A caminho de casa, depois do serviço, liguei a Itatiaia pra saber o resultado do futebol. Os emplumados estavam eufóricos. Gonser e Abras comemoravam os 30 mil espectadores prsentes ao Mineirão como mais uma demonstração de força de sua torcida. Pensei: certamente já se esqueceram dos míseros 3 mil que compareceram ao Atlético-MG x América no Campeonato Mineiro. Sobre tal fiasco, não se manifestaram à época.
Mais um pouco e um deles anunciou o próximo compromisso dos riscados: “O próximo jogo pelo Campeonato Brasileiro será contra o CRB, semana que vem.” Epa! Faltou dizer que é o Brasileiro, sim, mas da Série B. Agora, espero que os comentaristas do blogue percebam o quanto isso é hilariante e riam. Afinal, já nos ensinou a Seleções do Reader’s Digest: “Rir é o melhor remédio!”
Uma vez em casa, resolvi selecionar um pouco do que se disse durante a jihad que os fundamentalistas cruzeirenses lançaram contra a Itatiaia por ocasião da entrevista do Júnior Brasil. Levemente editados, eis alguns posts enviados ao blogue.
“A Itatiaia é, para Minas, algo como o Fantástico e a Veja são para o Brasil. Quer se goste ou não, independente de ideologias (ainda existem?), o que é divulgado por estas emissoras é o que vale, é o que as pessoas estarão comentando/discutindo. É óbvio, pra quem não é galináceo, que a imprensa mineira é infestada por plumídeos. Fazer o quê? Sugiro sorrir de suas contorções verbais para elipsar o óbvio. Adoro ver o Son Salvador meter o pau e, ao mesmo tempo, defender aquele time.” (Pinna)
“Não ouço a Itatiaia, porém sinto que colegas neste espaço azul não gostam da postura dos seus profissionais. E os outros meios de comunicação? Minas conserva em formol sua linha de pensamento. Vive do passado, com dificuldades para enfrentar o presente. Fala do futuro como algo sonhável, desejado. Vive de símbolos que já perderam valor pra maioria das pessoas. Portanto, a mídia não podia ser diferente. A Raposa começou a depenar o Galo, há 40 anos, quando o Mineirão foi inaugurado. Mas o poder midiático mineiro, comandado por gente que vive do passado, ainda não descobriu isso. Vive lembrando um título brasileiro de 1971, do século passado, como diz o Neuber Soares. Mas acho interessante este debate que se abre. Os repórteres de uma emissora dificilmente ficarão no trabalho se não seguirem as orientações dos patrões. Cabe a nós, consumidores do seu produto, concordar ou não com o que é nos oferecido. Devemos pressionar para obter mudanças no enfoque dado pelos profissionais do Rádio e de outros veículos de comunicação. Ou mudar de canal. A opção é nossa.” (Albano)
“Estive durante toda a semana santa em BH e tive a oportunidade de assistir ao programa de TV no qual o Junior Brasil é comentarista. Achei que ele é ponderado nas palavras, porém o alfinete é afiado, tanto pra lá quanto pra cá. Se as palavras dele deixaram alguém em dúvida, ou se a postura da Rádio Itatiaia não lhes parece a melhor ou mais isenta, temos a liberdade de mudar a sintonia e escutar aquilo que nos é mais agradável. Comentários com insinuações e instigações não levam a nada. Há que se observar bem o tom do debate.” (Ricardo)
“Tem gente boa na mídia é que torcedor cacarejante até dizer chega. Son Salvador, que não esconde de ninguém que é cacarejante, tem lisura para comentar as coisas. Os que distorcem os fatos, sempre em benefício do time do cais sem título é que me incomodam. Existem indicadores de mídia que medem o caráter das menções. É o índice de favorabilidade. Se você faz um programa dedicado a um clube é mais que natural que seja tendencioso. Porém, nos programas de debates, há que se buscar tratamento igualitário. O importante é que sejamos justos ao comentar os fatos. É possível ser sério, ser equilibrado e não puxar tanto a sardinha pra sua brasa. Que os donos da Itatiaia vejam se tem agido assim… é o que a gente espera.” (Chiabi)
“BH é diferente de Porto Alegre. Aqui, à exceção de uns dois ou três, a maioria pauta-se em busca da neutralidade. Mesmo aqueles que a gente sabe para que times torcem (mas que não revelam), esforçam-se tanto para serem neutros, que muitas vezes “passam a mão na cabeça” do rival e “sentam a pua” no time de coração. Além disso, o torcedor clama por mais neutralidade. Essa de torcedor reclamar que jornalista não apóia o time, para mim, é novidade.” (Sanchotene)
“Quando me referi às benesses recebidas por repórteres, não estava me referindo ao Júnior Brasil. Uma velharia das rádios, televisões e jornais mineiros é a responsável por isso. Os novos que tentam mudar alguma coisa são constrangidos a “irem com calma”. Parece que ficou a impressão de que me referia ao Júnior Brasil, mas eu me referi ao contexto geral. O próprio Júnior Brasil admite existirem bons e maus profissionais na mídia. Frisei que na própria emissora em que ele trabalha isso acontece. E é impossível dissociar mocinhos de bandidos quando fazem questão de misturar tudo.” (Evandro)
“Estou largando a Atretiaia. Se ainda não larguei completamente, é porque sou amigo do Junior Brasil.” (Ianni)
“De Santo o Júnior Brasil não tem nada. Ele afirma que entra vez ou outra no site, portanto sabe da repulsa da torcida contra ele e a empresa para a qual trabalha… Ele engana aos bobos e aos desavisados, mas a Velha Guarda marcha unida e jamais vai se render a crápulas e carniceiros de plantão! Salve a Velha Guarda, defensora honesta do Cruzeiro, dos princípios éticos, da educação e da verdade!” (Isaac)
