários. Antes de se acertar com o Governo Federal, os clubes têm de quitar dívidas com ex-empregados. Ou entregar-lhes as primeiras verbas a que tiverem direito nos concursos lotéricos.
Nesse ponto, o Governo há de se perguntar: “Que vantagem Maria leva nesse arranjo?” Já levou vantagem política, mas isto é passado. O calendário eleitoral indica que o Governo só se animará a praticar o bem com o dinheiro alheio daqui a quatro anos.
E tem mais. Pra entrar na bocada, o clube terá de confessar ou acatar cobranças de suas dívidas com o Fisco. Coisa que o SPFC, por exemplo, não topa. E o pior é que não tem arranjo possível. A lei que da Timemania, na hierarquia, é menos importante – os juristas da lista que expliquem como funciona – do que a que definiu a precedência dos créditos trabalhistas, verbas alimentares segundo me informa o Dr. Paulo Alberto.
Resumo da ópera: essa bocada não vai dar pé; vão ter que bolar outra.
Bandeira branca
domingo, 29 de outubro de 2006Continua a insanidade.
- Antes do Fla 1 x 3 Vasco: organizadas dos dois clubes entraram em guerra na estação do metrô de São Cristovão. Dois vascaínos da Ira Jovem foram parar no Hospital Souza Aguiar.
- Final do Flu 1 x 2 Grêmio: organizadas do Flu tentaram invadir os vestiários do Raulino Oliveira (Volta Redonda) para agredir jogadores do seu time. Impedidos, atiraram moedas e notas de 1 real sobre os atletas e pediram a queda do presidente do clube.
- Final do Santa 1 x 3 Fortal: a Jovem Tricolor ficou sem ônibus para voltar ao Ceará. O veículo foi incendiado na porta do Arruda.
- Metade do 2º tempo de Bahia 0 x 2 Ipatinga: tricolores invadiram o gramado da Fonte Nova para protetar contra seu time. O juiz encerrou o jogo e o STJD deve confirmar a vitória do time mineiro.
- Durante o Vila 1 x 5 Coritiba: torcedores do Vila invadiram o campo para protestar contra seu time.
- Final de Ponte 2 x 2 Bota: torcedores da Macaca brigaram com a PM dentro e fora do Moisés Lucarelli.
Ninguém será punido. Tudo voltará a acontecer na próxima rodada. A menos que a CBF hasteie uma bandeira branca tomando a única decisão possível neste país de aloprados: a abolição das derrotas e dos empates. Só assim, com todos os times vencendo todos os jogos, teremos paz no futebol.
Na briga, outra vez
sábado, 28 de outubro de 2006Projetando números da 31ª rodada, o Cruzeiro (45 pontos) terá de vencer 5 e empatar 2 das 7 partidas restantes para descolar vaga na pré-Libertadores 2007. Os números:
- Evitar o rebaixamento: 42 pontos
- Vaga na Sul-Americana: 52
- Vaga na Libertadores: 62
- “Bater campeão”: 78
Faltam disputar 7 partidas. O Cruzeiro precisará conquistar os seguintes percentuais dos 21 pontos restantes para:
- Evitar o rebaixamento: 0%
- Vaga na Sul-americana: 33%
- Vaga na Libertadores: 81%
- “Bater campeão”: 157%
O Infobola indica estas probabilidades para o Cruzeiro no Brasileiro:
- Ser rebaixado: 0%
- Conquistar vaga para a Sul-americana: sem cálculo
- Conquistar vaga para a Libertadores: 9%
- “Bater campeão”: 0%
O Chance de Gol indica estas:
- Ser rebaixado: 0%
- Conquistar vaga para a Sul-americana: 87%
- Conquistar vaga para a Libertadores: 11%
- “Bater campeão”: 0%
Se vencer Paraná, Vasco e Santa Cruz – tarefa dificílima, não impossível – o Cruzeiro passará, com certeza, a disputar a vaga para a pré-Libertadores como um dos favoritos. Teremos, então, 4 rodadas de pura emoção até o final do torneio. E até, quem sabe, uma final de campeoanto contra o Botafogo em 4 de dezembro. Se acontecer, o Mineirão ficará pequeno.
