Arquivo de abril de 2006

Torcendo contra a bola

domingo, 30 de abril de 2006

Figueirense 0 x 2 Cruzeiro, domingo, 30 de abril de 2006, no Orlando Scarpelli, Florianópolis, pela 3ª rodada do Brasileiro.

O jogo que eu vi

Edu Dracena, o melhor em campo, disse que o futebol do Cruzeiro foi de “encher os olhos”. Discordo. Pra mim, foi de “encher o saco”. Incomodou ver o Figueirense tomar conta da bola durante 2/3 dos 97 minutos. Sorte nossa que os catarinenses, por incompetência, não tenham importunado o goleiro Fábio. Mas que é dureza passar um jogo inteiro torcendo contra a bola, isto é. E se, de tanto rondar nossa área, ela resolvesse nos pregar uma peça?

De bom, a excelente forma com que retornaram Martinez e Sandro e a segurança do garoto Luizão. Só isso? Não. A jogada do segundo gol também merece ser comemorada. Foi perfeita em todos seus estágios: lançamento do Martinez, cruzamento do Gil e conclusão do Wagner.

Preocupante é saber que nem sempre se encontrará adversário com tanta posse de bola e tão pouca inspiração como o Figueira desta noite. Valeu pelos três pontos. Nas próximas partidas, porém, apreciaremos mais opções táticas. Alguns contra-ataques bem encaixados nos fariam respirar melhor. E dariam ao torcedor do outro time seu merecido quinhão de sufôco!

O olhar figueirense 

Tudo que deu certo contra o Palmeiras, deu errado contra o Cruzeiro, começando pela escalação. Adilson Batista, apesar do ótimo trabalho,  às vezes peca  pela imaturidade e pela necessidade de  cometer uma genialidade por jogo. Em vez de manter o time que triturou o Palmeiras, tirou Schwenk para a entrada de Thiago Silvy, que, comenta-se por aqui, interessaria ao Cruzeiro. Pois bem, a melhor maneira de negociá-lo com o Palestra mineiro seria não escalá-lo. A segunda melhor, seria botá-lo no segundo tempo, se o time estivesse vencendo, para ele fazer alguma fumaça…

Mas voltemos ao jogo. A segunda coisa a dar errado foi o primeiro gol do Cruzeiro, logo a um minuto e meio. Depois em outro erro, com apenas um zagueiro marcando dois atacantes, o Cruzeiro fez o segundo, antes dos 20 minutos do 1º tempo. O time se perdeu em boa medida. Começou a errar passes em excesso e esbarrou na boa marcação do time mineiro, que abusou das faltas para parar as jogadas e impedir a evolução do Figueirense. A proposta do Cruzeiro foi clara desde o começo: jogar fechado, marcar forte, explorar o contra-ataque. Um empate seria muito bom. Uma vitória, ótima.

A sucessão de erros continuou na volta para o 2º tempo. Bastava uma alteração: Silvy por Schwenk. Adilson Batista resolveu, no entanto, cometer outra genialidade – ou duas. Tirou Fininho, puxando Cícero para a lateral-esquerda, com Schwenk entrando no ataque e o time passando a jogar com três atacantes. Até melhorou, mesmo com Silvy continuando a ser uma figura nula. Com tem dia que é noite, a falta cobrada por Cícero no começo do 2º tempo foi explodir no travessão. Logo depois, mais um erro, sai Flávio para a entrada de Luciano Sorriso, que está no Figueira há três ou quatro anos, desde os juniores, e até hoje não mostrou a que veio. Enquanto isso, Samir e Fernandes mofavam no banco.

Assim, sem inspiração, o Figueira girava a bola de um lado para outro, desperdiçava as poucas chances que criava ou errava bisonhamente as tentativas de aprofundar o jogo, o famoso “último passe”. O Cruzeiro seguia o seu script direitinho. Fechado atrás, PC Gusmão trocou os volantes no intervalo – deve ter sido para seguir no rodízio de faltas impunemente – e continuou se defendendo como pôde, e, sejamos realistas, sem muito sobressaltos.

No fim das contas, o jogo não merecia mais que um zero a zero modorrento e feio, mas o Cruzeiro teve os méritos e a qualidade finalizar bem as poucas chances que criou e fazer dois belos gols, saindo com a vitória. Não é nada, são três pontos. Confesso, no entanto, que não gostei do que vi no time azul, equipe que não tenho acompanhado com freqüência. Fábio é um bom goleiro, Edu Dracena é um baita zagueiro, Vágner faz a diferença e Gil é vagalume mas pode decidir um jogo. O resto é igual ao resto dos outros. Jonilson é madeira de dar em doido. Francismar deve ter cometido umas 15 faltas no mínimo e por aí vai. Elber foi a grande decepção, mas não quero tirar os méritos do garoto Edson, de 18 anos,  que botou o atacante cruzeirense no bolso e ganhou todas as disputas entre os dois, por cima e por baixo.

A arbitragem foi a típica da série A. Na dúvida sempre para o time do Clube dos 13. Não deu uma falta escandalosa em Soares na entrada na área no 1º  tempo, quando o becão cruzeirense era o último homem e economizou cartões diante do excesso de faltas do Cruzeiro.

Agora, é pensar no Goiás. Subimos a ladeira contra o Palmeiras e descemos contra o Cruzeiro. Esperamos subir novamente em Goiânia, pegando um outro time verde, de preferência ainda em litígio com as redes adversárias ou, na pior das hipóteses, com uma baita ressaca depois de uma classificação heróica na Libertadores.

Ney Pacheco, 37, jornalista, ituano de nascimento, ilhéu por opção, alvinegro de coração.

O dia em que Joãozinho entortou a defesa do Flu

domingo, 30 de abril de 2006

Faltava um minuto para o fim. O Cruzeiro vencia e o Fluminense pressionava em busca do empate. Joãozinho descansava no círculo central, quando lhe caiu aos pés uma bola rebatida por Zé Carlos. Ele a recolheu, desvencilhou-se do volante Givanildo e do zagueiro Edinho, que estavam por perto, e partiu em alta velocidade rumo ao “Gol da Cidade”. 

Esclarecimento fundamental: Joãozinho só jogava em direção ao gol. Jamais tocava a bola para os lados ou para trás. Por isso, ao invés de cera técnica, optou por disputar uma corrida contra os dois tricolores que não haviam desistido da disputa pela bola. Dentro da área, Givanildo conseguiu emparelhar-se novamente com o ponteiro. Levou um corte e passou batido. Mas quando Joãozinho ia chutar, Paulo Goulart abandonou o arco e jogou-se a seus pés. Fintado, saiu da moldura.

Quando, finalmente, tudo parecia terminado, Givanildo reapareceu em cima da linha. Em vez de soltar uma bomba, como qualquer jogador comum, o Bailarino da Toca, encontrou um espaço entre o incansável pernambucano e o poste esquerdo para enfiar a bola. Sorte do volante. Foi ele quem viu mais de perto a bola rolar mansamente rumo à rede. 3 x1! Fim de jogo. 

Cruzeiro 3 x 1 Fluminense, domingo, 6 de abril de 1980, Mineirão, pela 2ª fase da Copa Ouro, (Campeonato Brasileiro) – Juiz: Oscar Scolfaro (SP) – Público: 24.207 – Renda: Cr$1.587.810,00 – Gols: Nélio, aos 6, e Cristóvão, aos 12 do 1º tempo; Luiz Carlos, aos 28, e Joãozinho, aos 44 min do 2º tempo – Cruzeiro: Luiz Antônio, Nelinho, Zezinho Figueroa, Bianchi e Luiz Cosme; Nélio, Alexandre, Erivelto (Zé Carlos); Jarbas (Tião), Luiz Carlos e Joãozinho. Técnico: Ílton Chaves. / Fluminense: Paulo Goulart. Marinho, Tadeu, Edinho e Chico Fraga; Givanildo, Cristóvão e Mário; Osni, Robertinho e Zezé. Técnico: Zagallo.

O escrivão é quem estava certo

domingo, 30 de abril de 2006

Cabral – No caso de Lenny, mais que os gols, o fato de não ter se jogado chamou a atenção. Gosto do estilo europeu (e também latino-americano) de apitar. Se não quer contato, vá jogar tênis, vôlei, peteca. O estilo brasileiro é único no mundo. Muita malandragem. Verdadeiras peças são encenadas em campo. O cara rola como se tivesse perdido a perna. Daqui a 5 segundos está de pé, saltitante. Acho que é cultural. 