“Nunca morei em Minas, apesar de ser um belorizontino descendente de italianos. Visto ocasionalmente a cidade para rever familiares ou a trabalho. Vivi sempre no Rio de Janeiro e em São Paulo (seis anos), mas não há como descordar de tudo que os colegas escreveram. As evidências falam por si só. Também não suporto os comentaristas que trabalham nos jogos do Cruzeiro… Percebo, nitidamente, que essa preferência da mídia mineira pelo Atlético acaba influenciando a de outros estados. Quando você ouve comentários nas bairristas rádios cariocas relativas ao futebol mineiro, fica sempre no ar uma impressão que ainda tendem a considerar mais o Atlético como referência em Minas. Se meios de informação mais sérios e especializados em esportes, como o Lance!, o programa Sport Visão da TVE e o programa Troca de Passes, do SportTV, não existissem, a maioria dos desinformados jornalistas esportivos das rádios daqui ainda estariam falando que a torcida do Atlético é a maior de Minas… Agora, como não sou homem de meias palavras, e nem tenho o perfil de escrever alguma coisa para agradar a quem quer que seja, digo que devemos parar com essa hipocrisia que sempre ouço de que é bom que a imprensa mineira continue como é, pois foi por conta disto que o Atlético está na situação em que está e o Cruzeiro está sempre crescendo. Não concordo de jeito nenhum com isso. Acho que quem fala isto é da “boca para fora”. Quero é uma imprensa mineira realmente isenta e não tendenciosa como esta atual. Jamais teremos prejuízo com isto, inclusive porque o exemplo do rival local nos serve como alerta. Tenho certeza que teremos, sim, muito a ganhar, pois com uma imprensa que não conspire contra nós. Se tal ocorrer, podemos progredir ainda mais e mais rapidamente, pois com certeza ganharemos evidência e mais rapidamente conquistaremos novos torcedores. E com mais torcedores, teremos melhores contratos, parcerias, venderemos mais produtos e por aí vai.” (Jerônimo)
“Um dos maiores protestos da torcida cruzeirense é o tempo dedicado nos programas esportivos coordenados por Júnior. Brasil a cada time. Cinco minutos para Cruzeiro, dois para América, Ipatinga etc. O resto fica para o Atlético-MG. Quanto à existência de equipes exclusivas, digo que só temos o narrador nossa. E esse espaço só ocorre no jogo do time, não se repetindo no restante da programação.” (Schulman)
“Não quero passar imagem nenhuma e nem convencer ninguém de nada. Sou muito transparente e autêntico para ser doutrinado ou falar algo decorado. Falo minha verdade. Atendi a um convite para uma entrevista ao blog. Por acreditar em democracia e civilidade, topei a parada. Não imaginava encontrar tanto ódio, mas faz parte. Creio que todos os senhores são independentes, autênticos, mas parecem desconhecer hierarquia e chefias. Parece só respeitarem o que lhes convém… Volto a dizer, nunca fui obrigado a nada na Rádio Itatiaia que, pra mim, é um espaço democrático para se trabalhar. Tenho a sensação que entrei num tribunal para ser julgado e condenado. Antecipadamente, aliás. Pensei que seria diferente, mas tudo bem… Não preciso inventar que atleticanos falam que a Itatiaia tem seus momentos de cruzeirense. Isto acontece também. O torcedor é passional e confunde as coisas em determinadas situações. Mas sei muito bem a fama que a emissora tem, não sou ingênuo. Eu mesmo disse que há bons e maus profissionais na imprensa, assim como em todas as demais atividades. Eu não sou a Itatiaia. Ela é um conjunto, uma diversidade. Apenas faço parte desta casa de que gosto muito. Fico a perguntar-me se o restante da imprensa é santa e só nós somos o mal. Estou cansado de ver jornalistas cruzeirenses que têm conduta prejudicial ao clube ao comentarem a partir de interesses, que não representam o bem do Cruzeiro. Até a amizade com um dirigente pode atrapalhar no exercício da profissão. Eu faço meu trabalho de forma independente. Este é meu caminho. Falamos muito na Rádio do episódio do São Caetano, mas a justiça não levou o caso adiante. Será que os senhores só escutam a rádio quando lhes é conveniente? Apontem, por favor, quem, deu mais cacete no Bruno, por suas falas, do que eu. Adoto somente um peso e uma medida, doa a quem doer. Falei que o Ziza lutou por um direito, mas que não soube para, e que estava incitando a torcida à violência. Novamente, deixo a pergunta: será que os senhores escutam tudo ou só o que lhes agrada e coincide com suas verdades? Por fim, não sou homem de amarelar, mas não entrei no blog para ser julgado. Pensei que a entrevista teria um resultado positivo, mas vejo outra coisa. Não preciso sentar em nenhum tribunal. Infelizmente, pela forma com que tudo ocorreu, não responderei mais pelo site. Mas como não sou de amarelar, quando insinuarem que amarelei, peço que o digam na minha cara. Debater ao vivo, olhando no olho, falando e sustentando o que é dito é melhor para os verdadeiros homens. Em momento algum acusei os senhores com relação à integridade e ao trabalho que realizam. Faço um trabalho sério, que visa o bem do futebol mineiro. Quero o melhor para o Cruzeiro. Mas responsabilidade está acima de tudo. Expus-me num debate, que pretendia ser sério, mas não houve reciprocidade na forma com que os senhores colocaram suas palavras.” (Júnior Brasil)