Um tempo brilhante, outro opaco
sábado, 28 de outubro de 2006Com Wagner jogando livre, sem obrigação de marcar e Jonathas movimentando-se muito, o ataque celeste funcionou e surpreendeu o Goiás. Envolvido, o time goiano não pôde se impor como sempre faz em seu campo. Aproveitando o domínio que tinha do jogo, o Cruzeiro foi marcando seus gols sem grande dificuldade, embora o segundo tenha resultado de um chute errado do centroavante recém-promovido dos juvenis.
Não fosse pelas falhas de sua defesa, outra vez sem proteção dos volantes, e pelas excelentes defesas de Rodrigo Calaça, o melhor em campo, o Cruzeiro teria liquidado a fatura no 1º tempo. O placar de 3 x 2 acabou por animar o Goiás que, mesmo com um a menos, dominou o 2º tempo colocando em risco a vitória celeste.
Foi dramático. Contra-ataques deperdiçados, defesa confusa – o cruzamento do Leandro no final do jogo contra sua própria área foi inacreditável – e a falta de objetividade na busca do quarto gol tornaram complicada uma vitória que deveria ter sido fácil. De qualquer forma, o time está mais vivo do que nunca na luta pela Libertadores.
P.S.: Oswaldo Oliveira demorou a alterar o time. Pelo pouco tempo que esteve em campo, Aldo mostrou que poderia ter ajudado mais na contenção caso tivesse entrado mais cedo. Jonathas, embora não tenha mostrado técnica apurada, lutou e dificultou muito a saída de bola do Goiás. É jogador a ser observado, não a ser hostilizado por eventuais deslizes técnicos.
GOIÁS 2 x 3 CRUZEIRO, sábado, 28 de outubro, 18h10, Serra Dourada, Goiânia, 31ª rodada do Campeonato Brasileiro 2006 – Público: não divulgado – Renda: não divulgada - Juiz: Rodrigo Martins Cintra (SP) – Bandeiras: Márcio Luiz Augusto (SP) e Giovani César Canzian (SP) - Amarelos: Danilo Portugal, Romerito, Rogério Corrêa e Cléber Gaúcho (Goi); André Luis, Martinez, Teco, Gladstone e André Luis (Cru) – Vermelho: Harlei (Goi) – Gols: Élson, aos 8, Gladstone, aos 18, Welliton, aos 20, Gabriel, aos 30, e Romerito, aos 46 do 1º tempo – Goiás: Harlei; Galeano, Leonardo e Rogério Corrêa; Vítor, Cléber Gaúcho (Juliano), Danilo Portugal (Rodrigo Calaça) Romerito e Jadílson (Luciano Almeida); Welliton e Souza. Tec: Geninho / Cruzeiro: Fábio; André Luis, Gladstone e Teco; Gabriel, Fábio Santos (Aldo), Martinez, Élson e Leandro; Wagner e Jonathas (Diego). Tec: Oswaldo Oliveira.
Com Vasco e sem Vasco
sábado, 28 de outubro de 2006A distância entre a 2ª e a 1ª Divisão é a mesma que separa o Gama do Vasco da Gama. Simples, não? Qualquer pessoa com QI mediano percebe, Ok? Negativo. O editor do Hoje em Dia, por exemplo, não se dá conta do óbvio. Na edição deste sábado, o jornal dedica a página principal do caderno de esportes à peleja das aves em Brasília. Para o jogão da 1ª Divisão, Goiás x Cruzeiro, restou metade de uma página interna. Quase toda ocupada por uma foto do Ozzzvaldo Oliveira. E ainda reclamam que ninguém compra o jornal… Se ainda estivéssemos no tempo em que se embalava ovo com papel.
Coração de mãe, nunca mais
sexta-feira, 27 de outubro de 2006“No Superesportes: ‘MP interdita a parte descoberta das gerais pela falta de visibilidade provocada pelas placas de publicidade.’ O Ministério Público descobriu que vender ingresso para um local que não dá para ver nada infringe o Código de Defesa do Consumidor. Com isso, a capacidade do Gigante da Pampulha deve cair para algo em torno de 48 mil, cerca de 36% dos 133 mil que o Cruzeiro já colocou lá dentro. Daqui a pouco, a Arena do Cruzeiro vai ser o maior estádio de Minas.” (Marcos Pinheiro)
O engenheiro Ricardo Raso, Diretor de Infra-estrutura da Ademg, explicou: “A capacidade atual do Mineirão é de 75.800 lugares. São 54.800 cadeiras e 21.000 gerais. A Ademg foi notificada e está consultando os dois clubes usuários sobre possível defesa com relação à decisão do MP. O Cruzeiro já informou que manterá fechada a Geral. O Atlético ainda não se manifestou. O que deve acontecer na próxima semana.”