Santana - Só é. A velha malandragem brasileira, você sabe como é. E o Lenny já começa a virar ídolo de todos que andam de saco cheio das velhas espertezas dos jogadores brasileiros. Dizem que seu pai queria chamá-lo Lênin, mas o escrivão se confundiu e o menino ganhou nome de bailarino. Não de um bailarino qualquer, mas o do americano Lenny Dale, que montou academia e deu shows em teatros e nos bares do Beco das Garrafas nos primórdios da Bossa Nova, no Rio. Curiosidade: foi o velho Lenny quem ensinou Elis Regina a girar os braços como pás de helicóptero, gestual que se tornou marca registrada da cantora. O escrivão acabou por escrever certo por linhas tortas. Sua falha virou premonição. O menino tem mais vocação pra bailarino do que pra revolucionário. Ainda bem.

Vamos, vamos a ganhaaar!

sábado, 29 de abril de 2006

Ernesto Araujo, o torcedor que sugeriu o nome do blogue, escreve sobre a emocionante manifestação da torcida no jogo contra o Flu, pela Copa do Brasil. Está reaberto o debate sobre a novidade lançada pela galera – ou seria hinchada? – cruzeirense.

Caro Jorge,

Ainda estou sob o impacto da manifestação da torcida no intervalo do jogo contra o Flu e da sua análise sobre o assunto. A repercussão entre os jogadores, a imprensa e na própira torcida foi uma coisa muito interessante. Também foram muito interessantes alguns dos motivos apresentados por vc para tudo o que aconteceu. Acho muito possível que a transmissão dos jogos da Argentina seja um componente nessa história.

A própria letra da canção da TFC apresenta uma construção que não é muito comum ao nosso idioma e não parecem-me mero erro de português. “Vamos, vamos a ganhaaar!” Esse “vamos a ganhar” parece mesmo refrão de arquibancada argentina. O ritmo da música também, embora a gravação feita no Mineirão não permita identificar isso com precisão. Aliás, coisas do mundo atual: gravar um evento desses até seria possível com um gravador portátil de fita cassete, existente há muito anos, mas disponibilizar isso quase imediatamente pra qualquer cruzeirense do mundo é outra história.

Também creio, como vc afirmou,  na influência do Orkut e de outras meios digitais para a propagação deste novo comportamento. Algo acontece… E espero que seja para definitivamente mostrar a verdadeira força de nossa torcida.

Ernesto Araujo
Santos – SP

PS: Foi grande a minha alegria ao ver o nome do blog mudado para Páginas Heróicas Digitais. Uma das melhores surpresas que tive esse ano. Espero que traga sorte.

Como a maior torcida do Canadá acompanha seu time

sábado, 29 de abril de 2006

Zé do Canadá

Em 1987, quando cheguei ao Canadá, era quase impossível acompanhar notícias do futebol brasileiro. Por isso, perdi o contato com o dia-a-dia do Cruzeiro até 95. Na melhor das hipóteses, era possível assistir a alguns jogos mais importantes do meu time quando eram transmitidos pelos canais sulamericanos. Das grandes contrações e das revelações – Renato Gaúcho, Nonato, Ronaldo etc -, só se sabia por notícias trazidas pelos amigos recém-chegados ou pelos telefonemas recebidos do Brasil.

No inicio de 96, descobri a página do Cruzeiro feita pelo Olavo (acho que o Evandro também estava nesse projeto). A partir daí, ficou mais fácil saber das novidades. Havia também uma lista de discussão e, mais tarde, o site Cruzeiro.Org. Por fim, surgiram as rádios online e a Globo internacional. Tinha (tem até hoje) também o pessoal que freqüentava as redes de IRC onde é possível ouvir, em tempo real, os jogos do Cruzeiro.

O cruzeirense do Canadá não tem as comodidades do que mora em qualquer cidade do Brasil.  Não podemos, por exemplo, comprar o pacote do pay-per-viewcom os jogos do nosso time. E por ser excessivamente bairrista, a Globo Internacional não leva em conta o fato de que a maioria dos torcedores brasileiros no Canadá são mineiros. Cruzeirenses, pra ser mais preciso. Assim, só podemos ver nosso clube quando ele joga contra os times do Eixo. Só mesmo por milagre, se pode ver o Cruzeiro jogar contra times de fora do Eixo Rio-São Paulo. Por essas e outras, as rádios estão sempre com overload e temos que recorrer ao Cruzeiro.Org para acompanhar os jogos.

Depois de vencer todos estes obstáculos, hoje em dia já temos acesso a um número maior de jogos do Cruzeiro. Eu, que assino a Globo Internacional, poderia até ficar em casa para assistir aos jogos do Cruzeiro que a emissora nos concede. Mas a verdade é que prefiro acompanhar meu time nos bares brasileiros de Toronto. Ali, vejo meu time jogar tomando cerveja e colocando o papo em dia com os amigos. É o meu jeito de ver futebol. E com uma vantagem, em relação ao Brasil: não há briga de torcidas. Talvez a distância de casa seja o motivo de nos tornarmos mais amigos e mais tolerantes. Torcedores de todos os times assistem juntos aos jogos e o máximo que ocorre é a tradicional gozação. Depois, do jogo vão todos pra casa sãos e salvos.

Comparado ao tempo em que cheguei aqui, demos um grande passo. Ainda não temos o conforto do torcedor de poltrona do Brasil e nem dos torcedores dos times de países mais organizados cujos campeonatos estão disponíveis no menu do pay-per-view. E, pelo jeito como as coisas evoluem, este passo ainda demora a ser dado. Parece que o “consórcio” CBF/Times/Globo ainda não se deu conta de que, nós mineiros, os cruzeirenses, pra ser mais exato, formamos um ótimo mercado.

A torcida cruzeirense em Toronto – e, de resto, em todo o Canadá – é maior do que todas as demais juntas. Em qualquer bar ou festa onde se discuta futebol, juntam-se corintianos, palmeirenses flamenguistas, são-paulinos, vascaínos, atleticanos, enfim, gente de todas as torcidas, contra nós. O Flamengo daqui é o Cruzeiro.

E como não ser? O Toronto Maple Leafs (hockey sobre o gelo), o time mais querido do Canadá, o Toronto Blue Jays (baseball), o Toronto Argonauts (futebol americano) e o Toronto Raptors (basketball) são azuis. Todos eles! Não é à toa que me sinto em casa. Toronto é uma cidade cruzeirense!

Zé do Canadá (Jose Maria Caldeira Paulo), 40, nasceu em Rio Piracicaba-MG e mora em Toronto desde 1987. Estudou ciência de computação e, atualmente, trabalha como engenheiro de rede de uma escola privada. É o responsável pelo desenvolvimento, desenho, manutenção e suporte de um sistema de VPN (com equipamentos Cisco) e administra o backup do domain da escola.

Questão de identidade

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Gilberto Gil Camargo

Nada pode deter um time de futebol quando ele, somado à sua natural competência técnica, compartilha do apoio maciço de sua torcida, principalmente quando o momento é decisivo. E nada pode deter uma torcida de futebol quando ela se encontra em estado de pura emoção. 

Nas últimas semanas assisti ao envolvimento de duas das maiores torcidas do Brasil com seus times, ainda que por motivos distintos um do outro. A compreensiva e vibrante torcida do Santa Cruz de Recife e a fantástica turba azul que devota uma paixão impressionante para com o Cruzeiro de Minas Gerais. 

Os tricolores do nordeste sabiam, antes do jogo contra o América de Natal, que o time lutava muito mais para não cair do que efetivamente para alcançar uma das oito vagas às finais da segundona. A campanha não era boa e o time estava longe de seduzir pela categoria. E um time assim por certo sentiria o afastamento gradativo dos torcedores. Para piorar, forçado por circunstâncias, Nereu Ramos prometera escalar um time quase só de ex juvenis, meninos ainda, e, portanto, inexperientes para o jogo decisivo. Prenúncio de estádio vazio. 

Não foi o que eu vi no Arrudão, há duas semanas, quando fui arrastado por Artur Perrusi para conhecer ao vivo e em cores seu time de coração. Aceitando os limites técnicos do elenco, interessados em apoiar a garotada na tentativa de fugir ao rebaixamento, cerca de 15 mil tricolores (12.000 pagantes) passaram 90 minutos incentivando a equipe que, mesmo jogando pouco, venceu por 1 a 0 e se manteve na segundona. Uma lição de fidelidade e compreensão. 

Por isso me descobri imensamente feliz quando soube, neste final de semana, que, contrariando todos os prognósticos, o Santa foi ao Maranhão e arrancou uma vitória simplesmente genial que o colocou na oitava e derradeira vaga das finais. E tenho certeza que parte da conquista deve ser creditada ao amparo de uma torcida que perdoa seus meninos, assimila, entende e vibra com seu time, mesmo sabendo que ele é frágil e terá remotas chances daqui para frente. 

E o que falar, então, dos 70 mil “malucos” que lotaram o Mineirão para presenciar uma das tarefas mais ingratas que um clube já teve que enfrentar: a de vencer a poderosa esquadra verde de Scolari por mais de quatro gols de diferença? Lotaram, acreditaram, vibraram intensamente e chegaram a sonhar quando Valdo fez o segundo gol, mal iniciado o segundo tempo. Uma loucura azul, um show de amor, correspondido em campo por esse Cruzeiro que ano após ano se apresenta nas finais brasileiras para perder o sonhado título sempre por muito pouco. 

Pois a demonstração do quanto esse amor pode ser perseverante não se resume ao fato de lotar um estádio para buscar uma classificação praticamente perdida. O mais bonito aconteceu quase ao final da partida, quando o placar mirrado apontava para desânimo e silêncio. 

Não, os azuis deram de cantar olé a cada passe trocado por seu time, que afinal era um vencedor em campo, não importando que a diferença de gols fosse insuficiente. A identidade entre time e torcida foi inquestionável. 

Talvez até como recompensa pela brilhante partida do Parque Antártica, quando caíram de 7 mas poderiam ter vencido, tamanho o equilíbrio em campo. Ou talvez querendo dizer que, mais uma vez, estão e estarão a postos nas finais, buscando o título que nos últimos anos escapou, quem sabe, por obra do acaso.

Gilberto Gil Camargo, 52, paulistano, corintiano, analista de sistemas, fundou o primeiro site dedicado ao futebol brasileiro inteiramente escrito por amadores, o FUTIBA. Escreveu também um livro, ainda inédito, sobre seu Timão.

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Esta coluna foi publicada no Futiba, um dia após a o Cruzeiro 2 x 0 Palmeiras, no Mineirão, em 29 de outubro de 1999, pela Copa Mercosul. Como os amigos devem se lembrar, uma semana antes, No Parque Antártica, o Cruzeiro havia perdido por 7 x 3.

Para os comentaristas esportivos, o segundo jogo seria mera formalidade. Para a torcida cruzeirense, não. Ela lotou o Mineirão em busca do sonho impossível. No final das contas, a vitória de 2 x 0, com olé e tudo, não classificou seu time, mas lhe serviu como reparação moral.   

Achei apropriado trazer esta crônica de volta às telas, neste momento em que a torcida do Cruzeiro acaba de reinventar o jeito mineiro de torcer. Acertei?

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Cruzeiro 2 x 0 Palmeiras, no Mineirão, em 29 de outubro de 1999, sexta-feira, jogo de volta  da 2ª fase da Copa Mercosul – Juiz: Jorge Travassos (RJ) – Auxiliares: Aristeu Tavares e Jorge Paulo O. Gomes (DF) – Cartões Amarelos: Edmílson, Oséas, Júnior, Valdo, Marcelo Ramos, Zinho e Tiago – Público pagante: 60.437 (65 mil presentes) – Renda: 69.654,50 – Gols: Müller, 45’ Valdo, 48’ -  Cruzeiro: André, Gustavo (Donizeti Amorim, 77’), Cris, Espínola e André Luiz; Donizete, Djair, Valdo e Paulo Isidoro (Geovanni, 65’); Müller e Marcelo Ramos. Técnico: Levir Culpi / Palmeiras: Marcos, Zé Maria, Galeano, Roque Júnior e Júnior; César Sampaio, Rogério, Alex (Tiago, 77’) e Zinho; Edmílson (Jackson, 58’) e Oséas (Evair, 66’). Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Só com motoserra!

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Arquivemos o Flu, galera. Agora, vamos a Floripa encarar o entusiasmado Figueira que, sem o menor senso ecológico, derrubou leões e palmeiras na 2ª rodada do Brasileiro. Teremos mais um joguinho enjoado pela frente.

E pra ninguém se surpreender com o que vem por aí, pedi ao jornalista Ney Pacheco, Figueira de carteirinha, pra nos contar um pouco do seu time. Depois de ler o artigo, cheguei á conclusão que, tão importante quanto o material de jogo, seria levar, na bagagem, uma motoserra.

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O que o Cruzeiro pode esperar do jogo contra o Figueirense?

Ney Pacheco

Se os torcedores da Raposa forem se guiar pela imprensa nacional não têm o que temer. O Figueira meteu 6 no Palmeiras no sábado passado por mero acidente. Naquele dia, o Guaxupé, o Guarani de Divinópolis ou Fabril de Lavras fariam igual ou melhor, segundo os vetustos cronistas que todos nós conhecemos. O Palmeiras perdeu para si mesmo, para sua crise quase eterna, para seu divórcio entre time e comissão técnica, para a má qualidade de vários de seus jogadores, e, pasmem, até, para um possível complô  do elenco contra o hiper-mega-supertécnico Leão.

Por aqui, já acostumamos. Já batemos todos os ditos grandes do futebol brasileiros desde nosso retorno à primeira divisão em 2002 e, em certos programas de TV, sequer temos o nome do time citado nas análises pós-jogo. Já nos acostumamos com as desculpas esfarrapadas dos técnicos e jogadores desses times de ponta ao perderem mais um jogo no estádio Orlando Scarpelli. Eles já perderam para o vento sul, para a chuva, para o frio, para a má iluminação e para o péssimo gramado. Pois o gramado foi inteiramente trocado para esse Brasileirão e, pelo jeito, atrapalhava o desempenho do próprio time do Figueira…

Não, o Figueira não virou um supertime, não é postulante ao título, não tem craques. Nada disso e nada garante que vença o Cruzeiro no domingo. Só que respeito é bom e conserva os dentes ou, ao menos, a auto-estima. Se o pessoal da imprensa de fora e a comissão técnica do Palmeiras se desse ao trabalho de pesquisar um pouco e ver o que anda acontecendo por aqui – longe demais das capitais -, deixaria a soberba de lado e respeitaria o adversário. Veria que o Figueira venceu seus últimos 13 jogos no estádio Orlando Scarpelli (nove pelo Brasileiro, incluindo agora o 6 a 1 contra o Palmeiras, e quatro pelo estadual – o time mandou só as partidas finais em Florianópolis por causa da reforma do gramado). Veria que depois que voltou a jogar no Scarpelli com o gramado novo a média de gols marcados é superior a 4 por partida (21 jogos em cinco jogos).Veria que Adilson Batista está fazendo um ótimo trabalho como treinador, à frente de um time jovem, que joga com um apetite incomum, com muita movimentação,variações táticas e jogadas ensaiadas.

Veria que em quatro anos de série A, em pouquíssimas ocasiões o Figueira foi derrotado pelos ditos grandes em seus domínios. O próprio Cruzeiro esteve por aqui quatro vezes desde 2002. Naquele ano perdeu por 3 a 1, quando Luxemburgo começava a montar o time que ganhou tudo (ou quase) no ano seguinte. Perdeu no ano seguinte (quando ganhou tudo, ou quase) por 1 a 0 e arrancou dois zero a zero nos anos seguintes. Então, pelo retrospecto, teremos um jogo bem encardido. Pelo momento atual, prometemos maus bocados ao Cruzeiro.

Ah, e lembremos, o Figueira não é um time muito ecológico, a despeito do seu nome. Seja o Leão da Ilha, como é conhecido o seu maior rival, Avaí, seja o Leão treinador, seja o Porco palmeirense, entra no Scarpelli é abatido. Agora é a hora da Raposa…

Ney Pacheco, 37, ituano de nascimento, ilhéu por opção, alvinegro de coração.

Uma placa, por favor, Cel. Natal!

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Hoje cedo, no serviço, o Ze Gonçalves comentou: “Menino danado esse Lenny, hem? Não cava falta. Faz tanta fé em seu futebol que tropeça, mas não desaba. Parece que só vê o gol à sua frente!”

Já o Pedrão, transbordando ressentimento, resmungou: “Esse Lenny joga nada. Jogadorzinho comum. Daqui a pouco, ninguém mais vai se lembrar dele. A culpa foi do Luizão que não fez a falta…”

Ontem no Mineirão, do lado oposto, antevi mas não pude reparar os detalhes daquele terceiro gol. Em casa, com calma, vi e revi o lance em todos os canais e de todos os ângulos. Uma maravilha! Lembrei-me de Pelé, Dirceu Lopes, Maradona, Joãozinho e do Fenômeno, enfim de todos os caras ensaboados que atravessavam florestas de botinudos em busca do gol.

E, já sei, vão me detonar na lista, mas acho que o Luizão fez certo ao não destruir com uma falta aquela pintura. Mesmo que ela tenha nos custado o título.

Foi uma obra de arte e, como tal, devia ser eternizada nas paredes do Mineirão. Coronel Natal, por favor mande pregar numa das paredes do hall do estádio uma placa em homenagem ao gol do garoto Lenny. E vá guardando alguma grana para as outras que o Kerlon ainda vai merecer, assim que virar titular…

P.S: O Coronel Natal é o presidente da Ademg, autarquia que administra o Mineirão e o Mineirinho.