O fato é que o Cruzeiro fatura mais com a publicidade estática do que os ingressos de geral. Já os emplumados, por estratégia de marketing, precisam das gerais para bater seus recordes. Sendo assim, ou tiram as placas ou compram os ingressos para alcançar o objetivos de ficar nas manchetes.
Tudo isto mudará se aprovado o plano de revitalização do estádio que prevê rebaixamento do gramado e construção de camarotes que se estenderão das atuais cadeiras de setor até a pista de atletismo. Concluída a reforma, o Mineirão poderá receber 68.000 espectadores. Pouco mais da metade do público daquele Cruzeiro 1 x 0 Villa que decidiu o Mineiro de 97.
Nunca mais o Mineirão será aquele coração de mãe onde sempre cabia mais um, mais cem, mais mil, mais dez mil etc…
Estrela Vermelha
sexta-feira, 27 de outubro de 2006Reproduzo, evidentemente sem rigor, diálogo entre Zezé Perrella e Orlando Augusto no Jogada de Classe, Canal 22:
– A imprensa quer comparar as campanhas de Cruzeiro e Atlético. Não pode. Uma coisa é a 1ª, outra bem diferente, a 2ª Divisão – reclama Zezé Perrella.
– Mas você tem de reconhecer que o Atlético está indo bem e deve conquistar mais um título – pondera Orlando Augusto.
– Grande coisa! Taí um título que eu teria vergonha de comemorar – rebate Perrella.
– Então, você não acha que o Atlético deveria colocar mais uma estrela em cima do escudo? – insiste o Orlando.
– Deveria, é claro, mas só se for uma estrela vermelha. Vermelha de vergonha! – mata a questão o Vice de Futebol do Cruzeiro.
Torcedor brasileiro só quer saber do que pode dar certo
sexta-feira, 27 de outubro de 2006Aquele trem já passou
E se passou, passou daqui pra melhor, foi!
Só quero saber do que pode dar certo
Não tenho tempo a perder
Só quero saber do que pode dar certo
(Go back, Titãs, Sérgio Brito)
Este post não existe. Trata-se de miragem. Era pra ser apenas um comentário a mais na lista do post anterior. Mas como não consigo me fazer entender, continuo tentando. Pra mim, o fracasso de público do Brasileiro não se deve à fórmula de disputa, mas ao modelo de calendário. Modelo que mata os estaduais ao esvaziá-los, torná-los sem sentido. E que, depois, obriga o torcedor a acompanhar um interminável Brasileiro de 38 rodadas. Uma morrinha copiada da Europa.
No início do torneio, o público não aprece porque a competição ainda não esquentou. No meio, várias torcidas já abandonaram seus times. No fim, outras tantas já estão de luto. Ou batendo em jogadores nas ruas e ateando fogo em bandeiras.
E isto continuará até que umas 30 grandes grandes torcidas brasileiras se acostumem com o apequenamento de seus clubes (o que vai acabar acontecendo). Quando ocorrer, elas aceitarão os papéis de coadjuvantes e figurantes que restarão para seus times e vão parar de sofrer, bater em jogadores e cair em depressão. Enquanto esse dia não chega, abandonam, sem dó nem piedade, seus times. Santa Cruz x Fortaleza que, no Nordestão, teria público de 25 mil, nesta 31ª rodada do Brasileiro levou 1,3 mil torcedores ao Arruda.
Muito diferente do que se viu em La Plata, capital da província de Buenos Aires, Argentina, nesta quarta-de-final da Copa Sulamericancao. No mais moderno estádio do continente - Duhalde torrou mais de U$ 100 milhões em sua construção – lotado, o Gimnasia tomou de 2 x 0 do Colo Colo. O time argentino, que nunca ganhou um título em mais de 100 anos de vida - e deve ser o mais antigo em atividade nas Américas -, já havia tomado 3 x 0 no Chile, perdia por 2 x 0 com 9 em campo. No final do jogo, contudo, sua torcida cantava e agitava bandeiras.