Alguma coisa acontece…

quinta-feira, 27 de abril de 2006

“A torcida jogou junto com a gente, incentivou nosso time o tempo todo. Eu nunca vi uma coisa daquela no intervalo, pô, eles ficaram gritando o tempo todo” (Elber, depois do jogo)

A torcida do Cruzeiro foi realmente espetacular. Mesmo perdendo, cantou sem parar. Não descansou nem no intervalo. E continuou, segundo tempo afora, a fazer festa como se o placar não estivesse estampando um resultado adverso.

Alguma coisa anda acontecendo. Seria a entrada em cena da garotada que durante 15 anos ininterruptos viu seu time conquistar títulos? Seriam as comunidades do Orkut a espalhar canções simples e de fácil assimilação? Seria a TV a cabo mostrando o comportamento das torcidas argentinas?

Nem a charanga do Aldair Pinto fez algo semelhante nos anos 60. Nem mesmo a Máfia Azul em seus melhores momentos foi tão persistente e grandiosa. Nenhuma outra torcida em qualquer parte do país, em qualquer época e sob o efeito de qualquer conquista, por mais espetacular que tenha sido, fez algo parecido com o que a galera azul fez nessa primeira partida das quartas-de-final da Copa do Brasil.

Foi diferente. Foi de arrepiar! Virou história.

P.S.: Pra quem não foi ao Mineirão ou não ouviu as transmissões de ontem à noite, taí o depoimento de um amigo do blogue:

Rafael Henrique escreveu, em 27 Abril 2006 às 10:46 am: 

“Foi emocionante mesmo. Ouvindo o áudio do intervalo agora (que pode ser baixado em

http://www.megaupload.com/pt/?d=Y6UIQVX7),

me arrepio todo. Parabéns à massa celeste e à TFC por ter criado o que, daqui a pouco, será considerado o hino da torcida celeste: ‘Vamu, vamu cruzeirô… vamos, vamos a ganhar, vou aonde vc for, só para ver vc jogar, com coração e muito amor é o meu Cruzeiro o mais querido do Brasil, vamos vamos Cruzeirô, vamos vamos a ganhar….’. Foi de arrepiar. E digo mais: finalmente a imprensa não ignorou essa festa e o próprio site Superesportes elogiou muito a nossa torcida, além dos comentaristas de Record e Globo.”

Tentou nocautear, mas perdeu por pontos…

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Cruzeiro 2 x 3 Fluminense, quarta-feira, 26 de abril, Mineirão, jogo de ida das quartas-de-final da Copa do Brasil 2006

Contra o Fluminense, o Cruzeiro fez sua melhor exibição no ano. Mas perdeu e viu o sonho de conquistar o penta da Copa do Brasil virar pesadelo. O time não mostrou equilíbrio para um primeiro jogo de mata-mata. Durante meia hora, criou boas oportunidades, mas não marcou.

O Flu, por outro lado, aproveitou bem as chances, que surgiram quando Pet e Lenny desvencilharam-se de seus marcadores, Recife e Mucuri. Destroçada a marcação individual, verificou-se que o Cruzeiro não tinha plano B para anular as jogadas do ataque tricolor. Seu meio de campo ficou deserto e sua defesa não revelou sistema de cobertura decente. Individualmente, os defensores tiveram bom desempenho. Coletivamente, não.

Parece que PC Gusmão esqueceu-se de que este seria um jogo de 180 minutos. Quis vencer na marra, por nocaute. Não deu certo e acabou perdendo por pontos. Resta, agora, sonhar com uma noite excepcional no Maracanã. Uma dessas jornadas em que o desempenho individual e a tática se casem. Difícil, não impossível.

Pra manter a fama de mau

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Não tenho dúvida de que o Flu tem mais time e isso vai se traduzir nos pontos corridos do Brasileiro: fará campanha melhor do que os azuis. Mas no mata-mata da Copa do Brasil aposto na equipe mineira, que tem mais colhão.” (André Rizak, no blog Carta-Bomba) 

O Cruzeiro tem um nome a zelar na Copa do Brasil. Mesmo quando o time não está “no ponto” como acontece agora, sua fama de copeiro assusta até jornalistas e torcedores de outros rincões.

Que venha o Flu, pois. Mas sem aquele Pet do ano passado. Ou melhor, que venha com o sérvio de qualquer jeito que é pra gente ver como é que ele se sai tendo o Mucuri a lhe fungar nos cangotes. O mais provável é termos um jogo com apenas 20 em campo. A conferir.

A quadratura de uma mesa redonda

terça-feira, 25 de abril de 2006

Ismail Salles

Assisti a um episódio genial, embora trágico, na ESPN Brasil. O Zé Trajano com aquele seu jeito singular de se expressar foi quem o protagonizou. Aconteceu numa mesa redonda em que se comentava a cacetada do Figueira sobre o Palmeiras. Depois de algum tempo debatendo o jogo, os comentaristas esqueceram-se do time catarinense e concentraram-se no clube paulista. Foi quando entornou o caldo.

Deixando o futebol de lado, PVC e Juca Kfouri invadiram a seara política do Verdão. E tome citação de nomes de dirigentes das várias facções políticas. Visivelmente irritado, Trajano atropelou a mesa. Falou que o resto do país não estava interessado naquela discussão e que, se os caras não parassem de citar nomes de cartolas, o programa acabaria ficando igual às outras tantas mesas redondas da TV.

Acusando o golpe, o apresentador Paulo Soares tomou a crítica como pessoal. E, não conseguindo fazer o Trajano parar de urrar, perdeu o pé da situação e não deu mais conta de tocar o programa. Desconfio que o cérebro dele fundiu. O certo é que ele levantou-se, com o programa no ar, e foi embora deixando a mesa sem moderador.

Os participantes mais tranqüilos pediram, inutilmente, a volta do “Amigão”. Trajano chamou os comerciais. Suspense. Na volta, o Juca tocou o programa, já sem o Trajano e o Soares, com uma maestria ímpar. Melhoria brutal.

Minhas observações:

  • Tendo que ler os textos, anunciar todo aquele recital e fazer a bola rolar, tal qual um carimbador maluco, e com um chefe lhe azucrinando a cabeça ao vivo, não há cristão que agüente. E nem apresentador!
  • Zé Trajano precisa rever seus conceitos de chefia.
  • E, como responsável pela emissora, precisa também pedir desculpas aos assinantes. 
  • Ao não agüentar a pressão, Paulo Soares demonstrou inaptidão, mesmo que momentânea, para a função.

Fiquei pensando no que aconteceria se eu largasse o púlpito no meio de uma sustentação oral por não estar merecendo a devida atenção dos desembargadores. Será que sofreria reprimendas dos colegas? Dos clientes? De mim mesmo? Na dúvida, pretendo não imitar o apresentador da ESPN Brasil.

Ismail Salles, 27, advogado, cruzeirense, mora em Belo Horizonte.

Carta aos Rivais do Cruzeiro

terça-feira, 25 de abril de 2006

Rodrigo Pimenta

Hoje, quero agradecer aos clubes que enfrentaram o Cruzeiro em decisões de torneios no Brasil e na América do Sul. Contra eles, o campeão mineiro conquistou títulos que enchem de orgulho a maior torcida de Minas. Os adversários, que citarei a seguir, valorizaram cada uma das nossas conquistas com sua classe e garra. E nos ajudaram a escrever verdadeiras páginas heróicas imortais. 

Obrigado àquele Santos do Rei Pelé e dos nobres Gilmar, Carlos Alberto Torres, Pepe e Zito, o melhor time do mundo nos anos 60. o Rei do Futebol e sua corte deram chancela de nobreza ao primeiro título brasileiro conquistado por um clube mineiro. Um título invicto! Foi contra este adversário de luxo que o Cruzeiro iniciou uma trajetória que o levou a ser um dos cinco maiores vencedores de campeonatos e copas do futebol brasileiro.

Vamos conferir:

  • Palmeiras, 10 títulos: Taça Brasil (60, 67), Robertão (67, 69), Campeonato Brasileiro (72, 73, 93, 94), Copa do Brasil (98) e Copa dos Campeões (2000)
  • Santos, 8 títulos: Taça Brasil (61, 62, 63, 64, 65), Robertão (68), e Campeonato Brasileiro (2002, 2004)
  • Flamengo, 7 títulos: Copa Brasil (90); Campeonato Brasileiro (80, 82, 83, 92), Copa União (87) e Copa dos Campeões (2001)
  • Cruzeiro, 6 títulos: Taça Brasil (66); Copa do Brasil (93, 96, 2000, 2003) e Campeonato Brasileiro (2003)
  • Grêmio, 6 títulos: Copa do Brasil (89, 94, 97, 2001) e Campeonato Brasileiro (81, 96)

Agora, mudemos de cenário. Vamos conferir os títulos internacionais e, para não parecer ingrato com os parentes mais próximos, também os regionais e os locais.

Inicio agradecendo oa gigante River Plate, sobre quem o Cruzeiro conquistou pela primeira vez a América. E aqui vai um agradecimento especial ao Internacional cuja raça gaúcha tivemos que superar duas vezes (5 x 4, no Mineirão e 2 x 0, no Beira-Rio) para nos habilitarmos ao nosso primeiro título continental.

Foi pela conquista dessa Libertadores de 1976 que o Cruzeiro começou a trajetória que o levou a ser, atualmente, o segundo clube brasileiro em número de títulos internacionais, segundo a Confederação Sulamericana de Futebol – Conmebol.

Obrigado, mais uma vez, ao River por ter valorizado, com seu futebol de velocidade e raça, os títulos da Supercopa de 1991 e da Recopa de 1998 (3 x 0 no Mineirão, pela Supercopa e 3 x 0, no Monumental de Nuñez, pela Recopa). Obrigado também ao Racing Club sobre o qual ganhamos a Supercopa de 1992 (4 x 0, no Mineirão e 0 x 1, em Avellaneda).

Obrigado ao Olímpia, nosso rival na Copa Master da Supercopa (1 x 0, no Mineirão), e ao São Paulo (1 x 0, no Morumbi), adversário na Copa Ouro, duas competições promovidas pela Conmebol em 1995.

E aqui vai um abraço especial aos semifinalistas que deixamos pelo caminho em vários torneios sulamericanos: Colo Colo, em 91, Olímpia, em 91 e 92 e River, em 92.

Em 1997, outra Libertadores. Gracias, Sporting Cristal! Aquele 1 x 0 no Mineirão é título pra jamais se olvidar. E dessa vez, a pedra gaúcha pelo caminho era o também copeiro Grêmio de Futebol Portoalegrense, cuja alma castelhana só valorizou nossa conquista.

E, depois deste passeio sulamericano, voltemos aos caminhos brasileiros da glória. Ao Grêmio, Palmeiras, São Paulo e Flamengo, memoráveis parceiros das fantásticas decisões da Copa do Brasil em 93, 96, 2000 e 2003, o nosso melhor agradecimento. Extensivo aos adversários que deixamos pelo caminho no roteiro desses torneios: Atlético-PR e Botafogo, em 2000, Corinthians, em 1996 (com histórico 4×0 no Independência), Flamengo, em 1996, Goiás, em 2003, Santos, em 2000, São Paulo, em 1993, Vasco, em 1993 e 1996 (com fantásticos 6 x 2 em São Januário) e 2003.

E, como não se poderá jamais esquecer, muito obrigado, mais uma vez, ao Santos, agora de Robinho & Diego, que disputou conosco, e perdeu por 13 pontos, o primeiro Campeonato Brasileiro de verdade, o de 2003. Aquele em que primordialmente se adotou o modelo das ligas mais importantes do mundo: dois turnos e pontos corridos. E, aqui, vale lembrar: os campeonatos brasileiros anteriores a 2003, com seus turnos classificatórios e play offs, não passaram de mal disfarçadas copas. Sendo assim, o Cruzeiro é, na verdade, o primeiro legítimo campeão brasileiro!

E como esquecer-se dos bravos Coritiba (3 x 0, no Mineirão) e Atlético-PR (1 x 0, no Mineirão) sobre quem conquistamos a Sul-Minas de 2001 e 2002 e ao Vila Nova, de Goiás, nosso leal adversário na disputa da copa Centro-Oeste de 1999 (0 x 0, na final)? Muitíssimo obrigado a eles também!

E, antes de encerrar esta sessão de agradecimentos, vamos homenagear nossos rivais domésticos, a começar pelo Atlético-MG sobre quem vencemos 8 de 13 finais do Mineiro. Ele e também o América-MG, o Villa Nova, glorioso Leão do Bonfim, o extinto Siderúrgica, e todos os clubes do interior do estado, que também nos ajudaram a escrever páginas heróicas em cada um de nossos 34 títulos estaduais, estão de parabéns por terem desempenhado com brilhantismo papéis de coadjuvantes no cenário do futebol de Minas.

Agora, fica faltando apenas agradecer aos campeões continentais que, algum dia, ainda abrilhantarão a festa de um título mundial que já por duas vezes temos adiado. E este é um agradecimento com o qual todos nós cruzeirenses jamais deixaremos de sonhar!

Rodrigo Pimenta, 24, estudante de engenharia civil, nasceu em Curitiba e mora em Belo Horizonte

*****

Foi o meu sobrinho Tadeu Santana quem descobriu, no Orkut, este belo texto do Rodrigo Pimenta, cruzeirense nascido no Paraná. Muito obrigado aos dois. E podem começar a poupar a grana para a viagem a Tóquio que, espero, não demore muito. Eu já fui lá e voltei de mãos vazias, mas vocês, certamente terão mais sucesso. E voltarão com o caneco que nos falta.

Cada um viu de um jeito

segunda-feira, 24 de abril de 2006

O jogo foi um só. O que muda são os olhares. E os humores. Algumaas destas análises e opiniões, pesquisei no Cruzeiro.Org. Outras, recebi por e-mail.  

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“Assisti ao jogo do Grêmio ontem, e gostei do que vi, apesar da derrota. Fazia tempo que não via tantos jogadores tocarem bem a bola. Para mim, houve erro tático. Abdicamos dos contra-ataques para ralentar o jogo, demorando nas cobranças de tiro de meta e laterais.

O time deles deixou de se preocupar em defender, já que sempre tinham todo o tempo do mundo para se estruturar defensivamente. Não sei se foi só ontem, mas nossa zaga não parece preparada para enfrentar a artilharia aérea. Temo tomar muitos gols de cabeça…

O importante é não se abater com a derrota e seguir em frente, rumo ao título! Ok, rumo à Libertadores. Tá bom, Sul-Americana…” (Fabio Peroni)

*****

“Estou ouvindo entrevista do técnico do Grêmio, Mano Menezes e estou gostando. O cara parece conhecer seu elenco, entende de tática e organização de um time de futebol e, principalmente, elogia seu adversário, que toca fácil a bola e venceu merecidamente. Quem sabe, no futuro, tenhamos mais uma opção fora do grupinho de técnicos “famosos” do futebol brasileiro? 

PC reconheceu que, no primeiro tempo, o time do Cruzeiro não existiu, melhorando consideravelmente no segundo tempo. Elber disse que o Grêmio teve o jogo na mão, mas vacilou e o Cruzeiro superou-se no segundo tempo. (Rapozaço)

*****

“O Cruzeiro, assim como o São Caetano, domingo passado, ganhou na sorte do Grêmio. Hoje, nós somos um barco sem remos, pois não temos laterais. Nosso barco só vai a favor da correnteza.  Se precisar subir o rio, não consegue. Não acredito que, com esse futebolzinho, que anda jogando, o time passe pelo Flu que, ao contrário do Cruzeiro, tá crescendo, jogando bem e tem conjunto…” (Firefox)

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“Não sei porque alguns pegam tanto no pé do Júlio César. O cara apenas cumpre taticamento o que o treinador pede. Ontem, o PC falava: ‘Julio pega o 11, Julio pega o 2!’ O cara é um bom jogador. Acho que não merecia as vaias da nossa torcida. O Anderson entrou e quase fez um pênalti nos minutos iniciais, acertou dois cruzamentos um de escanteio, que qualquer um acertaria, e tomou muito mais bolas nas costas que todo time. Acho que estão sendo injustos com o Júlio César. Temos que acertar é o meio de campo e não o resto do time. Falta pegada no meio campo para soltar mais os laterais, tanto que, no 2º tempo, o Jonatham subiu muito mais ao ataque que em todos os jogos dele em 2006. Acho que não é hora de criticar e sim de ajudar o time dando força para superação em momentos difíceis. Acho que o Júlio César merece uma segunda chance, sim.” (Daniel Betinassi)

*****

“O resultado foi excelente. Porém, só jogamos bola a partir do empate. E com os excelentes cruzamentos do Anderson. A cada jogo, fica evidente a necessidade de um pegador no meio de campo.” (Novaes)

O França não se esquece da França

segunda-feira, 24 de abril de 2006

No embalo da discussão sobre mais um mito que a imprensa está criando, o de Telê Santana, Mauro França, que já havia se lembrado da injustiça que o treinador cometeu contra o goleiro Raul Plassmann, por ele acusado de não treinar, volta à carga.

Desta vez, lembra-nos do belo futebol que a França jogou em 82 (4º lugar) e 86 (3º lugar). Tão belo quanto o brasileiro. E tão inútil quanto, eu acrescento. Faltou lembrar que, em 86, Telê cortou Renato Gaúcho e, por tabela, ficou sem o lateral Leandro que prefriu não embracar para o México em solidariedade ao ponteiro. Mas, num ato falho, só assim se pode entender  convocação tão anti-futebol, levou Elzo, um mais do que limitado cabeça-de-área.