A Argentina é outro planeta em termos de relação da torcida com o clube. Fato relevante: há duas semanas, o Gimnasia tomou de 7 x 0 do Estudiantes no clássico da cidade. Mesmo assim, o time não foi abandonado por sua hinchada. Esta cultura não existe no Brasil. Aqui, perdeu, tchau! E se acham que o torcedor some por causa a violência, experimentem jogar no campo do 12º BI, o mais eguro de Belzonte. Com ou sem segurança, ninguém vai ao jogo do seu time se ele não estiver disputando algo.
Os emplumados, que hoje lotam o Mineirão, levaram 3 mil contra o América pelo Mineiro. Por respeito à cultura brasileira, penso que o calendário deveria ser montado de tal forma que uma competição classificasse para outra dentro da mesma temporada. E que, no ano seguinte, tudo recomeçasse do zero. Sem rebaixamento. Ou com rebaixamente apenas nos estaduais. E, pra parecer mais chique, confesso: meu modelo também é europeu! Algo como a Champion’s League com algumas copas satélites.
O torcedor brasileiro, que só quer saber do que pode dar certo, ia se esbaldar. Uma ilusão por trimestre! Melhor do que carnaval que é uma por ano (sem contar, evidentemente, as micaretas). Pelas minhas contas, nessa altura do ano, Fortal e Santa já teriam sido despachados da Champion’s e estariam disputando vaga pra seguir adiante na Copa CBF. E, como o ano já caminha para o final, em caso de derrota, logo, logo, tudo se reiniciaria sem grande sofrimento.
Bacana, não?
Ecos de um joguinho
quinta-feira, 26 de outubro de 2006- “O público no Morumbi? Só 16.593 pagantes, como era de se esperar.” (Juca Kfouri, em seu blog, sobre SCCP 1 x 0 SEP)
Uai, mas este modelo de organização das competições brasileiras, com um Nacional de ano inteiro, não resultaria num torneio só de clássicos, de grandes públicos e tantas outras promessas risonhas que vêm desde os tempos da Placar? O que deu errado?
- “Ambas equipes não têm nenhuma tática, só jogam na base da vontade. Não é à toa o estrategista Luxa sempre fala que o Leão não entende “patavinas” de tática.” (Milton Neves, em seu blogue, sobre SCCP 1 x 0 SEP)
Luxa tem razão. Leão é um treinador tosco. Aquele Santos de 2002 era mezzo Robinho, mezzo Diego. Sorte da torcida praiana que, por falta de alternativas, o ex-goleiro tenha sido obrigado a escalar os dois garotos. Leão está para um centro de treinamento como Miltion Neves para uma redação de esportes. Sobrevivem do talento alheio.
Colunistas azuis
quinta-feira, 26 de outubro de 2006Pra quem gosta de ler, pensar e discutir o Cruzeiro, eis uma amostra do que se pode encontrar nas colunas do www.cruzeiro.org
Vale a pena conhecer os colunistas do site.
Walisson Ferreira
“Pelo 3º ano consecutivo o Cruzeiro entra de férias bem mais cedo do que os adversários, a equipe não disputa título, não disputa vaga na Libertadores e fica com o consolo da Sul-Americana, ainda podemos perder essa vaga esse ano. A equipe terá pela frente mais 8 confrontos, sendo 4 em casa, provavelmente sem torcida, e 4 fora. Espero que nesse final de campeonato sem sal para nós Cruzeirenses, a equipe não repita os vexames dos anos anteriores quando foi goleada em alguns jogos finais. A diretoria do Cruzeiro precisa agir, não é possível que os anos anteriores não serviram de aprendizado. Tudo bem que clubes do eixo Rio-São Paulo tenham patrocínio e cotas de TV maiores que o Cruzeiro, mas isso não é justificativa para disputar campeonatos como mero figurante. Inter, Grêmio, Paraná e Figueirense são equipes fora do eixo que estão na nossa frente, sendo que 03 delas, se o Campeonato terminasse hoje, estariam na Libertadores 2007.”
Wilson Flávio
“O time azul é sempre assunto, mas raramente por motivo de bola rolando. Só em 2006 já fomos notícia por motivo de bar temático, faculdade, a novela do patrocínio, eleições para deputado, demissão no DM, imbróglio na FIFA, além de ações judiciais envolvendo atletas. Colocar a culpa na imprensa não procede, pois o combustível vem da Toca. Futebol fica em segundo plano e com a anuência da diretoria.”