Por essas e outras, continuo mantendo a opinião de que Telê foi o maior técnico da história do São Paulo. Agora, ao Mauro França: 

“Dois toques:

1. Acho que Joãozinho foi mais injustiçado por Zagalo e Coutinho, em 74 e 78, do que por Telê. Em 82 o bailarino da Toca estava na descendente, tinha inclusive quebrado a perna em 81 (ou 80?).

2. No Brasil a Seleção de 82 parece ser a única representante do futebol arte. Convenientemente, para a construção do mito Telê/Seleção, esqueceram-se da França, que jogou um futebol envolvente e arrebatador naquela Copa. A semifinal contra a Alemanha foi o melhor jogo do torneio. Pena que Platini, Giresse, Tigana e Cia. tenham sido eliminados nos pênaltis. Essa seleção francesa ainda ganhou a Eurocopa 84 e eliminou, praticamente com a mesma base, o Brasil em 86.” 

O futebol venceu o fussball

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Cruzeiro 3 x 1 Grêmio, domingo, 23 de abril, no Mineirão, pela 2ª rodada do Brasileiro de 2006.

O Grêmio não muda. Pelos tempos afora, mantém seu estilo pegador. Jogadores altos, fortes, de muito fôlego, disciplinados taticamente. Um time alemão, um time de fussball como gosta de defini-lo nosso amigo Paulo Sanchotene. E esse Grêmio, do competente Mano Menezes, capaz de surpresas como a classificação impossível para a 1ª Divisão ou a conquista do Estadual que os rivais colorados tinham como certo, ainda vai atropelar muitos favoritos neste Brasileiro.

Contra o Cruzeiro, no Mineirão, o tricolor gaúcho dominou o 1º tempo ao ganhar o meio de campo com cinco armadores-marcadores. E pressionou com rápidos contra-ataques. O lance do primeiro gol com o Alessandro, agora meia, construindo a jogada pela direita foi a senha para entender o aplicado time gaúcho que, por pouco, não definiu jogo ainda no 1º tempo (ou no início do 2º). Bastaria, para tanto, só um pouco mais de capricho ou de categoria aos gremistas que tiveram o gol à sua frente algumas vezes.

Ao final do 1º tempo, a torcida cruzeirense se dividiu. A “pequena torcida” vaiou. A “grande torcida” incentivou. PC teve cabeça fria pra não substitur seus perseguidos laterais com o jogo em andamento. No intervalo, contudo, trocou Júlio César por Anderson. Mais dez minutos e substituiu Francismar por Kerlon. Como queria a torcida. E aí começou, de verdade, o Campeonato Brasileiro de 2006 para o Cruzeiro.

O Grêmio não perdeu o pique, mas o Cruzeiro ganhou mobilidade. Gil trocou de posição com Wagner, Kerlon correu por todos os lados, Jonathan passou a subir ao ataque com mais confiança, Fábio Santos melhorou na marcação e foi menos afoito ao ataque. Foi dele, aliás, o passe preciso para Wagner (o melhor em campo) empatar o jogo.

No embalo desse gol, Cruzeiro viveu seus melhores momentos e conseguiu, num cruzamento  do Wagner para finalização precisa do Elber, o segundo gol. Depois, passou a cuidar um pouco mais na defesa até que, em outro cruzamento perfeito, dessa vez do Anderson, o centroavante Alecsandro fechou a conta e passou a régua. E o futebol, este jogo surpreendente, venceu o fussball, aquele jogo planejado.

O Grêmio não mereceu perder de tanto. Mas o Cruzeiro, por saber superar sua fragilidade tática inicial, mostrar força anímica para sair do marasmo do 1º tempo e por não se perder com as cobranças da torcida, mereceu vencer com certa folga. Pradoxal? Futebol é assim mesmo.

Com também é assim que se deve jogar no Campeonato Brasileiro. Jamais com aquela passividade que marcou a estréia contra o Sanca. Que o time tenha aprendido a lição!

O jogo visto pelo gremista Paulo Sanchotene

Apesar do placar, gostei do que vi. De ambos os times, diga-se. Afinal, clube que marca três vezes no Grêmio tem muitos méritos. Eu tinha adiantado que a defesa tricolor é umas das melhores do torneio e mantenho. O placar de hoje é que foi falso. Creio que o PC foi traído pelas análises vindas de São Paulo sobre o Grêmio. Foi com o time montado para superar uma retranca que nunca aconteceu. O Grêmio, com seu quinteto no meio-de-campo, foi para o jogo. Defendeu-se, sim, mas nunca abdicou de atacar. Envolveu o Cruzeiro de modo que o “Mais Querido de Minas” não conseguiu jogar no primeiro tempo. As melhores oportunidades foram gaúchas; o goleiro celeste foi perfeito. Aliás, o gol gremista saiu num lance em que o Fábio estava batido, se não…

Na volta para o segundo tempo, viu-se o time do Cruzeiro. Se antes, houve apenas lampejos de um e outro jogador, apareceu o jogo coletivo dos mineiros. O jogo ficou mais equilibrado. Eu não vi o gol de empate. Mas, se ele animou o Cruzeiro, o Grêmio não se abateu. O jogo continuou igual. Veio a virada, num belo cruzamento e numa cabeçada perfeita. Se houve falhas, tornaram-se menores diante da qualidade dos atacantes celestes. Aí, quem se apequenou foi o time da casa. Deu a bola para o Grêmio e foi lá para trás, defender a vantagem com unhas e dentes. Fomos para cima. Atacamos como nunca se tinha visto antes no ano. Não que fosse uma pressão irresistível ou que aconteceram lances perigosíssimos, mas era um ataque fluente e constante.

Deu gosto de ver. Deu mais esperança. Mas deu para ver que o Cruzeiro sabe ser traiçoeiro, também. Enfim, acho que ao final do ano, esse terá sido um dos melhores jogos do campeonato. Contudo, o bom time do Cruzeiro terá que aprender a não dar tanto espaço ao adversário. E o Grêmio, que contra times como o Cruzeiro, deve-se ter atenção 100% do tempo.

Paulo Sanchotene, 25, gaúcho, gremista, mora em Porto Alegre.

Por quem os sinos dobravam

domingo, 23 de abril de 2006

Enquanto Cruzeiro e Atlético discutiam o título mineiro de 1956 no tapetão, o América ganhou o de 57 e pôs fogo no de 58, o qul se anunciava como verdadeiro tira-teima entre os três grandes.

Preparando-se para a batalha que se avizinhava, o presidente Manoel de Carvalho contratou o treinador Danilo Alvim, ex centromédio do Vasco e da Seleção Brasileira. Para a linha, trouxe o meia-atacante Haroldo, do América carioca. E, aqui, abre-se um parêntese para contar aos mais novos que o time rubro, hoje conhecido como o Ameriquinha do Zé Trajano era, na época, um dos grandes do futebol brasileiro.

Mas o que nos interessa é um espisódio protagonizado pela dupla Haroldo e Danilo Alvim. O Cruzeiro concentrava-se no, hoje desativado Hotel Imperador, ao lado da Rodoviária (naqueles tempos, Feira de Amostras). Bem no centro da cidade, a poucos passos da Praça Vaz de Melo, região onde se concentravam os prostíbulos, bares e cabarés mais animados, o hotel era a concentração mais inadequada do mundo. Mas o dono era cruzeirense e fazia um precinho camarada para seu clube de coração.

Pois foi a agitação boêmia da Vaz de Melo o que mais agradou ao carioca Haroldo em sua passagem por Belo Horizonte. Ele fazia qualquer coisa para não perder seu embalos de sábado à noite. Numa dessas, depois de amontoar travesseiros sob o cobertor, ele se mandou pra gandaia. Avisado, Danilo Alvim foi ao quarto do jogador e, verificando a armação, resolveu dar plantão na porta do hotel à espera do boêmio.

Lá pelas sete da matina, eis que chega o Haroldo. Cheio de ginga, gravata frouxa, colarinho desabotoado, paletó displicentemente puxado por dois dedos sobre os ombros, ele dá de cara com o tresnoitado e furioso treinador. Seguiu-se o seguinte diálogo:

- O time todo descansando pro jogo e o senhor na boêmia, né seu safado?

- Que boêmia, Seu Danilo?!

- Se não tava na farra, então, onde é que o senhor estava, seu moleque?

E o Haroldo, com a cara mais limpa do mundo:

- Na missa, Seu Danilo. Levantei cedinho, fui à missa da São José e já tô de volta.

- Mentiroso! Safado!

Fugindo da ira do chefe, Haroldo tratou de escapulir pelas escadas. Mas, pra completar a farsa, ainda resmungou:

- Sempre ouvi dizer que, aqui em Minas, é obrigação ir à missa… Parece que só Seu Danilo num sabe disso…

Enquanto isso, ao fundo, os sinos da Igreja de São José dobravam convocando os verdadeiros fiéis para missa das sete.

*****

Genivaldo, Vavá e Nilson Santos; Pireco, Amauri de Castro e Joe; Raimundinho, Pelau, Dirceu, Haroldo e Nívio foi o time do Cruzeiro que venceu o Vasco, campeão do Rio-São Paulo de 1957, por 4 x 2, em abril de 1958.

Não é de hoje…

domingo, 23 de abril de 2006

Agressões da torcida do Cruzeiro à imprensa

Malagueta

O presidente do Cruzeiro desmanchou-se em desculpas diante da agressão a bombas de que foram vítimas alguns radialistas na noite de terça-feira. Diretamente, não é responsável uma diretoria pelos desatinos e violência que possam cometer sócios e torcedores dentro dos seus domínios. A multidão não é controlável nos seus impulsos e a polícia não está preparada e muito menos orientada para evitar incidentes e conflitos Limita-se a observar os acontecimentos, quando muito interrvém depois de explodir o bochincho.

O que uma diretoria pode fazer é muito restrito. todos reconhecemos suas dificuldades nesse ponto, assim como não negamos as limitações do seu poder e influência. No caso presente, não acredito que os responsáveis pelo Cruzeiro endossassem qualquer violência e as desculpas de agora são um lugar comum, que todos devem aceitar. Mas os radialistas andam pedindo e implorando (o que é uma vergonha para a poderosa classe, com arma tão eficiente como é o rádio em suas mãos para impor sua vontade), andam exigindo cabines e acomodações nos estádios, de modo que fiquem eles resguardados da fúria de torcedores exaltados e o material das emissoras não se estrague ou seja furtado durante as transmissões.

Outro dia, contei em crônica o que vi no estádio independência. As cabines ficam justamente no meio da torcida da «coligação». Jogavam Atlético e Santos e o Santos bailava o onze mineiro. Bastou o quadro paulista marcar o primeiro gol para que um grupo de torcedores, gesticulando furiosamente, se virasse para as cabines e bradasse para os locutores: «Conheceram, atleticanada sem-vergonha?!». A «atleticanada sem-vergonha” éramos eu, o Salomão Borges, o Armando Alberto, o Valdir Lau, o Mario Pataro, o Hamilton Macedo, o Dênio Moreira, o Jaime Rigueira e todos os muitos conhecidos cronistas que não são torcedores do Atlético, mas que lá estavam trabalhando, juntamente com outros cujas simpatias pelo alvinegro são notórias.

A implicância de certo tipo de torcedores com os cronistas é muito antiga e tem sido sustentada pelas diretorias dos clubes. Acredito que as bombas atiradas terça-feira tinham endereço certo, os locutores eram o alvo delas. O Cruzeiro já havia sido solicitado a dar um jeito nos torcedores inconvenientes que se punham atrás dos microfones a soltar palavrões e a insultar os que trabalhavam. Não tomou providência alguma. Agora está ele disposto a levantar as cabines, a isolar os locutores, a dar um tratamento mais decente aos cronistas.

Também o Atlético, consultado, prometeu atender a essa reivindicação que, sendo um direito, acabou se transformando em liberalidade. O confrade Jaime Rigueira, agora na presidência de um clube que tantas injúrias, aleivosias e grosserias endossou ultimamente contra a imprensa, igualmente se prontificou a instalar melhor os seus companheiros de ofício. Dois locutores ficaram feridos pelas bombas, perderam sangue, tiveram de ser remendados por um cirurgião.

Por incrível que pareça, somente em Minas é que acontece uma coisa dessas. Uma simples reivindicação, a consagração de um direito, uma retribuição do benefício ao benfeitor, a paga ao serviço e à colaboração gratuita, espontânea e generosa, somente, obtêm os cronistas e radialistas à custa do próprio sangue. É preciso que se transformem em mártires, que sejam dilapidados primeiro pela torcida. Fico até pensando que os clubes construiriam com mais prazer uma estatua a um dos cronistas porventura morto pela multidão do que uma cabine modesta., mixuruca e sem conforto. ”

Malagueta (pseudônimo de Fortunato Pinto Junior), torcedor do América, publicava a coluna Grão de Pimenta no jornal Folha de Minas. Os episódios relatados referem-se ao Cruzeiro 0 x 2 Vasco, realizado no Estádio JK, em 15 abril de 1958. Dois dias antes, no Estádio Independência, o Cruzeiro vencera o mesmo Vasco por 4 x 2. Na revanche, o campeão do Torneio Rio-São Paulo atuou com incrìvel violência, que foi respondida pela torcida cruzeirense com bombas atiradas no gramado e nos cronistas esportivos que cobriam o jogo. O presidente do Cruzeiro, nesta ocasião, era o português Manoel de Carvalho.

Melhores momentos da jihad cruzeirense

sábado, 22 de abril de 2006

A caminho de casa, depois do serviço, liguei a Itatiaia pra saber o resultado do futebol. Os emplumados estavam eufóricos. Gonser e Abras comemoravam os 30 mil espectadores prsentes ao Mineirão como mais uma demonstração de força de sua torcida. Pensei: certamente já se esqueceram dos míseros 3 mil que compareceram ao Atlético-MG x América no Campeonato Mineiro. Sobre tal fiasco, não se manifestaram à época.

Mais um pouco e um deles anunciou o próximo compromisso dos riscados: “O próximo jogo pelo Campeonato Brasileiro será contra o CRB, semana que vem.” Epa! Faltou dizer que é o Brasileiro, sim, mas da Série B. Agora, espero que os comentaristas do blogue percebam o quanto isso é hilariante e riam. Afinal, já nos ensinou a Seleções do Reader’s Digest: “Rir é o melhor remédio!”

Uma vez em casa, resolvi selecionar um pouco do que se disse durante a jihad que os fundamentalistas cruzeirenses lançaram contra a Itatiaia por ocasião da entrevista do Júnior Brasil. Levemente editados, eis alguns posts enviados ao blogue.

“A Itatiaia é, para Minas, algo como o Fantástico e a Veja são para o Brasil. Quer se goste ou não, independente de ideologias (ainda existem?), o que é divulgado por estas emissoras é o que vale, é o que as pessoas estarão comentando/discutindo. É óbvio, pra quem não é galináceo, que a imprensa mineira é infestada por plumídeos. Fazer o quê? Sugiro sorrir de suas contorções verbais para elipsar o óbvio. Adoro ver o Son Salvador meter o pau e, ao mesmo tempo, defender aquele time.” (Pinna)

“Não ouço a Itatiaia, porém sinto que colegas neste espaço azul não gostam da postura dos seus profissionais. E os outros meios de comunicação? Minas conserva em formol sua linha de pensamento. Vive do passado, com dificuldades para enfrentar o presente. Fala do futuro como algo sonhável, desejado. Vive de símbolos que já perderam valor pra maioria das pessoas. Portanto, a mídia não podia ser diferente. A Raposa começou a depenar o Galo, há 40 anos, quando o Mineirão foi inaugurado. Mas o poder midiático mineiro, comandado por gente que vive do passado, ainda não descobriu isso. Vive lembrando um título brasileiro de 1971, do século passado, como diz o Neuber Soares. Mas acho interessante este debate que se abre. Os repórteres de uma emissora dificilmente ficarão no trabalho se não seguirem as orientações dos patrões. Cabe a nós, consumidores do seu produto, concordar ou não com o que é nos oferecido. Devemos pressionar para obter mudanças no enfoque dado pelos profissionais do Rádio e de outros veículos de comunicação. Ou mudar de canal. A opção é nossa.” (Albano)

“Estive durante toda a semana santa em BH e tive a oportunidade de assistir ao programa de TV no qual o Junior Brasil é comentarista. Achei que ele é ponderado nas palavras, porém o alfinete é afiado, tanto pra lá quanto pra cá. Se as palavras dele deixaram alguém em dúvida, ou se a postura da Rádio Itatiaia não lhes parece a melhor ou mais isenta, temos a liberdade de mudar a sintonia e escutar aquilo que nos é mais agradável. Comentários com insinuações e instigações não levam a nada. Há que se observar bem o tom do debate.” (Ricardo)

“Tem gente boa na mídia é que torcedor cacarejante até dizer chega. Son Salvador, que não esconde de ninguém que é cacarejante, tem lisura para comentar as coisas. Os que distorcem os fatos, sempre em benefício do time do cais sem título é que me incomodam. Existem indicadores de mídia que medem o caráter das menções. É o índice de favorabilidade. Se você faz um programa dedicado a um clube é mais que natural que seja tendencioso. Porém, nos programas de debates, há que se buscar tratamento igualitário. O importante é que sejamos justos ao comentar os fatos. É possível ser sério, ser equilibrado e não puxar tanto a sardinha pra sua brasa. Que os donos da Itatiaia vejam se tem agido assim… é o que a gente espera.” (Chiabi)