João Chiabi Duarte
“Agora o Cruzeiro vai estampar a marca Xerox até o final de 2007, com o logotipo vermelho na camisa branca e com a marca em branco sobre a camisa azul. Gostei do arranjo e da exposição, pois, não ficou feio. Mas, me precupo com venda do espaço nos calções (Rivelli na poupança azul…nem pensar, pois, é feio demais) pois, normalmente fica feio demais. Nas mangas, que venha a Lousano que nos deu muita sorte em 2003. Mas, que ninguém se iluda, o clube perdeu $$$ e errou feio na estratégia para 2006. Estes 10 meses sem patrocínio não foram em nada positivos ao Cruzeiro, até onde pudemos notar. E perdemos a oportunidade de negociar um bom contrato quando se sabia que o clube ficaria 40 dias na ponta do campeonato (erro gritante de timing na minha opinião).”
Reiner Freitas
“A raposa é um mamífero carnívoro. É o mamífero selvagem mais frequente pelos solos da Terra. Tem na caça a busca do alimento usado para sua sobrevivência. Possui, dentre todos os animais, uma característica muito peculiar: um dos “cardápios” mais variados. Ela devora quase todas as espécies de mamíferos, de peixes, de aves, frutos e, inclusive, quando possível e necessário, cereais e restos de alimento humano. Ou seja, tem um instinto de sobrevivência aguçadíssimo. Ah… o som emitido pela raposa é chamado de regougo. Mas apesar das mais de vinte e cinco espécies espalhadas pela Terra é em solo brasileiro que está localizada a mais ilustre representante das raposas: a raposa azul.”
Jorge Schulman
“Não desejo para o meu Cruzeiro o mesmo que aconteceu com o meu River. Ao assumir o apelido arrogante de Milionários, por compras que davam marketing e pouco retorno de futebol para o clube, tivemos que esperar 18 anos para ganhar um título.”
Neuber Soares
“A que ponto chegamos depois daquele verdadeiramente glorioso e saudoso ano de 2003. Pelo visto, no entendimento de nossos dirigentes, atingimos nosso nível de excelência não sendo necessário absolutamente mais nada!”
Cruzeiro e Fla, os mais populares do Interior de Minas
quarta-feira, 25 de outubro de 2006Em 07jun02, o Datafolha entrevistou 2.793 brasileiros, a partir dos 16 anos, em 171 cidades do país. A margem de erro máxima, para o total da amostra, é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Brasil:
- Sem time: 23%
- Flamengo: 17%
- Corinthians: 13%
- Palmeiras: 8%
- São Paulo: 7%
- Vasco: 5%
- Grêmio: 4%
- Cruzeiro: 3%
- Botafogo, Santos, Internacional, Atlético-MG e Fluminense: 2%
- Outros times 10%
Em 23/24mai06, o Datafolha entrevistou 6.000 brasileiros, a partir dos 16 anos. A margem de erro máxima, para o total da amostra, é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Brasil:
- Sem time: 26%.
- Flamengo: 15%
- Corinthians: 13%
- São Paulo: 8%
- Palmeiras: 7%.
- Grêmio e Vasco: 4%
- Cruzeiro, Santos, Internacional e Seleção Brasileira: 3%
- Atlético-MG: 2%
- Fluminense, Botafogo e Bahia: 1%
- Outros times: 10%.
Belo Horizonte:
- Cruzeiro: 38%
- Atlético-MG: 37%
Interior de Minas:
- Cruzeiro: 22%
- Flamengo: 12%
- Atlético-MG: 8%
Minas, Interior e Capital:
- Cruzeiro: 26%
- Atlético-MG: 15%
Sejam Schumacher!
quarta-feira, 25 de outubro de 2006Acompanho a Fórmula 1 desde os tempos em que Emerson Fittipaldi guiva a Lotus. Meu interesse, porém, jamais foi suficiente pra assistir a voltas e mais voltas de baratinhas (era como, no meu tempo de criança, as pessoas chamavam os carros de corrida) num autódromo. Acho que minha última corrida, ao vivo, foi nos Anos 60, em volta do Mineirão. Piquet ainda corria de Fusca. Vavá ainda era titular na bequeira do Cruzeiro!
Pois bem, desta vez me animei. Pelo convite do meu filho, Pedro,e pela despedida do Schumacher. E, depois de tudo, só espero viver o suficiente pra contar tudo a meus netos: eu vi o maior piloto de todos os tempos correr. E como ele correu! No sábado, parecia que a pole seria mais fácil que enfiar faca na manteiga. Mas o carro quebrou.
No domingo, fomos pra Interlagos sem saber se ele sairia em 10º com motor pouco confiável e carro pesado ou em 20º com motor zero e carro leve, Sabíamos, contudo, que com o sapateiro (o alemão schumacher equivale ao inglês shoe maker etc) fazendo jus a nome, iria “sentar a bota” qualquer que fosse a escolha. Correr, seja lá por que objetivo for, é sua vocação.
Apesar da expectativa, o que e tinha como mais certo era trânsito lento, fila pra entrar, sol ou a chuva na cabeça durante 4 horas ou mais e saída caótica. Não aocnteceu nada disso e, pra dizer a verdade, se tivesse acontecido tudo isso, ainda assim, teria valido a pena. Quanto acende-se a luz verde e as “baratinhas” disparam, a adrenalina acompanha o ritmo. Não dá pra não se emocionar.
E com o alemão na pista, nem mesmo a um alemão se permitiria não se emocionar. O cara partiu pra cima dos rivais sem muito cálculo, sem medir consqüências. Com duas voltas, quatro adversários, que largaram à sua frente, já comiam poeira. Mas o pneu furou e o heptacampeão teve que se recolher aos boxes.
Qualquer um teria ido pra casa. Não havia mais campeonato a disputar. Mas o cara voltou. E o resto, vocês viram, com certeza, o resto é pura história: 14 ultrapassagens e luta, muita luta, não mais pelo impossível título, mas por um mero lugar no pódio.
Não deu pódio. Mas sobrou lição de vida, de competitividade. Massa venceu com talento, Alonso foi campeão, mas o nome do dia foi Michael Schumacher, um cara que alia talento à garra. Um gênio absoluto que só os mais mesquinhos insistem em não reconhecer. Um cara que jamais sairá do meu cadernino dos intocáveis.
Fosse dirigente do Cruzeiro, eu convocaria o time para preleção e não diria uma palavra. Exibiria o teipe da corrida de Interlagos. Com todo seu talento, com toda sua história, Michael lutou como se estivesse decidindo o único título de sua vida, como se fosse o primeiro, como se fosse oportunidade única na vida. Questão de respeito à própria biografia, ao público, ao esporte, vá lá, aos negócios, mas, sobretudo, à vida.
Não seria oportuna lição pra jogadores que ainda estão em busca de uma nota no rodapé da página da história do futebol? Mesmo que a Libertadores pareça impossível, por que não brigar, jogo a jogo, por vitórias e deixar para o fim do campeonato, e só pra lá, a decisão sobre o destino do time? Se não der pódio, ao menos, a luta renderá a todos eles o respeito da torcida.
Ao menos na alma, sejam Shumacher, caras!
Quanto custa?
terça-feira, 24 de outubro de 2006Domingo, ouvi SCCP x Cruzeiro na transmissão de emissoras paulistas. Por isso, só hoje fiquei sabendo das entrevistas do pós-jogo. Consta que muitos jogadores jogaram a toalha na briga pela Libertadores. E que Martinez e Elson bateram boca pelos microfones. Burrice.
A vaga não está descartada, embora seja difícil. Paraná e Vasco devem baixar o rendimento pelos clássicos que ainda jogarão e por não estarem com esta bola toda. E o Cruzeiro terá confrontos contra Goiás, Vasco e Paraná adversários diretos na busca da Libertadores. O negócio é falar menos, treinar mais e suar a camisa. Cinco vitórias são indispensáveis. A começar pela de sábado contra o Goiás. O resto só o tempo dirá.
Também não adianta diretor aparecer na Toca II para dar pito em marmanjo. Isto é jogo de cena. Perda de tempo. Vamos, pois, direto ao ponto: quanto custa esta vaga? Que retorno ela pode dar? Vamos pagar por ela. A Diretoria pode aumentar a premiação dos jogadores e mandar a fatura para a torcida. Se o time estiver aceso na disputa, colocaremos 60 mil torcedores em cada um dos jogos decisivos da reta final.
Bazófia das aves
terça-feira, 24 de outubro de 2006O Walterson Almeida fez umas continhas. Coisa simples. Qualquer jornalista poderia ter feito antes. Menos os mineiros, é claro.