“BH é diferente de Porto Alegre. Aqui, à exceção de uns dois ou três, a maioria pauta-se em busca da neutralidade. Mesmo aqueles que a gente sabe para que times torcem (mas que não revelam), esforçam-se tanto para serem neutros, que muitas vezes “passam a mão na cabeça” do rival e “sentam a pua” no time de coração. Além disso, o torcedor clama por mais neutralidade. Essa de torcedor reclamar que jornalista não apóia o time, para mim, é novidade.” (Sanchotene)

“Quando me referi às benesses recebidas por repórteres, não estava me referindo ao Júnior Brasil. Uma velharia das rádios, televisões e jornais mineiros é a responsável por isso. Os novos que tentam mudar alguma coisa são constrangidos a “irem com calma”. Parece que ficou a impressão de que me referia ao Júnior Brasil, mas eu me referi ao contexto geral. O próprio Júnior Brasil admite existirem bons e maus profissionais na mídia. Frisei que na própria emissora em que ele trabalha isso acontece. E é impossível dissociar mocinhos de bandidos quando fazem questão de misturar tudo.” (Evandro)

“Estou largando a Atretiaia. Se ainda não larguei completamente, é porque sou amigo do Junior Brasil.” (Ianni)

“De Santo o Júnior Brasil não tem nada. Ele afirma que entra vez ou outra no site, portanto sabe da repulsa da torcida contra ele e a empresa para a qual trabalha… Ele engana aos bobos e aos desavisados, mas a Velha Guarda marcha unida e jamais vai se render a crápulas e carniceiros de plantão! Salve a Velha Guarda, defensora honesta do Cruzeiro, dos princípios éticos, da educação e da verdade!” (Isaac)

“Nunca morei em Minas, apesar de ser um belorizontino descendente de italianos. Visto ocasionalmente a cidade para rever familiares ou a trabalho. Vivi sempre no Rio de Janeiro e em São Paulo (seis anos), mas não há como descordar de tudo que os colegas escreveram. As evidências falam por si só. Também não suporto os comentaristas que trabalham nos jogos do Cruzeiro… Percebo, nitidamente, que essa preferência da mídia mineira pelo Atlético acaba influenciando a de outros estados. Quando você ouve comentários nas bairristas rádios cariocas relativas ao futebol mineiro, fica sempre no ar uma impressão que ainda tendem a considerar mais o Atlético como referência em Minas. Se meios de informação mais sérios e especializados em esportes, como o Lance!, o programa Sport Visão da TVE e o programa Troca de Passes, do SportTV, não existissem, a maioria dos desinformados jornalistas esportivos das rádios daqui ainda estariam falando que a torcida do Atlético é a maior de Minas… Agora, como não sou homem de meias palavras, e nem tenho o perfil de escrever alguma coisa para agradar a quem quer que seja, digo que devemos parar com essa hipocrisia que sempre ouço de que é bom que a imprensa mineira continue como é, pois foi por conta disto que o Atlético está na situação em que está e o Cruzeiro está sempre crescendo. Não concordo de jeito nenhum com isso. Acho que quem fala isto é da “boca para fora”. Quero é uma imprensa mineira realmente isenta e não tendenciosa como esta atual. Jamais teremos prejuízo com isto, inclusive porque o exemplo do rival local nos serve como alerta. Tenho certeza que teremos, sim, muito a ganhar, pois com uma imprensa que não conspire contra nós. Se tal ocorrer, podemos progredir ainda mais e mais rapidamente, pois com certeza ganharemos evidência e mais rapidamente conquistaremos novos torcedores. E com mais torcedores, teremos melhores contratos, parcerias, venderemos mais produtos e por aí vai.” (Jerônimo)

“Um dos maiores protestos da torcida cruzeirense é o tempo dedicado nos programas esportivos coordenados por Júnior. Brasil a cada time. Cinco minutos para Cruzeiro, dois para América, Ipatinga etc. O resto fica para o Atlético-MG. Quanto à existência de equipes exclusivas, digo que só temos o narrador nossa. E esse espaço só ocorre no jogo do time, não se repetindo no restante da programação.” (Schulman)

“Não quero passar imagem nenhuma e nem convencer ninguém de nada. Sou muito transparente e autêntico para ser doutrinado ou falar algo decorado. Falo minha verdade. Atendi a um convite para uma entrevista ao blog. Por acreditar em democracia e civilidade, topei a parada. Não imaginava encontrar tanto ódio, mas faz parte. Creio que todos os senhores são independentes, autênticos, mas parecem desconhecer hierarquia e chefias. Parece só respeitarem o que lhes convém… Volto a dizer, nunca fui obrigado a nada na Rádio Itatiaia que, pra mim, é um espaço democrático para se trabalhar. Tenho a sensação que entrei num tribunal para ser julgado e condenado. Antecipadamente, aliás. Pensei que seria diferente, mas tudo bem… Não preciso inventar que atleticanos falam que a Itatiaia tem seus momentos de cruzeirense. Isto acontece também. O torcedor é passional e confunde as coisas em determinadas situações. Mas sei muito bem a fama que a emissora tem, não sou ingênuo. Eu mesmo disse que há bons e maus profissionais na imprensa, assim como em todas as demais atividades. Eu não sou a Itatiaia. Ela é um conjunto, uma diversidade. Apenas faço parte desta casa de que gosto muito. Fico a perguntar-me se o restante da imprensa é santa e só nós somos o mal. Estou cansado de ver jornalistas cruzeirenses que têm conduta prejudicial ao clube ao comentarem a partir de interesses, que não representam o bem do Cruzeiro. Até a amizade com um dirigente pode atrapalhar no exercício da profissão. Eu faço meu trabalho de forma independente. Este é meu caminho. Falamos muito na Rádio do episódio do São Caetano, mas a justiça não levou o caso  adiante. Será que os senhores só escutam a rádio quando lhes é conveniente? Apontem, por favor, quem, deu mais cacete no Bruno, por suas falas, do que eu. Adoto somente um peso e uma medida, doa a quem doer. Falei que o Ziza lutou por um direito, mas que não soube para, e que estava incitando a torcida à violência. Novamente, deixo a pergunta: será que os senhores escutam tudo ou só o que lhes agrada e coincide com suas verdades? Por fim, não sou homem de amarelar, mas não entrei no blog para ser julgado. Pensei que a entrevista teria um resultado positivo, mas vejo outra coisa. Não preciso sentar em nenhum tribunal. Infelizmente, pela forma com que tudo ocorreu, não responderei mais pelo site. Mas como não sou de amarelar, quando insinuarem que amarelei, peço que o digam na minha cara. Debater ao vivo, olhando no olho, falando e sustentando o que é dito é melhor para os verdadeiros homens. Em momento algum acusei os senhores com relação à integridade e ao trabalho que realizam. Faço um trabalho sério, que visa o bem do futebol mineiro. Quero o melhor para o Cruzeiro. Mas responsabilidade está acima de tudo. Expus-me num debate, que pretendia ser sério, mas não houve reciprocidade na forma com que os senhores colocaram suas palavras.” (Júnior Brasil)

Páginas Heróicas Digitais

sábado, 22 de abril de 2006

Modéstia às favas! Elogio do Ernesto Araújo é coisa muito séria pra ficar escondida. Vão dizer que estou mascarado, de salto alto, cheio de pernas e sei lá mais o quê! Só não poderão me acusar de fingir virtudes como a humildade e nem de apontar alguma hipocrisia. Gostei do único elogio que recebi até agora. Quer dizer, posso até tomar goleada, mas a zero é que não será. Posto isto, à leitura do e-mail do cruzeirense exilado em Santos. 

“Finalmente, pude ler com mais calma o seu blog pra poder falar sobre ele. E a única coisa que posso dizer é que está simplesmente excelente. Não pense que falo isso meramente em nome do contato que temos on line. Nada disso. Aliás, creio que se o fizesse tenho certeza que vc não levaria em conta essa opinião. 

Mas pelo contrário… Falo com isenção e sinceridade. O texto está bem legal, dinâmico, algo agressivo, algo irônico… Uma ótima leitura, não só sobre o Cruzeiro mas com pinceladas sobre outros assuntos ligados ao futebol. O Cruzeiro.Org ganhou uma excelente contribuição.

E ainda como se isso fosse pouco, vc ainda teve a ótima idéia de trazer os comentários de outros colaboradores, como Ney Pacheco e Paulo Sanchotene, que de leve lembram-me os tempos do Futiba. Espero que vc possa continuar tendo tempo e inspiração para estas páginas heróicas digitais.”