- Atl/MG x Avai – Público: 57.851 – Renda: R$ 342.195,00 (ainda dizem que a diretoria andou comprando ingressos da geral) – Preço médio do ingresso: R$ 5,92.
- Gremio x São Paulo – Público: 47.648 – Renda: R$ 714.745,00 – Preço médio do ingresso: R$ 15,00“
Alma palestrina
segunda-feira, 23 de outubro de 2006O carioca Urbano dos Santos, o “Campeão”, mudou-se para Belo Horizonte no final dos Anos 20. Aqui, virou factotum do Atlético. De massagista a assessor do presidente, “brincava nas onze”. E foi ele quem desvendou o mistério que intrigava os emplumados: por que tendo jogadores mais técnicos, eles sempre perdiam para o Palestra nos finais dos 20 e início dos 30?
A explicação do “Campeão” ao presidente Moura Costa foi direta: “O Palestra é um time de machos. Veja o porte físico do Rizzo, do Nereu, do Nininho, no Ninão e a vontade que move esses italianos todos! Como é que beques fraquinhos, como os nossos Chiquinho e Binga, vão parar aqueles cavalos?”
O estilo do Palestra sempre foi o de um time brigador. Mais pesado, menos técnico, mais determinado. Como os times do calccio. América e Atlético, sim, eram mais leves, jogavam futebol mais floreado. Já o Villa e o Siderúrgica, sem a menor cerimônia, “sentavam a pua” em quem fosse jogar no “Alçapão do Bonfim” e na estadinho da “Praia do Ó”. Era assim. E foi assim até a inauguração do Mineirão.
Foi no Gigante da Pampuha, como era chamado o Mineirão nos anos 60, que o Cruzeiro montou sua “Academia do Futebol”. Um time tão bom tecnicamente, tão capaz de tocar a bola, que passou aos maus observadores a idéia de que fosse uma equipe de jogo volátil, sem peso nem pancada. Bobagem.
Quem se lembra do futebol de William Cavalo, Procópio, Pedro Paulo, Fontana, Mário Tito, Moraes, Darci Menezes, Brito, Perfumo, Vanderlei Lázaro, Palhinha, Jairzinho, Mariano, Viktor e tantos outros guerreiros sabe que o Cruzeiro de Felício e Furletti mesclava talento e raça.
E mais: os caras de talento eram incrivelmente raçudos. Não por aplicarem carrinhos e voadoras, mas por jamais e se entregarem. Era gente que lutava 90 minutos não importando o adversário, o torneio ou o placar do jogo. Tostão e Piazza foram deuses da raça. Dirceu Lopes e Zé Carlos, idem, Hilton Oliveira e Natal, também.
De onde vem, então, essa besteira de que futebol de categoria tem de ser desprovido de alma? Ou de que, se preciso, o time não pode se defender e dar bico na bola? Certamente, de uma leitura burra do que diziam os cronistas emplumados e que a parte, digamos, menos observadora da torcida cruzeirense aceitou acriticamente.
Interessa aos emplumados vender a imagem de time de força contra um time sem alma que dizem ser o Cruzeiro. Afinal, quem vai escolher um time que se caracteriza pela docilidade com que aceita derrotas? Se a diretoria do Cruzeiro tem cometido um erro, certamente, é o de entrar nesta conversa mole de time de categoria x time de raça. Uma coisa não exclui a outra.
O Cruzeiro não pode passar a imgem de time de jogadores frouxos como, certa vez, aqui mesmo no blogue, disse o Andre Rizek. Jogador do Cruzeiro tem de saber jogar e saber também se superar quando a bola não está redonda. Como tem acontecido em vários jogos deste Brasileiro.
Difícil será recuperar a velha e vencedora mescla entre talento e força quando, por qualquer chiadeira da torcida, o clube vai se “reforçar” na Europa com jogadores que já fizeram pé-de-meia e estão se lixando, caso as coisas não funcionem num clube ou noutro. A torcida não está satisfeita? Ótimo, vamos cumprir o contrato e depois “caçar rumo”. Chega, pois, de jogador cansado, fora de forma, bichado, “realizado”, blasée e tipos afins.
O Cruzeiro deve investir mais em sua base. estruturar-se a partir dela. E só buscar reforços em fase de ascensão no futebol ou dispostos a suprir a falta de técnica com vontade. O perfil do elenco do Cruzeiro precisa mudar com urgência. A velha alma palestrina precisa baixar na Toca II.